Nesta página
- O que está por trás do diagnóstico e como se mede a função renal
- Porque é que os rins cedem
- Porque é que durante anos nada incomoda
- Quem deve vigiar sem esperar pelos sintomas
- Quando não se pode esperar
- O que trava de facto a doença
- Complicações que se tratam à parte
- Quando os rins deixam de chegar
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Doença renal crónica
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 100 mgSubstância ativa: losartanFabricante: Laboratorio Stada S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 5 mgSubstância ativa: ramiprilFabricante: Sanofi Aventis S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 7000 UISubstância ativa: erythropoietinFabricante: Sandoz GmbhRequer receita médica
A doença renal crónica, ou DRC, é uma descida mantida durante mais de três meses do funcionamento dos rins, ou então uma lesão comprovada do seu tecido. O nome assusta, mas não é uma sentença: só uma minoria chega a perder por completo a função renal, e a grande maioria das pessoas com DRC leva uma vida normal. O sentido do diagnóstico é apanhar a doença enquanto o seu curso ainda pode ser travado.
O que está por trás do diagnóstico e como se mede a função renal
Os rins não se limitam a eliminar os resíduos do metabolismo e a água a mais. Sustentam a tensão arterial, regulam a acidez e o nível dos sais, mandam a medula óssea fabricar glóbulos vermelhos e transformam a vitamina D na forma ativa sem a qual o cálcio não é absorvido. Por isso, quando falham, não sofre um órgão mas o organismo inteiro de uma vez.
Avaliam-se por dois parâmetros, e são precisos os dois. O primeiro é a taxa de filtração glomerular, calculada a partir da creatinina no sangue com correção para a idade e o sexo. Um valor saudável ultrapassa os 90 ml/min por 1,73 m²; à medida que desce definem-se estádios: de 60 a 89 é uma descida ligeira, de 45 a 59 e de 30 a 44 moderada, de 15 a 29 grave, e abaixo de 15 os rins perderam quase toda a função. A creatinina depende da massa muscular, pelo que numa pessoa idosa muito magra o cálculo pode embelezar o quadro e num desportista pode piorá-lo.
O segundo parâmetro é a albumina na urina, mais exatamente a sua relação com a creatinina urinária. A proteína começa a escapar-se antes de a filtração cair, por isso costuma ser o primeiro sinal e é também o que melhor prevê o agravamento seguinte. O resultado agrupa-se em três categorias: normal ou ligeiramente aumentado, moderadamente aumentado e muito aumentado. As unidades variam de país para país, pelo que a referência são os valores do próprio laboratório.
Uma única análise não faz o diagnóstico. Os números mexem-se com a desidratação, a febre, um esforço físico intenso e alguns medicamentos, pelo que a alteração se confirma repetindo o exame, em regra ao fim de três meses.
Porque é que os rins cedem
A DRC quase nunca é uma doença por si só: costuma ser a consequência de outra, e habitualmente há várias causas ao mesmo tempo.
- Diabetes. A principal causa no mundo. Anos de glicose em excesso danificam os filtros mais finos, e o primeiro indício é a albumina na urina.
- Tensão arterial alta. A segunda em frequência e ao mesmo tempo uma consequência: uns rins doentes sobem a tensão por sua conta e fecham o círculo.
- Glomerulonefrite. Inflamação dos novelos filtrantes, muitas vezes de origem autoimune; aqui entra também o envolvimento renal do lúpus e das vasculites.
- Doença renal poliquística. Doença hereditária em que crescem quistos dentro dos rins. Se um dos pais a tiver, vale a pena estudar também os filhos.
- Obstáculo à saída da urina. Cálculos que se repetem, próstata aumentada, aperto do ureter.
- Cicatrizes de infeções da infância. O refluxo de urina da bexiga para cima e as pielonefrites do passado deixam marcas no rim que se fazem sentir décadas depois.
- Medicamentos. Anos de anti-inflamatórios, lítio, alguns esquemas de tratamento; e ainda os preparados de ervas e os suplementos «depurativos» de composição desconhecida, parte dos quais contém ácido aristolóquico, que destrói os rins de forma irreversível.
- Uma lesão renal aguda anterior. Mesmo depois de uma recuperação aparentemente completa o risco de doença crónica fica mais alto, e essa pessoa passa a ser seguida.
Porque é que durante anos nada incomoda
A reserva do rim é enorme: pode perder-se mais de metade do tecido que filtra sem dar por isso. Por isso os estádios iniciais aparecem quase sempre por acaso, numas análises feitas antes de uma operação, num exame de rotina ou a propósito de outra doença.
As queixas chegam quando a função já desceu bastante, e são inespecíficas: cansaço que o sono não tira, inchaço dos tornozelos e das pálpebras de manhã, falta de ar, levantar-se de noite para urinar, perda de apetite e de paladar, sabor metálico na boca, náuseas, prurido teimoso, cãibras nas barrigas das pernas, pernas inquietas, sono mau, menos desejo sexual. Sangue na urina, ou urina que faz espuma como a cerveja, são motivo para consultar sem adiar. Sozinhos estes sinais não fazem diagnóstico: qualquer um deles surge noutra dezena de situações, e quem decide é a análise.
Quem deve vigiar sem esperar pelos sintomas
A verificação é barata e cabe numa consulta: análise de sangue para a creatinina e uma amostra isolada de urina para a albumina. Repeti-la com regularidade faz sentido se houver ao menos um ponto desta lista:
- diabetes de qualquer tipo;
- tensão arterial alta mantida;
- doença do coração ou dos vasos, enfarte ou acidente vascular cerebral anteriores;
- obesidade, gota;
- uma doença autoimune;
- insuficiência renal ou doença renal hereditária em familiares próximos;
- um episódio anterior de lesão renal aguda;
- um só rim a funcionar;
- toma continuada de medicamentos que afetam o rim;
- proteínas ou sangue encontrados uma vez na urina e nunca explicados.
De quanto em quanto tempo repetir depende do resultado e de quão alto é o risco; com números estáveis costuma bastar uma vez por ano.
Quando não se pode esperar
Chama-se uma ambulância — em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia o número é o 112 — se surgirem:
- falta de ar intensa e a agravar-se, impossibilidade de estar deitado, respiração borbulhante, expetoração rosada e espumosa: é assim que se manifesta o edema do pulmão por retenção de líquidos;
- dor no peito, palpitações e um pulso muito lento ou irregular com fraqueza marcada, o que pode significar um potássio perigosamente alto;
- confusão, convulsões, impossibilidade de acordar a pessoa.
Ser observado no próprio dia, ainda que sem ambulância, é necessário se a urina praticamente deixou de sair, se o inchaço cresceu de repente em poucos dias, se começaram vómitos incontroláveis ou se apareceram febre e dor lombar.
À parte disto, convém combinar de antemão com o médico o que fazer nos dias de doença. Com vómitos abundantes, diarreia ou febre alta o corpo perde água, e parte da medicação habitual suspende-se temporariamente nesses dias: diuréticos, inibidores da enzima de conversão da angiotensina e antagonistas dos seus recetores, inibidores SGLT2 e metformina, enquanto os anti-inflamatórios não se tomam de todo. Retomam-se quando a pessoa volta a beber e a comer normalmente. Esse plano pede-se ao médico com antecedência, não se improvisa a meio da doença.
O que trava de facto a doença
Os novelos filtrantes perdidos não voltam, mas a velocidade a que se perdem os restantes é perfeitamente governável, e a diferença entre um acompanhamento cuidado e um descuidado mede-se em décadas.
- Tensão arterial. A alavanca mais poderosa. A referência para a maioria anda à volta de 130/80 mmHg, e o objetivo exato é fixado pelo médico conforme a idade e a tolerância. Ajuda um medidor caseiro com registo dos valores.
- Fármacos que protegem o rim. Havendo albumina na urina prescreve-se um inibidor da enzima de conversão da angiotensina ou um antagonista dos seus recetores: baixam a pressão dentro do novelo e reduzem a perda de proteína. Depois de iniciados, vigiam-se a creatinina e o potássio.
- Inibidores SGLT2. Uma classe surgida nos últimos anos que trava a progressão da DRC e protege o coração, inclusive em quem não tem diabetes. É hoje um dos pilares quando há perda de proteínas.
- Açúcar no sangue. Na diabetes, um bom controlo reflete-se diretamente nos rins.
- Colesterol. As estatinas não se dão pelo rim, mas porque quem tem DRC arrisca mais pelo coração e pelos vasos do que por chegar à diálise.
- Sal. Cerca de cinco gramas por dia, uma colher de chá contando o que já vem no pão, no queijo e nos enchidos. Os substitutos do sal não servem aqui: têm potássio.
- Tabaco, peso, movimento. Deixar de fumar abranda a perda de função; a referência de atividade física são 150 minutos por semana de intensidade moderada; perder peso reduz a proteína na urina.
- Analgésicos. O ibuprofeno, o diclofenac e o naproxeno tomam-se na DRC apenas por indicação médica e durante pouco tempo. Para a dor comum serve o paracetamol.
- Doses de todos os medicamentos. Muitos são eliminados pelo rim e com a filtração baixa têm de ser reduzidos. Avise da sua doença renal qualquer médico e a farmácia, e também antes de um exame com contraste.
Nem toda a gente precisa de dieta especial. Nos estádios iniciais chega uma alimentação saudável comum; limitar proteínas, potássio ou fósforo é decisão do médico a partir das análises, e é melhor fazê-lo com um nutricionista, senão é fácil acabar desnutrido em vez de melhor.
Complicações que se tratam à parte
À medida que a função desce vão surgindo problemas, cada um com a sua resposta. A anemia aparece porque o rim doente produz pouca da hormona que manda trabalhar a medula óssea; trata-se com ferro e com fármacos que estimulam a produção de glóbulos vermelhos. O excesso de fósforo perturba o metabolismo do cálcio, deixa os ossos frágeis e as artérias rígidas; ajudam limitar os aditivos com fosfatos dos alimentos processados, os quelantes do fósforo e as formas ativas da vitamina D. O potássio alto é perigoso para o coração e obriga a rever a alimentação e a medicação, por vezes com fármacos que o eliminam. A acidificação do sangue corrige-se com bicarbonato e a retenção de líquidos com diuréticos e menos sal.
Capítulo à parte é a proteção contra as infeções: a doença renal enfraquece as defesas, pelo que valem as vacinas previstas para quem tem doenças crónicas no calendário de cada país. A gravidez com DRC é possível, mas planeia-se com antecedência junto do nefrologista: parte dos fármacos que protegem o rim está proibida na gravidez e tem de ser substituída antes da conceção.
Quando os rins deixam de chegar
Uma pequena parte das pessoas chega ao ponto em que os seus próprios rins já não dão conta. Acontece em regra devagar, pelo que há tempo para preparar. As opções são três e discutem-se com antecedência, não a meio de uma crise.
A diálise substitui uma parte do trabalho dos rins. A hemodiálise limpa o sangue com uma máquina, em geral três vezes por semana num centro ou em casa; exige criar antes um acesso no braço, e isso faz-se meses antes de começar. A diálise peritoneal é feita em casa pela própria pessoa, usando como filtro o seu peritoneu; dá mais liberdade, mas exige rigor. O transplante renal costuma oferecer melhor qualidade de vida e mais anos, embora implique uma cirurgia grande e medicamentos para toda a vida contra a rejeição; o dador pode estar vivo ou ter falecido, e a espera dura por vezes anos. Os cuidados conservadores sem diálise são uma escolha ponderada de algumas pessoas idosas com outras doenças graves, quando a diálise não prolongaria a vida mas levaria o que dela resta. Não é abdicar de cuidados: os sintomas controlam-se com medicamentos e a pessoa é acompanhada até ao fim.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico analisará as suas análises: o que significam o valor de filtração e a albumina na urina, se a alteração é pontual ou mantida e que exames são precisos para encontrar a causa. Dirá com que frequência repetir os controlos, ajudará a rever a lista dos medicamentos que toma face à função renal que tem e falará sobre o que fazer nos dias de doença. Se o diagnóstico já está feito, é a altura de percorrer a tensão registada em casa, falar de alimentação e perceber que alterações podem aguardar a consulta programada e quais obrigam a ser visto no próprio dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Doença renal crónica
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