Nesta página
- O que acontece nas pernas
- Porque se estreitam as artérias
- Dor nas pernas que não vem das artérias
- Como se confirma o diagnóstico
- O que alarga a distância que consegue percorrer
- Os medicamentos indicados por causa do coração e do cérebro
- Pés que precisam de ser vistos todos os dias
- Quando são precisas cirurgia e ambulância
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Doença arterial periférica (DAP)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mg/comprimidosSubstância ativa: atorvastatinFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mgSubstância ativa: atorvastatinFabricante: Mabo Farma S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mgSubstância ativa: atorvastatinFabricante: Tecnimede España Industria Farmaceutica S.A.Requer receita médica
A doença arterial periférica é o estreitamento das artérias que levam sangue às pernas. A causa é quase sempre a mesma: durante anos depositam-se placas de colesterol na parede interna do vaso, o lúmen estreita-se e aos músculos deixa de chegar o sangue que o esforço exige. Daí o sinal principal: dor nas barrigas das pernas ao caminhar, que alivia assim que se para. Mas esta doença tem uma segunda face, menos conhecida: as mesmas placas crescem nos vasos do coração e do cérebro, pelo que um estreitamento encontrado nas pernas é, antes de mais, um aviso de enfarte e de acidente vascular cerebral. Segue-se como a DAP se manifesta, com que se confunde, como se confirma e o que muda o prognóstico.
O que acontece nas pernas
Em parte das pessoas a doença não dá sinal durante anos e descobre-se por acaso. Quando as queixas surgem, porém, são reconhecíveis.
- Dor ao caminhar. Uma dor de repuxo, aperto ou cãibra na barriga da perna, com menos frequência na coxa ou na nádega, que começa mais ou menos à mesma distância e passa em poucos minutos se a pessoa se detiver. Chama-se claudicação intermitente. O passo rápido e as subidas encurtam a distância.
- Ambas as pernas costumam estar envolvidas, ainda que uma doa mais.
- Pele e unhas. Os pelos da perna e do pé rareiam, a pele fica fina e brilhante, as unhas crescem devagar e esfarelam-se, o pé está frio ao toque e empalidece ao levantar a perna.
- Feridas que não cicatrizam, nos dedos, no calcanhar, na borda do pé ou onde o calçado roça.
- Adormecimento, fraqueza e perda de músculo na barriga da perna; nos homens, por vezes disfunção erétil, se o estreitamento estiver mais acima, ao nível da bacia.
Há também a armadilha inversa: nas pessoas com diabetes e lesão dos nervos a dor pode faltar por completo. Então o primeiro sinal não é coxear, mas uma úlcera no pé que não se sentiu. Por isso, na diabetes os pés observam-se com regularidade, sem esperar por queixas.
Porque se estreitam as artérias
Na base está a aterosclerose: a deposição de colesterol e de outras substâncias na parede do vaso, com estreitamento progressivo do lúmen. Desenvolve-se ao longo de décadas e nas pernas manifesta-se antes do que no coração, simplesmente porque os músculos das pernas trabalham muito e ali a falta de sangue nota-se mais cedo.
- O tabaco é o fator de maior peso e o único que se pode retirar por completo. Em quem fuma, a doença começa mais cedo, evolui pior e responde pior a qualquer tratamento, cirurgia incluída.
- A diabetes de ambos os tipos. Não só acelera a aterosclerose como lesa as pequenas artérias do pé e, com elas, os nervos, de modo que o sinal de dor desaparece.
- A tensão arterial alta e o colesterol elevado.
- A idade, o sexo masculino e casos de enfarte ou AVC precoces na família.
- A doença renal crónica e a vida sedentária.
Vale a pena reter um ponto à parte: as artérias estreitadas das pernas quase nunca são as únicas atingidas. Quem tem DAP sofre um enfarte ou um AVC muitas mais vezes do que perde uma perna, e é justamente por isso que o tratamento não se dirige apenas à marcha, mas também ao coração e ao cérebro.
Dor nas pernas que não vem das artérias
Nem toda a dor ao caminhar é DAP, e a olho as causas não se distinguem, embora alguns pormenores indiquem onde olhar.
- Estreitamento do canal vertebral lombar. É o sósia mais frequente. A dor também surge ao andar, mas desce da zona lombar, acompanha-se de adormecimento e fraqueza e, ao contrário da arterial, não passa só por parar: para aliviar é preciso sentar-se ou inclinar-se para a frente. A essa pessoa é mais fácil andar de bicicleta do que caminhar; na DAP costuma ser ao contrário.
- Artrose da anca ou do joelho. A dor está na própria articulação, aumenta ao fim do dia e depende da posição, não dos metros percorridos.
- Problemas venosos. Na insuficiência venosa crónica grave a perna também dói ao andar, mas a dor é de tensão, a perna está inchada e alivia levantá-la, não simplesmente ficar parado.
- Trombose venosa profunda. Inchaço de uma só perna, dor de tensão e vermelhidão surgidos em um ou dois dias exigem observação no próprio dia.
- Músculos e tendões após um esforço pouco habitual, inflamação do tendão de Aquiles, lesão de um nervo.
Uma ressalva sobre a idade: «as pernas doem-me porque tenho mais de setenta anos» não é um diagnóstico. A dor nas pernas ao caminhar merece sempre ser esclarecida e não atribuída aos anos.
Como se confirma o diagnóstico
Tudo começa pela observação: o médico compara a temperatura e a cor dos pés, procura o pulso no pé e atrás do joelho, olha os espaços entre os dedos e os calcanhares, e pergunta ao fim de quantos metros surge a dor e em quanto tempo passa.
- O índice tornozelo-braço é o exame principal. Mede-se a tensão no braço e no tornozelo e divide-se a segunda pela primeira. Normalmente os valores são próximos; com as artérias estreitadas a tensão no tornozelo é mais baixa e o índice desce. É indolor, demora um quarto de hora e faz-se no centro de saúde.
- O mesmo índice depois de esforço. Se em repouso é normal mas as queixas persistem, repete-se a medição depois de caminhar numa passadeira: o estreitamento oculto revela-se justamente sob esforço.
- O eco-Doppler vascular mostra onde está o estreitamento e quanto reduz o fluxo.
- A angiografia por TC ou por ressonância, quando se pondera uma intervenção e é preciso um mapa dos vasos.
Uma ressalva importante que muitas vezes se esquece: um índice tornozelo-braço normal nem sempre afasta o diagnóstico. Na diabetes de longa duração e na doença renal as paredes arteriais calcificam-se, ficam rígidas e a braçadeira não chega a comprimi-las, pelo que o índice sai normal ou até elevado com os vasos realmente estreitados. Nesse caso mede-se a pressão no dedo do pé ou passa-se logo à ecografia. Se as queixas são típicas e o número é «bom», a investigação continua.
O que alarga a distância que consegue percorrer
Duas medidas rendem aqui mais do que tudo o resto junto, e ambas são gratuitas.
- Deixar de fumar. Nenhum medicamento e nenhuma operação alcançam o mesmo efeito. A ajuda para deixar — substitutos de nicotina, medicamentos indicados pelo médico, apoio — funciona bastante melhor do que tentar sozinho.
- Caminhar segundo um programa. Isto é tratamento, não o conselho de «mexer-se mais». Consiste em andar até surgir uma dor moderada, parar, esperar que passe e voltar a andar; e assim, no total, cerca de meia hora, várias vezes por semana, durante meses. Com acompanhamento, multiplica a distância percorrida: em torno do troço estreitado abrem-se aos poucos pequenos vasos que o contornam. As primeiras semanas são desagradáveis, o efeito nítido chega por volta do mês e meio ou dos dois meses e, se se abandonar, perde-se com igual rapidez.
Existem medicamentos que aumentam a distância de marcha, mas o efeito é modesto; discutem-se quando o programa de marcha já foi aproveitado e se decidiu não operar. As placas não se eliminam por completo, mas na maioria das pessoas a situação estabiliza e a distância percorrida aumenta.
Os medicamentos indicados por causa do coração e do cérebro
Esta parte do tratamento não influi de todo na dor das pernas, e é precisamente a que mais se abandona por se concluir que «não está a fazer nada». Toma-se, porém, pelo que pode acontecer longe da perna.
- Uma estatina indica-se a quase todas as pessoas com este diagnóstico, qualquer que seja o colesterol de partida: estabiliza a placa e reduz o risco de enfarte e de AVC. As dores musculares com estatinas existem, mas mais vezes têm outra causa; esclarecem-se com o médico e não suspendendo o medicamento por iniciativa própria.
- Medicamentos que tornam o sangue mais fluido. Costuma ser um antiagregante, que impede as plaquetas de se colarem umas às outras. Por vezes junta-se-lhe um anticoagulante em dose baixa — outro grupo, com outro mecanismo — e essa decisão é do médico, que pesa o risco de hemorragia. Suspendê-los por conta própria, mesmo antes de extrair um dente, não é admissível: pergunte primeiro a quem os receitou.
- Tensão, açúcar e peso. Os objetivos são os mesmos de qualquer doença dos vasos. O antigo receio de que na DAP não se possam tomar betabloqueantes não se confirmou: se o coração precisa deles, indicam-se.
Pés que precisam de ser vistos todos os dias
Quando chega pouco sangue ao pé, qualquer ferida pequena cicatriza devagar e transforma-se facilmente numa úlcera. O cuidado dos pés na DAP não é estética: é prevenção de amputação, e custa exatamente cinco minutos por dia.
- Observe os pés todos os dias, incluindo os espaços entre os dedos e os calcanhares; para os pontos difíceis dá jeito um espelho.
- Lave com água morna, não quente, e seque bem entre os dedos; amacie a pele com creme, mas não entre os dedos.
- Corte as unhas a direito, sem cavar os cantos. Não retire os calos com lâmina nem use pensos com ácido — isso é com o podologista.
- Escolha calçado macio, do seu número, sem costuras interiores, e não ande descalço.
- Não aqueça os pés com saco de água quente, junto ao aquecedor nem em banho muito quente. Com a sensibilidade alterada é assim que surgem queimaduras de que só se dá conta quando aparece a ferida.
- Mostre ao médico qualquer ferida, fissura, zona escurecida ou que exsude, sem esperar para ver se passa sozinha.
Quando são precisas cirurgia e ambulância
Se apesar do tratamento a dor impede viver ou a irrigação ficou criticamente baixa, pondera-se restabelecer o fluxo. Há duas vias. A angioplastia: por uma punção leva-se um balão até à artéria, dilata-se o troço estreitado e deixa-se muitas vezes um stent; é pouco invasiva e faz-se em geral com anestesia local. O bypass: o estreitamento é contornado com uma veia da própria pessoa ou com uma prótese; a operação é maior, mas o resultado dura frequentemente mais. A escolha depende de onde está o estreitamento e da sua extensão, e do estado geral; ambas comportam riscos, discutidos de antemão. Nenhuma dispensa deixar de fumar nem os medicamentos: sem eles o vaso reaberto volta a fechar.
À parte fica a situação em que o sangue já não chega em repouso. Anunciam-na a dor em queimadura no pé e nos dedos durante a noite, que obriga a pendurar a perna fora da cama ou a dormir sentado, úlceras que não fecham e tecidos que enegrecem. É a isquemia crítica e não pede uma consulta programada, mas um envio urgente ao cirurgião vascular: quanto mais cedo se restabelecer o fluxo, maior a hipótese de conservar a perna.
Chame uma ambulância — em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia o número único é o 112 — se a perna, de repente, em minutos ou horas, ficou fria, pálida ou marmoreada, começou a doer intensamente, adormeceu e deixou de responder, e o pulso desapareceu. É assim que se manifesta a oclusão aguda de uma artéria por um trombo. O tempo conta-se em horas: a perna pode salvar-se se o socorro chegar depressa. Não a aqueça, não a esfregue e não espere pela manhã.
Consulta em linha
Uma perna que de súbito arrefeceu e deixou de responder não se resolve em linha: aí chama-se uma ambulância. Já tudo o que rodeia o diagnóstico se discute muito bem a partir de casa. O médico ajuda a perceber se as suas queixas se parecem com claudicação intermitente ou apontam para a coluna ou para uma articulação, e por onde começar a investigação; explica o índice tornozelo-braço e a ecografia, incluindo o caso em que o valor é normal e as queixas continuam; explica para que serve a estatina se as pernas não melhoram com ela e o que fazer com as dores musculares; ajuda a montar o programa de marcha e explica porque a dor faz parte dele; articula os medicamentos que tornam o sangue mais fluido antes do dentista ou de uma cirurgia; ensina a observar os pés e que achado exige consulta amanhã e qual exige hoje. Motivo à parte para escrever: dor no pé durante a noite e qualquer ferida na perna que há mais de duas semanas não fecha.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Doença arterial periférica (DAP)
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