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Artrite séptica

A artrite séptica é uma infeção bacteriana dentro de uma articulação. Distingue-se das restantes dores articulares por duas coisas: costuma atingir apenas…

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Esta página fornece informação geral e não substitui a consulta de um médico. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico com urgência.

A artrite séptica é uma infeção bacteriana dentro de uma articulação. Distingue-se das restantes dores articulares por duas coisas: costuma atingir apenas uma articulação e instala-se depressa, em horas ou num ou dois dias, e não em semanas. É uma urgência médica e deve ser encarada como tal. As bactérias e a inflamação que desencadeiam dissolvem a cartilagem articular em poucos dias, e a cartilagem perdida não volta a crescer. Ao mesmo tempo, a artrite séptica responde bem ao tratamento, desde que a pessoa chegue ao hospital de imediato e não ao fim de uma semana a observar a articulação.

Porque não se pode esperar até segunda-feira

O interior de uma articulação saudável é estéril e não sabe defender-se dos micróbios. Assim que as bactérias entram, as células da inflamação acorrem ao mesmo local e o líquido articular transforma-se numa mistura de enzimas que corrói a cartilagem. O processo começa logo no primeiro dia. Ao fim de poucos dias parte dos danos torna-se irreversível: mesmo com a infeção curada, a articulação pode ficar rígida, dolorosa em carga e com menos amplitude do que antes.

A segunda razão para a pressa é o próprio micróbio. Da articulação passa para o sangue, e a artrite séptica acompanha-se muitas vezes de sépsis, um quadro que já põe a vida em risco.

Daí uma regra simples: uma articulação quente, inchada e quase imóvel que ficou assim num ou dois dias é motivo para ir ao hospital hoje, e não para marcar consulta durante a semana. Em casa isto não se trata de forma nenhuma: é preciso puncionar a articulação, retirar líquido para análise, esvaziá-la de pus e iniciar em simultâneo antibióticos por via endovenosa. Nenhum destes passos é possível em ambulatório.

Que aspeto tem uma articulação infetada

O quadro costuma ser muito evidente:

  • dor forte e constante, presente mesmo em repouso completo, que se torna aguda ao mínimo movimento;
  • a articulação está inchada e a pele por cima quente e muitas vezes vermelha;
  • o movimento é quase impossível: a pessoa mantém a perna ou o braço numa única posição e não deixa que lhe toquem na articulação;
  • impossibilidade de apoiar o pé quando está envolvido o joelho, a anca ou o tornozelo;
  • febre, arrepios, dores generalizadas e a sensação de doença grave.

A articulação mais atingida é o joelho, seguida da anca, do ombro, do tornozelo e do punho. Em regra é apenas uma. Se, pelo contrário, várias inflamarem ao mesmo tempo e a pessoa estiver claramente mal, a situação não é menos urgente: pelo contrário, costuma significar que a infeção chegou pelo sangue.

Deve chamar-se uma ambulância (em Portugal, Espanha, Itália, Polónia e Ucrânia o número único é o 112) se à articulação dolorosa se juntarem confusão, respiração acelerada, fraqueza extrema, tremores com arrepios, pele marmoreada ou acinzentada, urina muito escassa: são sinais de sépsis.

Quando não há febre mas há artrite

Esta é a causa mais frequente de atraso. De uma infeção espera-se febre e, se o termómetro marcar 36,9, a pessoa conclui que apenas forçou a articulação e toma um analgésico. Contudo, a febre pode faltar por completo:

  • nas pessoas idosas, nas quais uma infeção grave decorre muitas vezes sem febre e se manifesta antes por confusão, sonolência invulgar, fraqueza, recusa alimentar;
  • em quem faz terapêutica imunossupressora por artrite reumatoide, psoríase, doença inflamatória do intestino, transplante de órgão ou quimioterapia;
  • em quem já toma corticoides ou anti-inflamatórios por outro motivo: atenuam tanto a febre como a dor, e a vermelhidão parece menor do que é;
  • na diabetes e na doença renal crónica.

A referência, portanto, não é o termómetro mas a articulação. Uma única articulação que num dia ficou quente, inchada e imóvel basta para ir ao hospital, mesmo com temperatura normal e mesmo que o estado geral pareça tolerável.

De onde vem a infeção e quem corre mais risco

Há apenas três vias. Na maioria das vezes o sangue traz as bactérias de outro foco: a pele, as vias urinárias, os pulmões, um dente infetado. Menos vezes entram diretamente através de uma ferida, de uma mordedura, de uma escoriação profunda, de uma infiltração articular ou de uma cirurgia à articulação. E muito raramente a infeção alastra a partir de um osso vizinho.

O risco é maior nas pessoas:

  • com artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias das articulações — aqui o perigo é duplo, pela doença e pelo tratamento, e sobretudo porque a articulação já dói e a mudança é atribuída a um agravamento;
  • com uma prótese articular ou com cirurgia ou infiltração recentes na articulação;
  • com defesas diminuídas, diabetes, doença grave do fígado ou dos rins;
  • de idade avançada;
  • com úlceras, feridas e lesões infetadas na pele, sobretudo nos pés;
  • que injetam drogas.

Caso à parte é a gonorreia. Em jovens sexualmente ativos, o gonococo sai por vezes dos órgãos genitais e provoca inflamação de articulações e tendões, acompanhada de umas poucas lesões na pele. O quadro é mais ligeiro do que o da artrite séptica clássica e responde bem, mas encontrar a causa continua a ser tarefa do médico.

«Parece gota» não é motivo para esperar

Um ataque de gota, o depósito de outros cristais na articulação e a artrite séptica apresentam-se do mesmo modo: uma articulação, quente, vermelha, muito dolorosa, por vezes com febre. Distingui-los pelo exame e pelas análises ao sangue não é possível. O ácido úrico não ajuda: durante o ataque agudo está muitas vezes normal, e quem tem gota há anos pode ter também a articulação infetada, porque uma coisa não exclui a outra.

A única forma de esclarecer é retirar líquido da articulação: observa-se ao microscópio à procura de cristais e envia-se para cultura. Por isso, se o ataque for mais intenso do que o habitual, tiver surgido numa articulação diferente da de costume, vier acompanhado de arrepios ou não responder ao medicamento que sempre resultou, deve resolver-se no hospital nesse mesmo dia, e não aumentando a dose em casa.

A articulação artificial é um caso à parte

A infeção de uma articulação com prótese comporta-se de outra maneira e trata-se de outra maneira. A precoce, nas primeiras semanas após a operação, nota-se na ferida: exsuda, fica vermelha, os bordos afastam-se, aparece secreção. A tardia, meses ou anos depois, decorre frequentemente sem febre — a articulação simplesmente deixa de se sentir como própria: dói de forma contínua, incomoda desde os primeiros passos e durante a noite, e não apenas em esforço, dando por vezes sensação de folga. Qualquer outro foco no organismo, de um dente a uma infeção urinária, pode semear a prótese.

Só com antibióticos quase nunca se cura: as bactérias vivem como uma película sobre a superfície da prótese, onde o medicamento não chega. É habitual ser necessária cirurgia — numa infeção recente lava-se a articulação e substituem-se as peças móveis; numa antiga, a prótese tem de ser retirada e colocada uma nova em um ou dois tempos. É por isso que os prazos pesam tanto aqui: quanto mais cedo, maior a hipótese de conservar a prótese. Perante qualquer dor, inchaço ou vermelhidão novos em redor de uma articulação artificial, contacte o cirurgião que operou sem esperar pela consulta marcada.

Na criança: não apoia a perna

Nas crianças a articulação mais atingida é a anca, e é mais difícil de detetar: fica profunda e, por fora, não se vê inchaço nem vermelhidão. É preciso olhar para o comportamento:

  • a criança deixou de apoiar a perna, coxeia ou pede colo;
  • está deitada com a perna numa única posição forçada, ligeiramente fletida e rodada para fora, e grita se tentarem endireitá-la ou rodá-la;
  • no bebé, a perna mexe-se menos do que a outra e há choro ao mudar a roupa e a fralda;
  • febre, prostração, recusa de comida e de líquidos.

Uma criança que se recusa a apoiar a perna tem de ser observada por um médico nesse mesmo dia: é uma regra sem exceções. Existe um quadro parecido e muito mais benigno, uma inflamação transitória da anca depois de uma constipação recente, que passa sozinha em poucos dias. Mas distinguir um do outro cabe aos médicos, com análises ao sangue e ecografia da articulação, e até lá parte-se da hipótese pior.

O que se faz no hospital

O primeiro passo é puncionar a articulação: o líquido segue para cultura e microscopia, e só pelo aspeto já diz muito ao médico. Logo a seguir iniciam-se antibióticos por via endovenosa sem esperar pelo resultado da cultura, dirigidos aos agentes mais prováveis; quando a cultura chega, o tratamento é ajustado. Em paralelo a articulação é limpa, com punções repetidas, com lavagem por artroscopia ou com cirurgia aberta se houver muito pus ou se a articulação for de difícil acesso.

Os antibióticos na veia mantêm-se habitualmente alguns dias ou até duas semanas, passando-se depois a comprimidos por mais algumas semanas. O ciclo tem de ser completado mesmo quando a dor já passou e tudo parece resolvido: uma infeção do osso e da articulação mal tratada regressa, e da segunda vez é mais difícil de vencer. Quando a inflamação cede, começa-se a mobilizar a articulação com cuidado, porque o movimento faz parte do tratamento: uma articulação imobilizada cria aderências e perde amplitude rapidamente.

Consulta em linha

Neste tema a consulta à distância serve sobretudo para uma coisa: responder depressa à pergunta «vou agora ao hospital ou posso aguardar e observar?». O médico da Oladoctor perguntará com que rapidez tudo começou, o que se passa exatamente com a articulação, que doenças e medicamentos existem por trás, e dirá com clareza se isto se parece com uma infeção articular e para onde ir. É um daqueles casos em que a consulta não substitui a observação presencial, mas evita perder um dia em dúvidas. Em linha também se pode tratar do que vem depois: como tomar o ciclo prescrito, o que fazer com a dor, quando voltar a carregar a articulação, como agir se depois da alta ela inchar outra vez. Se pela descrição se perceber que é necessária ajuda urgente, ser-lhe-á dito de imediato.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

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