Ectrópio
Fala-se de ectrópio quando a pálpebra inferior se afasta do globo ocular e se vira para fora.
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Medicamentos habitualmente prescritos para Ectrópio
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COLÍRIO, 5,5 mg cloreto de sódio; 3 mg hipromelose/mlSubstância ativa: artificial tears and other indifferent preparationsFabricante: Alcon Healthcare S.A.Não requer receita médicaForma farmacêutica: GEL OFTÁLMICO, 3 mgSubstância ativa: artificial tears and other indifferent preparationsFabricante: Alcon Healthcare S.A.Não requer receita médicaForma farmacêutica: GEL OFTÁLMICO, 1,25 mg carbômeroSubstância ativa: artificial tears and other indifferent preparationsFabricante: Laboratorios Thea S.A.Não requer receita médica
Fala-se de ectrópio quando a pálpebra inferior se afasta do globo ocular e se vira para fora. O bordo deixa de assentar, a face interna rosada fica à vista e o olho perde aquela faixa estreita que a vida inteira lhe segurou o filme lacrimal. Em si não é uma situação perigosa e quase sempre atinge apenas a pálpebra de baixo, mas conviver com ela é incómodo: o olho lacrimeja e seca ao mesmo tempo, ao fim da tarde fica vermelho e de manhã aparece colado. Na maioria dos casos chega com a idade e instala-se ao longo de meses, pelo que durante muito tempo se atribui ao cansaço. E, no entanto, é justamente da rapidez com que se repara nele que depende a hipótese de resolver tudo com umas gotas.
Para que serve a pálpebra encostada ao olho
A pálpebra inferior faz dois trabalhos ao mesmo tempo, e ambos só se tornam evidentes quando deixa de os cumprir.
O primeiro é o de limpa-para-brisas. A cada pestanejo o bordo percorre a córnea e volta a distribuir sobre ela o filme lacrimal. Esse filme é finíssimo, aguenta poucos segundos e sem renovação rompe-se; por baixo da rotura a superfície do olho seca de imediato. Uma pálpebra afastada varre ar, e parte da córnea fica a descoberto — sobretudo a parte de baixo, a mesma que durante o sono permanece exposta.
O segundo trabalho é o de escoamento. No canto interno do olho existe um orifício minúsculo, o ponto lacrimal, por onde a lágrima segue para o nariz. Esse ponto tem de estar mergulhado no lago lacrimal e encostado ao olho, e o músculo da pálpebra funciona como bomba a cada pestanejo. Basta a pálpebra virar-se para que o ponto fique voltado para o ar, a bomba trabalhe em vazio e a lágrima transborde pelo bordo.
Daí o paradoxo central desta situação: o olho corre não por haver lágrima a mais, mas por ela não escoar; entretanto à córnea essa lágrima não chega e ela seca. É por isso que aqui ajudam os produtos para a secura e não os chamados «colírios contra o lacrimejo».
Existe também o caso inverso: o bordo da pálpebra enrola para dentro e as pestanas roçam no olho. Isso é um entrópio, outra situação com outro tratamento, ainda que as queixas iniciais se pareçam.
O que se sente
O conjunto de queixas é bastante reconhecível e costuma agravar-se em bloco.
- Um olho que corre sem parar. A lágrima escorre pela face com vento, com frio, a ler, por vezes sem motivo nenhum. De tanto a limpar, a pele por baixo do olho fica irritada e a descamar.
- Sensação de areia e ardor. É a córnea a secar. Piora ao fim do dia e em frente a um ecrã, e também de manhã se o olho não chegou a fechar durante a noite.
- Vermelhidão. Fica vermelho tanto o branco do olho como a face interna exposta da pálpebra, que ao ar vai engrossando e ficando áspera. Em pele escura a vermelhidão da pálpebra vê-se pior: convém guiar-se pelo inchaço e pelas sensações.
- Uma visão que oscila. As letras desfocam e, ao fim de alguns pestanejos, clareiam por um instante. Quem se comporta assim não é o olho, é o filme lacrimal a romper-se.
- Crostas de manhã, pestanas coladas, conjuntivites e terçolhos repetidos: uma superfície desprotegida infeta-se com mais facilidade.
- Um olho que não fecha por completo. Quase ninguém dá por isso sozinho: costuma ser a família a reparar, ao ver a pessoa a dormir com os olhos entreabertos.
Porque é que a pálpebra se vira para fora
As causas são várias, e delas depende diretamente o que fazer a seguir.
- A idade. É de longe o quadro mais frequente: os ligamentos que prendem a pálpebra ao rebordo ósseo da órbita distendem-se, o músculo perde força e a pálpebra cede sob o próprio peso. Desenvolve-se ao longo de anos, em regra nos dois olhos, embora se note mais num deles.
- Paralisia do nervo facial. O músculo que fecha as pálpebras deixa de receber ordens e a pálpebra descai de imediato, em horas ou dias. Acontece na paralisia de Bell, depois de cirurgia à glândula parótida, depois de uma zona com lesões no ouvido e depois de um acidente vascular cerebral. Aqui o ectrópio raramente vem sozinho: do mesmo lado a sobrancelha não sobe e o canto da boca desce.
- Uma cicatriz. A pele por baixo do olho encurtou e puxa a pálpebra para baixo: queimaduras, traumatismos, anos de dano solar e, muitas vezes, a marca de uma cirurgia, incluindo uma blefaroplastia ou a remoção de um tumor palpebral.
- Inflamação crónica da pele da pálpebra: eczema, dermatite seborreica, alergia. Um capítulo à parte, e frequentemente esquecido, são os anos de colírios, sobretudo os do glaucoma: a pele responde aos conservantes com uma dermatite discreta, depois enruga e puxa a pálpebra.
- Uma lesão na pálpebra. Um quisto ou um tumor arrastam o bordo para baixo pelo próprio peso, ou deformam-no ao cicatrizar.
- Forma congénita. É rara e costuma acompanhar outras particularidades da estrutura da cara.
O que não se pode atribuir à idade
Uma pálpebra que vai descaindo devagar discute-se com calma numa consulta marcada. Mas há situações em que esperar é errado.
- A cara ficou torta em poucas horas. O olho não fecha, a sobrancelha não sobe, o canto da boca desceu. Mesmo que venha a ser uma paralisia de Bell, tem de ser avaliado nesse mesmo dia. E se, juntamente com a cara, enfraqueceu um braço ou uma perna, a fala se atrapalhou ou faltou a vista, chame já uma ambulância (nos países europeus o número único é o 112): um acidente vascular cerebral pode começar exatamente assim.
- Um nódulo ou uma ferida na pálpebra que não saram. Devem alertar um endurecimento que cresce durante meses, uma ferida que sangra de vez em quando, uma zona onde as pestanas caíram e não voltaram, uma pálpebra deformada num único ponto. Esta é a linha mais importante de toda a página: o cancro da pele da pálpebra tem um aspeto discreto e em fase precoce remove-se por inteiro, ao passo que, deixado andar, avança para o interior da órbita.
- O olho começou a doer de repente, incomoda-se com a luz, ficou turvo ou vê pior. É assim que se manifesta a lesão de uma córnea ressequida, podendo chegar à úlcera. A observação é preciso em horas, e não «quando houver vaga».
- Uma pálpebra virada para fora de forma súbita numa pessoa jovem, sem qualquer antecedente. A causa tem de ser procurada: sozinha não aparece.
Os cuidados de todos os dias
Enquanto se espera pela consulta ou se prepara a cirurgia, o objetivo é um só: não deixar a córnea secar. Não são medidas cosméticas, previnem complicações a sério.
- Hidratar o olho com horário, não quando já arde. De dia, lágrimas artificiais, de preferência sem conservantes se forem usadas muitas vezes; à noite, um gel ou uma pomada, que aguentam até de manhã embora turvem a vista por algum tempo.
- Limpar a lágrima da maneira certa. Dar toques em vez de esfregar, e levar o lenço de baixo para cima e em direção ao nariz, ou seja, empurrando a pálpebra contra o olho. O gesto instintivo, para baixo e para fora, estica ainda mais a pálpebra e piora o quadro mês após mês.
- Não esfregar os olhos de todo, nem por comichão nem ao acordar. Se houver comichão, é preferível aplicar algo fresco.
- Tapar o olho à noite se ele não fechar: o médico mostra como fixar a pálpebra com um adesivo próprio ou como usar uma câmara húmida. Improvisar com fita-cola comum não é boa ideia.
- Afastar o que resseca: o jato do ar condicionado ou da ventoinha na cara, o aquecedor junto à cama, o vento, o fumo. Na rua, uns óculos quaisquer servem de barreira ao ar.
- Cuidar da pele e do bordo da pálpebra. Uma compressa morna e uma limpeza suave da linha das pestanas de manhã retiram as crostas. A pele por baixo do olho trata-se com um emoliente e, se estiver inflamada, tem de ser tratada: uma zona seca e enrugada puxa a pálpebra para baixo.
- Rever os colírios. Se há anos que aplica algo para o glaucoma, diga-o: por vezes basta passar a uma formulação sem conservantes para a pele acalmar.
O que decide o médico
O diagnóstico faz-se a olhar, sem aparelhos: observa-se a pálpebra e testa-se o seu tónus puxando o bordo e vendo com que rapidez ele regressa ao lugar. Uma pálpebra saudável volta a colar-se de imediato; uma distendida fica afastada. Ao mesmo tempo avalia-se se o olho fecha por completo, em que estado está a córnea, se o nervo facial funciona e se há alguma lesão suspeita na pálpebra.
Se as queixas forem mínimas, tratar não é obrigatório: bastam a vigilância e a hidratação. Quando a córnea seca e o lacrimejo impede a vida normal, a resposta é uma pequena intervenção com anestesia local.
- No ectrópio da idade a pálpebra é encurtada e colocada em tensão, voltando a fixar-se ao rebordo ósseo da órbita junto ao canto externo. É a mais frequente e a mais previsível destas operações.
- Se estiver virada apenas a parte interna da pálpebra com o ponto lacrimal, roda-se para dentro com um pequeno ponto de sutura pela face posterior.
- Na forma cicatricial só a tensão não chega: é preciso devolver comprimento à pele com um retalho ou um enxerto, colhido em geral da pálpebra superior ou de trás da orelha.
- Na paralisia do nervo facial protege-se primeiro o olho e espera-se: o nervo recupera muitas vezes sozinho ao fim de semanas ou meses. Se isso não acontecer, a pálpebra é posta em tensão e por vezes acrescenta-se uma lâmina fina que dá peso à pálpebra superior para que desça melhor.
- As lesões da pálpebra removem-se com estudo do tecido, e a pálpebra reconstrói-se no mesmo tempo cirúrgico ou numa segunda fase.
A recuperação leva umas duas semanas: o inchaço e a equimose duram alguns dias e prescreve-se uma pomada durante algum tempo. O resultado costuma manter-se, mas os tecidos continuam a distender-se com os anos, pelo que passado tempo a pálpebra por vezes volta a ser tensionada.
Consulta em linha
À distância é cómodo perceber o que se passa com a pálpebra e o grau de urgência. O médico perguntará desde quando dura e com que rapidez agravou, se o olho corre, se há sensação de areia, se o olho fecha durante o sono, que colírios aplica de forma continuada e se houve cirurgias, traumatismos ou queimaduras naquela zona, e pedirá para mostrar a pálpebra à câmara, puxando-a suavemente para baixo. Dessa conversa costuma já ficar claro se se trata de laxidez da idade, de uma cicatriz ou de uma paralisia do nervo facial, se é preciso um oftalmologista nos próximos dias e o que fazer hoje quanto à secura. Em linha resolvem-se bem também a escolha dos hidratantes, a técnica de proteção noturna e as dúvidas antes e depois da cirurgia. O que não se resolve por ecrã é uma cara subitamente torta, uma ferida na pálpebra que não sara ou uma dor ocular intensa com incómodo à luz: isso exige observação presencial, e depressa.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.




