Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Doença coronária
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mgSubstância ativa: atorvastatinFabricante: Viatris Healthcare LimitedRequer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 80 mgSubstância ativa: atorvastatinFabricante: Mabo Farma S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 60 mgSubstância ativa: atorvastatinFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médica
A doença coronária, também chamada cardiopatia isquémica, é a situação em que o músculo do coração deixa de receber sangue suficiente porque as artérias que o alimentam ficaram estreitas. É a principal causa de morte no mundo e, ao mesmo tempo, uma daquelas doenças cujo rumo uma pessoa consegue mesmo alterar: boa parte do risco depende do que acontecer à tensão, ao colesterol, ao açúcar e aos cigarros nos próximos anos.
O que acontece nas artérias do coração
O coração é um músculo do tamanho de um punho. O sangue de que ele próprio precisa não vem das suas câmaras, mas de uma rede de vasos que percorre a superfície: as artérias coronárias.
Com os anos depositam-se gorduras nas paredes destas artérias e formam-se placas; o processo chama-se aterosclerose e o depósito ateroma. O canal estreita e, com o esforço, o músculo deixa de receber todo o sangue de que necessita: é assim que surge a angina de peito. O maior perigo, porém, é outro: a capa da placa pode romper-se, no ponto da rotura forma-se de imediato um trombo e o fluxo para por completo. Isso é o enfarte.
Como se sente
O sinal clássico é uma dor opressiva ou um peso atrás do esterno que aparece a subir escadas, a andar depressa, no frio ou num momento de tensão, e que cede ao fim de alguns minutos de repouso ou com um nitrato debaixo da língua. Pode irradiar para o braço esquerdo, o pescoço, o maxilar, as costas ou a parte alta do abdómen.
Muitas vezes o quadro é diferente. Em vez de dor surgem falta de ar com o esforço habitual, cansaço inexplicável, náuseas, suores ou um peso no estômago parecido com azia. Estas apresentações atípicas são mais frequentes nas mulheres, nas pessoas idosas e em quem tem diabetes, onde a lesão dos nervos pode abafar a dor ou retirá-la por completo. Não são poucas as pessoas que só descobrem a doença no dia em que têm um enfarte.
Há ainda uma linha à parte, a insuficiência cardíaca: o músculo enfraquecido bombeia pior e aparecem falta de ar deitado, inchaço dos tornozelos e cansaço rápido.
Enfarte: não esperar nem aguentar
Ligue de imediato para os serviços de emergência se a dor ou o aperto no peito:
- durar mais de quinze minutos e não passar em repouso;
- não aliviar com o nitrato que costuma usar;
- for mais forte do que a crise habitual ou surgir pela primeira vez;
- vier acompanhado de suor frio, náuseas, vómitos, tonturas, fraqueza súbita ou falta de ar.
O enfarte também acontece em repouso e durante o sono. Cada minuto de atraso é músculo perdido, por isso «esperar até de manhã» não é uma hipótese a ponderar. Não conduza nem peça que o levem de carro: a ambulância inicia o tratamento pelo caminho. Enquanto a ajuda não chega, sente-se ou fique semideitado e desaperte a roupa apertada. O operador pode indicar que mastigue uma aspirina; faça-o se não tiver alergia, e será ele a dizer a quantidade. Se a pessoa perder os sentidos e não respirar normalmente, inicie a reanimação cardiopulmonar e utilize um desfibrilhador automático, se houver algum por perto.
O que aumenta o risco
- fumar e vaporizar, e também respirar de forma continuada o fumo alheio;
- tensão arterial elevada;
- colesterol das lipoproteínas de baixa densidade alto;
- lipoproteína (a) elevada: um valor hereditário que não se mede por rotina, mas que convém verificar pelo menos uma vez se houver doença cardíaca precoce na família;
- diabetes e pré-diabetes;
- excesso de peso, sobretudo abdominal;
- vida sedentária;
- doença renal crónica, doenças inflamatórias das articulações e do intestino, apneia do sono;
- enfartes e acidentes vasculares cerebrais em pais ou irmãos em idade jovem.
Vale a pena conhecer uma causa rara mas séria: a hipercolesterolemia familiar, uma perturbação hereditária em que o colesterol é alto desde o nascimento e os enfartes surgem na família aos trinta ou quarenta anos. Tem bom tratamento e costuma passar despercebida, por isso fale com clareza dos episódios cardíacos precoces entre os familiares diretos.
Em mulheres jovens, incluindo grávidas e mulheres que acabaram de ter um filho, o enfarte é raramente causado não pela aterosclerose mas por uma dissecção espontânea de uma artéria coronária. Os sintomas são os mesmos e é preciso agir com igual rapidez.
Como se confirma o diagnóstico
Começa-se pela conversa e pelo cálculo do risco global: perguntas sobre os sintomas, a família e o estilo de vida, medição da tensão e análises ao sangue com perfil do colesterol e glicemia. Antes do perfil lipídico pedem por vezes que não coma durante algumas horas.
Depois escolhem-se os exames conforme o caso: eletrocardiograma em repouso e de esforço, ecocardiograma, angio-TC das coronárias, coronariografia, ressonância magnética cardíaca ou estudo de perfusão do miocárdio. Um traçado normal em repouso não afasta o diagnóstico: na angina costuma apresentar-se tranquilo.
Como se trata
A aterosclerose não se cura por completo, mas travar o seu avanço, tirar os sintomas e baixar muito o risco de enfarte é possível. O tratamento tem três partes: mudanças no dia a dia, medicamentos e, quando é preciso, uma intervenção sobre as artérias.
Os principais grupos de fármacos são:
- antiagregantes, que tornam o sangue mais fluido e dificultam a formação de trombos;
- estatinas e outros fármacos que baixam o colesterol, prescritos mesmo com valores normais, para estabilizar a placa;
- betabloqueantes, que abrandam o pulso e reduzem a necessidade de oxigénio do músculo;
- nitratos, que dilatam os vasos e cortam a crise;
- inibidores da enzima de conversão da angiotensina e antagonistas dos seus recetores;
- antagonistas do cálcio e diuréticos.
Acertar o esquema leva tempo, e isso é normal. Os medicamentos para o coração não se suspendem de repente nem por iniciativa própria, porque a situação piora. Conte os efeitos secundários ao médico: quase sempre há alternativa. As estatinas são incompatíveis com a gravidez, e isso fala-se com antecedência.
Um aviso à parte: os nitratos não podem ser combinados com os fármacos para a disfunção erétil. Juntos fazem a tensão cair para valores perigosos.
Quando os medicamentos não chegam, a artéria é aberta por dentro com um balão e coloca-se um stent: é a angioplastia coronária, feita também de urgência durante o enfarte. Se o envolvimento for extenso recorre-se ao bypass: enxerta-se um vaso do próprio doente para contornar o troço estreitado. Na insuficiência cardíaca grave pondera-se, muito raramente, o transplante.
A vida depois de um enfarte ou de uma cirurgia
Ter uma vida plena depois de um enfarte ou de uma operação ao coração é a regra, não a exceção. A ferramenta principal é a reabilitação cardíaca: um programa de várias semanas em que o exercício é doseado sob vigilância, se aprende a lidar com os medicamentos e os sintomas e se recebe ajuda para a ansiedade. Quem a completa volta menos vezes ao hospital.
Deixar de fumar depois de um enfarte reduz o risco de um segundo episódio mais depressa e com mais força do que qualquer medicamento. Regressar ao trabalho consegue-se quase sempre, por vezes mudando o tipo de esforço; os prazos para voltar a conduzir dependem da intervenção e das regras locais, por isso pergunte ao médico. A vida sexual retoma-se assim que volta a tolerância ao esforço do dia a dia. A ansiedade e o humor em baixo depois de um enfarte são frequentes e tratáveis, e vale a pena dizê-lo em voz alta.
O que reduz mesmo o risco
Alimentação: mais legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais, frutos secos, peixe e azeite; menos carne processada, bebidas açucaradas e bolos industriais. Sal: não mais do que uma colher de chá rasa por dia, contando o que já vem escondido nos produtos prontos.
Movimento: qualquer atividade física aeróbia regular, da marcha rápida à natação ou à dança. Começar em pequeno é melhor do que não começar.
Tabaco: deixar compensa em qualquer idade e com qualquer historial, e o médico pode ajudar com fármacos. Álcool: não está estabelecida nenhuma quantidade segura para o coração, e quanto menos, melhor.
Números sob controlo: tensão, colesterol e açúcar. A referência para a maioria dos adultos é uma tensão abaixo de 130/80 mm Hg, embora o objetivo seja fixado pelo médico conforme a idade e as outras doenças. Os fármacos prescritos só funcionam se forem tomados de forma continuada, e não por períodos conforme a pessoa se sente.
Consulta em linha
A doença coronária é uma história de anos e, em grande parte, é feita de conversas e não de procedimentos. Numa consulta à distância o médico compõe o mapa do risco: queixas, antecedentes familiares, hábitos e resultados das análises e dos eletrocardiogramas já feitos. Explicará o que significam os seus valores de tensão e de colesterol, reverá o esquema de medicamentos e as suas interações, ajudará a lidar com os efeitos secundários e indicará que exames faz sentido realizar a seguir.
À distância acompanha-se bem também o período posterior a um enfarte ou a um stent: como se sente, que esforço é razoável, quando regressar ao trabalho, como está o ânimo. O que esta consulta não substitui é o socorro urgente. Perante uma dor no peito que não passa, não se espera por consulta nenhuma: ligue para a emergência.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Doença coronária
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Doença coronária com um médico online.














