Acidente isquémico transitório (AIT, mini-AVC)
Um acidente isquémico transitório é um AVC que parou sozinho. O fornecimento de sangue a uma zona do cérebro interrompeu-se por pouco tempo, surgiram os…
Nesta página
- Porque é urgente mesmo estando já tudo bem
- Sinais perante os quais se chama uma ambulância
- O que fazer nos primeiros minutos
- O que se parece com um AIT sem o ser
- De onde vem a obstrução
- O que se verifica nos primeiros dias
- O tratamento que baixa mesmo o risco de AVC
- Conduzir e a vida normal a seguir
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Acidente isquémico transitório (AIT, mini-AVC)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mgSubstância ativa: simvastatinFabricante: Lacer S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 75 mgSubstância ativa: clopidogrelFabricante: Laboratorio Stada S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 0,75 mgSubstância ativa: clopidogrelFabricante: Taw Pharma (Ireland) LimitedRequer receita médica
Um acidente isquémico transitório é um AVC que parou sozinho. O fornecimento de sangue a uma zona do cérebro interrompeu-se por pouco tempo, surgiram os mesmos sintomas de um AVC verdadeiro e depois o coágulo desfez-se, a circulação regressou e tudo passou: em minutos, mais raramente numa hora ou duas. A pessoa sente-se como antes e tira a única conclusão que à primeira vista parece lógica, a de que escapou. Essa conclusão está errada, e é por causa dela que existe toda esta página. Os sintomas passaram; o perigo não.
Porque é urgente mesmo estando já tudo bem
O AIT não é uma versão ligeira do AVC, mas um aviso de que ele pode chegar. A causa que fechou o vaso uma vez continua lá: uma placa na carótida, uma arritmia que atira coágulos para fora do coração. Da próxima vez o coágulo pode ficar mais tempo, e então será um AVC com lesão cerebral irreversível.
O risco não está espalhado pelos anos, está concentrado logo no início. O perigo maior recai sobre as primeiras quarenta e oito horas depois do episódio, mantém-se alto durante toda a primeira semana e vai baixando ao longo do mês. Uma parte dos AVC acontece literalmente nas horas em que a pessoa está a decidir se vale a pena incomodar um médico.
A boa notícia é que agir depressa muda radicalmente o desfecho: exames e tratamento iniciados no primeiro dia reduzem várias vezes a probabilidade de um AVC subsequente. Não se trata de medidas heroicas, mas de um comprimido que fluidifica o sangue, de uma arritmia encontrada e de um estreitamento da artéria do pescoço detetado a tempo. Daí a conclusão prática: marcar consulta «para a semana que vem» não é resposta adequada a um AIT. Os exames fazem-se no próprio dia e, se o episódio acabou de acontecer, de imediato, chamando uma ambulância.
Sinais perante os quais se chama uma ambulância
Começa tudo de repente: não cresce ao longo de uma hora, aparece já formado, a meio de uma atividade qualquer.
Há três sinais que toda a gente conhece e que são, de facto, os mais frequentes:
- a cara ficou descaída de um lado: o canto da boca desce, o sorriso sai torto, a pálpebra não levanta;
- o braço não se aguenta: ao levantar os dois braços à frente, um desce devagar ou não sobe de todo; o mesmo pode acontecer a uma perna;
- a fala alterou-se: as palavras saem arrastadas, em vez da palavra certa sai outra, ou a pessoa não percebe o que lhe dizem apesar de parecer bem desperta.
Mas a regra de bolso acaba aí, e o AIT não. Pelo menos metade dos episódios tem outro aspeto, e são justamente esses os que se confundem com cansaço, tensão ou «uma corrente de ar». Chame igualmente uma ambulância se surgir de repente:
- perda de visão só num olho, como se descesse uma cortina ou tudo ficasse cinzento; dura minutos e passa. É o sinal clássico de um problema na carótida, e é quase sempre ignorado;
- visão dupla ou perda de metade do campo visual em ambos os olhos;
- tonturas com impossibilidade de se manter de pé: não uma leve fraqueza, mas a sensação de que o chão foge, com a pessoa a cair para um lado;
- confusão súbita: deixa de perceber onde está e o que se passa, responde a despropósito;
- dormência ou perda de sensibilidade em metade da cara, num braço ou numa perna;
- falta de jeito súbita numa mão: não consegue apertar um botão, deixa cair os objetos;
- dificuldade súbita em engolir;
- dor de cabeça violentíssima, instalada num instante, «como uma pancada», sobretudo com náuseas ou vómitos.
O que fazer nos primeiros minutos
A regra que comanda tudo é esta: distinguir um acidente isquémico transitório de um AVC no momento em que está a acontecer é impossível. Nem para a pessoa, nem para a família, nem para um médico ao telefone. Nos primeiros minutos são idênticos, e a diferença esclarece-se depois, conforme tenha passado sozinho ou não. Por isso a decisão é sempre a mesma: chamar uma ambulância de imediato, sem esperar para ver se cede.
Se os sintomas desaparecerem enquanto a ambulância vem a caminho, não se anula a chamada nem se dá o assunto por encerrado. Os exames são precisos agora, não num momento futuro.
Enquanto espera:
- Registe a hora exata a que tudo começou. É a informação mais valiosa para a equipa médica: dela depende poder usar-se o tratamento que dissolve o coágulo, caso se venha a confirmar um AVC.
- Não dê de comer nem de beber: a deglutição pode estar comprometida. Também não convém dar medicamentos por iniciativa própria, incluindo os «da tensão» e a aspirina.
- Deite a pessoa de lado se estiver sonolenta ou enjoada, e reúna a lista dos medicamentos que toma, sobretudo os que atuam na coagulação.
- Não a leve pelos seus próprios meios: pelo caminho pode agravar-se, ao passo que a ambulância começa a tratá-la mais cedo e leva-a para onde existe o serviço adequado.
Se o episódio ocorreu há uns dias e já passou, não é preciso ambulância, mas é preciso um médico nesse mesmo dia, e não uma consulta daqui a uma semana.
O que se parece com um AIT sem o ser
Há episódios parecidos com outras causas. Não vale a pena tentar distingui-los sozinho, porque é trabalho do médico, mas saber que existem alternativas é útil.
- Enxaqueca com aura. Instala-se aos poucos, em cinco a vinte minutos, e costuma acrescentar em vez de retirar: ziguezagues cintilantes, manchas luminosas, um formigueiro que avança. No AIT, pelo contrário, uma função falha e tudo surge num instante.
- Um desmaio, com perda de consciência, muitas vezes num ambiente abafado, com dor ou ao levantar-se de repente. No AIT a consciência costuma manter-se.
- Uma crise epilética, depois da qual um braço ou uma perna ficam fracos durante algum tempo.
- Descida de açúcar numa pessoa com diabetes: suores, tremor, confusão, e tudo passa depois de comer.
- Vertigem posicional benigna: uma rotação desencadeada pelo movimento da cabeça, que dura menos de um minuto e não traz outros sinais neurológicos.
Tudo isto é análise feita depois. No momento do episódio a decisão é uma: chamar uma ambulância.
De onde vem a obstrução
O vaso é fechado por um coágulo que viajou de longe ou por um fragmento libertado de uma placa de colesterol que se está a desfazer. Os locais de origem são poucos, e o tratamento depende de qual é o seu.
- Aterosclerose das carótidas. Uma placa no pescoço estreita o canal, a sua superfície ulcera-se e dela soltam-se partículas que seguem diretamente para o cérebro. É a causa que mais vezes se manifesta como perda de visão num olho.
- Fibrilhação auricular. O sangue estagna nas aurículas, formam-se coágulos que são levados até ao cérebro. Esta arritmia muitas vezes não se sente e só se encontra procurando-a de propósito: é esse o sentido de monitorizar o ritmo durante dias depois de um AIT.
- Doença dos pequenos vasos cerebrais, quase sempre consequência de anos de tensão alta e diabetes.
- Disseção da parede de uma artéria do pescoço: causa rara mas importante. Surge em pessoas jovens e de meia-idade, muitas vezes após um traumatismo cervical, um movimento brusco ou uma manipulação, e costuma acompanhar-se de dor no pescoço ou na nuca. É por isso que sintomas destes numa pessoa jovem não autorizam a concluir «na minha idade não há AVC».
- Com menos frequência: doenças das válvulas e outras doenças do coração, alterações da coagulação, inflamação dos vasos.
Aceleram todo o processo o tabaco, a tensão alta, o colesterol elevado, a diabetes, o excesso de peso, o sedentarismo e o álcool habitual. A idade e a hereditariedade também pesam mas, ao contrário do resto, não se podem mudar.
O que se verifica nos primeiros dias
O objetivo dos exames não é provar que houve um AIT: os sintomas já passaram e não resta nada para confirmar. O objetivo é encontrar a causa, porque é dela que depende o tratamento.
- Observação pelo neurologista e uma história detalhada: que função falhou exatamente, com que rapidez surgiu, quanto tempo durou. Aqui ajuda muito que um familiar tenha assistido ao episódio.
- Um exame de imagem do cérebro, tomografia computorizada ou ressonância magnética. A ressonância numa sequência específica mostra muitas vezes uma área minúscula de lesão mesmo onde os sintomas desapareceram por completo.
- Eletrocardiograma e registo prolongado do ritmo cardíaco, de um dia a várias semanas. A fibrilhação auricular vem por episódios e um traçado curto pode não a apanhar.
- Ecografia dos vasos do pescoço: se há estreitamento da carótida e de que grau.
- Tensão arterial seguida ao longo do tempo, muitas vezes com registo de vinte e quatro horas, e análises ao sangue: colesterol e as suas frações, glicemia e hemoglobina glicada, coagulação.
- Ecografia do coração, se houver suspeita de que o coágulo veio dali.
Boa parte disto faz-se em internamento ou numa consulta especializada em um ou dois dias, precisamente porque não pode esperar.
O tratamento que baixa mesmo o risco de AVC
Esta é a parte mais animadora. Depois de um AIT não se prescreve uma terapêutica «preventiva em geral», mas medidas concretas com efeito demonstrado.
- Antiagregantes, medicamentos que impedem as plaquetas de se colarem umas às outras. Começam de imediato; por vezes nas primeiras semanas combinam-se dois e depois mantém-se um a longo prazo.
- Anticoagulantes em vez de antiagregantes se for encontrada fibrilhação auricular. É outra situação e outra classe de fármacos: é por isso que a arritmia se procura com tanta insistência.
- Baixar a tensão arterial, a alavanca mais poderosa de todas: no risco de AVC pesa mais do que qualquer outra coisa.
- Estatinas, mesmo com colesterol apenas moderadamente elevado, porque não baixam só o valor como estabilizam a própria placa.
- Cirurgia ou colocação de stent na carótida se o estreitamento for marcado. O benefício é maior quanto mais cedo for feito, por isso planeia-se para as semanas seguintes.
- Controlo da diabetes e tratamento das outras condições que acrescentam risco.
- Deixar de fumar, a única mudança de hábitos comparável em força aos medicamentos. Contam também menos sal na comida, movimento e moderação com o álcool.
O que mais vezes deita o plano abaixo é uma coisa só: a pessoa sente-se bem e ao fim de uns meses deixa os comprimidos. A proteção dura exatamente o tempo em que se tomam. Se algo não servir, por efeitos indesejáveis, preço ou incómodo, fala-se com o médico e muda-se o medicamento, em vez de suspender o tratamento em silêncio.
Conduzir e a vida normal a seguir
O AIT não deixa sequelas e ao fim de poucos dias a pessoa vive como antes. Ainda assim, há dois pontos a dizer.
Depois de um AIT é preciso deixar de conduzir durante algum tempo. Nas primeiras semanas o risco de repetição é o mais alto, e um episódio ao volante é perigoso para quem conduz e para os outros. O prazo concreto e as condições do regresso são definidos pelo médico: as regras diferem de país para país, e para os condutores profissionais de autocarro, camião ou táxi as exigências são sempre mais rigorosas e os prazos mais longos. Pergunte na consulta e aproveite para saber se deve informar a sua seguradora.
O resto regressa mais cedo: trabalhar, caminhar e viajar de avião costuma ser possível pouco depois dos exames, salvo indicação médica em contrário, e a atividade física não é proibida mas recomendada, aumentando-a de forma gradual.
E o essencial: quem já teve um AIT deve chamar uma ambulância perante uma repetição dos sintomas com a mesma prontidão da primeira vez. A experiência anterior de que «passa sozinho» não ajuda aqui, é uma armadilha.
Consulta em linha
A consulta em linha encaixa depois de resolvida a situação aguda, e cobre bem tudo o que vem a seguir. O médico revê consigo os resultados dos exames, a imagem do cérebro, a monitorização do ritmo, a ecografia dos vasos do pescoço, explica porque foi escolhido aquele conjunto de medicamentos e durante quanto tempo deve ser tomado, e ajuda com os efeitos indesejáveis e com a medição da tensão em casa. À parte pode discutir-se o que fazer se os sintomas voltarem e quando se pode regressar ao volante e ao trabalho. Se o episódio foi há tempos e ficou por estudar, na consulta traça-se um plano: que exames são precisos e em que prazo.
Sintomas a decorrer agora, ou de há poucas horas, não se avaliam em linha: isso é motivo para chamar uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Acidente isquémico transitório (AIT, mini-AVC)
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