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Medicamentos habitualmente prescritos para Doença de Crohn
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SUPOSITÓRIO, 500 mgSubstância ativa: mesalazineFabricante: Faes Farma S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 1 GRAMASubstância ativa: mesalazineFabricante: Ferring S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 800 mgSubstância ativa: mesalazineFabricante: Tillotts Pharma Spain S.L.U.Requer receita médica
É uma inflamação crónica que o sistema imunitário, por razões que continuam por esclarecer, dirige contra o próprio intestino. Pode surgir em qualquer ponto do tubo digestivo, da boca ao ânus, mas pega sobretudo no final do intestino delgado e no cólon. A doença anda por ondas: aos períodos de sossego sucedem-se as crises. Curá-la de vez não é possível, mantê-la calma durante anos é, e muito depende de quão cedo o tratamento começou. Costuma dar sinal na adolescência e no adulto jovem, embora possa aparecer em qualquer idade.
O que se passa dentro do intestino
A doença de Crohn tem duas particularidades das quais decorre quase tudo o resto. A primeira: a inflamação atravessa a parede do intestino de lado a lado, e não fica pelo revestimento interior. Daí as complicações impossíveis numa inflamação superficial — apertos cicatriciais, trajetos fistulosos para órgãos vizinhos e abcessos. A segunda: os segmentos afetados alternam com segmentos sãos, a inflamação avança por ilhas, e duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter queixas que não coincidem em nada.
Porque é que o sistema imunitário se comporta assim continua sem resposta completa; juntam-se a hereditariedade, a composição da flora intestinal e as circunstâncias do meio. Uma coisa é certa: o risco é maior quando há a doença em familiares próximos, e claramente maior em quem fuma. Por vezes tudo começa pouco depois de uma infeção intestinal.
Como se manifesta
O conjunto de queixas depende do segmento envolvido.
- Diarreia, muitas vezes arrastada; havendo doença no cólon, com sangue ou muco.
- Dor abdominal, mais frequente no lado direito e em baixo, em cólica, que agrava depois das refeições.
- Perda de peso sem dieta nenhuma, falta de apetite, um cansaço que esgota, febre baixa.
- Aftas na boca que não saram.
- Dor, fissuras, endurecimentos e drenagem junto ao ânus: é uma forma frequente e autónoma da doença, daquelas de que custa falar e que é preciso mesmo assim contar.
- Nas crianças, atraso do crescimento e da puberdade, por vezes antes de quaisquer queixas intestinais.
A coisa não se limita ao abdómen: podem inflamar as articulações, os olhos e a pele, instala-se anemia e, ao fim de muitos anos, a resistência dos ossos sofre. Um olho vermelho, doloroso e com intolerância à luz é observado com urgência, para não se perder a visão.
Quadro parecido dão o síndrome do intestino irritável, a colite ulcerosa, a doença celíaca, a doença diverticular e as vulgares infeções intestinais. Separam-se com análises, não com raciocínios, pelo que tentar deslindar sozinho não leva a lado nenhum.
Quando é preciso ajuda imediata
A maioria das questões resolve-se de forma programada, mas há situações em que o tempo se conta em horas. Chame a emergência médica ou dirija-se ao hospital se aparecer o que quer que seja desta lista:
- dor abdominal forte com vómitos, distensão e paragem da saída de fezes e gases: é assim que se manifesta uma oclusão no local de um aperto;
- dor súbita, intensa e espalhada por todo o abdómen, ventre duro como uma tábua, qualquer movimento a doer: pode ser uma perfuração da parede intestinal;
- febre com arrepios, sobretudo acompanhada de um endurecimento doloroso no abdómen ou de um inchaço junto ao ânus, sinal de abcesso;
- hemorragia intestinal abundante, tonturas, fraqueza, desmaio, pulso acelerado;
- crise grave: muitas dejeções com sangue no espaço de um dia, juntamente com febre, palpitações e uma quebra brusca de forças;
- abdómen muito distendido e tenso numa pessoa em mau estado geral;
- qualquer febre e sinais de infeção em quem toma medicamentos que travam o sistema imunitário: estes doentes são avaliados no próprio dia.
Como se chega ao diagnóstico
Não existe um único teste para a doença de Crohn, e o diagnóstico leva não raras vezes o seu tempo: as queixas são variadas e parecem-se com muita coisa. Começa-se pelas análises de sangue, à procura de anemia, de marcadores de inflamação e das reservas de ferro e de vitaminas. As fezes são estudadas em duas frentes: agentes de infeções intestinais e calprotectina, uma proteína que se liberta quando há inflamação no intestino. É sobretudo a calprotectina que separa uma inflamação verdadeira do síndrome do intestino irritável e que decide se é ou não necessária a endoscopia.
Depois vem a colonoscopia, com observação do troço final do intestino delgado e colheita obrigatória de fragmentos de tecido; havendo queixas do estômago, acrescenta-se a endoscopia digestiva alta. O intestino delgado, onde o endoscópio não chega, avalia-se por ressonância magnética com contraste ou por cápsula endoscópica e, quando a doença envolve a região do ânus, faz-se uma ressonância da bacia à parte. A ecografia intestinal é cada vez mais usada no seguimento: não exige preparação e pode repetir-se muitas vezes.
Com que se trata
A tarefa é dupla: apagar a crise e manter a remissão, não só pelo que a pessoa sente mas também pelo estado da mucosa, já que um intestino cicatrizado protege melhor de complicações e de cirurgias. Quem acompanha o doente é o gastrenterologista, e as consultas e análises regulares não são opcionais.
- Corticoides apagam depressa a crise, mas não servem para manutenção prolongada por causa dos efeitos adversos. Se não se consegue passar sem eles, é sinal de que a terapêutica de manutenção tem de mudar.
- Imunossupressores abrandam a resposta imunitária. Não atuam de imediato, em compensação destinam-se a uso prolongado e permitem sair dos corticoides.
- Medicamentos biológicos e novos fármacos orais bloqueiam de forma dirigida certos elos da inflamação. São hoje a base do tratamento nas formas moderadas e graves, na doença à volta do ânus e quando a resposta ao resto é má.
- Nutrição com fórmulas específicas em substituição da comida normal durante algumas semanas apaga a crise sem corticoides. Nas crianças é a opção preferida precisamente por não travar o crescimento.
- Antibióticos não se receitam contra a doença em si, mas sim contra os abcessos e a doença à volta do ânus.
Vale a pena saber também o que praticamente desapareceu dos esquemas atuais: os derivados do ácido 5-aminossalicílico, habituais na colite ulcerosa, não demonstraram benefício convincente na doença de Crohn, e não se deve contar com eles como tratamento principal. Os medicamentos «para a diarreia» também não são inofensivos: com um aperto do intestino e numa crise grave tornam-se perigosos e só se tomam com o conhecimento do médico.
Cerca de metade dos doentes acaba, mais cedo ou mais tarde, por precisar de cirurgia — por um aperto, um abcesso, uma fístula ou porque os medicamentos não chegam. Retira-se o segmento afetado, alarga-se o aperto, drena-se o abcesso e por vezes exterioriza-se temporariamente uma ostomia. Curar não cura: a inflamação é capaz de voltar acima da zona de união, pelo que o apoio medicamentoso continua também depois da operação.
O que depende de si
O primeiro e mais eficaz de tudo é deixar de fumar. Não se trata do conselho genérico sobre saúde: na doença de Crohn o tabaco torna as crises mais frequentes e mais pesadas, aumenta a probabilidade de cirurgia e de a doença regressar depois dela. Nenhum medicamento oferece um ganho destes. O segundo ponto são os analgésicos: os anti-inflamatórios do tipo do ibuprofeno podem desencadear uma crise, pelo que não se tomam sem combinar antes, e a alternativa segura é escolhida pelo médico.
- Coma de forma completa. Não existe uma dieta universal na doença de Crohn, e as carências de ferro, vitamina B12, vitamina D e proteína são frequentes: verificam-se e corrigem-se. Cortar grupos inteiros de alimentos sem um nutricionista não é boa ideia, porque a desnutrição prejudica tanto como a inflamação.
- Mantenha um registo curto: comida, medicamentos, sono, sintomas. As regularidades pessoais veem-se assim muitíssimo melhor do que de memória.
- Havendo um aperto do intestino, as fibras duras — cascas, frutos secos de casca rija, legumes fibrosos — limitam-se temporariamente, para não desencadear uma oclusão.
- Combine as vacinas com antecedência: sob medicamentos que travam o sistema imunitário as vacinas vivas estão em regra contraindicadas, por isso planeiam-se antes do início do tratamento.
- Parte dos medicamentos aumenta a sensibilidade da pele ao sol e o risco de tumores cutâneos: proteja-se do sol e mostre ao médico qualquer lesão nova.
- Vigie a resistência dos ossos, sobretudo se tomou corticoides durante muito tempo.
Complicações e a vida com a doença
As complicações não são raras, e é justamente por isso que o tratamento não se abandona quando a pessoa se sente bem. Com o tempo, a inflamação leva a apertos cicatriciais do intestino, a fístulas para um órgão vizinho ou para a pele, a fissuras e abcessos junto ao ânus e à perfuração da parede. Quando o cólon está inflamado durante muitos anos, o risco de cancro do intestino sobe: a estes doentes propõe-se colonoscopia regular com biópsias dirigidas, e não vale a pena recusá-la.
Mesmo assim, a vida da maioria mantém-se normal. Numa parte das pessoas os sintomas são ligeiros e resumem-se a idas mais frequentes à casa de banho e a dores abdominais; noutras a evolução é mais pesada. Os períodos de bem-estar duram anos e é perfeitamente realista planear estudos, trabalho e viagens — a questão está em manter a doença sob controlo, em vez de andar sempre atrás dela.
Um ponto à parte para a gravidez. Conceber e levar a termo uma criança saudável costuma ser possível; o essencial é entrar na gravidez em remissão, porque a inflamação ativa dificulta por si só a conceção e aumenta o risco de complicações. Planeia-se com antecedência, em conjunto com o gastrenterologista: a maioria dos medicamentos não interfere com a gravidez e mantém-se, mas alguns são incompatíveis com a conceção e exigem suspensão atempada, o que vale igualmente para os futuros pais. Interromper o tratamento por iniciativa própria ao saber da gravidez é o erro mais comum e o mais prejudicial.
Consulta em linha
Se ainda não há diagnóstico, à distância vê-se por que análises começar, se vale a pena insistir na calprotectina e na colonoscopia e até que ponto o quadro se parece com uma doença inflamatória do intestino e não com o síndrome do intestino irritável. Se o diagnóstico já existe, discute-se se aquilo é ou não uma crise, o que significam as prescrições e os seus efeitos adversos, que vacinas e que análises dá para fazer antes de começar a terapêutica e como preparar a conversa com o gastrenterologista. Em linha é também oportuno falar do que custa dizer em pessoa: as queixas à volta do ânus, o peso da doença no trabalho, nos estudos, na vida íntima e no humor. Os sinais da secção sobre ajuda imediata não se avaliam à distância — com eles é preciso ir ao hospital.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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