Ir para o conteúdo principal

Cancro da vesícula biliar

A vesícula biliar é um pequeno saco situado por baixo do fígado que acumula a bílis e a lança no intestino quando chega comida gorda.

Obter uma receita online

Obter uma receita online

Um médico analisará o seu caso e poderá emitir uma receita se for clinicamente apropriado.

Falar com um médico online

Falar com um médico online

Discuta os seus sintomas e as opções de tratamento com um médico.

Esta página fornece informação geral e não substitui a consulta de um médico. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico com urgência.

A vesícula biliar é um pequeno saco situado por baixo do fígado que acumula a bílis e a lança no intestino quando chega comida gorda. Os tumores nela são raros, e essa é uma das poucas boas notícias desta página. Todo o resto é mais complicado: a vesícula fica em profundidade, a parede é fina e sinais próprios quase não dá, pelo que a doença avança em silêncio e é demasiadas vezes descoberta já disseminada. Uma parte considerável destes tumores é encontrada mesmo por acaso, quando a vesícula é retirada por causa de cálculos e depois estudada ao microscópio. É por isso que vale a pena saber que sinais merecem atenção e por que a icterícia não admite espera.

Por que a doença fica tanto tempo calada

A razão está na forma do órgão. A parede da vesícula é muito fina e não tem a camada muscular que no estômago ou no intestino trava durante algum tempo o crescimento de um tumor. O fígado está encostado, por isso o tumor passa para ele antes de começar a atrapalhar a digestão. Enquanto o interior da vesícula continuar livre, a pessoa não sente nada.

As primeiras queixas percetíveis não vêm em regra do tumor em si, mas daquilo que ele obstrui: a bílis deixa de escoar e aparece a icterícia. Nessa altura a doença raramente é precoce. Em parte das pessoas os sintomas nem chegam a aparecer: os cálculos doeram durante anos, a vesícula foi retirada e o tumor foi encontrado no tecido removido.

Há ainda outra armadilha: as manifestações iniciais parecem-se com o que a pessoa já sentiu por causa de cálculos, de gastrite ou de um intestino irritável, e uma queixa conhecida é facilmente atribuída à causa do costume. A regra é simples: o que preocupa não é o sintoma, mas a sua mudança. A dor de sempre tornou-se diferente, mais longa, mais forte, ou juntou-se-lhe algo que antes não existia.

Sinais que valem uma ida ao médico

  • A icterícia é o sinal mais importante. O branco dos olhos e a pele amarelecem, a urina escurece até à cor de chá forte, as fezes pelo contrário clareiam e a pele começa a fazer comichão, por vezes de forma insuportável. Em peles morenas e escuras o tom amarelo nota-se pouco, mas vê-se bem no branco dos olhos e debaixo da língua.
  • Dor surda ou sensação de peso debaixo das costelas do lado direito, por vezes com irradiação para a omoplata direita.
  • Perda de apetite e perda de peso sem se ter tentado.
  • Náuseas, vómitos, inchaço abdominal, aversão à comida gorda.
  • Um nódulo palpável abaixo do rebordo costal direito.
  • Febre, arrepios, suores noturnos.
  • Cansaço constante que o descanso não resolve.

Icterícia, urina escura e fezes claras são motivo para procurar o médico no próprio dia, haja dor ou não. Deve chamar-se uma ambulância (nos países europeus, o número único 112) se à icterícia se juntarem febre alta com arrepios, dor abdominal intensa, confusão ou uma fraqueza súbita: é assim que se comporta a infeção das vias biliares, um quadro agudo que se trata de imediato.

Não adie a consulta mais de duas ou três semanas se estiver a perder peso sem explicação, se o apetite desapareceu, se as queixas abdominais de sempre mudaram de carácter ou se o tratamento que resultava deixou de resultar. A esmagadora maioria destes casos virá a ser tudo menos um tumor, mas vale a pena verificar: uma doença encontrada cedo trata-se de maneira muito diferente de uma encontrada tarde.

O que aumenta o risco

Explicar por que o tumor surgiu numa pessoa concreta é habitualmente impossível. Sabe-se outra coisa: quase tudo o que aumenta o risco tem a ver com anos de inflamação da parede da vesícula.

  • Os cálculos biliares são o acompanhante mais frequente da doença, sobretudo os grandes e os antigos. A ressalva conta: imensa gente tem cálculos e o cancro da vesícula é raro, pelo que por si só eles não anunciam quase nada e não são motivo para operar por medo.
  • Os pólipos da vesícula: os pequenos são inofensivos e só exigem vigilância; os grandes e os que crescem retiram-se juntamente com a vesícula.
  • A vesícula «em porcelana», com a parede calcificada após uma inflamação prolongada.
  • A inflamação prolongada das vias biliares, incluindo a colangite esclerosante primária.
  • Variantes congénitas dos canais que deixam o suco pancreático refluir para a vesícula, e os quistos das vias biliares.
  • Ser portador crónico de certas infeções intestinais, sobretudo da febre tifoide.
  • A idade: quase não se vê antes dos cinquenta e torna-se nitidamente mais frequente nos grupos mais velhos.
  • O sexo feminino: as mulheres adoecem cerca do dobro dos homens.
  • A obesidade, a diabetes e o tabaco.
  • O trabalho com certos produtos químicos industriais, na indústria da borracha e na têxtil.
  • Casos desta doença num pai, mãe, irmão ou irmã.

A geografia também pesa: em alguns países da América do Sul e do sul da Ásia a doença é várias vezes mais frequente do que na Europa, e a origem nessas regiões é tida em conta na avaliação do risco. Desta lista pouco se pode mudar, mas alguma coisa sim: não fumar, manter o peso, tratar a diabetes e não adiar a remoção programada da vesícula se os cálculos a inflamam vezes sem conta.

Como se investiga

A conversa começa em regra no médico de família, que faz perguntas, apalpa o abdómen e pede análises: hemograma, provas de função do fígado e bilirrubina. Havendo suspeita de tumor, é feita a referenciação para um especialista, e daí em diante o estudo avança depressa.

  • A ecografia abdominal é o primeiro passo: acessível, indolor, e mostra tanto os cálculos como o espessamento da parede e os canais dilatados.
  • A TAC e a ressonância, incluindo uma sequência própria para as vias biliares, mostram o tamanho do tumor e o estado do fígado, dos gânglios e dos vasos.
  • A ecoendoscopia: a sonda é aproximada da vesícula por dentro, através do estômago e do duodeno, e aproveita-se para colher material.
  • A biópsia nem sempre se faz: se o tumor parecer removível, os cirurgiões preferem muitas vezes operar sem o picar antes.
  • A laparoscopia diagnóstica: uma inspeção do abdómen através de algumas incisões pequenas antes de uma cirurgia maior.
  • Os marcadores tumorais no sangue não fazem o diagnóstico sozinhos: também sobem em doenças benignas das vias biliares. Usam-se como complemento e para acompanhar a evolução.

Esperar pelos resultados é a parte mais dura, e muitas vezes arrasta-se por semanas. Uma espera longa não significa por si nada de mau. Se a angústia se tornar insuportável, pergunte quem acompanha o seu caso e quando é esperada a resposta: a essas perguntas são obrigados a responder. À consulta em que se falam os resultados convém ir acompanhado: o que se ouve retém-se mal, e a dois recorda-se mais.

Como se trata

O plano depende de onde está o tumor, de quanto invadiu a parede, de estarem ou não envolvidos o fígado, os gânglios e outros órgãos, e do estado geral da pessoa. A decisão não é de um médico sozinho, mas de uma equipa: cirurgião, oncologista, especialista em radioterapia, radiologista e patologista.

  • A cirurgia é a única forma de eliminar o tumor por completo. Em fase precoce retira-se a vesícula; quando a doença está mais avançada, retira-se também a porção de fígado adjacente e os gânglios em redor. É uma intervenção grande, e só se avança para ela se o tumor puder ser removido inteiro.
  • A quimioterapia é usada depois da cirurgia para reduzir a probabilidade de regresso, e como tratamento principal quando não é possível operar.
  • A radioterapia usa-se menos, associada à quimioterapia ou para acalmar a dor.
  • Os fármacos dirigidos e a imunoterapia são uma via relativamente nova. O tecido do tumor é estudado à procura de determinadas características moleculares e, se existirem, abrem-se opções adicionais. Perguntar ao oncologista se esse estudo foi feito é uma questão sensata.
  • Repor o escoamento da bílis. Se o canal estiver comprimido, coloca-se lá dentro uma prótese que mantém o lúmen aberto. Isso não trata o tumor, mas faz desaparecer a icterícia e a comichão extenuante e devolve muitas vezes a possibilidade de comer normalmente.

Caso à parte, e muito frequente, é o tumor encontrado numa vesícula já retirada: foi tirada por causa dos cálculos e o patologista encontrou células malignas na parede. Nessa situação é muitas vezes necessária uma segunda intervenção, mais alargada, para retirar o leito da vesícula no fígado e os gânglios. Decide uma equipa especializada, e o essencial é não perder tempo entre as duas cirurgias.

O que ajuda a viver durante o tratamento

Os cuidados dirigidos ao bem-estar não se guardam «para depois» nem significam que o tratamento acabou: acompanham o resto, e quanto mais cedo começarem, melhor se tolera tudo o mais.

  • A comichão da icterícia desgasta mais do que a dor. Além da drenagem do canal, ajudam certos medicamentos, a água fresca, a roupa leve e as unhas curtas.
  • A alimentação. Sem vesícula e com os canais obstruídos a gordura absorve-se pior: refeições pequenas e frequentes toleram-se melhor do que poucas e fartas. Havendo diarreia persistente com fezes claras e gordurosas, o médico pode prescrever enzimas. Um nutricionista nesta equipa vale mais do que parece.
  • A dor trata-se por degraus e não há razão para a aguentar: acertar a analgesia é trabalho corrente, não um último recurso.
  • As náuseas, a fraqueza e a perda de peso também têm tratamento: fale delas sem esperar pela consulta marcada.
  • As equipas de cuidados paliativos ocupam-se da qualidade de vida, e não apenas das suas últimas semanas. Chamá-las cedo alivia sintomas e retira parte do peso à família.
  • O apoio dos próximos e dos grupos de doentes, a ajuda psicológica e as conversas com o enfermeiro que acompanha o seu caso não são luxo. Pergunte a quem se dirigir entre consultas.

Consulta em linha

A consulta à distância não faz nem exclui este diagnóstico: para isso são precisos exames de imagem, análises e as mãos de um médico. É, ainda assim, útil em vários momentos. Antes da investigação, o médico analisará as suas queixas, dirá quais delas obrigam a ser visto presencialmente no próprio dia, explicará por onde se costuma começar e indicará que análises vale a pena já ter feitas para não perder semanas. Se lhe encontraram cálculos ou um pólipo e não percebe se é preciso fazer alguma coisa, em linha é um bom sítio para falar disso com calma, incluindo os tamanhos que apenas se vigiam e aqueles que se operam. Feito o diagnóstico, o médico ajudará a decifrar as palavras desconhecidas de um relatório, a preparar perguntas para o oncologista e a perceber o que significam as opções propostas. E durante o tratamento é cómodo acompanhar assim os efeitos secundários, a comichão, as náuseas, a alimentação e a dor sem uma deslocação a mais. Já uma icterícia com febre alta, dor abdominal intensa e confusão não é assunto para mensagens: é uma emergência.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

Receba atualizações e ofertas exclusivas

Seja o primeiro a conhecer novos serviços, atualizações do marketplace e ofertas exclusivas para subscritores.