Dermatite atópica (eczema atópico)
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crónica da pele que evolui por surtos. Na sua origem estão duas coisas ao mesmo tempo: uma barreira cutânea…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Dermatite atópica (eczema atópico)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO PARA USO TÓPICO, 1 mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Laboratorio Reig Jofre, S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: POMADA, 0,3 mg/gSubstância ativa: tacrolimusFabricante: Industrial Farmaceutica Cantabria S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mg de cetirizina cloridratoSubstância ativa: cetirizineFabricante: Retrain, S.A.U.Requer receita médica
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crónica da pele que evolui por surtos. Na sua origem estão duas coisas ao mesmo tempo: uma barreira cutânea frágil, que deixa sair água e entrar irritantes, e um sistema imunitário com tendência a reagir em excesso. Não se transmite a ninguém e não é «dos nervos». Também não se cura, mas controla-se muito bem: com o tratamento certo, a maioria das pessoas passa a maior parte do tempo com a pele calma.
Como se manifesta
- comichão intensa, quase sempre o sintoma mais difícil de suportar e o que estraga as noites;
- pele seca e áspera em todo o corpo, mesmo fora dos surtos;
- zonas avermelhadas que, na fase aguda, chegam a ter vesículas e exsudação;
- pele espessada e com os sulcos muito marcados nas áreas coçadas durante meses;
- em pele morena ou escura o vermelho vê-se mal: predominam o tom acinzentado ou arroxeado, as pápulas e as alterações da pigmentação;
- a localização muda com a idade: nos lactentes, face e couro cabeludo; nas crianças pequenas, dobras dos cotovelos e dos joelhos; nos adultos, mãos, pálpebras, pescoço e pregas;
- o curso faz-se por surtos, com períodos calmos pelo meio.
O que desencadeia os surtos
- ar seco, aquecimento central, frio, vento;
- sabões agressivos, geles perfumados, detergentes e amaciadores;
- calor e suor;
- lã e tecidos sintéticos ásperos em contacto direto com a pele;
- ácaros do pó, pelo de animais, pólenes;
- infeções, sobretudo as víricas das vias respiratórias;
- stress e noites mal dormidas;
- nalgumas crianças pequenas, certos alimentos — com muito menos frequência do que se pensa;
- banhos demorados e água muito quente.
Quando recorrer ao médico
- a comichão não deixa dormir;
- os surtos repetem-se apesar do cuidado diário;
- aparecem crostas amareladas, exsudação ou pústulas: é uma infeção bacteriana associada;
- aparecem vesículas agrupadas, dor e febre: pode ser uma infeção herpética sobre o eczema, e isso é uma urgência;
- a pele está atingida numa grande extensão do corpo;
- o eczema envolve as pálpebras ou os olhos;
- começou já na idade adulta, sem antecedentes anteriores;
- interfere com a escola, com o trabalho ou com o estado de ânimo.
O cuidado diário, que é a base
Nesta parte o resultado depende muito mais da constância do que da marca do produto.
- emolientes em abundância, várias vezes ao dia, também quando a pele está bem: o consumo conta-se em centenas de gramas por mês;
- aplicar sobre a pele ainda húmida, nos minutos a seguir ao banho;
- banho curto e com água morna, nunca quente, e produtos de limpeza sem sabão e sem perfume;
- secar com pequenos toques, sem esfregar a toalha;
- algodão junto à pele, sem lã e sem etiquetas rígidas;
- detergente sem perfume, enxaguamento duplo e nada de amaciador;
- unhas curtas e, nas crianças pequenas, luvas de algodão durante a noite;
- quarto fresco e humidificador na época de aquecimento.
Tratamento dos surtos
O que se segue é o tratamento dos surtos, que acompanha o cuidado diário e nunca o substitui.
- corticoides tópicos: a base de tudo. A potência escolhe-se conforme a zona do corpo e a idade, e usam-se em ciclos curtos, até a pele acalmar. O medo de os aplicar faz mais estragos do que os próprios corticoides: um surto mal tratado dura mais tempo e acaba por exigir mais tratamento;
- inibidores tópicos da calcineurina: para a face, as pálpebras e as pregas, e também para manutenção;
- tratamento proativo: aplicar o produto duas vezes por semana nas zonas que recaem sempre, de forma a espaçar os surtos;
- pensos húmidos nos surtos intensos, sob indicação médica;
- anti-histamínicos: ajudam sobretudo a dormir;
- antibióticos quando há infeção bacteriana confirmada;
- fototerapia nas formas extensas;
- fármacos sistémicos e terapêutica biológica nas formas graves: mudaram o prognóstico dos casos mais difíceis.
Sobre as alergias alimentares
É a dúvida mais repetida e a que gera mais erros. De um modo geral, a dermatite atópica não é causada pela alimentação. Numa parte dos lactentes com eczema moderado ou grave existe de facto uma alergia alimentar associada, mas isso confirma-se com estudo próprio e não por suspeita. Retirar alimentos «por precaução» empobrece a dieta, não melhora a pele e, em crianças pequenas, pode até favorecer o aparecimento de uma alergia verdadeira.
Perguntas frequentes
É contagioso? Não.
Vai passar? Em muitas crianças melhora bastante ou desaparece até à adolescência. Noutras persiste na idade adulta, sobretudo nas mãos.
Os corticoides tornam a pele mais fina? Com uso prolongado e mal orientado, sim. Em ciclos curtos e com a potência adequada a cada zona são seguros, e a alternativa — um surto que não acaba — é pior.
O mar ajuda? A muitas pessoas ajuda, mas depois é preciso tirar o sal com água doce e aplicar emoliente.
A culpa é dos nervos? O stress desencadeia surtos, mas a doença não é psicológica: há uma alteração real da barreira da pele.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico avalia as fotografias, ajusta a potência do corticoide a cada zona do corpo, monta uma rotina diária que seja realista no dia a dia, reconhece os sinais de infeção associada e ajuda a decidir se, neste caso concreto, faz sentido investigar alergias alimentares.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Revisto clinicamente por
Revisto a 19 de jul de 2026
Médicos online para Dermatite atópica (eczema atópico)
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