Espondilose cervical
Chama-se espondilose cervical ao desgaste próprio da idade na parte alta da coluna: os discos entre as vértebras perdem água e achatam-se, nos bordos das…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Espondilose cervical
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 50 mgSubstância ativa: tramadolFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 50 mgSubstância ativa: tramadolFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 150 mgSubstância ativa: tramadolFabricante: Aristo Pharma Iberia S.L.Requer receita médica
Chama-se espondilose cervical ao desgaste próprio da idade na parte alta da coluna: os discos entre as vértebras perdem água e achatam-se, nos bordos das vértebras crescem pequenas saliências de osso e as articulações que as unem tornam-se rígidas. Aos sessenta anos quase toda a gente tem estas alterações e a maioria não sente nada: a imagem impressiona e o pescoço não incomoda. Por isso vale mais encará-la como uma característica dos anos vividos do que como uma doença, característica à qual por vezes se junta dor. O que merece atenção não são as alterações em si, mas duas perguntas: como viver com um pescoço que dói durante meses e como não deixar passar o caso raro em que por detrás da mesma dor está uma raiz nervosa ou a medula espinal comprimidas.
O que a pessoa sente
As queixas costumam ser moderadas e vêm por fases: uns dias ou semanas maus e depois meses de sossego.
- dor surda no pescoço e nos ombros, pior ao acordar e ao fim do dia, mais suportável depois de a pessoa se mexer;
- rigidez: a cabeça roda pior para um dos lados e custa olhar para trás ao estacionar;
- dor de cabeça que começa na nuca e avança para a testa e as têmporas;
- estalidos ao rodar o pescoço, que por si só nada significam e não precisam de tratamento;
- dor que desce para a omoplata ou o ombro e que por isso é muitas vezes confundida com um problema do ombro.
Caso à parte é quando uma saliência óssea ou um disco achatado comprime uma raiz nervosa. A dor sai então do pescoço e desce pelo braço numa faixa estreita até dedos concretos, com formigueiro, dormência e por vezes falta de força na mão. É incómodo e demorado, mas na maioria das pessoas resolve-se sozinho ao fim de alguns meses, sem cirurgia.
Porque acontece e porque a imagem não é uma sentença
A causa principal é o tempo. A partir dos vinte e cinco anos o disco alimenta-se cada vez pior, vai achatando e a carga passa para as articulações e para os bordos das vértebras. Aceleram o processo uma lesão anterior do pescoço, a história familiar, o tabaco e anos de trabalho físico pesado com peso aos ombros ou com vibração.
Da postura e dos ecrãs fala-se mais do que merecem. As horas ao monitor não gastam os discos, mas a posição imóvel e a tensão permanente dos músculos produzem exatamente aquela dor surda que se atribui à espondilose. A diferença é prática: as alterações das vértebras não se podem mudar, o hábito de passar uma hora sentado sem se mexer pode.
E o ponto mais importante desta secção: o relatório do exame quase nunca explica a dor. Palavras como osteófitos, redução da altura dos discos ou retificação da curva aparecem na maioria das pessoas acima dos cinquenta anos, incluindo aquelas cujo pescoço nunca doeu. Trata-se a pessoa e o que ela sente, não uma linha de um relatório.
O que ajuda nos dias comuns
A chave é o movimento e não o repouso. Um pescoço demasiado protegido acaba por doer mais: os músculos enfraquecem, a rotação diminui e qualquer gesto desajeitado paga-se com dor.
- faça todos os dias rotações suaves, inclinações e círculos com os ombros: poucos minutos, mas com regularidade; a sensação de alongamento é aceitável, a dor aguda não;
- acrescente exercícios para os músculos entre as omoplatas, que são os que na verdade sustentam o pescoço;
- levante-se e mude de posição a cada meia hora se trabalha sentado; suba o bordo superior do ecrã até à altura dos olhos e aproxime o telemóvel do rosto em vez de inclinar a cabeça na direção dele;
- escolha uma almofada que mantenha o pescoço alinhado com a coluna: alta demais e baixa demais são igualmente más, e dormir de barriga para baixo com a cabeça virada é de evitar por completo;
- o calor, num duche, num saco térmico ou num cachecol, alivia a contratura e torna possíveis os exercícios que de outro modo não saem;
- deixe de fumar, se fuma: é um dos poucos hábitos com efeito comprovado sobre o estado dos discos;
- não use colar rígido mais de dois ou três dias e apenas numa crise forte, porque o uso prolongado enfraquece os músculos e piora tudo.
Aliviar a dor: o que esperar e o que evitar
Na espondilose os medicamentos não reparam a coluna: servem para continuar em movimento enquanto a crise passa por si. Não espere o desaparecimento total da dor; o objetivo realista é torná-la suportável.
Costuma começar-se por analgésicos simples e anti-inflamatórios, incluindo em gel ou creme sobre o pescoço, que atuam menos mas quase não afetam o estômago. Por via oral usam-se em ciclos curtos e com cuidado se houver úlcera, tensão alta, doença dos rins ou tratamento que torna o sangue mais fluido. Numa contratura intensa prescrevem-se por vezes relaxantes musculares durante poucos dias: dão sonolência e não se conciliam com a condução. Se a dor descer pelo braço, podem juntar-se fármacos para a dor de origem nervosa, de efeito modesto e não imediato. Qual o medicamento e em que dose decide-o o médico de família ou o farmacêutico, sobretudo se já toma alguma coisa todos os dias.
A massagem, a acupuntura e as técnicas manuais aliviam de forma temporária, e nisso não há mal nenhum. Um aviso, porém, é sério: as manipulações bruscas com rotação do pescoço é melhor evitá-las. Raramente rasgam o revestimento interno de uma artéria vertebral, e esse é o caminho direto para um acidente vascular cerebral em quem apareceu apenas com o pescoço dorido.
Sinais de que já não se trata de desgaste
São poucos, são concretos, e é por eles que vale a pena ler até aqui.
- As mãos ficaram desajeitadas: os botões resistem, os objetos escapam-se, a letra mudou, e ao mesmo tempo a marcha tornou-se insegura, como no convés de um navio. Junte a isto a sensação de descarga elétrica ao longo das costas quando se inclina a cabeça para a frente e qualquer dificuldade nova em urinar. É assim que se manifesta a compressão da medula espinal. É preciso recorrer ao médico de imediato: a cirurgia trava o agravamento mas recupera mal aquilo que já se perdeu, pelo que o prazo se conta em semanas e não em anos.
- Perda de força progressiva num braço: não dor, mas força a faltar, a chávena que foge da mão, o braço que não sobe.
- Dor súbita e intensa no pescoço ou na nuca, diferente de tudo o que houve antes, sobretudo com tonturas, visão dupla, dificuldade em falar ou desequilíbrio, por vezes depois de uma rotação brusca da cabeça. Pode ser uma disseção da artéria vertebral, que é uma urgência e não algo para vigiar em casa.
- Febre, suores noturnos, perda de peso sem explicação, dor que acorda de noite e não cede em repouso, um cancro no passado, uma infeção grave recente. Assim se anunciam por vezes um tumor ou uma infeção da coluna, e nesse caso os exames não se adiam.
- Dor depois de uma queda ou de uma pancada, em especial numa pessoa idosa ou com osteoporose: exige observação no próprio dia.
- Pescoço rígido com febre alta, dor de cabeça forte e incómodo com a luz: isto não vem da coluna mas de uma meningite, e liga-se para o 112.
O que o médico pode fazer
A observação não se limita ao pescoço. Avaliam-se a amplitude dos movimentos, a força e a sensibilidade nos braços, os reflexos, a marcha e o equilíbrio: é isso que separa uma dor própria da idade de uma compressão do nervo ou da medula.
Os exames de imagem não são precisos para toda a gente. A radiografia mostra as mesmas alterações que se veem em pessoas saudáveis da mesma idade e raramente muda uma decisão. A ressonância magnética faz sentido quando há sinais neurológicos da lista anterior, quando a dor no braço se arrasta há meses ou quando se pondera mesmo uma operação.
A base do tratamento continua a ser a fisioterapia com aumento gradual da carga: a longo prazo funciona melhor do que qualquer comprimido. A cirurgia coloca-se em duas situações: dor radicular persistente que não cedeu ao fim de vários meses e compressão da medula. A intervenção trava com fiabilidade o agravamento, mas não promete devolver ao pescoço a juventude, e isso explica-se com franqueza antes de decidir.
Consulta em linha
À distância resolve-se bem a pergunta principal: se é uma crise vulgar que passa com atividade física razoável ou um quadro que exige observação e exames. O médico pergunta para onde vai a dor e até que dedos chega, se mudaram a força e a destreza das mãos, há quanto tempo dura tudo e o que já experimentou, e isso costuma bastar para separar as alterações da idade dos sinais da raiz nervosa e da medula. É também a altura de rever o programa de exercícios, ajustar o analgésico aos restantes medicamentos e perceber se compensa fazer uma ressonância. Os sinais da lista anterior não se tratam através de um ecrã: exigem observação presencial e, se a dor surgir de repente com tonturas e dificuldade em falar, atendimento urgente.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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