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Medicamentos habitualmente prescritos para Enxaqueca
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 100 mg/mlSubstância ativa: levetiracetamFabricante: Zentiva K.S.Requer receita médicaForma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 100 mg/mlSubstância ativa: levetiracetamFabricante: Pfizer Europe Ma EeigRequer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 1000 mgSubstância ativa: levetiracetamFabricante: Aristo Pharma Iberia S.L.Requer receita médica
A enxaqueca não é uma simples dor de cabeça forte, mas uma perturbação do funcionamento do cérebro que surge em crises: a dor dura horas ou dias e, com ela, a luz, os ruídos e os cheiros tornam-se insuportáveis. A crise afasta a pessoa de tudo o que estava a fazer, e é esse o seu traço distintivo: com uma dor de cabeça vulgar a vida continua; com uma enxaqueca só apetece fechar os estores e deitar-se. Quase sempre é possível controlá-la, mas não com um analgésico nem numa única consulta.
Como decorre uma crise
A dor clássica da enxaqueca é pulsátil, irradia para o olho ou para a têmpora, costuma ficar de um lado da cabeça e agrava com qualquer movimento: subir escadas ou baixar-se torna-se penoso. Juntam-se náuseas, por vezes vómitos, e uma forte aversão à luz, aos sons altos e aos cheiros intensos. Sem tratamento, a crise dura de algumas horas a três dias.
Doer rigorosamente metade da cabeça não é condição obrigatória. Nas crianças e nos adolescentes a enxaqueca dói muitas vezes dos dois lados e na testa, as crises são mais curtas e o que se destaca são as náuseas, a palidez e a sonolência.
Um ou dois dias antes da dor, muita gente nota sinais prévios: bocejos, moleza, vontade de doces, rigidez no pescoço, irritabilidade ou, pelo contrário, uma energia invulgar. Quem aprende a reconhecê-los ganha algumas horas e chega preparado à crise. E quando a dor passa fica ainda um dia de "ressaca de enxaqueca", com apatia e cabeça enevoada; faz parte da crise e não é um problema separado.
A aura: o que acontece antes da dor
Em cerca de um terço das pessoas a crise é precedida de aura, uma alteração breve e reversível do funcionamento do córtex cerebral. É mais frequentemente visual: no campo de visão aparece uma mancha cintilante ou um arco luminoso em ziguezague que se alastra devagar para o lado e deixa atrás de si uma zona cega. Menos vezes surgem dormência e formigueiro que sobem dos dedos ao antebraço e a metade da cara, ou dificuldade em falar, com palavras que se atrapalham ou que não aparecem.
A aura instala-se aos poucos, dura entre cinco minutos e uma hora e passa sem deixar rasto; depois começa a dor de cabeça. Por vezes surge sozinha, sem dor nenhuma — acontece em pessoas de idade mais avançada e é bastante desconcertante.
A diferença essencial em relação a um acidente vascular cerebral está justamente nessa instalação gradual e na reversibilidade. No AVC as alterações aparecem de repente, com toda a intensidade, e não desaparecem. Se os sintomas surgirem de uma só vez, durarem mais de uma hora, atingirem sempre o mesmo lado ou a aura aparecer pela primeira vez em idade adulta, isso estuda-se à parte e não se atribui à enxaqueca.
O que desencadeia as crises
A enxaqueca é hereditária: a maioria dos doentes tem um familiar próximo que também sofria de dores de cabeça. A predisposição por si só não provoca a crise; o que a desencadeia são as mudanças no ritmo habitual.
Os desencadeantes mais frequentes são uma refeição saltada, dormir pouco ou, pelo contrário, prolongar o sono ao fim de semana, a desidratação, o álcool, uma mudança brusca na quantidade de café, a menstruação, a luz a tremeluzir, os cheiros intensos e as mudanças de tempo. Vale a pena notar que a dor chega muitas vezes não no auge da tensão, mas quando esta afrouxa: à sexta-feira à tarde ou no primeiro dia de férias.
Tentar reter os desencadeantes de memória não resulta: costumam ser vários e somam-se. Ajuda um diário com a data, a duração, a intensidade da dor, o que se comeu e como se dormiu na véspera, que medicamento se tomou e quanto tempo levou a fazer efeito. Em dois ou três meses as regularidades tornam-se visíveis, e com esse diário é muito mais fácil ao médico ajustar o tratamento. Já cortar alimentos com base em listas da internet não compensa: as dietas rígidas empobrecem mais a vida do que reduzem as crises.
O que fazer quando a crise começa
O que decide é a rapidez. O medicamento tomado na primeira hora, com a dor ainda ligeira, funciona bastante melhor do que o mesmo medicamento tomado no auge: no pico da crise o estômago abranda e o comprimido é simplesmente pior absorvido. Aguentar à espera de que passe é a pior estratégia.
Depois ajuda tudo o que retira estímulos: um quarto sossegado e às escuras, uma compressa fresca na testa ou na nuca, dormir. A muitas pessoas o alívio chega precisamente quando conseguem adormecer. Beba água e tente comer alguma coisa, se as náuseas o permitirem. Um café logo no início corta às vezes a crise, mas contar com ele todos os dias acaba por gerar novas dores.
Se as crises forem frequentes, combine antecipadamente um plano com o médico: o que tomar primeiro, o que fazer se ao fim de duas horas nada aconteceu e quando se pode repetir a dose. Ter esse plano no bolso é bem mais tranquilizador do que decidir de cada vez no momento.
Os medicamentos e a armadilha dos analgésicos
Começa-se pelo simples: anti-inflamatórios não esteroides ou paracetamol em dose suficiente. A crianças e adolescentes não se dá aspirina. Se as náuseas atrapalharem, o médico junta um antiemético, que além de as aliviar acelera a absorção do analgésico.
Quando isso não chega, recorre-se aos triptanos, medicamentos que atuam sobre o próprio mecanismo da crise e não apenas sobre a dor. Tomam-se ao primeiro sinal de dor, mas não durante a aura. Os triptanos não servem a toda a gente: não se prescrevem em hipertensão não controlada, em doença coronária nem depois de um AVC, e aqui é preciso falar com o médico e não seguir um conselho ao balcão. Existe ainda uma classe mais recente, os gepantos, que bloqueiam a proteína CGRP e se usam quando os triptanos não resultaram.
Os analgésicos com codeína e outros opioides é melhor evitá-los na enxaqueca: funcionam mal e arrastam depressa para um círculo vicioso, a cefaleia por uso excessivo de medicamentos, em que a toma frequente de analgésicos passa a manter a dor por si mesma. A referência é simples: se for preciso tratar a dor mais de dois dias por semana durante vários meses, o que se muda é o tratamento e não a dose. A suspensão faz-se com o médico, porque as primeiras semanas a seguir costumam ser piores do que antes.
Quando é preciso tratamento preventivo
O tratamento preventivo consiste em tomar um medicamento todos os dias, não para cortar a crise, mas para que haja menos crises. Coloca-se a questão quando a dor surge várias vezes por mês, quando as crises são intensas e afastam do trabalho, quando é preciso tomar analgésicos demasiadas vezes ou quando estes estão contraindicados.
As opções são muitas e dependem em boa parte do que a pessoa tem além da enxaqueca: bloqueadores beta e outros medicamentos que baixam a tensão arterial, alguns antiepiléticos, antidepressivos em doses baixas e, nas enxaquecas frequentes e resistentes, os medicamentos injetáveis contra o CGRP e as injeções de toxina botulínica. A mulheres que possam engravidar não se prescrevem certos antiepiléticos por causa do dano no feto; é por isso que a pergunta se faz antes.
O essencial é sabê-lo antecipadamente: a prevenção não funciona de imediato. Faz sentido avaliá-la ao fim de mês e meio a dois meses na dose acertada, e considera-se um êxito reduzir o número de crises para cerca de metade, não fazê-las desaparecer. O ciclo dura alguns meses e depois tenta-se suspender o medicamento. Do que não é farmacológico, trazem benefício o sono regular, o movimento e o trabalho sobre o stress.
Enxaqueca, menstruação e contraceção
Em muitas mulheres as crises estão ligadas ao ciclo e caem nos dias que antecedem a menstruação e nos primeiros dias do fluxo. São crises mais intensas e respondem pior aos remédios habituais, mas são previsíveis: conhecendo o ciclo, o tratamento pode começar antes, e o médico ajustará um esquema para esses poucos dias.
Um assunto à parte e importante é a contraceção hormonal. A enxaqueca com aura aumenta ligeiramente por si só o risco de AVC isquémico, e os contracetivos combinados, que contêm estrogénio, aumentam-no ainda mais. Por isso, na enxaqueca com aura não se usam habitualmente as pílulas, os adesivos nem os anéis combinados; restam os métodos só com progestativo, o dispositivo intrauterino e as opções não hormonais. Fumar multiplica ainda mais esse risco. Se a aura aparecer pela primeira vez já durante a toma de um contracetivo combinado, suspende-se e procura-se o médico.
Na gravidez a enxaqueca atenua-se na maioria das mulheres, sobretudo passados os primeiros meses. Mas os medicamentos também mudam: parte dos habituais não serve na gravidez, pelo que o esquema se revê antes da conceção e não depois do facto consumado. Durante a amamentação há igualmente opções, apenas são outras.
Quando são precisas ambulância e exames
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia, número único 112) se:
- a dor surgiu de repente e atingiu o máximo em segundos, como uma pancada na cabeça — é a mais perigosa das dores de cabeça;
- com a dor apareceram fraqueza num braço ou numa perna, boca ao lado, fala confusa, perda de visão, convulsões, confusão, ou não é possível acordar a pessoa;
- a febre alta se junta à impossibilidade de encostar o queixo ao peito, à intolerância à luz ou a uma erupção que não empalidece à pressão;
- a dor de cabeça forte começou depois de uma pancada na cabeça ou de uma queda.
Não conduza sozinho nem espere pela manhã seguinte.
Marque consulta com o médico de família, sem alarme mas sem adiar, se as crises se tornaram mais frequentes ou mudaram de carácter, se a cabeça dói de manhã com vómitos, agrava deitado, com a tosse ou com esforço, ou se uma dor de cabeça forte aparece pela primeira vez em idade adulta. Depois dos cinquenta anos, a dor acompanhada de couro cabeludo dolorido e de maxilar que cansa a mastigar aponta para uma inflamação das artérias que, sem tratamento, pode custar a visão. E uma dor de cabeça na segunda metade da gravidez ou pouco depois do parto obriga a medir a tensão arterial nesse mesmo dia.
Não existe análise nem imagem que confirme uma enxaqueca: o diagnóstico faz-se com a entrevista, o diário de crises e o exame, que inclui medir a tensão e uma avaliação neurológica. A tomografia não se pede por precaução, mas quando o quadro é atípico ou há sinais de alarme. Uma imagem normal não afasta a enxaqueca nem substitui o tratamento.
Consulta em linha
A enxaqueca é um dos temas em que falar com o médico à distância equivale quase à consulta presencial: aqui o diagnóstico assenta no relato e não no exame. Na consulta analisa-se o diário de crises, separa-se a enxaqueca da cefaleia de tensão e da provocada por excesso de analgésicos, explica-se por que motivo o comprimido do costume deixou de resultar e traça-se um plano: o que tomar no início, o que fazer se não resultar e se é altura de prevenção.
Em linha é cómodo tratar também aquilo que se esquece de perguntar na consulta presencial: a compatibilidade da enxaqueca com a contraceção, o planeamento de uma gravidez, o comportamento das crises com voos e turnos de trabalho, e como abandonar em segurança os analgésicos diários. Os limites são claros: observar o fundo do olho e avaliar o estado neurológico não se faz por ecrã, e perante uma dor súbita e nunca sentida antes ou perante alterações neurológicas, o que é preciso não é um telefonema, mas uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Enxaqueca
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