Adenomiose
A parede do útero é feita de duas camadas diferentes: o revestimento interno, que todos os meses engrossa e sai com a menstruação, e o músculo espesso que…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Adenomiose
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 40 mg/mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Kern Pharma S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 40 mg/mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Normon S.A.Não requer receita médica
A parede do útero é feita de duas camadas diferentes: o revestimento interno, que todos os meses engrossa e sai com a menstruação, e o músculo espesso que fica por baixo. Na adenomiose, ilhas desse revestimento entram no músculo e ficam lá. Obedecem às mesmas hormonas que o revestimento normal: incham e sangram dentro do tecido muscular, onde o sangue não tem por onde sair. O útero aumenta, fica firme e dolorido, e as menstruações tornam-se abundantes e penosas. Não é um tumor nem uma lesão que antecede o tumor, mas desgasta muito o dia a dia, e muitas mulheres só pedem ajuda anos depois, por terem aceitado que menstruações extenuantes são o seu normal.
O que acontece na parede do útero
Os focos instalados no músculo comportam-se como pequenas zonas que menstruam. Em volta cresce tecido fibroso, o músculo engrossa de forma irregular e o útero aumenta no conjunto, com uma consistência entre mole e densa. Daí vem o peso na parte baixa do ventre e a sensação de barriga inchada, ainda que a balança não se mexa.
A causa não é totalmente conhecida. Pensa-se que conta a lesão da fronteira entre as duas camadas: partos, cesarianas, raspagens ou cirurgias ao útero. A adenomiose encontra-se sobretudo a partir dos trinta e cinco anos, em especial em quem já teve filhos, e aparece muitas vezes ao lado de miomas ou de endometriose. Depende por inteiro das hormonas, pelo que depois da menopausa apaga-se por si.
Como se dá a notar
- menstruações dolorosas, com dor surda ou em cólica, muitas vezes pior de ano para ano, que se estende à zona lombar e às coxas;
- menstruações abundantes com coágulos, com um absorvente a durar uma ou duas horas e planos que têm de ser desmarcados;
- dor na parte baixa do ventre fora da menstruação, às vezes constante;
- inchaço e sensação de tensão no abdómen, peso na bacia;
- dor nas relações sexuais, sobretudo na penetração profunda;
- sinais de anemia pela perda de sangue: fraqueza, falta de ar a subir escadas, palidez, unhas quebradiças, vontade de mastigar gelo;
- urinar com frequência ou prisão de ventre, se o útero aumentado pressiona os órgãos vizinhos.
Cerca de um terço das mulheres não sente nada e a adenomiose surge por acaso numa ecografia. Sem sintomas não há nada a tratar.
Quando não vale a pena esperar
Marque consulta de ginecologia se as menstruações ficaram claramente mais abundantes ou mais dolorosas, se a dor impede trabalhar e dormir, se apareceu dor nas relações ou se o abdómen está inchado há mais de três semanas. Menstruações abundantes que se arrastam durante meses acabam quase sempre em falta de ferro, e isso trata-se, não se aguenta.
À parte ficam os avisos que não podem ser atribuídos à adenomiose antes de um médico ver:
- hemorragia entre menstruações ou depois das relações;
- qualquer hemorragia depois da menopausa;
- perdas de sangue e dor abdominal com um atraso menstrual: pode ser uma gravidez fora do útero;
- absorvente ou tampão encharcados em menos de uma hora, várias horas seguidas, com tonturas, vista a escurecer ou desmaio: ligue 112;
- dor abdominal súbita com febre, vómitos ou corrimento com mau odor.
Os mesmos sinais aparecem com pólipos, miomas, infeções, alterações do colo do útero e, menos vezes, com tumores do corpo ou do colo do útero. Ter adenomiose não impede que exista outra coisa ao mesmo tempo, por isso o diagnóstico faz-se depois dos exames e não pela coincidência das queixas.
Como se chega ao diagnóstico
Começa pelas perguntas: quantos dias dura a menstruação, com que frequência é preciso mudar a proteção, se há coágulos, em que momento dói. Ajuda muito manter um diário durante duas ou três semanas — é mais fiável do que reconstruir de memória na consulta.
Seguem-se a palpação do abdómen e o exame interno. O exame principal é a ecografia por via vaginal: reconhece o espessamento irregular da parede, as pequenas cavidades dentro do músculo e a forma arredondada do útero. Ficando dúvidas, pede-se ressonância magnética, que desenha bem a fronteira entre as camadas e ajuda a separar a adenomiose de um mioma. Pedem-se sempre análises com hemograma e reservas de ferro. Durante muito tempo julgou-se que o diagnóstico exigia remover o útero e estudar o tecido ao microscópio; hoje a imagem resolve-o com segurança.
O que alivia a dor e as perdas
O tratamento escolhe-se pelo que mais incomoda: a dor, a perda de sangue ou o desejo de engravidar. Começa-se pelo mais suave.
- anti-inflamatórios analgésicos, iniciados no dia anterior à dor esperada e mantidos nos primeiros dias, porque assim rendem mais do que tomados no auge;
- medicamentos que reduzem a quantidade de sangue perdido, indicados pelo médico tendo em conta a tendência para trombos;
- o dispositivo intrauterino com hormona: afina o revestimento interno, as menstruações ficam escassas e bastante menos dolorosas e é muitas vezes a primeira escolha;
- contracetivos hormonais em pílula, adesivo ou anel e preparados à base de progestativos, se o dispositivo não servir;
- medicamentos que desligam temporariamente os ovários, em ciclos curtos e em regra como preparação para uma cirurgia;
- ferro quando há anemia: sem ele as forças não voltam, por muito bem que se trate o útero.
Se nada disto chegar, discutem-se os procedimentos: fechar os vasos que alimentam o útero, destruir o revestimento interno ou remover o útero. O último encerra a adenomiose de forma definitiva, mas fecha a porta à gravidez, pelo que a decisão toma-se sem pressa e depois de tentado o resto.
Em casa aliviam o calor sobre o baixo ventre, um duche morno, atividade física leve e o aparelho de eletroestimulação nervosa transcutânea. Nada disso atua sobre os focos, mas torna suportáveis os dias maus.
Gravidez e planeamento
A adenomiose pode dificultar a conceção e aumenta a probabilidade de aborto espontâneo e de parto prematuro, porque uma parede alterada acolhe pior o embrião. Não é uma sentença: muitas mulheres engravidam sozinhas e levam a gravidez até ao fim. Se a gravidez não acontecer no espaço de um ano, ou de seis meses depois dos trinta e cinco, vale a pena estudar o casal e falar de tratamentos que não bloqueiem a conceção ou de reprodução assistida. Quem está a planear deve saber antes: parte dos medicamentos da lista acima não é compatível com a gravidez, e o esquema muda-se antes de ela começar, não depois.
Consulta em linha: em que ajuda
Em linha é cómodo abrir uma conversa que dá algum embaraço e que é fácil ir adiando. O ginecologista percorre o diário das menstruações, avalia se a perda de sangue cabe no normal, indica que análises e que exame convém ter antes da consulta presencial e explica o que fazer com um relatório de ecografia já em mão. À distância cabem também a escolha entre pílula, dispositivo e cirurgia, os efeitos indesejáveis de um tratamento já iniciado e o planeamento de uma gravidez. O exame, a ecografia e a colheita de zaragatoas não se fazem assim, e diante de uma hemorragia intensa com tonturas ou desmaio é preciso socorro urgente.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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