Dedo em gatilho (tenossinovite estenosante)
O dedo em gatilho é uma situação em que um dedo dobrado não se estende de forma suave, mas de repente, com um estalido nítido e muitas vezes doloroso.
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Medicamentos habitualmente prescritos para Dedo em gatilho (tenossinovite estenosante)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 400 mg/sachêSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Viatris Healthcare LimitedNão requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 4%Substância ativa: ibuprofenFabricante: Reckitt Benckiser Healthcare S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL EFERVESCENTE, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Viatris Healthcare LimitedRequer receita médica
O dedo em gatilho é uma situação em que um dedo dobrado não se estende de forma suave, mas de repente, com um estalido nítido e muitas vezes doloroso. Por vezes fica preso em flexão durante um ou dois segundos e só se consegue endireitar com a outra mão. A causa não está na articulação, como habitualmente se pensa, mas no tendão flexor e no canal estreito por onde ele desliza. É uma situação benigna, bastante frequente e que responde bem ao tratamento, embora não se resolva sozinha com tanta frequência quanto se supõe.
Como se manifesta
Costuma começar não pelo estalido, mas por dor e um espessamento na base do dedo, do lado da palma, justamente onde o dedo se junta à mão. A zona dói à pressão e frequentemente palpa-se sob a pele um nódulo firme do tamanho de uma ervilha, que se desloca com o tendão ao dobrar o dedo.
Depois surge a rigidez característica: o dedo dobra com facilidade, mas endireita com atraso e com um estalido. É de manhã que mais se nota: depois da noite o dedo prende ao máximo e, ao longo do dia, à medida que a mão se solta, os estalidos tornam-se mais raros. Os dedos mais afetados são o polegar, o anelar e o médio; podem estar envolvidos vários dedos ao mesmo tempo e ambas as mãos.
Se nada for feito, o quadro costuma agravar-se lentamente: o estalido torna-se mais doloroso e, nos casos avançados, o dedo fica fixo em flexão de forma permanente e deixa de endireitar por completo. É por isso que o «há de passar» funciona aqui pior do que parece.
Porque é que o dedo encrava
Os tendões flexores vão dos músculos do antebraço até aos ossos dos dedos por canais estreitos, mantidos junto ao osso por ligamentos em anel, as polias. Em condições normais o tendão desliza livremente dentro desse canal, como um cabo dentro da bainha.
Nesta situação a bainha do tendão e a entrada do canal espessam, o canal estreita e sobre o próprio tendão forma-se um pequeno espessamento fusiforme, um nódulo. Enquanto o dedo dobra, o nódulo atravessa o anel estreitado; ao estender, fica preso e só volta a passar com um solavanco. É esse momento que se sente como estalido e, por vezes, como um bloqueio temporário.
Aqui a inflamação é mais consequência do problema mecânico do que a sua causa, pelo que os anti-inflamatórios podem atenuar a dor, mas não alargam o canal nem eliminam o encravamento.
A quem acontece com mais frequência
Uma causa exata em geral não se consegue apontar, mas sabe-se bem em quem o dedo em gatilho aparece mais vezes: nas mulheres, nas pessoas com mais de quarenta anos e em quem, por trabalho ou por gosto, mantém uma pega firme durante muito tempo — ferramentas de oficina ou de jardim, tesouras, o volante, o braço de uma guitarra, turnos longos com a mão fechada.
Merecem referência à parte a diabetes e as doenças da tiroide. Na diabetes o dedo em gatilho desenvolve-se várias vezes mais, não raro em vários dedos e nas duas mãos, e vale a pena sabê-lo à partida por uma razão muito prática: nas pessoas com diabetes as infiltrações de corticoide resultam pior e durante menos tempo, e a probabilidade de acabar por precisar de cirurgia é maior. Outro pormenor: a infiltração pode subir a glicemia durante alguns dias, pelo que nesses dias convém medi-la mais vezes e avisar o médico da diabetes antes do procedimento. Com o hipotiroidismo a relação é a mesma: o problema é mais frequente e responde pior enquanto a própria função da tiroide não estiver corrigida.
Outras situações em que o dedo em gatilho aparece mais vezes são a artrite reumatoide, a gota, a amiloidose, a síndrome do túnel cárpico, a doença de Dupuytren e um traumatismo prévio da base do dedo ou da palma.
O que se pode fazer sozinho: repouso e tala
Nos casos ligeiros, quando tudo começou há pouco tempo e o estalido ainda não é constante, bastam muitas vezes medidas simples. A principal é retirar a carga que o provoca: suspender durante algumas semanas o movimento concreto que desencadeou tudo, seja o uso diário de uma ferramenta, transportar um saco pesado com os dedos dobrados ou exercícios de força com pega firme. A imobilidade total não é necessária e até é contraproducente; trata-se de uma carga específica.
A segunda coisa que ajuda mesmo é uma tala noturna. Uma pequena tala mantém o dedo esticado durante o sono e elimina o bloqueio matinal, que é justamente o que mais leva as pessoas ao médico. Usa-se em geral durante algumas semanas; de dia o dedo move-se normalmente, acrescentando exercícios suaves de flexão e extensão.
Os anti-inflamatórios não esteroides podem reduzir a dor, mas não atuam sobre o mecanismo, pelo que não devem ser encarados como tratamento. Calor, massagem na base do dedo e fricções não eliminam o estalido; e forçar o dedo para «o desentorpecer», endireitando-o com puxões bruscos, irrita ainda mais o tendão e deve ser evitado.
Infiltração e cirurgia
Se o repouso e a tala não resultaram, ou se o quadro já está instalado, o passo seguinte é uma infiltração de corticoide na bainha do tendão. O médico coloca uma pequena quantidade de medicamento mesmo junto ao canal, na base do dedo. O efeito não é imediato: por vezes surge em poucos dias, mais frequentemente ao fim de duas ou três semanas. Esta infiltração ajuda a maioria das pessoas e em muitos casos uma só chega para bastante tempo. Se os sintomas voltarem, por vezes repete-se, mas a segunda costuma resultar menos do que a primeira e não se repetem indefinidamente. Os riscos são pequenos: mais frequentemente dor nos primeiros dias, menos vezes clareamento ou adelgaçamento da pele no local da picada, muito raramente uma infeção.
Quando as infiltrações não resultaram, o efeito dura cada vez menos ou o dedo já está fixo, propõe-se uma pequena cirurgia: a secção dessa polia estreitada, após a qual o tendão volta a deslizar livremente. Faz-se em ambulatório, sob anestesia local, em poucos minutos; o dedo pode mexer-se logo, o penso retira-se ao fim de alguns dias e a vida normal retoma-se em duas semanas. Para trabalho físico pesado é preciso mais tempo, em geral um mês. O resultado é duradouro e é raro o mesmo dedo voltar a bloquear. Como qualquer cirurgia, tem riscos: cicatriz dolorosa, rigidez temporária, infeção e, muito raramente, lesão de um nervo pequeno. Na artrite reumatoide a abordagem decide-se à parte, porque a secção habitual da polia nem sempre é adequada.
Quando não é dedo em gatilho e quando não se pode esperar
Queixas parecidas surgem também noutras situações, que se tratam de maneira diferente:
- doença de Dupuytren: o dedo é puxado progressivamente para a palma por uma banda dura que se palpa sob a pele; não há estalido nem solavanco, o dedo simplesmente deixa de endireitar por completo e muitas vezes nem dói;
- tenossinovite de De Quervain: dor no bordo do punho, na base do polegar, que aumenta ao inclinar a mão para o lado, sem bloqueios do dedo;
- artrose ou artrite das articulações do dedo: dor e rigidez na própria articulação, com inchaço em toda ela, e não um nódulo na base do dedo, na palma.
Não adie a consulta e procure o médico no próprio dia se:
- o dedo ficou preso em flexão e não endireita de todo, nem mesmo com a ajuda da outra mão;
- surgirem vermelhidão, inchaço marcado, uma vermelhidão que sobe pelo dedo ou pela mão, ou febre: assim se pode manifestar uma infeção à volta do tendão, e isso exige cuidados urgentes e não vigilância;
- tudo começou depois de um traumatismo, de um corte ou de uma mordedura, sobretudo se o dedo não endireita ou endireita apenas em parte;
- o dedo ficar dormente, pálido ou frio.
Consulta em linha
O dedo em gatilho é um tema que se presta bem a ser resolvido à distância. O diagnóstico assenta no relato e num exame simples: radiografias e análises em regra não são necessárias. Na consulta em linha o médico perguntará como se comporta exatamente o dedo, distinguirá o dedo em gatilho da doença de Dupuytren e da tenossinovite de De Quervain, indicará que tala é precisa e como usá-la, e ajudará a perceber se chegou a altura de falar de infiltração ou já de cirurgia.
Vale igualmente a pena contactar o médico se tiver diabetes ou hipotiroidismo: nesse caso convém verificar de passagem até que ponto estão controlados, porque disso depende diretamente a resposta ao tratamento. Se, pela descrição, o quadro não corresponder a um dedo em gatilho comum ou existir algum dos sinais de alarme acima, o médico dirá isso com clareza e encaminhará para uma consulta presencial.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Dedo em gatilho (tenossinovite estenosante)
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