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Medicamentos habitualmente prescritos para Cirrose hepática
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: INJETÁVEL, 40 mgSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mgSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Sun Pharmaceutical Industries (Europe) B.V.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mgSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Towa Pharmaceutical S.A.Não requer receita médica
A cirrose não é uma doença em si, mas o ponto de chegada de lesões do fígado muito diferentes umas das outras quando se arrastam durante anos. As células que morrem são substituídas por tecido cicatricial, o órgão fica duro e irregular e o sangue deixa de o atravessar com facilidade. Além disso o fígado trabalha com uma reserva enorme, pelo que a pessoa se sente bem durante muito tempo: é precisamente isso que torna a cirrose perigosa, porque as queixas só aparecem quando já se perdeu boa parte do tecido. A boa notícia é que a ideia da cirrose como sentença está ultrapassada. Retirada a causa, a destruição para e, numa parte dos doentes, as cicatrizes chegam mesmo a regredir em parte.
Porque é que o fígado se cala durante tanto tempo
Enquanto as células que restam dão conta do trabalho, pode não haver sinal nenhum, ou os que há são tão banais que ninguém os liga ao fígado:
- um cansaço que o descanso não tira e a sensação permanente de falta de forças;
- apetite desaparecido, náuseas, perda de peso sem dieta nenhuma;
- um desconforto surdo ou um peso debaixo das costelas do lado direito;
- pequenas teias vasculares no peito, nos ombros e na cara;
- vermelhidão às manchas nas palmas das mãos, sobretudo junto à base dos polegares, mais difícil de ver na pele escura;
- má tolerância ao esforço do costume e perda de músculo nos ombros e nas coxas.
Não é raro a cirrose aparecer sem queixa alguma: numas análises pedidas por acaso, com as plaquetas baixas, ou numa ecografia feita por motivo completamente diferente. É o melhor cenário possível, porque é nesta fase que mais se consegue fazer.
Os sinais que surgem mais tarde
Quando a margem se esgota, o quadro torna-se reconhecível. Surgem os sinais de que o fígado já não dá conta de depurar, de fabricar proteínas e de deixar passar o sangue:
- pele e brancos dos olhos amarelados, urina escura, comichão sem qualquer erupção;
- barriga que aumenta por acumulação de líquido, pernas e pés inchados;
- nódoas negras e hemorragias ao mínimo motivo, sangramentos demorados do nariz e das gengivas;
- veias dilatadas a marcarem-se no abdómen;
- distração, dia e noite trocados, fala lenta e arrastada, tremor com os braços esticados;
- alteração da forma dos dedos e das unhas: as pontas dos dedos engrossam e as unhas ficam esbranquiçadas;
- nos homens, aumento do peito e diminuição dos testículos; nas mulheres, alterações do ciclo.
O momento em que aparecem pela primeira vez líquido na barriga, confusão ou uma hemorragia é assinalado à parte pelos médicos: a partir daí mudam tanto a forma de vigiar a doença como a conversa sobre o transplante. Por isso episódios destes não se aguentam em casa, mesmo que no dia seguinte alivie.
Quando chamar uma ambulância
É preciso ajuda imediata se numa pessoa com doença do fígado surgir:
- vómito de sangue ou de material parecido com borras de café;
- fezes pretas e pegajosas: é este o aspeto da hemorragia das veias dilatadas do esófago;
- confusão súbita, sonolência, fala arrastada, comportamento estranho ou dificuldade em acordar a pessoa;
- febre e dor na barriga quando há líquido acumulado: esse líquido pode infetar, e sem antibióticos a situação é mortal;
- uma quebra brusca na quantidade de urina, com a barriga e os inchaços a crescerem depressa;
- falta de ar em repouso.
Nestas condições não se conduz: peça boleia ou ligue para o 112. Leve a lista de todos os medicamentos que toma; o médico precisa de saber sobretudo dos que fluidificam o sangue e dos diuréticos.
O que enche o fígado de cicatrizes
As causas são muitas e na mesma pessoa há muitas vezes mais do que uma; nesse caso somam-se, em vez de apenas coexistirem:
- o consumo regular de álcool ao longo de anos. A referência a partir da qual o risco sobe de forma clara anda pelos 30 g de álcool puro por dia nos homens e pelos 20 g nas mulheres, mas para um fígado já lesado não existe dose segura nenhuma;
- a doença do fígado gordo ligada ao metabolismo: excesso de peso, diabetes tipo 2, triglicéridos altos, tensão elevada. Nos últimos anos passou a chamar-se associada a disfunção metabólica e é hoje a causa de cirrose que cresce mais depressa;
- as hepatites víricas crónicas B, C e D;
- as doenças autoimunes: hepatite autoimune, colangite biliar primária, colangite esclerosante primária;
- as perturbações hereditárias do metabolismo: acumulação excessiva de ferro ou de cobre, défice de alfa-1-antitripsina, fibrose quística;
- o obstáculo prolongado à saída da bílis e a estase de sangue no fígado numa insuficiência cardíaca grave;
- mais raramente, a lesão do fígado por medicamentos e por suplementos de plantas.
Como se descobre e como se avalia
O diagnóstico raramente sai de um exame só. O habitual é juntar várias fontes:
- análises de sangue: enzimas do fígado, bilirrubina, albumina, coagulação, plaquetas. Plaquetas persistentemente baixas são muitas vezes a primeira pista;
- a elastografia, a medição da dureza do fígado com uma sonda, sem picada e em poucos minutos;
- a ecografia com estudo do fluxo de sangue e, se for preciso, a tomografia;
- as análises que estabelecem a causa: hepatites víricas, metabolismo do ferro e do cobre, marcadores autoimunes;
- a biópsia, que hoje já quase nunca é precisa e se reserva sobretudo aos casos em que a causa continua por esclarecer.
Depois avalia-se até que ponto o fígado cumpre a sua função, através de escalas que entram em conta com a bilirrubina, a albumina, a coagulação e a existência de complicações. Estas pontuações não estão ali para assustar: delas dependem a frequência das consultas, a segurança de uma operação e o lugar na lista de transplante.
O que se consegue mesmo travar
O tratamento não começa pelo fígado, mas pela causa, e aqui mudou muita coisa nos últimos anos. A hepatite C crónica cura-se hoje com comprimidos em quase toda a gente e em poucos meses. A hepatite B consegue suprimir-se por completo com antivirais tomados durante muito tempo. As doenças autoimunes respondem aos fármacos que travam o sistema imunitário. Quando há ferro a mais, retira-se com sangrias regulares; na doença por acumulação de cobre, com fármacos que o captam. No fígado gordo funcionam a perda de peso e o tratamento da diabetes. E na lesão pelo álcool, deixar de beber traz uma melhoria que se vê nas análises ao fim de poucos meses.
O sentido disto tudo é simples: enquanto a causa continuar a agir, a cicatriz avança; assim que é retirada, o fígado ganha uma hipótese. Completamente saudável já não voltará a ficar, mas o estádio pode descer e as complicações podem nunca chegar. E se o fígado falhou, discute-se o transplante, uma conversa que é melhor ter cedo do que em plena crise.
As complicações e como se previnem
A maior parte da vigilância na cirrose não é dedicada às cicatrizes, mas ao que decorre delas. O sangue, sem encontrar caminho através do fígado, segue por desvios e enche demasiado as veias do esófago e do estômago: são vistas na endoscopia digestiva alta e, perante achados perigosos, ou se prescrevem fármacos que baixam a pressão nessas veias, ou se laqueiam as veias por via endoscópica. O líquido na barriga trata-se com restrição de sal e diuréticos e, quando o volume é grande, retira-se com uma agulha; o perigo próprio deste capítulo é esse líquido infetar, razão pela qual qualquer subida de febre em quem tem ascite obriga a observação imediata.
A alteração da consciência aparece por causa de substâncias que o fígado deixou de neutralizar; trata-se com fármacos que aceleram o esvaziamento do intestino e mudam a sua flora, e o empurrão costuma vir de uma infeção, de uma hemorragia ou da prisão de ventre. À parte, e sempre, vigia-se o cancro do fígado: a cirrose é o seu principal fator de risco, por isso a ecografia do fígado repete-se de seis em seis meses para toda a vida, esteja a pessoa como estiver. É justamente essa regularidade que dá a hipótese de encontrar um tumor enquanto ainda se pode retirar ou curar.
O que depende de si
Há aqui algumas regras que mudam mesmo o desfecho:
- o álcool é retirado por completo, seja qual for a causa da cirrose;
- as proteínas não se restringem: esse conselho está ultrapassado. Na cirrose passa-se o contrário, é preciso mais proteína do que o habitual, senão perde-se músculo e com ele a resistência às complicações. Ajuda ganhar o hábito de uma pequena ceia, para que durante a noite o organismo não gaste o próprio músculo;
- o sal limita-se apenas quando há inchaços e líquido na barriga, mas então a sério;
- a atividade física ao alcance de cada um preserva o músculo e a capacidade de aguentar uma operação;
- os analgésicos escolhem-se com cuidado: os anti-inflamatórios na cirrose são perigosos para os rins e para o estômago, ao passo que o antipirético do costume costuma ser permitido, mas em dose diária reduzida, a acertar com o médico;
- os chás e os suplementos «para o fígado» é melhor não os tomar: benefício provado não há, e estão descritos casos de lesão do fígado;
- as vacinas são precisas e combinam-se com antecedência: hepatites A e B, gripe, pneumococo;
- o marisco cru, sobretudo os bivalves, exclui-se na cirrose, porque nestes doentes a infeção é grave;
- qualquer medicamento novo, incluindo os que se compram sem receita, deve ser falado com o médico de família ou com o farmacêutico.
Consulta em linha
A consulta à distância cobre bem tudo o que não exige as mãos do médico. Se nas análises ou na ecografia surgiram alterações do fígado, o médico explica o que significam e que exames são precisos para chegar à causa: é talvez o pedido mais frequente de todos. Com o diagnóstico já feito, à distância é cómodo manter o calendário em dia: quando toca a ecografia, quando a endoscopia, o que dizem as análises mais recentes. Na mesma altura tratam-se a alimentação e o sal, a segurança dos medicamentos e dos suplementos, a preparação das vacinas e as dúvidas sobre o transplante. E, à parte, o apoio para deixar o álcool, em que o contacto regular com o médico funciona melhor do que conversas avulsas. As situações do capítulo da urgência não se resolvem por ecrã: com essas liga-se para a emergência.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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