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Medicamentos habitualmente prescritos para Doença diverticular e diverticulite
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 125;31,25 MG/5 MLSubstância ativa: amoxicillin and beta-lactamase inhibitorFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 500/125 mg/mgSubstância ativa: amoxicillin and beta-lactamase inhibitorFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 750 mgSubstância ativa: amoxicillinFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médica
Com os anos a parede do intestino grosso deixa de ser um tubo liso: surgem nela bolsas do tamanho de uma ervilha voltadas para fora, os divertículos. Por si só ainda não são uma doença, e a maioria das pessoas tem-nos a partir dos sessenta anos sem o saber e sem alguma vez vir a sabê-lo. A conversa começa quando essas bolsas doem ou inflamam. Convém separar desde já três situações, porque por trás de palavras parecidas escondem-se coisas muito diferentes: de um achado inofensivo a uma operação que não pode esperar.
De onde vêm as bolsas na parede do intestino
A camada muscular do intestino não é contínua: onde a atravessam os vasos que o alimentam ficam pontos fracos. Quando a pressão dentro do intestino sobe, a mucosa é empurrada para fora por essas aberturas, tal como uma câmara de ar por um rasgão do pneu. É assim que nasce o divertículo, que no fundo é uma hérnia da camada interna.
O que faz subir essa pressão e favorece o processo:
- pouca fibra na alimentação: fezes duras e secas obrigam o intestino a um esforço muito maior;
- a idade, porque os tecidos perdem elasticidade e depois dos sessenta encontram-se divertículos na maioria das pessoas examinadas;
- o excesso de peso, o tabaco, o sedentarismo e o uso habitual de anti-inflamatórios;
- a hereditariedade: há pessoas cujo tecido conjuntivo é mais frágil à partida.
As três situações que é preciso distinguir:
- Diverticulose: as bolsas existem e não dão queixas. É um achado casual e não exige tratamento.
- Doença diverticular: as bolsas dão sintomas, mas não há inflamação.
- Diverticulite: o conteúdo ficou preso numa bolsa e a parede inflamou. Já é um quadro agudo, com febre e dor forte.
Como se manifesta
Na Europa os divertículos ficam quase sempre na parte baixa esquerda do abdómen, no cólon sigmoide, e daí vem a dor característica desse lado. Menos vezes assentam à direita, e então o quadro engana: uma dor na metade direita do abdómen com febre é confundida bastante mais vezes com apendicite, e a resposta vem já da imagem.
Na doença diverticular sem inflamação as queixas são estas:
- dor surda ou em cólica na parte baixa esquerda da barriga, sobretudo depois de comer, que alivia depois de evacuar ou de eliminar gases;
- inchaço e sensação de não ter acabado;
- obstipação, fezes moles ou alternância entre as duas coisas;
- por vezes vestígios de sangue nas fezes.
Na diverticulite o quadro é outro e bem mais pesado: a dor é contínua, forte e fixa num ponto certo, e juntam-se-lhe febre, arrepios, náuseas e uma alteração brusca do trânsito intestinal. A zona dói ao ser pressionada. Uma coisa assim não passa sozinha e tem de ser avaliada no próprio dia em que aparece.
À parte fica a hemorragia diverticular, que se comporta de forma muito diferente da inflamação: surge de repente, sem dor nem febre, o sangue é logo abundante e de cor vermelho-escura ou vinosa, muitas vezes com coágulos. Costuma parar sozinha, mas a quantidade assusta e por vezes chega a ser perigosa. Perante uma hemorragia abundante pelo reto é preciso hospital, haja dor ou não.
O que é preciso excluir em primeiro lugar
Esta é a parte mais delicada de todo o assunto. Metade das pessoas idosas tem divertículos, por isso é fácil demais declará-los culpados e dar o caso por encerrado. Entretanto as mesmas coisas, ou seja dor abdominal, trânsito alterado e sangue, são produzidas pelo cancro do cólon, que em fase inicial se trata bem e quase sem deixar marca.
Não se pode atribuir nada aos divertículos sem investigar se estiver presente sequer uma destas situações:
- sangue nas fezes, sobretudo se se repete;
- um trânsito que mudou e continua diferente há mais do que algumas semanas, com fezes mais moles, mais frequentes ou mais finas;
- perda de peso sem explicação;
- anemia detetada nas análises, em especial por falta de ferro;
- queixas que aparecem pela primeira vez em idade avançada;
- casos de cancro do intestino na família.
Da mesma maneira se comportam a síndrome do intestino irritável e as doenças inflamatórias do intestino: só pelas sensações não se distinguem.
Que exames são precisos e quando
No episódio agudo o exame principal é a tomografia computorizada do abdómen. Mostra não apenas o troço inflamado, mas também aquilo em que tudo se complicou: se há uma coleção de pus ou um orifício na parede. Daí depende diretamente se o tratamento é em casa ou no hospital. Ao lado dela fazem-se análises ao sangue com os marcadores de inflamação.
A colonoscopia não se faz durante a inflamação aguda, porque uma parede inflamada e insuflada com ar pode romper. Adia-se cerca de seis a oito semanas depois de tudo acalmar, e só então se observa o cólon por inteiro, sobretudo para ter a certeza de que por trás do episódio não estava um tumor. É um exame que não convém saltar, mesmo que a pessoa se sinta bem há muito tempo.
Fora da fase aguda podem ser precisas análises às fezes: sangue oculto e calprotectina, que distingue uma doença inflamatória do intestino de um intestino irritável.
Como se trata
Na doença diverticular sem inflamação o tratamento dirige-se ao próprio intestino: regularizar as fezes e tirar o espasmo.
- Laxantes de volume, que servem tanto para a obstipação como para as fezes moles, porque o que fazem é normalizar a consistência.
- Antiespasmódicos quando a dor é em cólica.
- Como analgésico, o paracetamol.
A diverticulite não complicada numa pessoa sem outras doenças importantes é hoje cada vez mais conduzida sem antibióticos: repouso, líquidos abundantes, alguns dias de alimentação leve, analgesia e reavaliação para ver como evolui. Os antibióticos reservam-se para a febre alta, a inflamação marcada nas análises, as defesas enfraquecidas, as doenças de base graves ou os sinais de complicação. Quem decide é o médico, com base no quadro concreto e não no nome do diagnóstico.
O que não se deve fazer perante uma dor abdominal neste contexto: não tomar anti-inflamatórios, ou seja ibuprofeno e semelhantes, nem analgésicos opioides como a codeína. Os primeiros aumentam o risco de a parede do intestino perfurar e os segundos travam o intestino e agravam a obstipação, e com ela a pressão interna. É uma das poucas situações em que a escolha do analgésico muda mesmo o desfecho.
Se os episódios se repetem com frequência, condicionam o dia a dia ou deixaram um estreitamento, discute-se uma cirurgia programada para retirar o troço alterado. A decisão pesa-se com o cirurgião, porque também a operação não é coisa pequena.
Quando é preciso atendimento urgente
As complicações são raras mas avançam depressa. À volta de uma bolsa inflamada pode juntar-se pus, a parede pode romper para a cavidade abdominal e provocar uma peritonite, e o intestino pode estreitar até deixar de dar passagem. Por vezes forma-se um trajeto entre o intestino e um órgão vizinho, quase sempre a bexiga, e reconhece-se por sinais pouco habituais: bolhas de gás ou vestígios de fezes na urina e infeções urinárias que voltam uma atrás da outra.
Chame uma ambulância (na Europa o número único é o 112) ou dirija-se de imediato às urgências perante qualquer um destes sinais, seus ou da pessoa de quem cuida:
- dor abdominal intensa, sobretudo com a barriga dura e inchada, vómitos e nem fezes nem gases a sair;
- uma hemorragia abundante pelo reto, ou fraqueza e tonturas enquanto sangra;
- febre com arrepios e dor que não para de aumentar;
- confusão, pele pálida ou marmoreada, temperatura muito alta ou muito baixa, respiração rápida e uma queda brusca da quantidade de urina, sinais que apontam para uma sépsis;
- uma dor que impede de endireitar o corpo e piora a cada movimento ou solavanco.
A coleção de pus costuma ser drenada através da pele com orientação por imagem, ao passo que uma perfuração exige cirurgia. Por vezes é preciso trazer temporariamente o intestino para a parede do abdómen para que o troço inflamado cicatrize; na maioria dos casos a continuidade é reposta mais tarde.
O que depende da comida e dos hábitos
Os divertículos não se conseguem eliminar, não desaparecem. O que se consegue é reduzir bastante a probabilidade de voltarem a inflamar.
- Fibra todos os dias: legumes, fruta, leguminosas, pão integral e cereais. Deve aumentar-se aos poucos, ao longo de duas ou três semanas, ou os primeiros dias trarão gases e desconforto.
- A água é o complemento obrigatório da fibra. Sem beber o suficiente, a fibra só torna as fezes mais duras.
- Deixar de fumar: nos fumadores as complicações são mais frequentes.
- Baixar o peso se houver excesso e ter atividade física regular, para o que basta caminhar.
- Falar com o médico sobre substituir os anti-inflamatórios tomados de forma continuada, se os usa para as articulações ou para as costas.
E um parágrafo à parte para a proibição que de certeza já ouviu: a de que os frutos secos, as sementes, as pipocas e os grãos do tomate e do morango ficam presos nas bolsas e desencadeiam a inflamação. É uma ideia antiga, que foi verificada em estudos alargados e não se confirmou, já que quem comia frutos secos não teve mais episódios, antes até uns quantos menos. Não é preciso prescindir deles. Nesta doença não existem de todo alimentos proibidos, existe apenas uma regra geral: quanto mais comida de origem vegetal houver, mais sossegado fica o intestino.
Nos primeiros dias a seguir a um episódio agudo a alimentação alivia-se durante algum tempo, mas isso é uma medida ligada à duração da inflamação e não um modo de vida.
Consulta em linha
À distância aborda-se bem tudo o que não exige uma mão sobre o abdómen naquele preciso momento: o que significam as análises já feitas e o relatório da tomografia, se é necessária uma colonoscopia e a que distância a marcar depois da inflamação, como distinguir o inchaço habitual do início de um episódio. O médico ajuda a pôr em ordem a alimentação e o trânsito intestinal, escolhe uma analgesia segura em vez daquela que aqui é melhor evitar e explica perante que alterações se deve seguir para o hospital sem esperar. Dor abdominal aguda, febre e hemorragia não se avaliam através de um ecrã: com essas é preciso observação presencial.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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