Nesta página
- Como se faz notar
- A falta de B12 atinge os nervos, não só o sangue
- De onde vem a falta de vitamina B12
- Porque falta o ácido fólico
- Como se descobre o que está mesmo em falta
- Porque não se pode começar só com ácido fólico
- Tratamento: com o quê, como e durante quanto tempo
- Ácido fólico antes e no início da gravidez
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Anemia por deficiência de vitamina B12 ou de ácido fólico
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 µgSubstância ativa: folic acidFabricante: Versalya Pharma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 5 mgSubstância ativa: folic acidFabricante: Neuraxpharm Spain S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 5 mg de ácido fólicoSubstância ativa: folic acidFabricante: Italfarmaco S.A.Requer receita médica
A medula óssea precisa de vitamina B12 e de ácido fólico (também chamado vitamina B9 ou folato) para construir glóbulos vermelhos normais. Quando um dos dois falta, a divisão celular emperra: produzem-se menos glóbulos vermelhos do que o habitual e saem grandes, imaturos e mal preparados para transportar oxigénio. A esta anemia chama-se megaloblástica, e o hemograma distingue-a com facilidade da anemia por falta de ferro, em que os glóbulos vermelhos são, pelo contrário, pequenos e pálidos. A diferença não é um pormenor: o tratamento é outro por completo, e o ferro que muita gente começa a tomar por sua iniciativa aqui não resolve nada. Mas o mais importante deste tema nem sequer é o sangue. A vitamina B12 é necessária também às bainhas dos nervos, e é justamente a lesão dos nervos a parte mais grave da doença e a que mais escapa.
Como se faz notar
Tudo se instala devagar, ao longo de meses, e a pessoa costuma ter tempo de se habituar ao seu estado e de o atribuir ao trabalho, à idade ou a dormir pouco. O conjunto habitual de queixas: cansaço permanente que o sono não resolve, fraqueza, falta de ar e palpitações em esforços que antes eram fáceis, dores de cabeça, palidez, zumbidos nos ouvidos e tonturas ao levantar-se.
Há sinais mais reconhecíveis. A língua fica lisa, de um vermelho vivo, como que «envernizada», e reage com dor ao quente e ao picante; surgem aftas na boca e fissuras nos cantos dos lábios. Perde-se o apetite, muda o paladar, incomodam náuseas, inchaço e dejeções irregulares, e perde-se peso. A pele adquire por vezes um tom ligeiramente amarelado, o que acontece quando glóbulos vermelhos defeituosos se destroem antes do tempo.
Não espere por uma marcação de rotina se surgirem dor no peito, falta de ar em repouso ou ao mínimo movimento, desmaios ou batimento muito acelerado: numa anemia grave o coração trabalha no limite, e essa situação exige atenção no próprio dia; havendo dor no peito, chamar a ambulância.
A falta de B12 atinge os nervos, não só o sangue
É o que vale a pena retirar de todo o texto. A vitamina B12 participa na construção da mielina, a bainha ao longo da qual os nervos conduzem o sinal. Quando falta, sofrem os nervos periféricos e a parte posterior da medula espinal, e aparece um quadro próprio, separado da anemia:
- dormência, formigueiro, sensação de picadas ou de ardor nos pés e nas mãos, em geral dos dois lados e de forma simétrica, começando pelos dedos dos pés;
- instabilidade a andar, sobretudo no escuro e de olhos fechados, sensação de pisar em algodão, perda de confiança nas escadas;
- fraqueza nas pernas, cãibras, tropeções e quedas;
- piora da memória e da atenção, dificuldade em encontrar as palavras, pensamento lento, confusão;
- abatimento, ansiedade, irritabilidade e, nas pessoas idosas, um estado que se confunde facilmente com o início de uma demência;
- dificuldades em urinar, diminuição do desejo sexual e, com menos frequência, visão turva.
Seguem-se duas circunstâncias por causa das quais esta parte da doença se perde tantas vezes. A primeira: os nervos podem sofrer antes do sangue. A hemoglobina pode estar perfeitamente normal e os glóbulos vermelhos de tamanho corrente, e a pessoa vai para casa com um «as análises estão boas». Acontece com frequência, e o hemograma por si só não chega para excluir uma deficiência de B12. A segunda: quanto mais tempo isto dura, menos há para recuperar. O sangue repõe-se em semanas; os nervos, em meses, e nem sempre por inteiro. Se as alterações neurológicas duram há cerca de um ano ou mais, uma parte costuma ficar para sempre. Por isso pés dormentes e instabilidade não são motivo para «ir observando», mas para fazer análises já.
De onde vem a falta de vitamina B12
O organismo guarda no fígado uma reserva de vitamina B12 que dá para vários anos, pelo que a carência se instala muito antes das primeiras queixas. Quase sempre o problema não é haver pouca vitamina no prato, mas ela não ser absorvida.
- Anemia perniciosa. A causa mais frequente de falta de B12 no adulto. O sistema imunitário ataca as células do estômago que produzem o fator intrínseco, a proteína sem a qual a vitamina simplesmente não é absorvida no intestino. É mais comum em pessoas idosas, quando há outras doenças autoimunes — da tiroide, diabetes tipo 1, vitiligo — e quando há casos na família.
- Cirurgia ao estômago e ao intestino. Remoção de parte do estômago, cirurgia bariátrica, resseção do troço final do intestino delgado, que é precisamente onde a B12 é absorvida.
- Doenças do intestino. Doença celíaca, doença de Crohn, gastrite atrófica, situações com crescimento bacteriano excessivo no intestino delgado.
- Medicamentos. A metformina tomada durante muito tempo e os fármacos que reduzem a acidez do estômago, ou seja, os inibidores da bomba de protões e os anti-H2. Em quem os usa vale a pena medir a B12 de tempos a tempos.
- Alimentação. A vitamina B12 só existe em alimentos de origem animal, por isso o vegetarianismo estrito e sobretudo o veganismo sem suplementos nem alimentos enriquecidos acabam mais cedo ou mais tarde em carência. O mesmo vale para o lactente, se for a mãe a seguir uma dieta vegana.
- Protóxido de azoto. O chamado «gás hilariante», usado para alívio da dor e, infelizmente, também de forma recreativa, inativa a vitamina B12 no organismo. Com inalações repetidas provoca lesão grave dos nervos, por vezes em pessoas muito jovens.
Porque falta o ácido fólico
Aqui o mecanismo é outro. A reserva de ácido fólico do organismo dá apenas para alguns meses; é solúvel em água e não fica guardada, por isso tem de chegar de forma contínua, e a carência instala-se depressa, em semanas e meses em vez de anos.
- Alimentação monótona. O ácido fólico existe nas verduras de folha, nos brócolos e nas couves, nas leguminosas, nos espargos, na beterraba, nos citrinos e nos frutos secos. Uma dieta em que quase nada disto aparece é a causa mais frequente. As cozeduras longas destroem boa parte da vitamina.
- Álcool. O consumo habitual dificulta absorver e reter o ácido fólico e costuma vir acompanhado de uma dieta pobre. É uma das causas mais espalhadas no adulto.
- Má absorção. Doença celíaca e outras doenças do intestino delgado que danificam a sua mucosa.
- Medicamentos. Alguns antiepiléticos, o metotrexato, a sulfassalazina e o uso prolongado de fármacos que interferem no metabolismo dos folatos.
- Maior gasto. Gravidez e amamentação, prematuridade, crescimento rápido, doenças hemolíticas do sangue, psoríase e outras situações com renovação celular acelerada, diálise prolongada.
Como se descobre o que está mesmo em falta
Começa-se por um hemograma, que mostra a hemoglobina e o tamanho médio dos glóbulos vermelhos. Glóbulos vermelhos grandes são uma pista forte, mas também aqui há uma armadilha: se ao mesmo tempo faltar ferro, os tamanhos fazem média e parecem normais. Depois medem-se os níveis de vitamina B12 e de ácido fólico no sangue.
Os resultados de B12 no limite são frequentes e por si decidem pouco, pelo que, se as queixas persistirem, o médico pode acrescentar parâmetros mais finos: a homocisteína e o ácido metilmalónico, que sobem quando a carência é real ao nível dos tecidos, mesmo com a vitamina no sangue a parecer aceitável. Havendo suspeita de anemia perniciosa, procuram-se anticorpos contra o fator intrínseco e contra as células do estômago. Na mesma altura verificam-se a função da tiroide, os anticorpos da doença celíaca e o funcionamento do fígado e dos rins, e se o quadro não ficar claro segue-se referenciação a gastrenterologia ou hematologia e pondera-se uma endoscopia alta.
O que convém contar ao médico à partida: as cirurgias ao estômago e ao intestino, todos os medicamentos, incluindo os produtos sem receita para a azia, como é a alimentação, o consumo de álcool e de protóxido de azoto, as doenças autoimunes na família. E, à parte, todas as sensações neurológicas, mesmo que pareçam ninharias: são elas que mudam tanto a urgência como o esquema de tratamento.
Porque não se pode começar só com ácido fólico
Este é o ponto mais perigoso de todo o assunto, e o erro comete-se com a melhor das intenções. O ácido fólico vende-se sem receita e custa muito pouco, e o quadro do sangue é igual nas duas carências. Uma pessoa com dormência nos pés e hemoglobina baixa começa a tomar ácido fólico — e a análise melhora mesmo: os glóbulos vermelhos normalizam, a hemoglobina sobe, e durante algum tempo sente-se melhor.
Só que sobre os nervos o ácido fólico não atua. Se a causa verdadeira era a deficiência de B12, a produção de sangue endireita-se enquanto a destruição das bainhas dos nervos continua — agora em silêncio, porque a análise ao sangue, o único sinal de alarme que havia, ficou normal. Perdem-se assim meses e, com eles, a possibilidade de reverter a lesão neurológica. É por isso que a ordem é rígida: determina-se primeiro a vitamina B12 e, se estiver baixa, começa-se por repor B12, acrescentando o ácido fólico depois. Desta regra há uma única exceção do dia a dia: o ácido fólico tomado por uma mulher saudável que planeia engravidar, de que falamos a seguir.
Tratamento: com o quê, como e durante quanto tempo
Quando a causa está clara, o tratamento costuma ser simples e resulta bem. Importa perceber a lógica: não se repõem «vitaminas em geral», mas exatamente aquilo que falta, e a via depende da razão por que a carência surgiu.
Na anemia perniciosa e depois de cirurgia ao estômago ou ao intestino, os comprimidos nas doses habituais não servem: o que está avariado é o próprio mecanismo de absorção, e a vitamina não passará do intestino para o sangue. O tratamento são injeções de vitamina B12 (a forma mais usada é a hidroxocobalamina): ao princípio frequentes, num ciclo que enche depressa a reserva, e depois injeções de manutenção em intervalos fixos. E é um tratamento para toda a vida. A causa não desaparece, e interromper as injeções ao fim de um ou dois anos significa o regresso da anemia e dos problemas neurológicos. Se os nervos estiverem afetados, as injeções são no início mais frequentes e mais prolongadas, e a recuperação mede-se em meses.
Se a carência vier da alimentação, costumam bastar comprimidos de vitamina B12 e uma mudança na dieta; no veganismo o suplemento ou os alimentos enriquecidos são precisos de forma permanente, não como um ciclo. A falta de ácido fólico trata-se com comprimidos de ácido fólico, em geral durante alguns meses, e mais tempo se a causa de fundo se mantiver. As doses são sempre indicadas pelo médico.
O que acontece depois. O estado geral e a língua melhoram habitualmente nas primeiras semanas; o quadro do sangue, em um ou dois meses, e uma análise de controlo confirma que o tratamento resulta. Os sintomas neurológicos são os mais lentos a ceder e nem sempre desaparecem por completo. À parte, é bom saber: na anemia perniciosa o risco de cancro do estômago é maior, pelo que dor abdominal persistente, dificuldade em engolir, vómitos, fezes pretas ou perda de peso sem explicação são motivo para ser observado sem adiar.
Ácido fólico antes e no início da gravidez
Este é o caso em que um comprimido simples evita mesmo uma desgraça. O tubo neural, de onde nascem o cérebro e a medula espinal, forma-se nas primeiras semanas de gravidez, muitas vezes antes de a mulher saber que está grávida. Um nível suficiente de ácido fólico nesse momento reduz de forma notória o risco de defeitos do tubo neural, o mais conhecido dos quais é a espinha bífida.
Daqui a conclusão prática: o suplemento começa-se antes da conceção e não depois de a gravidez estar confirmada, e mantém-se durante as primeiras doze semanas. A dose preventiva habitual é de quatrocentos microgramas por dia. É mais alta em situações concretas — diabetes, tratamento com antiepiléticos, excesso de peso importante, doenças do sangue, doença celíaca e antecedente de defeito do tubo neural na família ou numa gravidez anterior; nesses casos a dose é indicada pelo médico.
A falta de ácido fólico durante a gravidez aumenta também o risco de parto prematuro e de baixo peso à nascença. A deficiência de vitamina B12 na futura mãe também não é indiferente para o bebé, por isso com dieta vegana, após cirurgia ao estômago ou perante queixas de dormência há que medir os dois valores e não apenas um.
Consulta em linha
Uma conversa à distância assenta especialmente bem neste tema, porque quase tudo aqui se resolve percorrendo as queixas e as análises. O médico vai perguntar desde quando há cansaço, falta de ar e palpitações, se existe dormência, formigueiro, instabilidade ou alterações da memória e do humor, que aspeto tem a língua, o que se passa com a alimentação, o peso e as dejeções; vai perguntar também por cirurgias, doenças do intestino, autoimunidade na família, álcool e todos os medicamentos tomados, metformina e produtos para a azia incluídos. Convém ter à mão um hemograma recente e a lista completa dos fármacos.
No final costuma ficar claro que análises são precisas primeiro e por que ordem, o que não deve ser iniciado por conta própria e o que vale a pena contar na consulta presencial. Em linha também se acompanha bem o que vem a seguir: como ler os resultados, porque é que as injeções serão para toda a vida, como gerir os suplementos numa dieta vegana, o que tomar ao planear uma gravidez. Os limites são claros: uma colheita de sangue não se faz à distância, e é precisa observação para avaliar a lesão neurológica. E se surgirem dor no peito, falta de ar em repouso ou um desmaio, não há consulta nenhuma a esperar: isso é ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Anemia por deficiência de vitamina B12 ou de ácido fólico
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