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Medicamentos habitualmente prescritos para Artrite reumatoide
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: INJETÁVEL, 7,5 mg (25 mg/ml)Substância ativa: methotrexateFabricante: Nordic Group B.V.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 2,5 mgSubstância ativa: methotrexateFabricante: Orion CorporationRequer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 40 mg/mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Normon S.A.Não requer receita médica
Quando as articulações doem e incham, o primeiro pensamento costuma ser sempre o mesmo: é a idade, é o desgaste, é preciso ter cuidado. Na artrite reumatoide esse pensamento é o que sai mais caro. Aqui não se desgasta nada: é o próprio sistema imunitário que ataca o revestimento da articulação e, enquanto a inflamação decorre, vai consumindo cartilagem e osso. O que é destruído não volta a crescer. Daí uma característica incómoda desta doença: o tempo não joga a favor da pessoa, e o intervalo em que o tratamento dá o melhor resultado mede-se em meses desde os primeiros sintomas, não em anos.
Não é desgaste, é inflamação
Dentro da articulação existe uma membrana fina, a sinovial, que produz o líquido que lubrifica a cartilagem. Na artrite reumatoide o sistema imunitário confunde essa membrana com algo estranho e ataca-a. A membrana espessa, incha e liberta substâncias que dissolvem a cartilagem, escavam o osso no bordo da articulação e enfraquecem os tendões e ligamentos que a mantêm alinhada.
É daí que vem a diferença em relação à artrose. A artrose é mecânica: a cartilagem gasta-se onde a carga é maior. A artrite reumatoide pode atingir qualquer articulação independentemente do uso que teve, e alcança ainda órgãos fora das articulações.
Porque falha o sistema imunitário continua por esclarecer. O que se conhece é a predisposição: a doença é mais frequente nas mulheres, mais frequente quando há história familiar e claramente mais frequente em quem fuma. O tabaco fica à parte, por ser o único fator sobre o qual é possível atuar, e pesa não só no risco de adoecer como na resposta ao tratamento que vier a seguir.
Como distingui-la da artrose
A diferença nota-se em vários sinais, e a própria pessoa consegue reconhecê-los.
- Rigidez matinal. Na artrose as articulações soltam-se em dez ou vinte minutos. Na artrite reumatoide a rigidez dura uma hora ou mais, por vezes metade da manhã.
- O que a alivia. A artrose dói mais depois de caminhar ou trabalhar e melhora com o repouso. Aqui é ao contrário: o pior é ao acordar e depois de estar muito tempo sentado, e o movimento alivia.
- Que articulações. Costumam ser primeiro as pequenas articulações das mãos, as da base e do meio dos dedos, e as correspondentes na base dos dedos dos pés. As articulações da ponta, junto à unha, quase não são atingidas na artrite reumatoide, ao contrário do que acontece na artrose.
- Simetria. O envolvimento é semelhante dos dois lados: não um joelho, mas as duas mãos.
- Como é o inchaço. A articulação não dói apenas: incha de forma mole, a pele por cima está quente e o toque incomoda. Um sinal precoce que os médicos procuram é a dor ao apertar a mão ou o pé de través, ao nível da base dos dedos.
- Estado geral. Cansaço desproporcionado ao esforço feito, febrícula, suores, falta de apetite, perda de peso. A artrose não provoca nada disto.
Habitualmente instala-se ao longo de várias semanas, embora nalgumas pessoas surja em poucos dias. Em qualquer dos casos é motivo para ser observado, não para esperar que passe sozinho.
Porque se conta por semanas
O argumento contra a espera é simples: a membrana inflamada escava no osso, junto ao bordo da articulação, pequenas cavidades chamadas erosões. Uma erosão não se preenche de novo. O tratamento pode travar o processo e impedir que surjam outras, mas o que já se perdeu não se recupera, e a deformação dos dedos que mais tarde dificulta apertar um botão é feita exatamente dessas perdas.
Por isso em reumatologia se fala de uma janela: os primeiros meses de doença, quando o tratamento dá o melhor resultado a longo prazo. Iniciado dentro desse intervalo, leva muitas pessoas a uma situação em que as articulações não doem nem se degradam durante anos. O mesmo tratamento iniciado dois anos depois funciona pior, porque nessa altura parte das articulações já está alterada de forma irreversível.
A conclusão prática é uma só. Perante inchaço persistente das pequenas articulações e rigidez matinal de mais de uma hora, procura-se o médico nas semanas seguintes e não quando a situação se torna insuportável. O médico de família observa as articulações, pede análises e encaminha para o reumatologista, que é quem faz o diagnóstico e escolhe o tratamento.
Uma doença que não fica nas articulações
A inflamação da artrite reumatoide não está fechada nas articulações. Pode manifestar-se:
- nos pulmões, como inflamação da pleura com dor ao inspirar, ou como endurecimento do tecido pulmonar; os sinais de alerta são falta de ar que vai aumentando e tosse seca persistente;
- nos olhos, como secura que dificulta a leitura e, menos vezes, como inflamação da esclerótica: olho vermelho, doloroso e com perda de visão;
- nos vasos sanguíneos, sob a forma de vasculite: erupção cutânea, úlceras nas pernas que não fecham, escurecimento das pontas dos dedos;
- sob a pele, como nódulos duros e indolores junto aos cotovelos e nas mãos;
- no sangue, como anemia, que por si só agrava o cansaço;
- na parte alta do pescoço, como afrouxamento das articulações entre as vértebras. É raro mas grave, pelo que antes de qualquer operação com anestesia geral convém avisar do diagnóstico: a posição da cabeça durante a entubação é gerida de outra maneira.
Merece referência à parte o risco cardiovascular. Anos de inflamação danificam a parede das artérias, e o enfarte e o acidente vascular cerebral são mais frequentes em quem tem artrite reumatoide do que em pessoas da mesma idade sem a doença. Não é motivo de alarme, mas razão para levar a sério a tensão arterial, o colesterol e o tabaco e, sobretudo, para manter a própria doença controlada: quanto mais apagada estiver a inflamação, menor será esse risco.
O que mostram as análises e as imagens
Não existe uma única prova que confirme ou afaste o diagnóstico. Vale o conjunto: que articulações estão envolvidas, desde quando, o que diz o sangue e o que se vê nas imagens.
O fator reumatoide encontra-se em cerca de metade dos doentes no início, e também numa parte das pessoas saudáveis, pelo que sozinho decide pouco. Os anticorpos antipéptido citrulinado cíclico (anti-CCP) são mais específicos: um valor alto aponta para o diagnóstico e para uma evolução provavelmente mais ativa. A velocidade de sedimentação e a proteína C reativa medem a inflamação existente naquele momento e servem depois para acompanhar o tratamento. O hemograma deteta anemia e ajuda a afastar outras causas.
Há algo que convém saber de antemão: uma velocidade de sedimentação normal, uma proteína C reativa normal e anticorpos negativos não afastam o diagnóstico. Existe uma forma em que todos estes valores são normais e as articulações se degradam na mesma. Se as análises vierem limpas mas as articulações estiverem inchadas e rígidas há meses, é razão para investigar mais, não para descansar.
Com as imagens passa-se o mesmo. A radiografia dos primeiros meses é muitas vezes normal: mostra as erosões quando elas já existem. São detetadas mais cedo pela ecografia articular e pela ressonância magnética, que veem a membrana inflamada e o líquido acumulado antes de o osso sofrer.
Com que se trata
Curá-la por completo ainda não é possível, mas travá-la é, e é esse o sentido do tratamento atual. O objetivo enuncia-se sem rodeios: apagar a inflamação por completo ou quase e manter esse estado.
- Os fármacos modificadores da doença são a base. Não são analgésicos: atuam sobre o próprio processo imunitário, pelo que o efeito aparece ao fim de semanas ou meses. Abandoná-los porque «à segunda semana não faz nada» é o erro mais frequente. Começa-se habitualmente pelo metotrexato.
- Os medicamentos biológicos bloqueiam de forma dirigida etapas concretas da inflamação. Usam-se quando os anteriores não chegaram; administram-se por injeção ou perfusão, quase sempre em conjunto com um fármaco de fundo.
- Os inibidores das cinases Janus são comprimidos que atuam sobre o mesmo processo a partir do interior da célula. São uma opção quando os grupos anteriores não resultaram.
- Os corticoides apagam depressa a inflamação e por isso servem no início e nos surtos, enquanto o fármaco de fundo ainda não atua. Prescrevem-se em ciclos curtos: o uso prolongado acumula custos como osso mais fino, aumento de peso e subida do açúcar.
- Os anti-inflamatórios e analgésicos melhoram o bem-estar, mas não interferem com a destruição da articulação. Os anti-inflamatórios não esteroides irritam o estômago quando tomados durante muito tempo, e por isso costuma juntar-se um medicamento que reduz a acidez.
Para além dos medicamentos ajudam o exercício terapêutico e o trabalho com o fisioterapeuta: o movimento preserva a amplitude da articulação e a força dos músculos, ao passo que o repouso se traduz rapidamente em rigidez. Hoje a cirurgia é necessária a poucas pessoas: àquelas cuja articulação já está destruída ou cujo tendão rompeu.
A vida com o tratamento de fundo
Todos estes fármacos travam em maior ou menor grau o sistema imunitário, e daí decorrem várias consequências práticas.
A mais importante: com este tratamento uma infeção pode decorrer de forma discreta. Podem faltar a febre alta e o quadro evidente a que se está habituado, enquanto a infeção avança. A regra é simples: qualquer febre, arrepios, tosse, dor de garganta, uma ferida que supura ou ardor a urinar são motivo para contactar o médico nesse mesmo dia, e não para ficar deitado a ver o que acontece. O mesmo vale para o contacto com varicela ou sarampo em quem não os teve.
Do restante:
- antes de iniciar um biológico verifica-se se houve tuberculose ou hepatites virais, porque um sistema imunitário travado pode reativá-las;
- durante o tratamento repetem-se análises com regularidade para vigiar as células do sangue e o fígado; não é uma formalidade, é a maneira de apanhar um problema antes dos sintomas;
- as vacinas da gripe e do pneumococo são habitualmente recomendadas, ao passo que as vacinas vivas não se administram com estes fármacos: as datas e a escolha combinam-se antes com o reumatologista;
- o álcool combina mal com o metotrexato, porque ambos sobrecarregam o fígado;
- convém confirmar qualquer produto sem receita ou suplemento: alguns interagem com o tratamento.
O planeamento familiar discute-se antes da conceção, não depois. Alguns fármacos, entre eles o metotrexato, são incompatíveis com a gravidez e têm de ser suspensos com antecedência, e isso aplica-se também aos homens. A gravidez com artrite reumatoide continua a ser possível: há medicamentos permitidos durante ela, e o reumatologista muda o tratamento atempadamente.
Quando não se pode esperar
É preciso contactar o médico no próprio dia ou chamar uma ambulância (na Europa, o número único 112) se surgir:
- uma única articulação subitamente quente, muito inchada e muito dolorosa, com febre: é assim que se apresenta uma infeção dentro da articulação, mais provável com o sistema imunitário travado; esperar custa dias de articulação;
- febre, arrepios ou uma infeção evidente durante o tratamento de fundo ou biológico;
- falta de ar que aumenta, dor no peito ao respirar, tosse com sangue;
- olho vermelho e doloroso, incómodo com a luz, perda súbita de visão;
- fraqueza ou dormência nos braços e pernas, marcha instável, sensação de descarga elétrica no pescoço ao inclinar a cabeça;
- erupção com úlceras ou pontas dos dedos a ficarem pretas;
- impossibilidade súbita de dobrar ou esticar um dedo: é assim que se manifesta a rutura de um tendão, e a reparação tem prazo.
Consulta em linha
À distância resolvem-se bem três coisas. A primeira é perceber se as queixas articulares têm aspeto inflamatório e, se tiverem, com que análises e a quem recorrer para não perder semanas às voltas. A segunda é interpretar resultados já feitos: o que significam no seu caso o fator reumatoide, os anti-CCP e a proteína C reativa, e o que fazer se estiverem normais com as articulações ainda inchadas. A terceira são as dúvidas do dia a dia de quem faz tratamento: um efeito indesejável, uma toma esquecida, uma vacina ou uma operação a caminho, o planeamento de uma gravidez. Os sinais da lista anterior não se avaliam em linha: com esses, é preciso ser observado de imediato em pessoa ou chamar uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Artrite reumatoide
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