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Medicamentos habitualmente prescritos para Disforia de género
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 2 mgSubstância ativa: estradiolFabricante: Sandoz Farmaceutica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 200 microgramas/mlSubstância ativa: octreotideFabricante: Gp Pharm S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: GEL, 0,5 mgSubstância ativa: estradiolFabricante: Orion CorporationRequer receita médica
Chama-se disforia de género não à identidade de género que não coincide com o corpo, mas ao sofrimento intenso causado por esse desencontro. A distinção é essencial. Há pessoas cuja identidade não coincide com o sexo registado à nascença e que vivem tranquilas, sem precisarem de ajuda nenhuma. E há outras para quem esse desencontro se torna uma tensão permanente: atrapalha o estudo e o trabalho, envenena a relação com o próprio corpo e conduz a ansiedade e depressão. A medicina ocupa-se do segundo caso, do sofrimento, e não da identidade em si.
Do que se está a falar
Vale a pena separar alguns conceitos que nas conversas se misturam sem parar.
- O sexo registado à nascença é atribuído pela anatomia do recém-nascido.
- A identidade de género é a perceção interior de si mesmo, que ninguém escolhe nem consegue alterar por força de vontade. Na maioria coincide com o sexo registado e, por isso, nem sequer se pensa nela.
- As identidades não binárias dizem respeito a quem não se revê de todo na divisão entre «homem» e «mulher». Cada pessoa descreve-o à sua maneira e não existe um vocabulário único.
- A orientação sexual é um eixo completamente distinto. Diz respeito a por quem se sente atração e não está ligada diretamente à identidade de género: entre as pessoas trans há heterossexuais, homossexuais, bissexuais e assexuais.
Mais um esclarecimento importante: a disforia de género não é uma doença mental. As perturbações psíquicas surgem nestas pessoas com mais frequência do que a média, mas isso é consequência do stress contínuo, da rejeição e do assédio, e não uma manifestação da própria disforia.
Como se manifesta
O quadro depende muito da idade.
Nas crianças. Uma criança pode falar de si com insistência no outro género, escolher roupa, brincadeiras e companhia que no seu meio se associam ao outro sexo, evitar balneários e piscina, ficar aborrecida com o próprio corpo. Aqui é preciso prudência nos dois sentidos: por si só esse comportamento é muito comum e quase sempre faz parte de crescer, e a maioria dessas crianças chega à idade adulta sem disforia alguma. O diagnóstico na infância faz-se raramente e apenas perante um sofrimento persistente, prolongado e marcado.
Nos adolescentes. A puberdade é muitas vezes o ponto de viragem: o corpo começa a mudar numa direção que se sente alheia, e o que antes era vago torna-se agudo. Surgem tentativas de esconder os traços corporais — ligaduras apertadas no peito, roupa larga, recusa de aparecer em fotografias. É a idade em que mais crescem a ansiedade, o humor abatido e o isolamento.
Nos adultos. Nessa altura a pessoa costuma perceber o que lhe acontece, mas pode escondê-lo durante anos. São típicos o desejo forte de se livrar dos caracteres sexuais secundários, a aversão aos próprios genitais, um alívio que só chega quando é possível viver no papel pretendido e o cansaço de um autocontrolo permanente.
Os sinais gerais de que alguém está mal são iguais em qualquer idade: fechamento, queda da autoestima, depressão, ansiedade, descuido consigo próprio, comportamentos de risco, consumo de álcool e de outras substâncias.
Quando é precisa ajuda urgente
Disto costuma falar-se por meias palavras, e é um erro. Nas pessoas com disforia de género, e sobretudo nos adolescentes, a frequência de automutilação e de pensamentos suicidas é claramente mais elevada. Não adie o pedido de ajuda quando, consigo ou com alguém próximo, se passar o seguinte:
- fala em querer morrer ou em que todos estariam melhor sem si;
- se magoa a si mesmo;
- dá as suas coisas, despede-se ou põe os assuntos em ordem sem motivo aparente;
- deixou de dormir, de comer e de sair de casa.
Se o perigo for imediato, chame uma ambulância ou leve a pessoa ao serviço de urgência: em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número único europeu 112. Se não houver ameaça aguda mas os pensamentos não desaparecerem, a ajuda é igualmente necessária, nos dias seguintes e não um dia qualquer.
O que se sabe das causas
A resposta honesta é que a causa se desconhece. A formação da identidade de género é um processo complexo em que entram fatores biológicos e sociais, e está longe de ser compreendido por inteiro. Sabe-se, em contrapartida, o que não consta dessa lista. A disforia não nasce da educação recebida, de se falar dela nem do que se lê na internet, e não é culpa de ninguém. Nem se deixa «corrigir»: as tentativas de demover a pessoa ou de a obrigar a comportar-se de outro modo não resultam, e o dano que causam está bem documentado.
Como é pedir ajuda
O primeiro passo costuma ser o mesmo: falar com um médico que escute e encaminhe para um serviço especializado. Estes serviços trabalham em equipa — psiquiatra ou psicólogo, endocrinologista, se necessário um especialista da fala e da voz, um assistente social. O objetivo do primeiro encontro não é «verificar se é autêntico», mas perceber há quanto tempo isto dura, quanto atrapalha, o que já foi tentado e se existe em paralelo uma depressão, uma perturbação de ansiedade ou outra coisa que também exija tratamento.
A avaliação não cabe numa única consulta e costuma estender-se por vários meses. Em muitos países as listas de espera são longas, e convém sabê-lo de antemão: esperar é por si só desgastante, e para esse período faz sentido organizar apoio psicológico.
Como estão organizados os serviços, quem e a partir de que idade tem direito a estas ou àquelas intervenções, se para os menores é preciso o consentimento de ambos os progenitores: tudo isso varia bastante de país para país e muda com o tempo. Oriente-se pelas regras em vigor onde vive.
Em que consiste a ajuda
Não há um guião universal: a uns bastam compreensão e apoio, outros precisam de mudanças de fundo. Em regra trata-se de uma combinação de várias coisas.
- Apoio psicológico. Não para «fazer mudar de ideias», mas para lidar com o stress, as relações, a assunção perante os outros, a ansiedade e a depressão.
- Transição social: nome, pronomes, roupa, documentos. Muitas vezes é o que traz maior alívio e é, além disso, totalmente reversível.
- Trabalho de voz e fala com um terapeuta; para as mulheres trans tem peso especial, porque as hormonas não alteram a voz.
- Terapia hormonal: testosterona para masculinizar, estrogénio combinado com a supressão das hormonas próprias para feminizar. As mudanças levam meses; umas são reversíveis, outras não.
- Cirurgias: intervenções no tórax, histerectomia, orquidectomia, vaginoplastia, faloplastia, cirurgia da face e das cordas vocais. Nem todos as fazem, nem de imediato; os requisitos prévios diferem entre centros, mas costuma pedir-se que as doenças crónicas estejam estáveis e que se deixe de fumar.
- A supressão da puberdade nos adolescentes é a área mais discutida. Os dados sobre segurança e eficácia a longo prazo são escassos, e cada país resolve a questão à sua maneira: nuns está acessível com critérios estritos, noutros é restringida ou só existe no âmbito de investigação. A decisão cabe a uma equipa, não a um médico isolado.
Importa lembrar que a terapia hormonal não pode tudo: a estatura, a largura dos ombros, a forma da bacia e os traços ósseos já formados não mudam com ela. As expetativas discutem-se antes, para não haver depois desilusão com o próprio tratamento.
Aspetos a cuidar à parte
A terapia hormonal costuma tornar-se vitalícia, e com ela surgem várias questões que escapam com facilidade.
- Fertilidade. O uso prolongado de hormonas pode levar à infertilidade, por vezes definitiva. A hipótese de conservar ovócitos ou espermatozoides discute-se antes de começar o tratamento, não depois.
- Contraceção. A terapia hormonal não é um método contracetivo. Se os órgãos correspondentes se mantiverem e houver vida sexual, a gravidez continua possível.
- Vigilância. São precisas análises periódicas: níveis hormonais, hemograma, provas de função hepática, lípidos. Entre os riscos conhecidos contam-se trombos, aumento dos glóbulos vermelhos, alteração dos lípidos, ganho de peso, acne e queda de cabelo.
- Nada de hormonas compradas na internet. Produtos sem receita e sem vigilância significam doses desconhecidas, ausência de análises e um risco real de trombose. É um caso em que a automedicação é mais perigosa do que esperar.
- Rastreios pelos órgãos, não pelos papéis. Depois de alterado o registo, os convites para exames preventivos podem deixar de chegar. Se mantém colo do útero, tecido mamário ou próstata, o rastreio desses órgãos continua a dizer-lhe respeito: informe o médico de família.
- Avise o dentista e o oftalmologista de que faz terapia hormonal, pois pode influir no que lhe for feito.
Consulta em linha
A consulta à distância serve sobretudo por oferecer um lugar sossegado para a primeira conversa. A muita gente é mais fácil começar em casa do que num consultório, e nesse tempo pode esclarecer-se a que especialista recorrer, como está organizado o percurso no seu país, que documentos serão precisos e o que esperar do primeiro encontro com o serviço. O médico ajudará a separar o que pertence à disforia daquilo que exige tratamento próprio: uma depressão ou uma perturbação de ansiedade não desaparecem sozinhas com a transição. Em linha é cómodo acompanhar também uma terapia hormonal já iniciada, discutindo análises, efeitos secundários, prazos e as questões de fertilidade e contraceção. É igualmente um bom formato para falar com os pais de um adolescente e para preparar perguntas ao endocrinologista ou ao cirurgião. A única coisa que não deve passar por mensagens são os pensamentos suicidas agudos. Se alguém está neste momento tão mal que pensa em morrer, precisa de ser observado presencialmente de imediato.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Disforia de género
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