Doença de Addison
Por cima de cada rim há uma glândula pequena, a suprarrenal. A sua camada externa produz hormonas sem as quais o corpo não segura a tensão arterial, perde…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Doença de Addison
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 10 mgSubstância ativa: hydrocortisoneFabricante: Diurnal Europe B.V.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 0,5 mgSubstância ativa: hydrocortisoneFabricante: Diurnal Europe B.V.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mgSubstância ativa: methylprednisoloneFabricante: Fidia Farmaceutici S.P.A.Requer receita médica
Por cima de cada rim há uma glândula pequena, a suprarrenal. A sua camada externa produz hormonas sem as quais o corpo não segura a tensão arterial, perde sal e não aguenta esforço nenhum. Na doença de Addison essa camada vai sendo destruída aos poucos. É um quadro raro, instala-se em silêncio e durante meses passa por cansaço acumulado, problemas de estômago ou desânimo. Ainda assim controla-se bem: as hormonas em falta dão-se em comprimidos. O que decide é reconhecer a doença a tempo e saber como agir nos dias em que o organismo precisa de mais hormona do que é habitual.
O que deixa de funcionar
O córtex da suprarrenal produz duas hormonas que aqui pesam mais do que todas. O cortisol sustenta a tensão e o açúcar no sangue e permite atravessar uma infeção, um traumatismo, uma cirurgia — qualquer abalo. A aldosterona retém sódio e elimina potássio, ou seja, governa o sal e o volume de líquido dentro dos vasos. Faltando as duas, a tensão cai, o sal sai na urina, o potássio acumula-se e as forças esvaem-se.
Há um segundo efeito. A hipófise, sem obter resposta, insiste cada vez mais com a sua hormona de comando, e essa hormona tem uma propriedade colateral: obriga a pele a fabricar pigmento. Daí o escurecimento da pele, que é muitas vezes o que acaba por levar a pessoa ao médico.
Como se manifesta
Os sinais acumulam-se durante meses e nenhum deles, sozinho, aponta para as suprarrenais. O que deve alertar é o conjunto:
- cansaço que o descanso não resolve e fraqueza muscular;
- perda de peso sem dieta, apetite desaparecido, náuseas, vómitos, dor abdominal, fezes moles;
- vontade de sal: salga-se tudo, apetecem azeitonas e conservas, às vezes o sal sozinho;
- pele mais escura nas pregas das palmas, nos cotovelos, nas cicatrizes, nos mamilos, nas gengivas e no interior das bochechas. Parece bronzeado, mas surge também onde o sol não chega. Em pele escura convém olhar para as pregas da mão e para a boca;
- tonturas e vista a escurecer ao levantar, por vezes desmaio;
- dores musculares e articulares, cãibras;
- irritabilidade, humor em baixo, dificuldade em concentrar-se;
- sede e necessidade de urinar com frequência;
- nas crianças, crescimento que estaca, puberdade atrasada e episódios de açúcar baixo.
Diagnostica-se sobretudo entre os trinta e os cinquenta anos, embora possa começar em qualquer idade. Nas mulheres por vezes rareiam os pelos das axilas e do púbis.
Porque falham as suprarrenais
- Destruição autoimune. Na Europa é a origem da maioria dos casos: o sistema imunitário toma o córtex suprarrenal por tecido estranho. Costuma andar acompanhada de doença da tiroide, diabetes tipo 1, vitiligo, doença celíaca ou falta de vitamina B12.
- Infeções. No mundo a principal é a tuberculose, capaz de arruinar ambas as glândulas anos depois de uma forma pulmonar. Menos vezes, infeções por fungos e citomegalovírus em pessoas com as defesas em baixo, incluindo quem vive com VIH.
- Hemorragia nas duas suprarrenais. Causa rara e a mais perigosa: uma infeção grave do sangue, sobretudo meningocócica, o uso de medicamentos que tornam o sangue mais fluido, a tendência para trombos. Instala-se em horas e estreia-se logo como crise.
- Tumores, metástases e remoção cirúrgica das glândulas.
- Causas presentes à nascença: hiperplasia congénita da suprarrenal e doenças hereditárias raras em que o córtex não se forma ou cede cedo.
- Medicamentos: os que travam a produção hormonal do córtex e os antitumorais que atuam através do sistema imunitário.
Merece linha própria um quadro parecido mas distinto. Quem tomou corticoides em comprimidos durante muito tempo e os suspende de repente fica sem cortisol próprio, porque as glândulas demoram a voltar a trabalhar. O quadro é igual, apenas sem o escurecimento da pele. Por isso estes medicamentos nunca se retiram de uma só vez.
Crise suprarrenal: quando chamar o 112
A crise é um colapso do fornecimento hormonal e põe a vida em risco. Desencadeia-a aquilo que uma pessoa saudável mal repara: uma gastroenterite, uma gripe, uma pancada, a extração de um dente, um susto grande, uma toma esquecida. Por vezes a crise é o primeiro sinal de uma doença que ninguém suspeitava.
Ligue 112 se surgirem:
- fraqueza súbita com vómitos e diarreia que não param;
- dor intensa no abdómen, na região lombar ou nas pernas;
- desmaio, confusão, sonolência de que custa fazer sair a pessoa;
- tensão muito baixa, pulso rápido e fraco, pele fria e suada;
- convulsões;
- febre a par de uma fraqueza que agrava depressa.
Se houver o kit para a injeção urgente de hidrocortisona, administre-a de imediato e chame na mesma o socorro: uma injeção não chega, a seguir são precisos soros e vigilância. Diga à equipa sem rodeios que se trata de insuficiência suprarrenal.
Como se confirma o diagnóstico
Suspeitar custa; confirmar, não. Começa-se por análises de sangue logo pela manhã: cortisol e hormona de comando da hipófise. Cortisol baixo com essa hormona alta é quase a resposta. Nos casos duvidosos faz-se uma prova de estimulação: administra-se um análogo sintético da mesma hormona e vê-se se a glândula responde. Ao mesmo tempo verificam-se o sódio, o potássio e a glicemia em mg/dL.
Depois procura-se a causa: anticorpos contra uma enzima do córtex suprarrenal e, se não aparecerem, tomografia das glândulas e pesquisa de tuberculose. Avalia-se também a tiroide. Um pormenor de segurança: se houver igualmente hipotiroidismo, começa-se pelas hormonas suprarrenais, porque a tiroxina dada primeiro acelera o metabolismo e pode desencadear uma crise.
O tratamento de substituição diário
A glândula não recupera a função, mas o que deixa de fazer repõe-se com rigor. Em vez do cortisol prescreve-se hidrocortisona, repartida por várias tomas para imitar o ritmo natural: mais de manhã e menos ao fim da tarde. Em vez da aldosterona, fludrocortisona; com ela o sal não se restringe e no calor é preciso mais. As doses são acertadas pela endocrinologia.
As regras que pesam tanto como os comprimidos:
- trazer cartão ou pulseira com o diagnóstico: havendo perda de consciência, poupa um tempo que não sobra;
- ter em casa e em viagem reserva de medicamento e as ampolas para a injeção, saber administrá-la e ensinar um familiar;
- não falhar tomas nem suspender o medicamento por iniciativa própria;
- se o comprimido for vomitado dentro da primeira hora, repeti-lo;
- avisar da doença qualquer médico ou dentista antes de começar o tratamento.
Dias de doença, cirurgias e gravidez
Uma glândula saudável responde ao esforço libertando mais cortisol por si mesma. Aqui a decisão é da pessoa: a dose sobe segundo uma regra combinada de antemão com o médico de família ou com a endocrinologia, e não improvisada quando já se está mal.
- febre ou infeção — a dose aumenta enquanto durar a doença e mais um dia;
- vómitos ou diarreia — o comprimido não é absorvido; é preciso a injeção e um médico, não um segundo comprimido;
- cirurgia, parto ou traumatismo importante — a hormona vai pela veia, avise a equipa com antecedência;
- calor, esforço físico pesado, suores abundantes — mais água e mais sal;
- gravidez — a necessidade costuma crescer nos últimos meses e no parto a hormona dá-se pela veia; a vigilância cabe em conjunto à obstetrícia e à endocrinologia;
- viagens longas — medicamentos na bagagem de mão, com reserva e com um relatório numa língua compreensível no país de destino.
De resto quase não há limites: trabalho, atividade física, vacinas, dentista. Com o tratamento bem acertado a esperança de vida aproxima-se da de qualquer pessoa, e o perigo verdadeiro não é a doença em si mas uma crise que passa despercebida.
Consulta em linha: em que ajuda
À distância dá-se bem o primeiro passo, enquanto o quadro ainda é vago: meses de fraqueza, peso a desaparecer, pele a escurecer, tonturas ao levantar. O médico organiza as queixas, olha para as análises já feitas e indica o que pedir e por que ordem. Com o diagnóstico já feito, a consulta em linha resolve o dia a dia: como deixar por escrito a regra para os dias de doença, o que preparar antes de uma viagem ou de uma cirurgia, se está na hora de rever o esquema. O agudo não se trata assim: perante a suspeita de crise chama-se o 112 e não se escreve uma mensagem.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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