Aspergilose
A aspergilose é provocada por um bolor banal, os fungos do género Aspergillus. Os seus esporos estão quase por todo o lado: na terra, nas folhas em…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Aspergilose
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 50 mgSubstância ativa: caspofunginFabricante: Laboratorios Lorien S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 100 mg fluconazolSubstância ativa: fluconazoleFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 100 mgSubstância ativa: itraconazoleFabricante: Isdin S.A.Requer receita médica
A aspergilose é provocada por um bolor banal, os fungos do género Aspergillus. Os seus esporos estão quase por todo o lado: na terra, nas folhas em decomposição, no feno, no pó de casa, nas paredes húmidas. Respiramo-los todos os dias sem dar por isso, porque um pulmão saudável resolve o assunto sozinho. A doença aparece onde o pulmão já está danificado ou onde as defesas estão enfraquecidas, e assume aspetos muito diferentes: de uma alergia que se arrasta anos a uma infeção que põe a vida em perigo. A aspergilose não passa de pessoa para pessoa nem dos animais.
Quem corre risco a sério
Uma pessoa saudável pode passar anos a mexer na terra sem adoecer: não conta a quantidade de esporos respirados, mas o estado dos pulmões e das defesas. O risco é maior havendo:
- asma ou fibrose quística, sobre as quais se desenvolve mais vezes a forma alérgica;
- doença pulmonar obstrutiva crónica, brônquios dilatados, sarcoidose;
- uma cavidade ou uma cicatriz no pulmão depois de uma tuberculose, o terreno mais frequente da forma prolongada;
- defesas enfraquecidas: transplante de órgão, quimioterapia, doenças do sangue, corticoides em dose alta por muito tempo, infeção por VIH em fase avançada;
- uma pneumonia grave durante a gripe ou a covid, sobretudo com um período de ventilação mecânica;
- diabetes mal controlada;
- trabalho com matéria orgânica em decomposição: feno e cereais, gado, madeira, desmantelamento de construções velhas e húmidas.
Quatro doenças com o mesmo nome
Os quadros reunidos sob este nome são tão diferentes que os tratamentos não se parecem entre si. Perceber de que forma se trata vale mais do que o achado do fungo na expetoração.
- Forma alérgica. O fungo não destrói o tecido: desencadeia uma reação alérgica violenta nos brônquios. Surge quase só em quem tem asma ou fibrose quística. A asma deixa de se aguentar com o esquema de sempre, aparece tosse com rolhões densos e acastanhados de muco e uma febre baixa mas teimosa. Se isto durar anos, os brônquios dilatam-se de forma irreversível.
- Infeção pulmonar prolongada. Constrói-se ao longo de meses em pulmões com cicatrizes e cavidades, quase sempre depois de uma tuberculose. Tosse, sangue na expetoração, fraqueza, suores noturnos, perda lenta de peso. O quadro é tão parecido com uma tuberculose que regressa que não é raro tratar a pessoa meses a fio com antituberculosos sem resultado.
- Aspergiloma. Um novelo compacto de filamentos do fungo, muco e células do sangue que enche uma cavidade já existente no pulmão. Pode ficar calado anos e aparecer por acaso num exame de imagem. O seu perigo principal é a hemorragia: a parede da cavidade está envolvida por vasos que se podem romper.
- Forma invasiva. A mais grave e a mais rara. O fungo atravessa a parede dos vasos e viaja pelo sangue até ao cérebro, à pele, aos olhos, ao coração e aos ossos. Ocorre quase só com as defesas profundamente suprimidas e desenvolve-se em dias, não em meses.
Existem ainda variantes mais circunscritas: inflamação dos seios perinasais e atingimento do canal auditivo externo ou dos brônquios sem envolvimento do tecido pulmonar.
Porque as queixas se atribuem com facilidade a outra coisa
A aspergilose não tem sintomas próprios. Tosse que não passa, sangue ou grumos densos de muco ao tossir, falta de ar, respiração sibilante, febre baixa persistente, suores noturnos, perda de peso: tudo isto aparece numa dezena de outras doenças do pulmão.
A pista costuma não estar nas queixas, mas na maneira como elas mudam. Se já havia uma doença pulmonar, a aspergilose apresenta-se como um agravamento inexplicável daquilo que estava estável. Uma asma parada há anos começa a descontrolar-se, a doença pulmonar obstrutiva crónica agudiza com mais frequência, depois de uma tuberculose curada volta a surgir sangue na expetoração. É motivo para reavaliar os pulmões, e não para aumentar as doses do costume.
Sinais com que não se pode esperar
Peça ajuda urgente se:
- com a tosse sai sangue em quantidade, vermelho vivo e espumoso, e não em fios;
- a falta de ar cresce depressa, o ar falta mesmo em repouso, os lábios e as unhas ficam azulados;
- surge dor forte no peito juntamente com dificuldade em respirar;
- uma pessoa com as defesas suprimidas tem febre e, além disso, confusão, fraqueza num braço ou numa perna, alterações da visão ou da fala.
O último ponto é o mais importante. Depois de um transplante ou durante a quimioterapia, qualquer febre acompanhada de novas queixas respiratórias ou neurológicas exige internamento imediato e não vigilância em casa: a forma invasiva corre muito depressa e os dias perdidos no início não se recuperam.
Recorra ao médico nos dias seguintes se a tosse durar mais de três semanas, se uma doença pulmonar crónica deixar de responder ao tratamento habitual ou se tiver aparecido sangue na expetoração, ainda que uma só vez.
Porque o diagnóstico não aparece logo
O bolor vive nas vias respiratórias mesmo de pessoas saudáveis, por isso encontrar Aspergillus na expetoração não prova nada por si só: diz apenas que houve contacto. O contrário também é verdade — com a doença instalada a cultura sai muitas vezes negativa, porque os filamentos estão no fundo do foco. O diagnóstico constrói-se com as imagens, os dados de laboratório e a forma como o quadro evolui no tempo.
O que se faz habitualmente:
- tomografia computorizada do tórax: mostra as cavidades, a bola dentro da cavidade e as alterações à volta do foco que a radiografia simples não apanha;
- exame ao microscópio e cultura da expetoração;
- análises de sangue: anticorpos contra Aspergillus, IgE total e eosinófilos na suspeita de forma alérgica, pesquisa de antigénios do fungo na suspeita de forma invasiva;
- testes de alergia, cutâneos ou de laboratório;
- broncoscopia com lavado brônquico quando não há expetoração ou ela é escassa.
As duas armadilhas principais são a tuberculose e o cancro do pulmão, que dão uma imagem parecida. É normal que o médico as exclua primeiro e só depois procure o fungo.
Como se trata e porque demora tanto
Não há um esquema único: depende tudo da forma.
- Na forma alérgica o essencial é apagar a própria reação com corticoides. O antifúngico junta-se para reduzir a quantidade de fungo nos brônquios e permitir uma dose menor de corticoide.
- Na infeção prolongada prescrevem-se antifúngicos em comprimidos durante muitos meses, por vezes sem data de fim. O objetivo costuma ser manter a doença controlada e não eliminar o fungo.
- Um aspergiloma que não incomoda mantém-se em vigilância. Se sangrar, discute-se a cirurgia ou o encerramento por cateter do vaso que sangra.
- A forma invasiva trata-se no hospital, com o fármaco administrado na veia. Em paralelo procura-se pôr as defesas outra vez a funcionar, por exemplo baixando a dose dos medicamentos que as travam, quando possível.
O tratamento é longo pela maneira como o fungo cresce: em tecido mal irrigado, onde o medicamento chega devagar. A pessoa sente-se melhor muito antes de o foco ficar limpo, e um ciclo interrompido a meio acaba quase sempre em recaída.
Há dois pontos a esclarecer com o médico à parte. O primeiro: os antifúngicos deste grupo dão-se mal com outros medicamentos, porque alteram no sangue a concentração dos fármacos do coração, dos anticoagulantes, dos antiepiléticos e dos que se tomam depois de um transplante; o médico precisa da lista completa do que se toma, suplementos incluídos. O segundo: o Aspergillus está a ganhar resistência, porque as mesmas substâncias são usadas há décadas na agricultura contra os bolores das culturas. Se o tratamento não resulta, pergunte se foi verificada a sensibilidade do fungo.
Como reduzir o contacto com o bolor
Retirar os esporos do ar não é possível. Mas com pulmões doentes ou defesas enfraquecidas convém contornar as fontes mais densas.
- não revolver compostagem, folhas apodrecidas e feno velho sem uma máscara bem ajustada, ou deixar essa tarefa a outra pessoa;
- encontrar e eliminar a humidade em casa: uma infiltração, um canto frio, manchas negras nos aros das janelas. Pintar por cima não serve de nada;
- arejar depois do duche e de cozinhar, e não secar a roupa no quarto;
- mudar todos os dias a água do humidificador e limpar o ar condicionado: a água parada é meio pronto para o bolor;
- manter as janelas fechadas quando ali perto decorrem obras ou escavações;
- deixar de fumar, porque o tabaco agrava a doença pulmonar de base;
- com as defesas suprimidas, falar com o médico antes de obras, de mudar para uma casa húmida ou de trabalhar no jardim.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico percorre há quanto tempo se arrasta a tosse e o que mudou no estado geral, avalia se há razões para procurar uma causa fúngica, ajuda a ler as imagens e as análises já feitas, explica que exames faltam e por que ordem, e indica a que especialista recorrer presencialmente.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.




