Eczema varicoso (dermatite de estase)
O eczema varicoso é aquela pele da perna que faz comichão, descama e vai escurecendo, quase sempre à volta do tornozelo.
Nesta página
- Que aspeto tem e o que se sente
- Porque aparece na pele se a causa está nas veias
- Compressão e pernas ao alto: aquilo que faz o resto funcionar
- Hidratar: a base aborrecida que sustenta tudo
- A pomada com corticoide: para que serve e o que não esperar dela
- «Sou alérgico ao creme»: muito frequente e muito importante
- Quando é preciso um médico hoje
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Eczema varicoso (dermatite de estase)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO PARA USO TÓPICO, 1 mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Organon Salud S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: CREME, 1 mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Glenmark Arzneimittel GmbhRequer receita médicaForma farmacêutica: POMADA, 1mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Glenmark Arzneimittel GmbhRequer receita médica
O eczema varicoso é aquela pele da perna que faz comichão, descama e vai escurecendo, quase sempre à volta do tornozelo. Também lhe chamam eczema venoso, de estase ou hipostático, e todos estes nomes dizem o mesmo: o problema não está na pele. A pele sofre por causa do que acontece por baixo dela, da pressão elevada nas veias da perna. Daqui sai a conclusão prática principal: o tratamento de fundo aqui não é uma pomada, mas a compressão e manter as pernas elevadas. A pomada apaga a inflamação, e isso é preciso, mas se a pressão nas veias continuar a mesma tudo volta ao fim de algumas semanas. Anda-se anos às voltas no círculo «o creme resultou, o creme deixou de resultar» exatamente por se estar a tratar a consequência.
Que aspeto tem e o que se sente
Costuma começar sem dar nas vistas: ao fim do dia a perna e o tornozelo incham um pouco, a pele fica seca e aparece comichão. Com o tempo o quadro torna-se reconhecível:
- secura e descamação, por vezes crostas e pequenas vesículas, e pele que exsuda nos surtos;
- comichão persistente que leva a coçar, com escoriações que cicatrizam mal;
- mudança de cor: na pele clara primeiro vermelhidão e depois manchas castanho-avermelhadas que ficam; na pele escura são áreas castanho-escuras, arroxeadas ou acinzentadas, mais difíceis de notar. O tom castanho não desaparece quando a inflamação acalma, porque é ferro do sangue que se infiltrou através da parede da veia;
- inchaço que de manhã baixa e ao fim do dia regressa — sinal muito típico de origem venosa;
- endurecimento e sensação de repuxamento da pele acima do tornozelo, com uma faixa dura e como que estrangulada enquanto a barriga da perna acima parece mais cheia (chama-se lipodermatosclerose);
- pequenas cicatrizes brancas sobre o fundo pigmentado;
- muitas vezes, embora nem sempre, veias dilatadas visíveis.
Pode afetar uma perna ou as duas e alterna surtos com períodos calmos. Não é contagioso e não se apanha de ninguém.
Porque aparece na pele se a causa está nas veias
Nas veias das pernas o sangue sobe contra a gravidade. Ajudam-no dois mecanismos: as válvulas dentro das veias, que impedem o sangue de recuar, e os músculos da barriga da perna, que a cada passo comprimem as veias e empurram o sangue para cima. Quando as válvulas deixam de fechar bem — depois de uma trombose, com varizes, com a idade — parte do sangue reflui e estagna. A pressão nos pequenos vasos da perna sobe, através da sua parede infiltram-se líquido e células do sangue para os tecidos, e o organismo responde com uma inflamação crónica. É precisamente ela que se vê por fora como eczema.
A probabilidade é maior se houver varizes, se tiver havido uma trombose venosa profunda, depois de traumatismos e cirurgias à perna, com excesso de peso, em trabalhos que obrigam a estar muito tempo de pé ou sentado sem se mexer, depois de várias gravidezes, com pouca mobilidade e com a idade. A hereditariedade também conta.
Esta página é sobre a pele da perna. Das veias em si — porque dilatam, quando convém tratá-las e com que métodos se faz hoje — fala a página sobre as varizes. Uma coisa decorre da outra, mas as perguntas são diferentes: ali o tema são os vasos, aqui é o que os vasos fazem à pele.
Compressão e pernas ao alto: aquilo que faz o resto funcionar
Se desta página houver uma coisa a levar, que seja esta. A meia de compressão apoia as veias por fora e não as deixa distender, ajuda os músculos a empurrar o sangue e tira o inchaço; e com o inchaço vai-se o que mantém a pele inflamada. Sem compressão, qualquer pomada dá apenas uma trégua.
Com uma condição importante: a classe de compressão é escolhida pelo médico, e antes disso ele tem de verificar o fluxo arterial da perna — apalpar o pulso do pé e, habitualmente, medir o índice tornozelo-braço comparando a tensão no tornozelo e no braço. Se as artérias estiverem estreitadas, comprimir a perna é perigoso. Por isso, nesta doença, as meias não se compram «a olho» na farmácia: são precisas a classe certa e a medida certa, tirada com fita.
Usá-las é mais suportável do que parece: calce-as de manhã assim que se levantar, antes de a perna inchar, e tire-as antes de deitar; tenha dois pares para que um esteja na máquina; se as mãos não chegarem, ajudam uma armação própria ou luvas de borracha. Se a meia se enrolar num cordão, apertar ou magoar, diga ao médico: esse cordão funciona como um garrote, e isso corrige-se, não se aguenta. Meia dada de si já não comprime, por isso substitui-se de poucos em poucos meses.
A compressão trabalha a par do movimento e das pernas ao alto. Várias vezes por dia vale a pena deitar-se vinte ou trinta minutos com as pernas sobre almofadas, de forma que os pés fiquem acima do nível do coração. Andar não é aqui um conselho genérico sobre desporto, mas um mecanismo concreto: a cada passo o gémeo funciona como uma bomba. Se tiver de estar muito tempo de pé ou sentado, ponha-se em bicos de pés e flita os tornozelos de meia em meia hora. Perder peso reduz bastante a carga sobre as veias.
Hidratar: a base aborrecida que sustenta tudo
Nesta doença a pele está seca, e a pele seca greta, faz comichão e deixa passar infeções. Por isso os emolientes não se usam por ciclos nem «quando está mau», mas de forma contínua, incluindo nos períodos calmos. Isso é o tratamento diário, não cosmética.
Como se faz bem. É preciso produto com fartura: cobre-se toda a perna, e não só as manchas visíveis, pelo menos duas vezes por dia e mais vezes se a secura for intensa. Não se esfrega: espalha-se com suavidade no sentido dos pelos, porque esfregar irrita a pele e pode inflamar os folículos. O melhor momento é logo a seguir ao duche, sobre a pele húmida. O sabonete e o gel trocam-se por um emoliente de lavagem, porque o sabonete comum resseca. E a água morna, não quente.
O produto escolhe-se pela secura: as pomadas são as mais gordas e retêm melhor a água, os cremes são o meio-termo, as loções são mais leves mas menos eficazes; pomada à noite e creme de dia é uma combinação prática. E uma precaução de que raramente se fala: os emolientes com parafina tornam o tecido inflamável — roupa e roupa de cama impregnadas pegam fogo com facilidade — por isso mantenha-se longe de chamas e não fume.
A pomada com corticoide: para que serve e o que não esperar dela
Quando o eczema entra em surto — a pele fica vermelha, exsuda, faz uma comichão insuportável — o médico prescreve um corticoide tópico. Apaga a inflamação depressa e é o tratamento certo: não é caso para ter medo.
Usa-se com regras. A potência é escolhida pelo médico: um produto fraco muitas vezes não faz nada na pele espessa da perna, e um potente não deve ser usado mais tempo do que o necessário. Aplica-se em camada fina e só nas zonas afetadas, normalmente uma vez por dia, em ciclos curtos de uma a duas semanas, continuando mais dois dias depois de o surto ter acalmado para que não volte logo. Se no mesmo dia se usar emoliente, deixam-se cerca de trinta minutos entre os dois. O uso contínuo e prolongado de um corticoide potente afina a pele e, na perna, onde a pele já é frágil, isso é particularmente indesejável.
E a limitação principal: a pomada tira a inflamação, mas não muda a pressão nas veias. Se depois de uma boa resposta tudo voltar ao fim de um mês, não quer dizer que a pomada seja má nem que o corpo «se habituou». Quer dizer que a tarefa de fundo — compressão e inchaço — continua por resolver. Recorra ao médico se o ciclo terminou e não há melhoria: pode ser preciso outra potência, ou o diagnóstico pode ser outro.
«Sou alérgico ao creme»: muito frequente e muito importante
Com a estase venosa, a pele da perna torna-se invulgarmente sensível ao que lhe põem em cima. Ao longo dos anos experimentam-se dezenas de produtos e, mais cedo ou mais tarde, surge uma reação de contacto: o eczema piora exatamente onde o creme foi aplicado, sai dos limites habituais e aparecem exsudação, vesículas e uma vermelhidão inchada. Costuma interpretar-se como «a doença agravou-se» e acrescentam-se medicamentos, ou seja, faz-se precisamente o que agrava.
Os culpados mais frequentes são a lanolina, os perfumes, os conservantes, os antibióticos contidos em pomadas, os componentes do adesivo dos pensos e por vezes os aditivos da borracha das meias de compressão. Vale a pena suspeitar se o agravamento coincidiu claramente com o início de um produto novo, ou se o eczema reproduz a forma da zona onde era aplicado.
Isto não se resolve a experimentar produtos na farmácia, mas com o médico. Existem as provas epicutâneas: cola-se nas costas um conjunto de substâncias durante dois dias e vê-se a que a pele reagiu. Dá uma resposta precisa e poupa anos de adivinhação. À parte disso: não aplique na perna antisséticos nem pomadas com antibiótico por sua iniciativa, porque são justamente esses que mais vezes desencadeiam esta reação. E proteja a pele das unhadas: unhas curtas, algo fresco quando a comichão aperta, e emoliente. Nesta pele uma escoriação transforma-se em úlcera com facilidade.
Quando é preciso um médico hoje
Um surto vulgar de eczema pode esperar: marca-se consulta para os dias seguintes. Mas esta doença tem complicações em que o prazo não se conta em semanas.
Recorra ao médico no próprio dia se a pele da perna ficou quente, de um vermelho vivo (na pele escura, nitidamente mais escura, lustrosa e repuxada) e dolorosa, se a vermelhidão se alastra depressa, se surgiu febre com arrepios e se sente prostrado. É assim que se manifestam a erisipela e a celulite infeciosa, uma inflamação bacteriana da pele e do tecido subjacente. Tratam-se com antibióticos, e quanto mais cedo se começar mais ligeira é a doença. Distinguem-se de um surto de eczema por três coisas: dor em vez de comichão, calor na própria pele e mal-estar geral. Se o estado piorar depressa, se a febre for alta ou surgirem confusão ou fraqueza acentuada, chame uma ambulância; em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número único 112.
Uma ferida na perna que não fecha é uma úlcera venosa, e trata-se com o médico, não em casa. Se uma escoriação ou uma zona exsudativa não fechou em duas semanas, a automedicação deixa de ser inofensiva. A úlcera trata-se com ligadura compressiva e pensos regulares escolhidos e vigiados por um profissional, ao passo que os antisséticos caseiros, a água oxigenada e os emplastros improvisados danificam o tecido que está a tentar cicatrizar e fazem perder tempo. A cicatrização leva semanas ou meses e, começada a tempo, corre bastante mais depressa.
Mais um motivo para ser observado no próprio dia: se de repente inchar uma perna inteira, com dor ou tensão na barriga da perna e pele quente. Sobre um problema venoso já existente isso pode ser uma trombose venosa profunda, que exige avaliação urgente. E se a isso se juntarem falta de ar, dor no peito ou sangue ao tossir, chame imediatamente uma ambulância.
Consulta em linha
É uma doença que se acompanha durante anos, e a maior parte das dúvidas resolve-se a falar, não a observar. Em linha é cómodo perceber porque é que a secura e a comichão na perna têm que ver com as veias e não com uma «alergia» ou com falta de higiene; o que significam as manchas castanhas e o endurecimento acima do tornozelo; e como montar uma rotina diária que se consiga mesmo cumprir — quantas vezes o emoliente, quando a pomada, quando a meia.
O médico ajudará a ler a composição dos produtos que já usa quando se suspeita de reação de contacto, explicará porque se verifica o fluxo arterial antes da compressão, orientará sobre como calçar as meias quando não há maneira, e dirá quando faz sentido discutir o tratamento das próprias veias com um cirurgião vascular. É útil enviar fotografias com boa luz e repetidas ao longo do tempo.
Os limites de uma conversa à distância são simples. A compressão não se pode prescrever sem observar a perna e sem apalpar o pulso do pé. Uma úlcera não se trata por fotografia. E se a pele estiver quente, muito vermelha e dolorosa, ou se houver febre, não é uma consulta que é precisa, mas um médico presencialmente e hoje.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Eczema varicoso (dermatite de estase)
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