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Medicamentos habitualmente prescritos para Bursite
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Viatris Healthcare LimitedRequer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Normon S.A.Não requer receita médica
Onde um tendão, um músculo ou simplesmente a pele desliza sobre uma saliência óssea existe uma bolsa achatada com uma gota de líquido espesso lá dentro. É uma bolsa sinovial; o corpo tem cerca de cento e cinquenta e todas cumprem a mesma tarefa: amortecer o atrito. Enquanto tudo corre bem, ninguém se lembra delas. Uma bolsa inflamada enche-se de líquido, incha e estorva a cada movimento: a articulação dói, fica tumefacta e incomoda à pressão. É isto a bursite. Na maioria dos casos acalma em duas ou três semanas, mas existe uma variante — a infeciosa — que nunca se resolve sozinha. Tem aqui uma secção só para si, e é a parte mais importante deste texto.
Porque é que a bolsa enche de líquido
A causa é quase sempre mecânica. A bolsa fica esmagada sob uma carga ou é friccionada vezes sem conta, o tecido responde com inflamação e acumula-se lá dentro mais líquido do que deveria.
- longas horas de joelhos: assentar azulejos, lavar pavimentos, arrancar ervas;
- o hábito de apoiar os cotovelos na mesa, no braço da cadeira, no volante;
- movimentos repetidos do braço acima da cabeça: pintar, montar peças, nadar, desportos de lançamento;
- uma pancada direta no cotovelo, no joelho, na anca ou no calcanhar;
- calçado rígido, apertado ou de contraforte duro, no caso da bolsa junto ao tendão de Aquiles;
- a entrada de bactérias por uma escoriação, uma picada ou uma zona coçada mesmo por cima da bolsa;
- gota, artrite reumatoide, artrite psoriática: a sua inflamação atinge também as bolsas.
É frequente não se recordar nada disto e a bolsa inflamar sem motivo aparente. Não quer dizer que a causa tenha sido mal procurada: acontece.
Como se sente e onde surge com mais frequência
A dor costuma ser surda e persistente, agrava com a pressão e com o movimento e alivia em repouso. A pele sobre o ponto dorido pode estar mais quente do que a do lado e por vezes fica vermelha; em peles morenas e escuras a vermelhidão vê-se pior, por isso conte sobretudo com o calor e a tumefação.
- Ombro. Custa levantar o braço e levá-lo atrás das costas, sobretudo na parte média do percurso. Por fora não se vê nada: a bolsa está profunda, sob a saliência da omoplata.
- Cotovelo. Na face posterior aparece um alto mole e móvel, do tamanho de uma cereja ou de um ovo. Estorva a flexão, mas a articulação continua a funcionar.
- Joelho. Tumefação mesmo por cima da rótula ou logo abaixo, na frente. Ajoelhar dói; andar costuma ser possível.
- Anca. Dor na face externa que desce pela coxa, incomoda a deitar-se desse lado e a subir escadas.
- Calcanhar. Dor atrás, onde se insere o tendão de Aquiles, pior com calçado rígido.
No cotovelo e à frente da rótula as bolsas ficam mesmo debaixo da pele: veem-se e apalpam-se. É precisamente aí que a infeção entra mais vezes. A anca merece nota à parte: aquilo a que durante décadas se chamou bursite trocantérica descreve-se hoje mais como síndrome dolorosa do grande trocânter, e a origem da dor acaba por estar nos tendões dos glúteos e não na bolsa. Para o tratamento a diferença conta, porque o peso passa para os exercícios e não para as infiltrações.
Bursite infeciosa: aquilo que não se pode deixar passar
Se as bactérias da pele entram na bolsa através de uma ferida, um arranhão ou uma picada, a inflamação torna-se purulenta. Trata-se quase sempre das bolsas superficiais, a do cotovelo e a que fica à frente da rótula; às bolsas profundas do ombro e da anca os micróbios chegam raramente.
Deve suspeitar-se de infeção se:
- a pele sobre a tumefação está muito vermelha e nitidamente quente ao toque;
- a dor é bastante mais forte do que a de uma bursite comum e não deixa dormir;
- surgiu febre, com arrepios ou mal-estar generalizado;
- a vermelhidão alastra do alto para cima ou para baixo ao longo do membro;
- há ali perto uma escoriação, uma mordedura, uma borbulha ou uma ferida recente;
- sai alguma coisa da tumefação.
O risco é maior com diabetes, com as defesas baixas, em quem toma corticosteroides e em quem trabalha de joelhos. A bursite infeciosa exige antibióticos e muitas vezes esvaziamento com agulha; sozinha não se reabsorve e, se for descurada, alastra aos tecidos vizinhos e pode terminar numa infeção generalizada do sangue.
Existe um quadro parecido mas bem mais perigoso: a infeção dentro da própria articulação. Um sinal simples separa-os: com uma bursite a articulação dobra e estende, ainda que a contragosto, ao passo que com uma infeção articular quase qualquer movimento provoca dor aguda e a pessoa mantém o membro imóvel numa só posição. Essa combinação — articulação bloqueada, febre e dor intensa — obriga a ir ao hospital de imediato, sem esperar pela manhã.
O que pode fazer nos primeiros dias
- retirar a carga que desencadeou tudo: não se apoiar no joelho, não pousar o cotovelo, adiar o trabalho com os braços no ar;
- aplicar frio através de um pano durante 10–15 minutos, várias vezes por dia;
- manter o membro elevado quando estiver sentado ou deitado;
- para a dor, um analgésico sem receita: paracetamol ou um anti-inflamatório não esteroide; na farmácia indicam qual lhe convém tendo em conta as outras doenças;
- colocar de noite uma almofada por baixo ou ao lado da articulação, para que não faça pressão contra o colchão;
- usar joelheiras e cotoveleiras se o trabalho não puder ser adiado.
O que não deve fazer: massajar ou friccionar a tumefação, aquecê-la nos primeiros dias e, acima de tudo, tentar furá-la em casa. Uma punção caseira é o caminho mais curto para transformar uma bursite comum numa bursite infetada.
Quando é preciso o médico
- uma a duas semanas de cuidados em casa não trouxeram alívio, ou piorou;
- surgiu febre, arrepios ou sensação de calor;
- não consegue mover a articulação;
- a dor é muito forte, aguda ou em facada;
- a vermelhidão à volta da tumefação está a alastrar;
- tudo começou depois de um corte, uma mordedura ou uma picada nesse ponto.
Com diabetes, durante a quimioterapia, sob corticosteroides ou outros medicamentos que baixam as defesas, não vale a pena esperar uma semana: contacte logo o médico de família.
O que faz o médico
Normalmente bastam a observação da zona e a comparação com o lado são. Depois depende. Se houver a mínima suspeita de infeção, retira-se líquido da bolsa com uma agulha e envia-se para cultura; observa-se também ao microscópio à procura de cristais, porque a gota e a doença por depósito de cálcio dão exatamente o mesmo quadro. A punção não esclarece apenas a causa: alivia de imediato a tensão. A ecografia mostra quanto líquido existe e se os tendões vizinhos estão envolvidos. A radiografia serve depois de um traumatismo ou quando se suspeita de calcificações. As análises ao sangue fazem sentido quando o que está em causa é a infeção.
Como se trata
Na bursite infeciosa prescrevem-se antibióticos, em regra um ciclo de uma semana ou mais, e o líquido é aspirado com agulha, por vezes mais do que uma vez. Os casos graves tratam-se no hospital, começando por via endovenosa. O ciclo deve ser terminado: a tumefação baixa muito antes de o foco estar limpo.
Se não houver infeção, o tratamento resume-se a repouso, frio, anti-inflamatórios e regresso gradual ao movimento. Quando a dor acalma, é importante recuperar a amplitude dos movimentos e a força dos músculos à volta da articulação: no ombro e na anca, saltar este passo torna a recaída quase certa. A infiltração de um corticosteroide na bolsa é por vezes proposta em dores teimosas, mas só depois de excluída a infeção: numa bolsa infetada essa injeção agrava bruscamente o quadro. A remoção cirúrgica da bolsa é rara e reserva-se para bursites que voltam vezes sem conta apesar de tudo o resto.
Para que não volte
- joelheiras em qualquer trabalho de joelhos e uma pausa a cada meia hora;
- não apoiar os cotovelos nus em superfícies duras: ponha algo macio por baixo;
- aumentar as cargas desportivas aos poucos e nunca saltar o aquecimento;
- lavar e cobrir logo os cortes e escoriações sobre as articulações;
- calçado de contraforte macio e sem pressão no calcanhar, se a bolsa inflamou aí;
- reduzir o peso a mais: os joelhos e as ancas agradecem;
- manter controladas a gota e a glicemia, se existirem.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico pergunta como começou a tumefação e como foi mudando, pede que mostre a articulação à câmara e descreva o que sente ao toque e, sobretudo, avalia se há motivos para suspeitar de infeção. No fim ficará claro se bastam repouso e analgésicos, se é preciso puncionar e fazer cultura, ou se a situação exige uma observação presencial urgente. Pode também discutir que movimentos retomar sem risco e como reorganizar o trabalho para que a bursite não volte.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Bursite
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