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A bronquiolite é uma inflamação de origem viral das vias respiratórias mais finas, os bronquíolos. Atinge crianças nos dois primeiros anos de vida, sobretudo abaixo do ano. A parede do bronquíolo incha, o canal enche-se de muco e o ar passa com dificuldade: a respiração acelera, aparece um sibilo e mamar torna-se um esforço. O mesmo vírus num adulto passa como uma constipação vulgar; num bebé os canais são estreitos demais para que o inchaço fique despercebido. A maioria recupera em casa ao fim de duas a três semanas, mas uma parte das crianças passa mal e precisa de hospital.
Em que difere da constipação e da bronquite
A constipação fica no nariz e na garganta: nariz a pingar, espirros, alguma febre. A respiração mantém-se calma. A bronquite é uma inflamação dos brônquios grandes, surge em qualquer idade e o seu sinal principal é a tosse, muitas vezes com expetoração.
A bronquiolite começa como uma constipação, mas em dois ou três dias desce até aos canais mais finos. Por isso quem manda não é a tosse, mas a respiração: fica rápida e ruidosa, e em cada movimento afundam os espaços entre as costelas e por baixo delas. A diferença conta porque muda o que se vigia: numa constipação olha-se para a febre; na bronquiolite, para o modo como a criança respira e como come.
Como a doença se desenrola
Nos primeiros um ou dois dias não há nada de invulgar: nariz entupido, espirros, alguma tosse e febre à volta dos 38 °C. Ao terceiro dia a tosse aumenta, a respiração acelera e na expiração ouve-se um assobio. Os dias mais duros costumam ser o terceiro, o quarto e o quinto; a partir daí começa uma melhoria lenta.
A tosse é a última a desaparecer e pode durar até três semanas, por vezes mais. Não é motivo de alarme enquanto a criança comer, dormir e respirar de forma regular.
O indicador caseiro mais honesto é a mamada. Uma criança com dificuldade em respirar não consegue mamar e respirar ao mesmo tempo: dá uns golos, larga a mama ou o biberão, descansa e recomeça. Se num dia tomou menos de metade do habitual, já é razão para ser observada, mesmo sem febre.
Sinais que obrigam a chamar a emergência
- a respiração interrompe-se com pausas, como se a criança se esquecesse de inspirar;
- a pele, os lábios ou a língua ficam azulados ou acinzentados;
- em cada inspiração afundam os espaços entre as costelas, a covinha na base do pescoço ou a barriga por baixo das costelas;
- a criança geme ao expirar e as narinas abrem-se;
- está mole, não responde, custa a acordar ou não se mantém acordada;
- tem menos de três meses e febre de 38 °C ou mais.
As pausas respiratórias merecem ser guardadas à parte. Nas crianças dos dois primeiros meses e nas nascidas prematuras, essa pausa pode ser a primeiríssima manifestação da doença, antes do sibilo e antes de uma tosse evidente. Visto de fora, o bebé apenas parece apagado e um pouco adoentado, e de repente deixa de respirar durante alguns segundos. Aqui não se espera para ver se «arranca sozinho».
Não leve a criança ao volante do seu próprio carro: teria de olhar para a estrada em vez de olhar para ela. Que conduza outra pessoa, ou chame-se a ambulância.
Quando observar a criança no próprio dia
- a constipação não dá a volta e piora de dia para dia;
- a criança come bastante menos do que é habitual ou recusa o alimento;
- a fralda fica seca doze horas ou mais, os lábios e a língua estão secos, chora sem lágrimas;
- febre de 39 °C ou mais numa criança com mais de três meses;
- está invulgarmente sonolenta ou, pelo contrário, irritável sem consolo;
- respira depressa mesmo em repouso, quando não chora nem come.
Os pais costumam sentir que algo não está bem antes de o conseguirem explicar por palavras. Essa sensação basta para procurar ajuda e não precisa de justificação.
Quem passa pior
As formas graves surgem mais em crianças com menor reserva respiratória:
- abaixo dos três meses, em especial nas primeiras semanas de vida;
- nascidas claramente antes do tempo;
- com uma cardiopatia de nascença ou uma doença pulmonar crónica;
- com defesas enfraquecidas ou uma doença neurológica grave;
- que vivem onde se fuma dentro de casa.
Isto não quer dizer que uma criança assim vá parar ao hospital de certeza. Quer dizer que deve ser vigiada mais de perto e que convém pedir ajuda mais cedo, e não «quando estiver mesmo mal».
O que ajuda em casa
Não existe um medicamento que mate este vírus. Os cuidados em casa servem para outra coisa: aliviar a respiração e evitar a desidratação.
- dê mamadas mais frequentes e mais curtas: um bebé aguenta-as melhor do que as longas;
- antes de cada mamada, ponha soro fisiológico no nariz e retire o muco; o nariz entupido atrapalha a sucção mais do que parece;
- mantenha a criança na vertical enquanto estiver acordada, assim respira melhor;
- para a febre e o mal-estar servem o paracetamol ou o ibuprofeno em apresentação pediátrica, na dose que corresponde à idade e ao peso; o ibuprofeno não se dá nos primeiros meses de vida nem havendo desidratação, e a aspirina não se dá de todo a crianças e adolescentes;
- areje o quarto e não fume dentro de casa: o fumo fica na roupa mesmo que se fume na varanda.
Não vale a pena baixar a febre com panos de água fria nem despindo a criança por completo: começa a tremer e a febre volta.
O que não resulta, embora seja proposto muitas vezes
Os antibióticos não servem na bronquiolite: a causa é um vírus e sobre vírus não atuam. O médico só os indica se por cima se juntou uma infeção bacteriana.
Os inaladores que abrem os brônquios e os corticoides, por via oral ou inalados, foram estudados muitas vezes e não alteram a evolução. Os xaropes expetorantes e os que travam a tosse não são adequados a crianças pequenas: aqui a tosse está a limpar a via respiratória.
No hospital pode dar-se oxigénio à criança, ajudá-la a respirar, alimentá-la por sonda ou repor líquidos por via endovenosa. É apoio enquanto o organismo trata do vírus, não um golpe na infeção.
Como reduzir o risco
O principal responsável é o vírus sincicial respiratório. Transmite-se pelas gotículas da tosse e do espirro e também pelas mãos e pelos objetos, onde resiste várias horas. Quase todas as crianças o apanham antes dos dois anos; a pergunta é apenas com que gravidade.
- lave as mãos antes de pegar no bebé e peça o mesmo às visitas;
- mantenha o recém-nascido longe de quem tem o nariz a pingar ou tosse, sobretudo se nasceu prematuro;
- limpe brinquedos, chupetas, maçanetas e as superfícies que toda a gente toca;
- não partilhe copos, colheres nem biberões; use lenços de papel e deite-os fora de imediato;
- deixe de fumar dentro de casa e do carro: as crianças que respiram fumo de tabaco adoecem com mais gravidade.
Há também proteção médica. A vacina contra o vírus sincicial respiratório administrada durante a gravidez passa ao bebé anticorpos maternos para os primeiros meses de vida. Às crianças de risco administram-se anticorpos já preparados antes da subida sazonal: isso é prevenção, não tratamento de uma doença já instalada. As indicações e os prazos decidem-se caso a caso e falam-se com o pediatra ou com o médico que acompanha a gravidez.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico percorre como o quadro mudou dia a dia, quanto a criança come e com que frequência molha a fralda, pede para a ver com o tórax descoberto e avalia a frequência respiratória e os afundamentos. Costuma bastar para decidir se se vigia em casa ou se há que ir ao hospital, e o que deve preocupar nas horas seguintes.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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