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Dente lascado, partido ou rachado

Um dente parte-se sempre no pior momento: no caroço de uma azeitona, num rebuçado, na haste dos óculos, numa queda de bicicleta.

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Esta página fornece informação geral e não substitui a consulta de um médico. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico com urgência.

Um dente parte-se sempre no pior momento: no caroço de uma azeitona, num rebuçado, na haste dos óculos, numa queda de bicicleta. No primeiro segundo quase ninguém sente nada além da língua a esbarrar num bordo afiado, e daí sai a conclusão errada: se não dói, não há pressa. Acontece que do que se fizer na primeira hora depende por vezes que o dente continue vivo. Há duas coisas a esclarecer: até que profundidade vai a fratura e se ao lado não estará algo mais sério do que um dente partido.

O que se partiu exatamente

O dente é feito por camadas, e pelas sensações percebe-se com bastante rigor até qual delas chegou o estrago.

  • Lasca do esmalte. A camada exterior não tem nervos, por isso nada dói; incomoda apenas o bordo áspero que raspa a língua e a bochecha. É a variante mais sossegada.
  • Fratura com dentina exposta. Sob o esmalte fica uma camada atravessada por túbulos microscópicos que chegam ao nervo. O dente começa a dar picadas curtas com o frio, com o doce e com um jato de ar. Tem de ser selado, porque pela dentina aberta acaba por entrar a infeção.
  • Fratura com o nervo à vista. Na superfície partida vê-se um ponto vermelho ou rosado, por vezes com uma gota de sangue, e a dor é forte e não passa. Aqui conta-se por horas: quanto mais cedo o nervo for coberto, maior a hipótese de manter o dente vivo.
  • Fenda. O mais traiçoeiro. As linhas finas e superficiais do esmalte costumam ser inofensivas e ficam durante anos. Já uma fenda a sério dá uma dor muito característica: não ao mastigar, mas ao largar — uma pontada curta no instante em que as arcadas se separam. Nem sempre se vê na radiografia, e entretanto o dente vai rachando.
  • Quebra de uma parede ou de uma cúspide. Costuma ser junto a uma obturação antiga e grande. O pedaço salta inteiro, muitas vezes com parte da obturação, e fica um vazio no dente.

À parte ficam o dente partido mesmo rente à gengiva e o dente que ficou abanado depois de uma pancada: são casos mais complicados do que parecem.

As primeiras horas

A ordem das coisas é simples e serve igualmente para um adulto e para uma criança:

  • bochechar com água morna e uma pitada de sal, para tirar os restos e ver o que há;
  • se a gengiva ou o lábio sangram, fazer pressão com uma compressa limpa ou um lenço durante dez minutos, sem levantar a cada instante;
  • procurar o pedaço solto e não o deixar secar: pô-lo em leite ou na própria saliva, cuspindo para um frasco limpo. Não é preciso guardá-lo em água e não deve ser embrulhado num guardanapo. O dentista consegue às vezes voltar a colar o fragmento, e o esmalte próprio fica melhor do que qualquer reconstrução;
  • tapar o bordo afiado até à consulta com um pedaço de pastilha elástica sem açúcar ou com cera dentária da farmácia: em poucas horas a língua fica em carne viva;
  • aplicar frio pelo lado de fora da bochecha, com um pano pelo meio, uns quinze minutos;
  • comer mole, mastigar do outro lado e evitar o muito quente e o gelado;
  • se doer, tomar o analgésico sem receita do costume. O comprimido não se encosta à gengiva: assim provoca-se uma queimadura química da mucosa e ao dente não serve de nada.

Vale a pena marcar dentista nos dias seguintes mesmo perante uma lasca pequena e sem dor: polir um bordo e selar a dentina é bem mais simples e barato do que tratar aquilo em que isso se transforma daqui a meio ano.

Quando não é apenas uma lasca

Há situações em que esperar muda o desfecho. É preciso procurar ajuda de imediato, sem aguardar uma marcação conveniente, se:

  • um dente definitivo saiu inteiro. Pegue-lhe só pela coroa, sem tocar na raiz e sem esfregar. Se estiver sujo, passe-o um instante por leite ou soro fisiológico e volte a colocá-lo logo no seu alvéolo, mordendo um lenço. Se não conseguir, guarde o dente em leite ou dentro da própria boca, junto à bochecha, e chegue ao dentista o mais depressa possível: as hipóteses de pegar caem a pique passada a primeira meia hora;
  • a hemorragia da boca não para ao fim de vinte minutos de pressão;
  • as arcadas já não encaixam como antes, os dentes não fecham, custa abrir a boca ou mudou o formato da cara;
  • o traumatismo foi com perda de consciência, vómitos, dor de cabeça forte ou uma falha de memória: então trata-se primeiro da cabeça e só depois do dente;
  • a bochecha ou o queixo incham a olhos vistos, há febre e o olho começa a fechar-se com o inchaço;
  • há inchaço debaixo da língua ou da mandíbula e tornou-se difícil engolir, falar ou respirar: isso é uma emergência e não um problema dentário;
  • o dente foi empurrado para dentro da gengiva ou deslocou-se de forma visível;
  • a ferida do lábio ou da língua é funda, mantém-se aberta e pode ter lá dentro esquírolas do dente.

Se o acidente aconteceu na rua e a ferida está suja, convém lembrar de caminho quando foi a última vacina do tétano.

O que fará o dentista

Vai observar o dente, verificar a mobilidade e a sensibilidade e quase de certeza fazer uma radiografia: importa saber se a raiz está inteira e se o osso à volta sofreu. O que se segue depende da profundidade do estrago:

  • desgaste e polimento do bordo, nas lascas pequenas de esmalte;
  • colagem do seu próprio fragmento, se foi guardado e encaixa;
  • reconstrução da forma com material de obturação e, se a perda for grande, um incrustado ou uma coroa a cobrir o dente todo;
  • tratamento dos canais quando o nervo está exposto ou já morreu;
  • ferulização: um dente abanado ou recolocado fica preso algumas semanas aos vizinhos;
  • extração se o dente estiver rachado ao comprido até à raiz; nesse caso fala-se logo de como preencher o espaço.

Mesmo quando o dente é reconstruído no próprio dia, não se perde de vista. O nervo lá dentro pode morrer meses depois, e muitas vezes o único aviso é o dente escurecer ou doer ao trincar. É por isso que depois de um traumatismo se marcam consultas de controlo com radiografias, e não vale a pena faltar-lhes.

Os dentes de leite são outra história

Com as crianças as regras mudam, e a diferença principal é esta: um dente de leite que saltou não se volta a colocar. Por baixo, dentro do osso, está o gérmen do dente definitivo, e a tentativa de repor o dente pode danificá-lo. Ainda assim a criança deve ser observada: vê-se o alvéolo e confirma-se que o dente não foi empurrado para dentro e que não ficaram esquírolas no lábio.

Um dente de leite lascado costuma ser apenas polido ou selado. Preocupante é quando, depois da pancada, o dente escurece, a gengiva por cima incha ou aparece um pequeno abcesso: a inflamação junto à raiz de um dente de leite também pode prejudicar o definitivo que vem atrás. E mais uma coisa: depois de um traumatismo não é raro que o dente definitivo que nasce anos mais tarde tenha outro aspeto, com uma manchinha ou um sulco no esmalte. Não é caso para pânico, mas é razão para avisar o dentista da lesão antiga.

Porque é que os dentes partem

Um dente são não se parte sem mais. Quase sempre houve algo que o enfraqueceu antes:

  • uma cárie que o foi minando por dentro com o esmalte aparentemente inteiro;
  • obturações antigas e grandes: as paredes que sobram à volta são finas e cedem primeiro;
  • dentes desvitalizados deixados sem coroa, que ficam quebradiços;
  • ranger e apertar os dentes, sobretudo à noite; denunciam-no os bordos gastos, a mandíbula cansada ao acordar e a dor de cabeça nas têmporas;
  • erosão do esmalte pelos ácidos: bebidas com gás, refluxo frequente, vómitos;
  • o hábito de trincar gelo, frutos secos com casca e rebuçados duros, e de abrir garrafas e embalagens com os dentes;
  • o desporto sem protetor bucal e os piercings no lábio ou na língua, que durante anos batem no esmalte.

Daqui sai uma prevenção aborrecida mas eficaz: protetor bucal para os desportos de contacto, goteira noturna para quem range, deixar de usar os dentes como ferramenta, tratar o refluxo e ir às consultas de rotina, onde as fendas se encontram antes de darem sinal.

Consulta em linha

Um dente partido é o dentista que o arranja, e à distância não há como substituí-lo. O que a consulta em linha resolve bem é tudo o que acontece antes da cadeira. O médico percorre o que aconteceu ao certo e com que urgência é preciso agir: esperar por uma marcação normal, ir hoje mesmo ou seguir para a urgência. Explica como guardar o pedaço solto e o que fazer neste momento com um dente que saltou, com que aliviar a dor e o que não convém fazer. Avalia à parte aquilo que nada tem que ver com os dentes mas costuma vir com eles: um traumatismo craniano depois da queda, a vacina do tétano, o inchaço da cara a crescer e a febre, em que já não se conta por dias. E ajuda a decidir o que fazer se o acidente acontece em viagem, ao fim de semana ou de madrugada.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

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