Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Espondilolistese (deslizamento de uma vértebra)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO EFERVESCENTE, 1 gSubstância ativa: paracetamolFabricante: Accord Healthcare S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 500 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Kern Pharma S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Farmalider S.A.Requer receita médica
A espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra para a frente sobre aquela que está por baixo. Acontece quase sempre na zona lombar, sobretudo nas duas vértebras mais baixas. A palavra assusta, e quem a lê pela primeira vez num relatório de radiologia costuma imaginar uma coluna a desfazer-se. A realidade é outra: na maioria das pessoas o deslizamento é pequeno, mantém-se igual durante anos e aparece por acaso, numa radiografia pedida por um motivo completamente diferente. Esta página explica quando esse achado não significa nada, quando é ele que explica a dor e em que casos não se pode esperar.
O que é que desliza
Uma vértebra não se aguenta apenas pelo disco. Atrás tem um arco ósseo com duas saliências que engatam nas vértebras vizinhas, como ganchos, e impedem o corpo do osso de seguir para a frente. O deslizamento começa quando esse fecho posterior deixa de segurar.
Ele falha por dois caminhos muito diferentes, e quase tudo o resto depende de qual deles foi.
- Surge uma fissura no arco: uma fratura de sobrecarga minúscula, causada por arquear as costas para trás vezes sem conta. Acontece em adolescentes e em jovens desportistas, e tem mais abaixo um capítulo próprio.
- As pequenas articulações e os ligamentos desgastam-se. Isto surge a partir dos cinquenta anos, mais em mulheres; o arco está intacto, mas as articulações achatam-se e ficam laxas e o disco perde altura. É de longe a variante mais frequente.
Com menos frequência, o deslizamento deve-se à conformação com que se nasceu, a um traumatismo grave, a uma cirurgia anterior à coluna ou a uma doença que enfraquece o osso.
A dimensão do deslizamento descreve-se em quartos: a vértebra moveu-se um quarto da sua largura, metade, e assim por diante. Os dois primeiros graus abrangem a grande maioria dos casos. E convém dizê-lo já: o grau da imagem corresponde mal àquilo que a pessoa sente. Um deslizamento pequeno pode doer durante anos e um deslizamento aparatoso pode não dar queixa nenhuma.
Como se sente
A dor típica é lombar: surda, espalhada ao longo das costas em vez de concentrada num ponto, por vezes com a sensação de que a zona baixa está a ceder. Tem um comportamento reconhecível, e é esse comportamento que levanta a suspeita:
- piora de pé e ao caminhar muito tempo, alivia ao sentar-se;
- piora ao arquear para trás: alcançar uma prateleira alta, pintar um teto, recostar-se numa poltrona;
- alivia ao inclinar-se para a frente: estas pessoas percorrem um supermercado apoiadas no carrinho, ou andam de bicicleta, com muito mais facilidade do que ficam paradas de pé numa fila;
- irradia para as nádegas e para a face posterior das coxas, e os isquiotibiais sentem-se curtos e tensos.
Se o deslizamento estreita o espaço por onde passa uma raiz nervosa, aparece um segundo tipo de dor: uma descarga que desce por uma perna abaixo do joelho, com dormência ou formigueiro. Há também outro padrão: as pernas ficam pesadas e adormecidas ao fim de algumas centenas de metros a andar e obrigam a parar, mas basta um minuto sentado ou inclinado para a frente para se poder seguir.
E a forma mais comum de todas: nenhum sintoma. Muitíssimos deslizamentos acompanham a pessoa em silêncio a vida inteira.
A dor lombar de um adolescente não é «do crescimento»
Este capítulo é para pais de miúdos que praticam desporto. Nas modalidades em que as costas arqueiam para trás repetidamente — ginástica artística, acrobática, saltos para a água, luta, halterofilia, dança, remo — o arco da última vértebra lombar leva pancada atrás de pancada e pode fissurar. É uma fratura de sobrecarga, igual em essência às que os corredores apanham no pé.
Como se apresenta: dor lombar, quase sempre de um só lado, que surge durante ou depois do treino e agrava muito ao arquear para trás e ao apoiar-se sobre uma perna com as costas arqueadas. O miúdo começa a evitar certos exercícios e fala de umas costas «puxadas» que há semanas não melhoram.
Uma dor lombar num adolescente que dura mais de duas semanas, ou que o impede de treinar, é motivo para consulta e não para esperar. Não se pode atribuir ao crescimento: na zona lombar não existem «dores de crescimento», e nas crianças a dor nas costas tem uma causa concreta muito mais vezes do que nos adultos.
Porque é que os prazos pesam tanto: uma fissura recente, com repouso da carga que a provocou, consolida muitas vezes em algumas semanas ou meses, por vezes com um colete, e a história acaba aí. Uma fissura que passa despercebida transforma-se num defeito permanente e a vértebra inicia o seu deslizamento lento, desta vez sem retorno. Entre estes dois desfechos estão dois meses e uma consulta.
Quando isto é uma urgência
Há alguns sinais que indicam compressão do feixe de nervos no fundo do canal vertebral. São raros, mas quando aparecem o tempo conta-se em horas e o atraso deixa sequelas permanentes.
- Dormência na virilha, nos genitais ou na face interna das coxas, a zona que toca no assento. Pode dar a sensação de que a pele é de outra pessoa, ou de que está ali papel ou um penso.
- Dificuldade em urinar: não se consegue começar, não se sente a bexiga a encher nem a vontade de ir, não se sente o jato, ou a urina escapa-se.
- Perda do controlo intestinal ou da sensibilidade ao evacuar.
- Fraqueza nas pernas que vai aumentando: o pé deixa de levantar e bate no chão ao andar, torna-se difícil erguer-se de uma cadeira ou subir escadas.
- Dormência nas duas pernas ao mesmo tempo.
- Perda súbita de sensibilidade na zona genital.
Com qualquer um destes sinais é preciso ir à urgência de imediato, nessa mesma hora e não mais tarde no mesmo dia. Se chegar lá por meios próprios não for viável, chame uma ambulância: na Europa o número único de emergência é o 112.
À parte disso, vale a pena consultar no próprio dia, embora sem carácter urgente, se a dor nas costas começou depois de uma queda ou de um acidente, se vem acompanhada de febre, ou se acorda a pessoa durante a noite e se associa a perda de peso.
Como se chega ao diagnóstico
O exame principal é uma radiografia lombar de perfil, e tem de ser feita de pé. Deitado, o deslizamento reduz-se em parte e a imagem pode parecer quase normal. Por vezes acrescentam-se duas incidências, uma a inclinar para a frente e outra a arquear para trás, para ver se a vértebra se move de um lado para o outro: isso muda a conduta.
Se houver dor, dormência ou fraqueza numa perna pede-se uma ressonância magnética, que mostra não o osso mas os nervos e o espaço que lhes resta. A tomografia computorizada é o que melhor vê a fissura do arco. Num adolescente com o quadro descrito acima os exames não se adiam, porque uma fratura recente muitas vezes ainda não se vê na radiografia simples.
Na consulta o médico vai pedir que se incline e que arqueie, avaliará a força, a sensibilidade e os reflexos das pernas e pode percorrer a coluna com a mão: quando o deslizamento é marcado palpa-se um degrau entre as saliências ósseas.
O que ajuda mesmo
A base não é o repouso, é o músculo. Umas costas que perderam o seu fecho ósseo são seguradas pela cinta muscular, e essa é a única coisa que a pessoa pode melhorar pelas próprias mãos.
- Exercício terapêutico orientado por um fisioterapeuta: músculos abdominais e lombares, glúteos e alongamento dos isquiotibiais. Tem de ser regular e prolongado no tempo: é um hábito, não um ciclo de dez sessões.
- O que retirar da atividade física: os arqueamentos profundos para trás, os agachamentos e as elevações acima da cabeça com muita carga, as torções bruscas e levantar peso de pernas esticadas. Caminhar, nadar, andar de bicicleta e trabalhar em máquinas dentro de uma amplitude confortável pode e deve fazer-se.
- Perder peso reduz a dor de forma apreciável, quando há peso a perder.
- A dor. Começa-se pelo paracetamol e, se não chegar, acrescenta-se um anti-inflamatório em ciclo curto. Convém escolhê-lo com o médico de família ou com o farmacêutico: esta classe tem limitações nas doenças do estômago, dos rins e do coração.
- As infiltrações de corticosteroides junto à raiz nervosa ponderam-se quando a dor desce pela perna e impede o exercício. Acalmam a inflamação e abrem uma janela de semanas ou meses para pôr o programa de exercícios a andar.
O que não vale a pena: ficar deitado mais de dois ou três dias seguidos, esperar que «solde sozinho» e usar um colete rígido em permanência, porque nos adultos isso enfraquece a musculatura e piora as coisas.
Quando se fala de cirurgia
A cirurgia é para uma minoria. A conversa surge em três situações: dor nas costas ou na perna que não cede ao fim de vários meses de trabalho a sério e que interfere com o trabalho e com o sono; fraqueza ou dormência numa perna que vai aumentando; um adolescente cujo deslizamento continua a crescer de um exame para o seguinte. Os sinais de compressão do feixe nervoso são um caso à parte: aí opera-se com urgência.
A intervenção resume-se a dois objetivos: libertar espaço para os nervos comprimidos e unir a vértebra deslizada à vizinha com parafusos, barras e um enxerto ósseo, de modo que deixe de se mover. Faz-se sob anestesia geral.
A recuperação leva semanas a meses, e a dor da perna costuma ceder melhor e mais depressa do que a das próprias costas. Como qualquer cirurgia da coluna, tem riscos, e vale a pena percorrê-los ao pormenor com o cirurgião. Convém saber que, fora das urgências, há tempo para pensar: aqui a pressa não melhora nada.
Consulta em linha
Há três coisas que assentam bem numa consulta à distância. A primeira é rever um relatório de radiologia que já tem em mãos: o médico pode explicar o que significam o grau e os números da descrição, se o achado exige algo além de vigilância e de quanto em quanto tempo deve ser revisto. A segunda é montar um plano de atividade física: o que retirar, o que manter, a que fisioterapeuta recorrer e o que esperar ao fim de três meses. A terceira diz respeito aos adolescentes: se um jovem que treina se queixa de dor lombar há mais de duas semanas, o médico pode indicar que exame é preciso e com que rapidez. Já os sinais do capítulo da urgência não se discutem em linha: com esses vai-se imediatamente ao hospital.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Espondilolistese (deslizamento de uma vértebra)
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Espondilolistese (deslizamento de uma vértebra) com um médico online.









