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Medicamentos habitualmente prescritos para Doença inflamatória pélvica
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 5 mg/mlSubstância ativa: metronidazoleFabricante: Altan Pharmaceuticals SaRequer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 1 gSubstância ativa: ceftriaxoneFabricante: Kalceks AsRequer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 500 mg de ceftriaxonaSubstância ativa: ceftriaxoneFabricante: Ldp Laboratorios Torlan S.A.Requer receita médica
Chama-se doença inflamatória pélvica (DIP) à infeção da parte alta do aparelho genital feminino: útero, trompas, ovários e tecidos que os rodeiam. As bactérias sobem quase sempre a partir de baixo, da vagina e do colo do útero. O que torna esta doença traiçoeira é o seu curso muitas vezes brando: dói de forma surda o baixo ventre, o corrimento mudou, tornou-se incómodo ter relações, e pouco mais. Entretanto, ficam nas trompas cicatrizes que mais tarde dificultam a gravidez. Por isso aqui conta mais a rapidez do que a exatidão: o tratamento começa antes de chegarem os resultados das análises.
Como a infeção chega ao útero e às trompas
O colo do útero funciona como uma comporta e normalmente impede que os micróbios subam. Quando essa comporta falha, começa a inflamação. As causas são de dois tipos.
Infeções sexualmente transmissíveis. A causa mais frequente são a clamídia e a gonorreia, às quais se junta cada vez mais o micoplasma genital. Estas bactérias vivem a princípio apenas no colo do útero, onde se tratam com facilidade. Mas se a infeção passa despercebida e não é tratada, uma parte dos casos sobe em poucos meses.
A própria flora vaginal. Em muitos casos não se encontra qualquer infeção sexualmente transmissível. As responsáveis são então as bactérias habituais da vagina, inofensivas no seu lugar mas capazes de inflamar se entrarem no útero. Isso acontece sobretudo quando o colo do útero esteve aberto: depois de um parto, de um aborto espontâneo ou de uma interrupção da gravidez, depois da colocação de um dispositivo intrauterino (o risco é maior nas primeiras semanas) ou depois de procedimentos dentro da cavidade uterina.
O risco é maior se o parceiro é novo ou se há vários parceiros, se já houve antes infeções sexualmente transmissíveis ou um episódio anterior, e também em idades jovens: abaixo dos vinte e cinco anos a DIP é bastante mais frequente. Raramente está em causa um só micróbio: em regra estão envolvidos vários ao mesmo tempo, e é por isso que se trata com uma combinação de fármacos.
O que se sente
Pode não haver nada de evidente: algumas mulheres descobrem que tiveram uma inflamação anos depois, ao estudarem dificuldades em engravidar. Quando há queixas, costumam ser estas:
- dor surda no baixo ventre ou na bacia, mais frequentemente de ambos os lados;
- dor durante as relações, sentida em profundidade e não à entrada da vagina;
- corrimento vaginal alterado: mais abundante, amarelado ou esverdeado, com cheiro;
- perdas de sangue entre menstruações ou depois das relações, menstruações mais abundantes e dolorosas;
- ardor e vontade de urinar com mais frequência;
- febrícula, cansaço e mal-estar.
Há um pormenor que explica por que razão a DIP escapa tantas vezes: a dor raramente é aguda e localizada. É surda, espalhada pelo baixo ventre, e piora com o movimento e ao fim do dia. Uma dor assim atribui-se com facilidade a um arrefecimento ou à menstruação, e assim perdem-se semanas.
Quando é preciso ajuda imediata
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia o número único é o 112) ou dirija-se à urgência se:
- a dor abdominal for súbita e intensa, estiver a aumentar ou irradiar para o ombro;
- a febre passar dos 38,5 °C com arrepios, vómitos e impossibilidade de beber;
- surgirem tonturas, visão escurecida, um desmaio, pele fria e suada;
- o abdómen ficar duro e doloroso ao mais leve toque;
- houver dor abdominal com atraso da menstruação ou teste de gravidez positivo — assim se pode manifestar uma gravidez ectópica, e aí conta-se por horas;
- começar uma hemorragia vaginal abundante.
No mesmo dia, mas sem ambulância, é preciso ser observada se a dor no baixo ventre se mantiver, se o corrimento tiver mudado ou se surgir febre depois de um parto recente, de uma interrupção da gravidez ou da colocação de um dispositivo intrauterino. Cada semana de espera aumenta o risco de as trompas ficarem danificadas.
Como se chega ao diagnóstico
Não existe uma análise simples que responda sim ou não, e vale a pena sabê-lo de antemão para não estranhar. O diagnóstico é clínico: assenta no conjunto das queixas e do exame, e o tratamento começa sem esperar pelo laboratório.
- Exame ginecológico. O sinal principal é a dor à mobilização do colo do útero e na zona dos anexos. Pode pedir a presença de um acompanhante e interromper o exame a qualquer momento.
- Zaragatoas da vagina e do colo do útero para clamídia, gonococo e micoplasma por métodos moleculares. Um resultado positivo confirma o diagnóstico. Um resultado negativo não o exclui: na maioria das mulheres com DIP as colheitas saem limpas, porque a infeção já subiu.
- Teste de gravidez, obrigatório para não deixar passar uma gravidez ectópica.
- Ecografia pélvica, habitualmente com sonda vaginal. Uma imagem normal não afasta a inflamação; a ecografia serve sobretudo para encontrar um abcesso numa trompa ou num ovário e para excluir outras causas de dor.
- Laparoscopia, a observação dos órgãos pélvicos com uma câmara através de uma pequena incisão. Recorre-se a ela poucas vezes: quando o diagnóstico não é claro, o estado é grave ou se suspeita de doença cirúrgica.
Na mesma altura propõe-se o estudo de outras infeções sexualmente transmissíveis, incluindo o VIH e a sífilis: costumam andar juntas.
Com que se pode confundir
A dor no baixo ventre de uma mulher é um daqueles sintomas por trás dos quais existem uma dezena de causas diferentes. Antes de ficar pela inflamação, o médico pensa no seguinte:
- gravidez ectópica — é a primeira a ser excluída, porque põe a vida em risco;
- apendicite — dor mais vezes à direita, que se desloca a partir do umbigo, com náuseas e falta de apetite;
- torção ou rutura de um quisto do ovário — dor que surge de repente, em minutos, geralmente de um lado;
- endometriose — dor cíclica, ligada há anos às menstruações;
- infeção urinária e pielonefrite — ardor ao urinar, dor lombar, febre;
- síndrome do intestino irritável e diverticulite — dor ligada às dejeções e à alimentação;
- dor pélvica crónica sem infeção — aí os antibióticos não ajudam e os ciclos repetidos só fazem perder tempo.
Merece nota à parte um prolongamento raro mas reconhecível da doença: a inflamação pode atingir a membrana que envolve o fígado e provocar dor debaixo das costelas direitas, irradiada para o ombro. Uma dor assim confunde-se facilmente com um problema da vesícula, quando a origem está na bacia.
Como se trata
A base do tratamento são os antibióticos, e começam de imediato, antes dos resultados das colheitas. Não se prescreve um só fármaco, mas uma combinação: tem de cobrir tanto os agentes das infeções sexualmente transmissíveis como as bactérias anaeróbias da vagina. Habitualmente é uma injeção única de um antibiótico do grupo das cefalosporinas e, depois, duas semanas de comprimidos: um fármaco do grupo das tetraciclinas juntamente com metronidazol. O esquema pode variar, mas a duração é quase sempre de cerca de duas semanas.
O que importa cumprir durante o tratamento:
- levá-lo até ao fim, mesmo que ao terceiro dia se sinta melhor: uma infeção mal tratada volta e danifica as trompas;
- avisar o médico se for possível uma gravidez: parte destes fármacos não se usa na gravidez e o tratamento será outro, mais vezes no hospital;
- não beber álcool enquanto tomar metronidazol e proteger-se do sol, porque as tetraciclinas aumentam a sensibilidade da pele;
- não ter relações até terminar o tratamento, o seu e o do parceiro.
Para as dores serve o paracetamol. O ibuprofeno e os outros anti-inflamatórios tomam-se em ciclos curtos e após as refeições; é melhor evitá-los havendo úlcera péptica ou doença renal, e na gravidez qualquer analgésico deve ser combinado com o médico.
Ao fim de cerca de três dias o médico avalia se o tratamento está a resultar; se não houve melhoria, são precisos mais exames e, em regra, internamento. Interna-se na gravidez, nos quadros graves, na suspeita de abcesso e quando não é possível excluir doença cirúrgica. Se tiver um dispositivo intrauterino e não melhorar em alguns dias, discute-se a sua remoção, e um abcesso por vezes tem de ser drenado.
Os parceiros e como não adoecer outra vez
Tratar apenas a mulher não fecha a história. Devem ser estudados e tratados todos os parceiros sexuais dos últimos seis meses, ainda que nenhum agente concreto tenha sido identificado e ainda que o parceiro não tenha queixa nenhuma: nos homens a clamídia decorre quase sempre sem um único sintoma. Se nesse período não houve parceiro, trata-se do último.
A DIP surge também em casais de longa data em que ninguém teve relações fora, por isso não é motivo de acusações. Mas se só um for tratado, a infeção regressa assim que as relações forem retomadas. O médico pode ajudar a avisar parceiros anteriores, de forma anónima se assim se preferir.
Para o futuro funcionam as coisas simples: preservativo com um parceiro novo até ambos se terem estudado; análises quando muda de parceiro, e não só quando algo dói; e uma verificação antes de qualquer procedimento programado dentro do útero. A clamídia é comum e quase sempre silenciosa, de modo que «não me incomoda nada» não prova que não haja infeção.
O que acontece se se arrastar
A maioria das mulheres que começa o tratamento a tempo e o completa não fica com consequências a longo prazo. Os problemas aparecem em quem adiou o tratamento ou teve vários episódios.
- episódios repetidos: cada um cai sobre tecido já danificado e é pior tolerado;
- abcesso numa trompa ou num ovário — exige antibióticos por via endovenosa e por vezes drenagem, e se romper põe a vida em risco;
- aderências e obstrução das trompas: as cicatrizes impedem o óvulo de chegar ao útero;
- gravidez ectópica — o risco depois de uma DIP é bastante mais alto do que o habitual;
- dificuldade em engravidar; com as trompas obstruídas pode ajudar a cirurgia e, quando não é viável, a fertilização in vitro;
- dor pélvica crónica que fica quando a infeção já desapareceu: aqui não são precisos novos antibióticos, mas controlo da dor e trabalho com um especialista em dor crónica.
Se depois de um episódio a gravidez não acontecer no espaço de um ano (ou de seis meses acima dos trinta e cinco), é altura de mandar avaliar sem demora a permeabilidade das trompas.
Consulta em linha
A consulta em linha serve bem para perceber em que direção avançar. O médico perguntará em pormenor onde e há quanto tempo dói, como estão o corrimento e as menstruações, se houve há pouco um parto, uma interrupção da gravidez, a colocação de um dispositivo intrauterino ou um parceiro novo — e dirá se é preciso ajuda urgente, se pode esperar até de manhã ou se tem de ser observada hoje.
Em linha é também cómodo rever resultados já feitos: as colheitas, as análises ao sangue, o relatório da ecografia. O médico explicará porque uma zaragatoa negativa não retira o diagnóstico, para que servem três fármacos ao mesmo tempo e o que fazer com os efeitos secundários que dão vontade de abandonar o tratamento a meio. Um tema à parte, muito frequente, é como dizer ao parceiro que também ele tem de se estudar.
O que não se pode fazer em linha: o exame ginecológico, colher as zaragatoas e realizar a ecografia — e sem exame o diagnóstico de DIP não se estabelece. E se surgirem os sinais da secção sobre urgência, não escreva uma mensagem: chame uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Doença inflamatória pélvica
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