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Medicamentos habitualmente prescritos para Artrite reativa
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Zambon S.A.U.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médica
A artrite reativa é uma inflamação das articulações que começa algumas semanas depois de uma infeção intestinal ou geniturinária. Na articulação não há infeção: essa já passou há muito, mas o sistema imunitário continua a trabalhar e por engano volta-se contra os tecidos do próprio corpo. Daí as duas particularidades principais desta doença. A primeira é que a pessoa não liga o joelho inchado à intoxicação alimentar do mês passado e chega à consulta sem metade da história. A segunda é que a articulação não se cura com antibióticos: ali não há nada para matar.
Como começa
Entre a infeção e as primeiras dores passam habitualmente uma a quatro semanas. Afeta sobretudo adultos jovens, e a variante intestinal atinge por igual homens e mulheres.
O quadro é bastante reconhecível, desde que se saiba o que procurar:
- são atingidas poucas articulações, entre uma e quatro, e não todas de uma vez;
- e não de forma simétrica: dói um joelho, não os dois;
- o mais frequente são as pernas: joelhos, tornozelos e articulações dos pés;
- a articulação incha, fica rígida e quente ao toque, e a pele por cima pode avermelhar;
- de manhã as articulações estão presas, e isso não passa logo, mas ao fim de meia hora ou mais;
- uma queixa à parte e muito característica é a dor no calcanhar, onde o tendão se prende ao osso: dói pousar o pé ao levantar;
- um dedo do pé ou da mão pode inchar por inteiro, como uma salsicha, e não apenas numa articulação;
- parte das pessoas tem dor lombar e nas nádegas, sobretudo de noite e de madrugada, que melhora com o movimento;
- há quase sempre um cansaço acentuado e por vezes alguma febre.
A chave do diagnóstico costuma estar no passado: tente lembrar-se se um mês ou mês e meio antes houve diarreia, vómitos, uma intoxicação alimentar, ardor a urinar ou um corrimento fora do habitual. A infeção pode ter sido tão ligeira que ficou esquecida e, nas mulheres, a infeção geniturinária decorre muitas vezes sem queixa nenhuma.
Não são só as articulações: olhos, urina, pele
A artrite reativa raramente vem sozinha, e convém sabê-lo de antemão para não andar de médico em médico com cada queixa em separado.
- Os olhos. Em geral é uma conjuntivite: vermelhidão, pálpebras coladas, sensação de areia. É incómoda mas não perigosa. Em algumas pessoas, porém, inflama-se a camada interna do olho: o olho fica vermelho à volta da íris, dói muito, incomoda-se com a luz e a visão turva. Isso exige observação por um oftalmologista nas vinte e quatro horas seguintes, porque sem tratamento essa inflamação pode danificar a visão.
- A urina. Ardor, vontade frequente, corrimento. Um pormenor importante: essa inflamação também surge na forma intestinal da doença, ou seja, nem sempre significa uma infeção sexualmente transmissível.
- A boca. Pequenas úlceras na mucosa, normalmente indolores, e por isso passam despercebidas.
- A pele e as unhas. Nas plantas e nas palmas pode surgir uma erupção espessa e descamativa com crostas, e as unhas engrossam e esfarelam-se. Nos homens aparecem por vezes manchas indolores na glande.
A combinação de articulação, olho e queixas urinárias não existe em toda a gente, mas quando existe é um argumento forte a favor da artrite reativa.
Porque está a articulação inflamada se não há infeção nela
Os micróbios que a desencadeiam são bem determinados. Do lado intestinal são os agentes das intoxicações alimentares: salmonela, shigela, campilobacter e yersinia. Do lado geniturinário, a principal responsável é a clamídia.
O que acontece depois é o seguinte: o sistema imunitário, tendo reconhecido o micróbio, continua a reagir mesmo depois de o ter destruído, e o alvo passam a ser a membrana da articulação e os pontos onde os tendões se prendem. Por isso a cultura do líquido retirado de uma articulação inflamada não dá crescimento: bactérias vivas ali não há.
Nem toda a gente que teve uma infeção destas desenvolve artrite: falamos de poucos casos em cada cem. Muito depende de particularidades herdadas do sistema imunitário — em quem tem um certo traço genético a doença surge bastante mais vezes e decorre de forma mais pesada. Isso explica também porque, depois da mesma refeição que caiu mal a vários, só a uma pessoa do grupo doeram as articulações.
Artrite séptica: aquilo que não se pode confundir
Existe um quadro parecido, mas que precisa de ajuda hoje e não daqui a uma semana. É a artrite séptica, purulenta: bactérias que entram na própria articulação e destroem a cartilagem em poucos dias.
Deve procurar-se atendimento urgente se:
- inflamou de repente uma só articulação, que está quente, vermelha e inchada;
- a dor é muito forte, quase não se consegue mexer a articulação e não se consegue apoiar a perna;
- há ao mesmo tempo febre alta, arrepios e fraqueza marcada;
- tudo isto se instalou depressa, em horas ou num dia ou dois.
O risco é maior se houver uma prótese nessa articulação, se ela tiver sido infiltrada há pouco, se ao lado existir uma ferida ou um furúnculo na pele, e ainda na diabetes, na imunidade diminuída e no consumo de drogas por via endovenosa. Em crianças e em pessoas idosas pode não haver febre nenhuma — oriente-se pela articulação.
A única forma de esclarecer é a punção: com uma agulha fina retira-se um pouco de líquido articular e vê-se se contém bactérias. Deve fazer-se no próprio dia, antes de começar os antibióticos. Vigiar uma articulação assim em casa, aquecê-la e esperar para ver se passa sozinha não é uma opção.
Com uma única articulação quente confundem-se ainda duas coisas: a gota, cujo ataque começa mais vezes de noite na base do dedo grande do pé, e a artrite depois da picada de uma carraça. À parte fica a artrite gonocócica: também vem a seguir a uma infeção sexual, mas, ao contrário da reativa, é uma infeção verdadeira da articulação e trata-se com antibióticos com urgência.
O que o médico verifica e para quê
Não existe uma análise única que confirme a artrite reativa. O diagnóstico constrói-se com o relato da infeção recente, com o padrão das articulações atingidas e com exames que excluem outras causas.
Costumam pedir-se:
- análises ao sangue com os marcadores de inflamação e ainda os que ajudam a distinguir esta doença da artrite reumatoide;
- exame da urina e uma colheita para clamídia e, depois de uma infeção intestinal recente, uma cultura de fezes;
- a punção da articulação se houver bastante líquido: não serve para encontrar a causa da artrite, mas para excluir uma infeção purulenta e os cristais da gota;
- uma ecografia ou uma radiografia, para ver o que se passa dentro da articulação e nas inserções dos tendões.
Por vezes propõe-se a análise desse traço genético. É útil como argumento adicional, mas por si só nada prova: muitas pessoas saudáveis têm-no e falta a uma parte de quem adoece.
Do tratamento encarrega-se o reumatologista; se o olho inflama entra o oftalmologista e, se a pele muda muito, o dermatologista. Se for encontrada uma infeção por clamídia, é preciso estudar e tratar também o parceiro sexual — caso contrário tudo se repete.
Como se trata
A base são os anti-inflamatórios não esteroides. Tiram a dor e reduzem a própria inflamação, e tomam-se em esquema regular enquanto a articulação está ativa, e não apenas quando dói. A escolha cabe ao médico: este grupo tem limitações nas doenças do estômago, do rim e do coração.
Se não chegar, há passos seguintes:
- injetar um corticoide diretamente na articulação inflamada, o que dá muitas vezes um alívio rápido e duradouro, mas só depois de excluída uma infeção lá dentro;
- um ciclo curto de corticoides por via oral quando são muitas as articulações envolvidas;
- nos casos que se arrastam, os medicamentos antirreumáticos de fundo, que atuam devagar e se prescrevem durante meses;
- antibióticos, mas apenas para tratar a infeção em si, se ainda estiver presente. Um ciclo de antibióticos não encurta a artrite nem cura a articulação, e este é um dos maiores mal-entendidos à volta desta doença.
Há uma parte do tratamento que fica subvalorizada: o movimento. O repouso completo leva depressa à rigidez e à perda de força, por isso a articulação precisa de uma amplitude de movimento suave mas diária e, à medida que a inflamação abranda, de exercícios de fortalecimento. O fisioterapeuta ajuda a dosear a carga e, quando dói o calcanhar, a escolher calçado e palmilhas.
Quanto tempo dura e o que pode fazer
O prognóstico é bom no conjunto: na maioria tudo se apaga em três a seis meses e não deixa marcas. Numa parte das pessoas arrasta-se para além de um ano ou volta depois de uma nova infeção. Numa minoria — sobretudo entre quem tem aquele traço genético — transforma-se numa inflamação prolongada da coluna e das articulações que exige seguimento continuado.
Enquanto dura a crise, ajudam coisas simples:
- frio através de uma toalha sobre a articulação quente e inchada, calor sobre os músculos presos, mas não sobre a articulação inflamada;
- não ficar deitado: mover-se um pouco todos os dias, mudar de posição, alongar;
- passar a atividade física para o que não castiga as articulações: natação, bicicleta estática, andar em piso plano;
- calçado confortável de sola macia, sobretudo se doerem os calcanhares e os pés;
- tomar os analgésicos no esquema que o médico indicou e não de forma ocasional.
Vale a pena antecipar a consulta se aparecer um olho vermelho e doloroso que se incomoda com a luz, se uma articulação inflamar de repente com febre alta, ou se a dor lombar noturna não passar durante meses — este último ponto indica que a doença não recuou, mas mudou de forma.
Consulta em linha
À distância reúne-se bem justamente aquela metade da história que costuma faltar: o médico perguntará em pormenor o que aconteceu no mês ou mês e meio anterior à dor nas articulações, que articulações estão envolvidas e de que modo, se há queixas nos olhos, na urina ou na pele — e dirá se isto se parece com artrite reativa e que análises vale a pena fazer antes da consulta presencial. É igualmente útil para rever resultados já feitos, perceber um tratamento prescrito e saber o que fazer numa crise.
O que a consulta em linha não resolve deve ser dito com clareza: uma única articulação quente com febre alta não se avalia à distância. Aí são precisas observação e punção da articulação no próprio dia — comece por procurar atendimento urgente e não por escrever uma mensagem.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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