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Medicamentos habitualmente prescritos para Artrite psoriásica
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: INJETÁVEL, 17.5 mgSubstância ativa: methotrexateRequer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 10 mg/0,20 mlSubstância ativa: methotrexateFabricante: Accord Healthcare S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Teva Pharma S.L.U.Não requer receita médica
A artrite psoriásica é a inflamação das articulações, dos ligamentos e dos tendões que surge em pessoas com psoríase; com o tempo desenvolve-a cerca de uma em cada cinco. Mas o hábito de a ver como «uma complicação da pele» engana: numa parte dos doentes as articulações começam a doer anos antes da primeira mancha na pele, e noutros a psoríase esteve esse tempo todo escondida no couro cabeludo ou debaixo das unhas sem que ninguém desse por ela. Na maioria dos casos a doença arranca entre os trinta e os cinquenta anos. O essencial convém saber-se de antemão: uma articulação inflamada destrói-se, e destruída fica para sempre, pelo que aqui não pesa tanto a intensidade da dor como a rapidez com que a pessoa chega ao reumatologista.
Em que difere esta dor de uma articulação gasta
Muita gente tem dores nas articulações, e esse facto por si só nada diz. A diferença entre inflamação e desgaste está no horário.
No desgaste, ou seja na artrose, a articulação cala-se em repouso e começa a doer ao fim do dia, depois do esforço, de uma caminhada longa ou de um turno de trabalho. Descansar alivia.
Na inflamação passa-se o contrário. O pior é a manhã e qualquer período de imobilidade: acorda-se rígido, a mão não fecha em punho e desentorpecer leva meia hora ou mais. Durante o dia, em movimento, melhora, e se a pessoa ficar muito tempo sentada a rigidez volta. A articulação costuma estar inchada e quente ao toque, com a pele por cima rosada. Junta-se com frequência um cansaço espesso que o sono não tira.
Outro sinal é a assimetria. A artrite reumatoide costuma pegar nas mesmas articulações das duas mãos, ao passo que a psoriásica inflama um joelho de um lado, um dedo do outro e mais duas articulações sem ordem aparente. Gosta também das pontas dos dedos, aquelas articulações junto à unha que a artrite reumatoide em regra poupa.
Dedo em salsicha, calcanhar e unhas
Esta doença tem três marcas que quase não se encontram nas outras artrites. Reconhecer nem que seja uma delas é um argumento forte a favor do diagnóstico.
- Dactilite. Não incha a articulação mas o dedo inteiro, da base à ponta: fica uniformemente grosso e com forma de enchido. Daí a alcunha médica de «dedo em salsicha». Atinge mais vezes os dedos dos pés.
- Entesite. Inflama o ponto onde o tendão se prende ao osso. O caso clássico é a dor atrás do calcanhar ou debaixo dele nos primeiros passos da manhã, que passa anos a ser tratada como esporão. A mesma inflamação aparece no cotovelo, na rótula, ao longo da crista ilíaca.
- Alterações das unhas. Pequenas depressões pontuadas, como picadas de agulha, espessamento, cor amarelada, descolamento da lâmina do leito. As unhas têm uma ligação especialmente estreita com a variante articular: o seu envolvimento precede a artrite mais vezes do que o da pele.
Vale a pena olhar com atenção para a própria pele mesmo quando se tem a certeza de não haver psoríase. Veja atrás das orelhas, sob o cabelo junto à linha de implantação, o umbigo e a prega entre as nádegas: uma zona de descamação seca aí revela-se muitas vezes a prova que faltava.
A dor nas costas e o olho inflamado
Em cerca de um terço das pessoas com esta doença a inflamação chega à coluna e às articulações sacroilíacas, entre o sacro e a bacia. Essa dor nas costas confunde-se facilmente com a comum, «de trabalho sentado», embora se comporte ao contrário:
- começa devagar e não depois de levantar alguma coisa;
- aumenta em repouso e de noite, acorda na segunda metade da madrugada e obriga a levantar e andar;
- a rigidez lombar da manhã dura mais de meia hora;
- mexer-se e alongar alivia, estar deitado agrava;
- a dor pode irradiar ora para uma nádega ora para a outra.
À parte, lembre-se dos olhos. Neste grupo de doenças aparece a uveíte, a inflamação da camada interna do olho. Se um olho ficar vermelho de repente, doer, a luz se tornar insuportável e a visão embaciar, o oftalmologista tem de o ver nesse mesmo dia: sem tratamento a uveíte estraga a visão. Não é «uma conjuntivite que passa sozinha».
Mais uma coisa útil de saber: algumas pessoas com artrite psoriásica têm em paralelo uma doença inflamatória do intestino. Diarreia teimosa com muco ou sangue, dor abdominal e perda de peso são motivo para o contar ao reumatologista e não para se tratar em separado.
Porque não se pode adiar
A inflamação dentro da articulação corrói a cartilagem e o osso. Na radiografia vê-se como erosões, bordos ósseos comidos, e não voltam a crescer. Igualmente irreversível é a fusão das vértebras quando a inflamação trabalha anos nas costas.
Há um período em que o tratamento funciona melhor: os primeiros meses depois de surgirem as queixas. Começado cedo, em muitas pessoas trava a destruição por completo; começado três ou quatro anos depois, apenas salva o que restou. Daí uma regra simples: uma articulação inchada e dolorosa há mais de seis semanas deve ser mostrada ao médico mesmo que a dor seja suportável e pareça ir passando sozinha. Ter psoríase é motivo acrescido para insistir no encaminhamento para reumatologia.
Se já tem psoríase, fale das articulações em todas as consultas, mesmo quando foi por causa da pele. O dermatologista não perguntará por sua iniciativa se não for o doente a levantar o assunto.
O que acontece na consulta
Não existe uma única análise que confirme a artrite psoriásica. O diagnóstico monta-se por peças: as queixas, o exame de cada articulação e dos pontos de inserção dos tendões, o estado da pele e das unhas, a história familiar, as imagens.
- Análises de sangue. Os marcadores de inflamação podem estar altos ou manter-se normais, e uma análise normal não anula o diagnóstico. O fator reumatoide e os anticorpos anti-CCP costumam ser negativos, o que é justamente um argumento contra a artrite reumatoide. De caminho excluem-se a gota e uma infeção.
- Ecografia articular. Vê bem a inflamação nos pontos de inserção dos tendões e o líquido dentro da articulação numa fase precoce, quando a radiografia ainda está limpa.
- Radiografia e ressonância. A radiografia mostra as erosões já ocorridas; a ressonância apanha a inflamação das sacroilíacas antes dela.
- Punção articular. Se uma articulação incha de repente, fica vermelha e quente, retira-se líquido para não deixar passar uma gota ou uma infeção purulenta.
Uma articulação que em poucas horas fica quente, arroxeada e quase imóvel, sobretudo com febre alta, é motivo para procurar ajuda de imediato e não para esperar por uma marcação: é assim que se apresenta uma infeção dentro da articulação.
Como se trata
O objetivo do tratamento formula-se hoje sem rodeios: apagar a inflamação até ao mínimo e mantê-la aí. O fármaco escolhe-se conforme o que está inflamado: articulações periféricas, coluna, ênteses, pele.
- Anti-inflamatórios não esteroides. Tiram a dor e a rigidez, mas não travam a destruição da articulação. Servem como primeiro socorro e como terapêutica continuada nas formas ligeiras.
- Infiltração de corticoide na articulação. Apaga depressa a inflamação num ou dois pontos problemáticos. Os corticoides em comprimidos evitam-se na artrite psoriásica: a sua suspensão pode agravar gravemente a pele.
- Fármacos de fundo. Metotrexato, leflunomida, sulfassalazina. Não agem de imediato, o efeito avalia-se ao fim de dois ou três meses, pelo que abandoná-los ao fim de duas semanas «porque não fazem nada» não faz sentido. Exigem análises de sangue periódicas e vigilância do fígado.
- Fármacos biológicos e dirigidos. Bloqueiam de forma seletiva moléculas concretas da inflamação. Usam-se quando os fármacos de fundo não bastaram e desde o início se a coluna estiver envolvida, onde aqueles não funcionam. Antes de começar excluem-se tuberculose latente e hepatites.
- Exercício terapêutico. Não é um acrescento aos medicamentos mas uma parte igual do tratamento: sem movimento a articulação perde amplitude e os músculos à volta enfraquecem. O fisioterapeuta ajusta o programa àquilo que está inflamado.
Com fármacos de fundo e biológicos as defesas ficam abafadas. Mostre ao médico qualquer infeção com febre alta mais depressa do que faria normalmente, e combine de antemão que vacinas precisa e quais não pode levar.
O que depende de si
- Mexa-se com regularidade e sem impacto: natação, bicicleta, marcha, alongamentos. Nos surtos reduz-se o volume, mas não se suspende de todo.
- Deixe de fumar. Nesta doença o tabaco agrava a evolução e reduz de forma nítida a probabilidade de um biológico resultar.
- Perca peso se houver peso a perder: cada quilo é carga sobre joelhos e pés e ainda inflamação adicional alimentada pelo tecido gordo.
- Cuidado com o álcool, sobretudo com metotrexato e leflunomida: a mistura castiga o fígado.
- Não comece suplementos nem produtos à base de plantas sem o dizer ao médico: alguns alteram o efeito dos fármacos de fundo e baralham a leitura das análises.
- Calor, frio e calçado confortável com palmilha amortecedora tiram parte da dor, mas não substituem a medicação.
Consulta em linha
A primeira observação das articulações e a prescrição de uma terapêutica pesada exigem uma ida presencial. Mas tudo o que está à volta resolve-se comodamente a partir de casa: perceber se a sua dor é inflamatória e se vale a pena insistir no encaminhamento para reumatologia; analisar um relatório de ecografia ou de radiografia; verificar se as análises de controlo sob metotrexato vão como devem; falar de efeitos indesejáveis e do que fazer com uma dose falhada; decidir se uma articulação inchada de novo pode esperar pela consulta marcada. Duas situações não esperam por uma marcação em linha: um olho vermelho e doloroso surgido de repente e uma articulação quente e inchada com febre precisam de médico nesse mesmo dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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