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Medicamentos habitualmente prescritos para Doença de Peyronie
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: INJETÁVEL, 100 unidadesSubstância ativa: botulinum toxinFabricante: Merz Pharmaceuticals GmbhRequer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 0,8 mgSubstância ativa: sildenafilFabricante: Upjohn EesvRequer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO MASTIGÁVEL, 50 mgSubstância ativa: sildenafilFabricante: Laboratorios Alter S.A.Requer receita médica
Na doença de Peyronie o pénis curva-se durante a ereção porque no seu invólucro surgiu uma zona de cicatriz. Em repouso pode ter um aspeto perfeitamente normal, e por isso muitos homens demoram a perceber o que se passa: primeiro doem as ereções, depois palpa-se um endurecimento sob a pele e só então aparece a curvatura. É um problema comum — afeta cerca de um homem em cada vinte, sobretudo a partir dos quarenta anos — e o mais útil que há a saber é que não se deve ter pressa com a cirurgia, mas também não convém adiar a consulta, porque é a fase da doença que decide qual o tratamento que faz sentido.
O que acontece por dentro
Dentro do pénis existem dois corpos cavernosos, cilindros esponjosos que se enchem de sangue. Cada um está revestido por uma membrana resistente, a túnica albugínea: é elástica, distende-se com a ereção e contém a pressão interior. Quando nessa membrana se forma uma placa de cicatriz, esse troço perde a capacidade de se distender. O resto continua a distender-se como antes, de modo que na ereção o pénis puxa para o lado da placa: se ela está na face superior, curva para cima; se está por baixo, para baixo; se está de lado, desvia-se lateralmente.
A placa nem sempre é um ponto isolado. Quando rodeia a circunferência em forma de banda, a parte média fica estrangulada durante a ereção como uma ampulheta, e aí o pénis pode dobrar sob carga: isso incomoda mesmo sem uma curvatura acentuada. Com o tempo a cicatriz encurta o lado onde se encontra e o comprimento total em ereção diminui.
O que os homens notam
As queixas costumam surgir por esta ordem:
- ereções dolorosas, muitas vezes o primeiro sinal de todos: uma dor surda, que puxa e aumenta à medida que o pénis enche;
- um cordão ou nódulo duro sob a pele, palpável em repouso, quase sempre na face superior da haste;
- curvatura durante a ereção, que vai aumentando aos poucos;
- estreitamento ou estrangulamento na zona média, a chamada ampulheta;
- encurtamento;
- dificuldade na penetração e no próprio ato, com dor também para a parceira;
- ereções mais fracas, umas vezes pela própria doença, outras pela ansiedade perante a relação.
Uma ligeira curvatura natural é comum e não é doença. O que preocupa é uma curvatura recente e em evolução, um endurecimento que se palpa, uma ereção que dói ou um pénis que se tornou difícil de usar.
Numa parte dos homens com doença de Peyronie a pele e os tendões espessam também noutros sítios: na palma da mão surge a contratura de Dupuytren, que impede esticar os dedos, e com menos frequência nódulos firmes na planta do pé. Não é coincidência, mas a mesma tendência do tecido conjuntivo para cicatrizar em excesso.
Fase ativa e fase estável: a distinção decisiva
A doença passa por duas etapas, e daquela em que se encontra depende literalmente tudo.
A fase ativa dura sensivelmente entre seis e dezoito meses. Nela há dor e o ângulo muda de mês para mês, em regra para pior. Operar nessa altura não faz sentido: a cicatriz ainda está a formar-se e o resultado da cirurgia acompanharia a evolução da doença.
A fase estável chega quando a dor desapareceu e o ângulo não se altera há vários meses. Só então se fala de cirurgia. A regra prática é ter passado pelo menos um ano desde o início e pelo menos três a seis meses sem alterações.
Por si só a curvatura em regra não desaparece: cerca de um homem em cada dez melhora com o tempo, metade fica na mesma e os restantes agravam-se lentamente. Esperar e observar é, por isso, razoável durante a fase ativa, mas não indefinidamente nem em substituição da consulta.
Quando é preciso ajuda urgente
A doença de Peyronie instala-se ao longo de semanas e meses, pelo que tudo o que acontece de repente é outra história e tem outra urgência.
- Durante o ato ouve-se um estalido, a ereção desaparece no momento, o pénis incha e fica roxo e surge uma dor intensa: isto é uma fratura do pénis, ou seja, a rotura da túnica albugínea. Exige atendimento imediato, na mesma hora, porque essa rotura costuma ser suturada nas primeiras vinte e quatro horas e, sem operação, deixa ainda por cima uma curvatura marcada.
- Uma ereção que não cede ao fim de mais de quatro horas e se tornou dolorosa é um priapismo. Também é urgente: quanto mais tempo o sangue fica retido, maior o risco de perder a ereção de forma definitiva.
- Um nódulo duro, uma ferida ou uma erosão que não sara na glande ou no prepúcio não é doença de Peyronie e tem de ser observada em poucos dias.
O número único de emergência em Portugal e em grande parte da Europa é o 112. Em todas as outras situações basta marcar consulta da forma habitual.
Porque aparece
A explicação aceite são os microtraumatismos repetidos. Durante as relações o invólucro rasga-se de quando em quando a uma escala microscópica e, normalmente, isso cicatriza sem deixar marca. Nalguns homens a reparação faz-se com excesso de colagénio e nesse ponto fica uma cicatriz. Muito poucos recordam uma pancada concreta: o habitual é não conseguir ligar o início a episódio nenhum.
A probabilidade é maior havendo:
- contratura de Dupuytren ou endurecimentos semelhantes no pé, incluindo em familiares;
- diabetes;
- tensão alta, colesterol elevado, arteriosclerose;
- tabagismo;
- cirurgia prévia à próstata;
- testosterona baixa.
Em descrições mais antigas apareciam entre os fatores os betabloqueantes e alguns antidepressivos. Provas convincentes não existem e, sobretudo, esses medicamentos não podem ser suspensos por iniciativa própria: os betabloqueantes retiram-se apenas de forma gradual e segundo um esquema, porque uma paragem brusca pode provocar uma subida de tensão, taquicardia e uma crise de angina de peito. O mesmo vale para os antidepressivos, que se reduzem devagar. Se suspeita de alguma relação, é assunto para falar com o médico, não motivo para deixar de tomar os comprimidos.
O que se pode parecer com ela
Nem todo o pénis curvo é doença de Peyronie. A curvatura congénita nota-se desde as primeiras ereções na adolescência, a membrana é lisa, não há nódulo nem dor, e a abordagem é outra. Depois de uma fratura do pénis fica uma cicatriz no ponto da rotura e um desvio, mas o início foi instantâneo e difícil de esquecer.
Um cordão duro sob a pele da face superior, surgido um ou dois dias após uma relação longa ou intensa, é habitualmente uma trombose de uma veia superficial: resolve-se sozinha em algumas semanas e não deixa curvatura. Ao toque pode confundir-se também com uma linfangite esclerosante. Por fim, qualquer formação dura situada na glande ou no prepúcio, ainda mais se ulcerar, nada tem a ver com esta doença e precisa de avaliação à parte.
O que acontece na consulta
Não há motivo para vergonha: é uma queixa frequente e os médicos ouvem-na com regularidade. Começa-se pela história: quando começou, se houve algum traumatismo, se o ângulo tem mudado, se a ereção dói agora, o que exatamente atrapalha nas relações.
Segue-se o exame. Com o pénis em repouso, o médico palpa a haste, localiza a placa, avalia o tamanho e a posição e mede o comprimento sob tração suave. O ângulo não se estima por descrição, pelo que são realmente úteis fotografias feitas em casa com o pénis ereto, de cima e de lado, com algo que sirva de escala. A alternativa é provocar a ereção na consulta com uma injeção e medir o ângulo ali mesmo.
A ecografia com doppler mostra a placa, eventuais calcificações e, ao mesmo tempo, o fluxo de sangue — este último conta quando há problemas de ereção, porque da sua causa depende que endireitar o pénis sirva de alguma coisa. Havendo disfunção erétil, verificam-se a glicemia, os lípidos e a testosterona. Nem análises ao sangue nem ressonância são precisas para o diagnóstico em si: faz-se pelo exame.
O que se faz enquanto a doença está ativa
Se a curvatura é pequena, não dói e a vida sexual não é afetada, não há nada a tratar: apenas se vigia a situação.
Na fase ativa o objetivo é aliviar a dor e, na medida do possível, travar o crescimento da cicatriz. A dor costuma passar sozinha ao fim de alguns meses; o analgésico escolhe-se com o médico, tendo presente que os anti-inflamatórios tomados durante muito tempo castigam o estômago e os rins e combinam mal com os anticoagulantes. Os comprimidos que durante décadas se ofereceram para «dissolver a placa» não mostraram benefício convincente nos estudos e não vale a pena contar com eles. Duas abordagens são de facto utilizadas: injetar um fármaco diretamente na placa (conforme o país existe uma enzima que degrada o colagénio ou um fármaco do grupo dos bloqueadores dos canais de cálcio) e a tração, com aparelhos próprios ou dispositivos de vácuo usados várias horas por dia durante muitos meses. As ondas de choque aliviam a dor mas não endireitam o ângulo, e prometer o contrário não é honesto.
A cirurgia e o que pode conseguir
Na fase estável, se a curvatura atrapalha as relações, pondera-se operar. Há três tipos de intervenção. Pregar e suturar o lado mais comprido é a mais simples e a mais fiável, mas o pénis fica mais curto. Retirar a placa e substituir o defeito com um enxerto preserva o comprimento e usa-se em ângulos grandes e em estrangulamentos, embora piore a ereção com mais frequência e reduza a sensibilidade. Se as ereções já falham antes de qualquer cirurgia, coloca-se uma prótese, que ao mesmo tempo endireita. O cirurgião deve explicar antecipadamente a provável perda de comprimento, o risco de alterações da sensibilidade e o facto de um pénis totalmente direito não ser o resultado habitual.
Os problemas de ereção tratam-se à parte, em geral com comprimidos do grupo dos inibidores da PDE-5. Não podem ser associados a nitratos, pelo que o médico precisa de conhecer toda a sua medicação. Um último ponto: a doença de Peyronie atinge a autoestima e a relação de casal mais do que atinge a anatomia. Falar disso faz parte do tratamento e não é sinal de fraqueza, e vale a pena incluir a parceira na conversa.
Consulta em linha
Começar em linha é prático. Na consulta o médico percorre a sua história, ajuda a distinguir uma curvatura recente de uma congénita, determina pelas datas e pelas suas fotografias se a fase ativa continua ou se a doença já estabilizou, e explica porque no primeiro caso é cedo para o cirurgião e no segundo é exatamente a altura certa. Aí mesmo se pode falar de como tirar bem as fotografias e registar as alterações, que exames levar à consulta presencial, o que fazer quanto à ereção e como isso se conjuga com os medicamentos que já toma. O exame e a medição do ângulo continuarão a exigir uma visita presencial, mas chegará a ela preparado e sem meses de espera a mais.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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