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Medicamentos habitualmente prescritos para Epilepsia
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg/mlSubstância ativa: levetiracetamFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg/mlSubstância ativa: levetiracetamFabricante: Industria Quimica Y Farmaceutica Vir S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg/mlSubstância ativa: levetiracetamFabricante: Aurovitas Spain, S.A.U.Requer receita médica
As células do cérebro falam entre si através de descargas elétricas e, normalmente, essa conversa é ordenada. Às vezes a ordem quebra-se: um grupo grande de células descarrega ao mesmo tempo e em desalinho. Enquanto isso dura, a pessoa não comanda a parte de si que depende da zona excitada, e daí vêm a queda, as convulsões, o cheiro a queimado que mais ninguém sente, o minuto que desaparece da memória. A essa falha chama-se crise, e as crises que se repetem por si próprias chamam-se epilepsia. É uma palavra pesada para uma coisa bastante controlável: na maioria das pessoas o medicamento certo elimina as crises por completo.
Que aspeto tem uma crise
Uma crise nem sempre é uma queda com convulsões e, por causa desse equívoco, muita gente passa anos sem ligar as suas estranhezas à epilepsia.
A descarga pode começar numa zona pequena do córtex e ficar por ali. A pessoa está então consciente, mas sente algo que não existe: uma sensação a subir do estômago para a garganta, um cheiro intenso, um sabor a metal, formigueiro num braço, um golpe de medo sem motivo, a impressão de que aquilo já aconteceu antes. Dura segundos e repete-se sempre com o mesmo guião, e é essa repetição que denuncia. Se a descarga avança, a consciência turva-se: a pessoa fica imóvel, estala os lábios, mexe na roupa, não responde ao próprio nome e depois não se lembra de nada.
Crises em que a consciência se desliga logo de início:
- um vazio de alguns segundos, com a frase cortada a meio. Nas crianças atribui-se à distração, e os episódios podem ser dezenas por dia;
- um estremecimento dos braços ou de todo o corpo, como um sobressalto, sobretudo na primeira hora depois de acordar: a chávena voa das mãos e esse é o único rasto;
- os músculos ficam rígidos de repente ou, pelo contrário, cedem, e a pessoa cai como um saco e recupera quase de imediato; estas quedas são perigosas pelos traumatismos na cabeça;
- aquilo que se costuma imaginar ao ouvir a palavra epilepsia: um grito, a queda, o corpo a ficar rígido e depois abalos rítmicos. Os lábios ficam azulados, é frequente morder a língua e pode haver perda de urina.
Uma crise maior dura um ou dois minutos e acaba sozinha, mas a pessoa não volta a si num instante: dorme, depois acorda destroçada, com dores de cabeça, e pode não perceber onde está. Isso leva até uma hora e faz parte da crise, não é uma complicação.
Uma crise à sua frente
A ajuda consiste quase inteiramente em não fazer nada, o que custa mais do que parece: a crise não se pode interromper, só se pode esperar que passe, evitando que a pessoa se magoe.
- Veja as horas. Da duração depende chamar ou não os socorros, e no meio do nervosismo dois minutos parecem dez.
- Afaste tudo aquilo contra o qual se possa embater, ponha algo mole debaixo da cabeça, desaperte a gola.
- Não a segure nem tente esticar-lhe os membros: as convulsões não param à força, e é assim que surgem as luxações.
- Não lhe meta nada na boca, nem uma colher nem os dedos. Engolir a língua é impossível, é um mito, ao passo que partir dentes ou perder um dedo não é.
- Quando os abalos pararem, vire-a de lado e incline-lhe ligeiramente a cabeça para trás: a saliva sai para fora e não para a via respiratória.
- Não lhe dê de beber nem de comer enquanto não estiver totalmente lúcida, fique por perto e explique-lhe em poucas palavras o que aconteceu.
Nem todas as crises exigem hospital: quem convive há anos com a epilepsia recupera de uma crise habitual e segue o dia, e muitas vezes traz consigo um medicamento de emergência para administrar na bochecha ou pelo nariz, aplicado por familiares treinados segundo o esquema combinado com o médico. Chama-se o socorro quando acontece algo fora desse guião habitual:
- é a primeira crise da vida;
- as convulsões duram mais de cinco minutos e não dão sinais de parar;
- as crises sucedem-se e, entre uma e outra, a pessoa não recupera a consciência;
- a consciência não regressa passada meia hora, a fala continua confusa ou um lado do corpo está mais fraco;
- a respiração não se restabeleceu e a cara continua azulada;
- a crise ocorreu dentro de água, em altura, ao volante ou com uma lesão importante, sobretudo na cabeça;
- trata-se de uma grávida ou de uma pessoa com diabetes, ou a crise veio a seguir a uma intoxicação ou acompanhada de febre alta, dores de cabeça fortes e rigidez da nuca.
Uma crise que se arrasta não é apenas uma crise mais longa. Quando a descarga não se apaga sozinha, chama-se estado de mal epilético: falta oxigénio ao cérebro e a lesão acumula-se tanto mais depressa quanto mais tudo durar. Interrompe-se com medicação por via venosa, e o limite dos cinco minutos existe precisamente para que ninguém tenha de adivinhar. O número de emergência em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia é o mesmo: 112. Enquanto a ambulância não chega, repare em como tudo começou e se um dos lados se agitava mais do que o outro; o próprio doente não o conseguirá contar.
Porque é que o cérebro falha
Em cerca de metade dos casos não se encontra a causa, nem sequer depois de um bom estudo. Isso não quer dizer que se tenha procurado mal: a tendência para descarregar pode estar no próprio funcionamento das células nervosas e não aparecer em imagem nenhuma. Do que se encontra, o mais frequente são particularidades genéticas, não necessariamente herdadas, já que a alteração pode surgir pela primeira vez naquela pessoa; uma cicatriz ou uma malformação do córtex depois de um traumatismo craniano, de um parto difícil ou de uma meningite; e as sequelas de um acidente vascular cerebral, de longe a causa mais comum quando as crises começam depois dos cinquenta.
Há causas raras, mas é por causa delas que o estudo se faz por inteiro. Uma crise pode ser a primeira manifestação de um tumor cerebral, não necessariamente maligno, e quanto mais cedo for visto, mais simples é lidar com ele. Do mesmo modo começam a encefalite autoimune, em que o sistema imunitário ataca as próprias células nervosas, e as malformações vasculares. Devem alertar as crises que ficam mais frequentes de mês para mês e começam sempre da mesma maneira e do mesmo lado do corpo, sobretudo se surgirem dores de cabeça matinais, uma mudança de carácter, falhas de memória ou uma fraqueza crescente num braço.
Também há convulsões em pessoas sem epilepsia: por uma descida brusca da glicemia, por intoxicação e, muito em particular, pela suspensão repentina de álcool ou de comprimidos para dormir após uso prolongado. Aí trata-se a causa, não o cérebro.
Como se confirma o diagnóstico
Uma crise isolada ainda não é epilepsia. O diagnóstico faz-se quando houve pelo menos duas crises surgidas por si próprias, ou quando o estudo depois da primeira mostra com clareza que virão mais.
O mais valioso aqui não é o aparelho, é o relato. Se alguém assistiu à crise, traga essa pessoa à consulta: os cinco minutos dela valem mais do que muitos exames. Um vídeo gravado com o telemóvel é hoje também parte habitual do diagnóstico. Depois costumam pedir-se:
- um eletroencefalograma. Vale a pena perceber uma coisa: um traçado normal não afasta o diagnóstico. Entre crises o quadro é muitas vezes tranquilo e tem de ser perseguido, com uma noite sem dormir na véspera, com uma sesta ou com um registo ao longo de vinte e quatro horas;
- uma ressonância magnética do cérebro, que procura o que se pode ver: uma cicatriz, uma malformação, um tumor. É precisa uma ressonância com protocolo próprio para a epilepsia; a tomografia comum é demasiado grosseira para isto;
- um eletrocardiograma e, por vezes, um registo do ritmo ao longo do dia. Não é uma formalidade: uma arritmia corta o fluxo de sangue ao cérebro e parece muitíssimo uma crise, mas trata-se de forma completamente diferente;
- análises ao sangue e, se as crises começaram na primeira infância ou há casos parecidos na família, um estudo genético.
Há ainda uma armadilha à parte: as crises de origem psicológica, por fora indistinguíveis das epiléticas. São reais, a pessoa não as inventa, mas os medicamentos antiepiléticos não lhes fazem absolutamente nada. O que as distingue é o vídeo registado em conjunto com o eletroencefalograma, e aqui um diagnóstico exato muda todo o tratamento.
Como se trata
A base são os medicamentos que impedem que as descargas se propaguem. Não se tomam em ciclos, mas de forma contínua, todos os dias à mesma hora. O fármaco escolhe-se conforme o tipo de crise, a idade, o sexo, outras doenças e a restante medicação: o que funciona muito bem numas crises pode agravar outras, pelo que copiar a receita de um conhecido é aqui particularmente desaconselhável. Começa-se com uma dose baixa e sobe-se aos poucos; se o primeiro não servir, experimenta-se um segundo. A duas em cada três pessoas basta um único medicamento bem escolhido para as crises pararem por completo. Se dois fármacos adequados em doses suficientes não resultaram, andar a experimentar um terceiro e um quarto tem pouco futuro: é altura de recorrer a um centro especializado.
Regras que pesam mais do que a escolha do comprimido concreto:
- falhar uma dose é a causa mais frequente de recaída. Um alarme, uma caixa semanal de comprimidos, uma reserva na mala e em viagem;
- não interrompa o tratamento de repente nem altere a dose por sua conta: uma suspensão brusca provoca não só uma crise, mas muitas vezes uma crise prolongada;
- avise qualquer médico e qualquer farmacêutico. As interações são muitas e algumas nada evidentes, desde antibióticos até ao hipericão de um chá de ervas;
- se não há crises há vários anos, o especialista pode propor retirar o medicamento aos poucos. É uma decisão a discutir: uma parte das crises regressa, e na balança entram o trabalho, a condução e os planos de gravidez.
Quando os medicamentos não seguram as crises, o que resta nada tem de exótico. Se for possível localizar com precisão o pequeno foco de onde tudo parte, é removido cirurgicamente, e na epilepsia do lobo temporal essa é a opção com melhores resultados. Existem dispositivos implantáveis que estimulam o nervo vago. Nas crianças com formas graves funciona a dieta cetogénica, mas é um regime rigoroso acompanhado por um dietista, não uma iniciativa caseira.
Gravidez e contraceção
Uma mulher com epilepsia pode levar uma gravidez até ao fim e ter um filho saudável: essa é a regra e não a exceção. Mas a preparação começa muito antes da conceção. Alguns medicamentos antiepiléticos prejudicam seriamente o bebé, ao aumentarem o risco de malformações e de perturbações do desenvolvimento do sistema nervoso. Procura-se não os receitar a mulheres que possam engravidar e, quando não há alternativa, apenas em conjunto com uma contraceção fiável e uma conversa detalhada sobre os riscos. Há também dados sobre a toma destes fármacos pelo pai, pelo que a conversa diz respeito aos dois membros do casal.
- o esquema seguro define-se antes da conceção e não depois de um teste positivo: os órgãos do bebé formam-se nas primeiras semanas, quando muitas vezes ainda não se sabe da gravidez;
- o ácido fólico começa-se com antecedência e a dose é indicada pelo médico; na epilepsia costuma ser mais alta do que a habitual;
- alguns fármacos reduzem a fiabilidade da pílula, e certos contracetivos, por sua vez, baixam a concentração do antiepilético no sangue. Isto resolve-se com o médico e não pelo folheto da embalagem;
- ao saber da gravidez, não abandone o medicamento. Uma crise é mais perigosa para o bebé do que a maioria dos fármacos; contacte o especialista e o esquema será revisto com calma;
- amamentar é normalmente possível, e convém dar banho ao bebé sempre com alguém por perto.
O que depende de si
As crises raramente aparecem do nada. Faça um diário: data e hora, o que aconteceu na véspera, quantas horas dormiu, o que tomou, em que dia do ciclo estava. Ao fim de um par de meses o padrão costuma revelar-se sozinho. O que mais provoca uma recaída é a falta de sono e os horários desfeitos, uma dose esquecida, o álcool (sobretudo na manhã a seguir a uma quantidade grande), a febre alta e o stress intenso. As luzes intermitentes são perigosas para uma minoria apreciável de pessoas com epilepsia, mas, se essa sensibilidade estiver confirmada, convém evitar estroboscópios.
A segurança constrói-se à volta de uma ideia simples: uma crise pode apanhá-lo a qualquer segundo, e nesse segundo não deve haver nada de letal por perto.
- duche em vez de banheira e uma porta que não feche com trinco por dentro;
- não nadar sozinho, nem no mar nem na piscina: a água continua a ser a principal causa de acidentes;
- na cozinha, o bico de trás, as pegas dos tachos viradas para dentro e o micro-ondas em vez da chama quando se está sozinho em casa;
- proteger cantos e radiadores, explicar a familiares e colegas o que devem fazer e trazer um cartão ou uma pulseira com o diagnóstico e a medicação;
- nada de trabalhos em altura nem com máquinas em movimento enquanto as crises não estiverem controladas.
Sobre a condução vale a pena ser direto: uma crise ao volante é perigosa para quem conduz e para todos os outros. Em todos os países onde trabalhamos só se volta a conduzir depois de um determinado período sem crises, mas esse prazo e a papelada variam de país para país, por isso devem ser confirmados nas regras locais e não no relato de alguém na internet. Esconder a epilepsia ao tirar a carta é mau negócio: perante um acidente, traz consequências legais e junto do seguro.
E uma coisa de que não se gosta de falar, e mal: raramente uma pessoa com epilepsia morre de repente, à noite, sem afogamento, sem traumatismo e sem uma crise prolongada, e não se encontra outra causa. É um acontecimento raro, e o importante é que o risco desce de forma nítida. É mais alto em quem continua a ter crises convulsivas maiores, sobretudo noturnas, em quem toma a medicação de forma irregular e em quem vive sozinho. Daí o que vale a pena fazer: conseguir o controlo das crises, não falhar doses, dormir o suficiente e falar à parte com o médico sobre as crises noturnas.
Consulta em linha
A consulta à distância cobre bem muitas das questões que a epilepsia levanta e que não exigem observação presencial. Se a crise foi a primeira, o médico avalia pelo relato e pelo vídeo com o que se parece e por onde começar os exames, para não se perderem meses em coisas inúteis. Se o diagnóstico é antigo, em linha é cómodo tratar de crises que se tornaram mais frequentes, de efeitos secundários, da compatibilidade com outros medicamentos, do planeamento de uma gravidez e da contraceção, além de ler o diário em conjunto e encontrar nele o fator desencadeante. O médico ajuda a redigir um plano claro para a família: o que fazer durante uma crise e em que momento chamar o socorro. Perante uma crise prolongada, várias crises seguidas ou uma primeira crise com lesão, não é uma consulta que é precisa, é uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Epilepsia
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