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Medicamentos habitualmente prescritos para Febre Q
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 100 mgSubstância ativa: doxycyclineFabricante: Pierre Fabre Iberica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 50 mgSubstância ativa: doxycyclineFabricante: Industrial Farmaceutica Cantabria S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 40 mgSubstância ativa: doxycyclineFabricante: Laboratorios Galderma S.A.Requer receita médica
A febre Q é uma infeção que se apanha a partir dos animais. É causada pela bactéria Coxiella burnetii, que vive sobretudo em ovelhas, cabras e vacas. Na maioria das pessoas traduz-se numa ou duas semanas de mal-estar parecido com uma gripe, que passa sozinho. Mas numa parte dos casos a infeção consegue esconder-se e regressar meses ou anos depois com outra cara: a lesão de uma válvula do coração. É precisamente esta segunda parte tardia da história que quase nunca é contada.
Como se apanha
A via principal é a inalação. A bactéria é libertada em quantidades enormes com o líquido amniótico e a placenta durante os partos dos animais, e também com as fezes e a urina. Ao secar assume uma forma resistente que sobrevive meses no pó, na palha, no estrume, na lã e na roupa, e que o vento transporta. Basta inalar uma quantidade muito pequena para haver infeção, por isso não adoecem apenas os que tocaram nos animais: pode bastar estar do lado do vento em relação a uma exploração ou passar junto a um curral na época dos partos.
Daí o perfil de quem corre mais risco: trabalhadores de explorações agrícolas e de matadouros, veterinários, tosquiadores, tratadores, pessoal de laboratório e quem vive no meio rural perto de explorações de ovinos e caprinos. Os surtos que atingem regiões inteiras costumam coincidir com o período dos partos em massa.
A segunda via é o leite não pasteurizado e os queijos feitos com ele. Existe, mas causa bastante menos infeções do que o ar. É ainda possível a transmissão por carraças dos animais e, raramente, por transfusão ou da mãe para o filho. De pessoa para pessoa praticamente não se transmite, pelo que não é preciso isolar quem está doente.
Como decorre a primeira doença, a aguda
Cerca de metade dos infetados não tem qualquer sintoma: descobre-o muito mais tarde e por acaso, através de uma análise ao sangue. Nos restantes, duas a três semanas depois do contacto, a febre começa de forma brusca.
O quadro é bastante reconhecível:
- febre alta com arrepios e suores abundantes;
- dor de cabeça intensa, muitas vezes sentida como pressão atrás dos olhos;
- dores musculares e articulares e fraqueza marcada;
- tosse seca e, por vezes, dor no peito ao respirar;
- falta de apetite, náuseas, dor abdominal;
- ocasionalmente, cor amarelada da pele e do branco dos olhos.
Ao contrário de muitas outras infeções, não costuma haver erupção na pele. Os dois órgãos mais atingidos são o pulmão, onde surge uma pneumonia, e o fígado, onde se instala uma inflamação que às vezes é o que leva a pessoa ao médico. Tudo isto dura uma a duas semanas, raramente mais, e na maioria termina em cura.
Depois da cura, parte das pessoas queixa-se durante meses de cansaço, suores e dificuldade de concentração com análises perfeitamente normais. Não é sinal de que a infeção continue, e os antibióticos não ajudam, mas também não é imaginação: esse estado está descrito e merece acompanhamento, e não um encolher de ombros.
Para quem é mais perigosa
A maior parte das pessoas passa pela febre Q sem problemas. Há, porém, grupos para os quais mesmo uma infeção de aparência ligeira obriga a consultar e a referir o possível contacto com animais:
- as grávidas. Na gravidez a infeção decorre quase sempre sem um único sintoma, mas pode levar a aborto, parto prematuro e baixo peso à nascença. Por isso, havendo contacto conhecido, a questão resolve-se com uma análise e não com as sensações;
- quem tem uma válvula cardíaca alterada ou artificial: doença valvular, prótese valvular, válvula aórtica bicúspide;
- quem tem uma prótese vascular ou um aneurisma da aorta;
- quem tem as defesas imunitárias reduzidas: depois de um transplante, em quimioterapia ou a tomar fármacos que travam o sistema imunitário.
Nestes grupos a infeção não é apenas tratada: depois é vigiada, repetindo as análises ao sangue ao longo de dois anos para não deixar passar a passagem à forma crónica. Nos restantes, essa vigilância não é necessária.
Convém ser observado no próprio dia se a febre alta durar mais de uma semana, se surgir falta de ar importante, se houver icterícia ou se aparecerem confusão ou dor de cabeça forte com vómitos.
A forma crónica: endocardite meses e anos depois
É o mais importante que há a saber sobre a febre Q e aquilo que quase nunca se explica. Numa pequena parte dos infetados a bactéria não desaparece: instala-se num ponto concreto e vive ali em silêncio durante anos. Pode manifestar-se aos seis meses, aos dois anos, por vezes mais tarde. Esta forma surge quase exclusivamente em quem pertence aos grupos de risco acima referidos, e sobretudo em quem tem uma válvula doente ou substituída.
A sua manifestação principal é a endocardite, a inflamação do revestimento interno do coração e da válvula. Menos vezes a bactéria aloja-se na parede de um aneurisma da aorta ou numa prótese vascular, nos ossos, no fígado.
O que a torna traiçoeira é começar de forma lenta e sem infeção evidente. Devem alertar:
- febrícula prolongada e, por vezes, ausência total de febre;
- suores noturnos e perda de peso;
- fraqueza e falta de ar crescentes e edemas, ou seja, sinais de insuficiência cardíaca;
- aumento do baço e alterações nas análises;
- fraqueza súbita num braço ou numa perna, ou dor num membro, se se soltou um fragmento da válvula.
Se tem doença valvular ou uma prótese e arrasta há meses um mal-estar sem explicação, diga ao médico que esteve perto de ovelhas, cabras ou vacas ou que bebeu leite cru. Essa frase resolve por vezes o diagnóstico.
Porque uma hemocultura comum não a encontra
A Coxiella burnetii vive dentro das células e não cresce nos meios de cultura habituais. Por isso a hemocultura — o primeiro exame pedido perante a suspeita de endocardite — sai negativa. A febre Q consta da curta lista de causas da chamada endocardite com hemoculturas negativas e, se não for procurada de forma dirigida, uma pessoa pode passar meses com uma válvula infetada e sem diagnóstico.
Procura-se de outra maneira:
- serologia, a análise dos anticorpos no sangue, que é o método principal. Distinguem-se os anticorpos contra duas fases da bactéria, e a relação entre eles separa a infeção recente da crónica. Uma única colheita diz pouco: costuma ser preciso repeti-la duas ou três semanas depois para ver a evolução;
- PCR, que deteta a própria bactéria no sangue nos primeiros dias, quando ainda não há anticorpos; mais tarde deixa de servir, e assim os dois métodos completam-se;
- ecocardiograma, muitas vezes transesofágico quando se suspeita de endocardite, porque observa a válvula de perto;
- tomografia computorizada e tomografia por emissão de positrões, quando o foco é procurado na aorta, numa prótese vascular ou nos ossos.
Como se trata
A forma aguda com sintomas trata-se com um antibiótico do grupo das tetraciclinas durante duas a três semanas. É melhor começar nos primeiros dias: mais tarde o benefício cai bastante. Um quadro ligeiro numa pessoa saudável resolve-se muitas vezes mesmo sem tratamento, mas havendo febre alta, pneumonia ou envolvimento do fígado o antibiótico é prescrito. É importante completar todo o ciclo, mesmo que ao terceiro dia já se sinta melhor.
Na gravidez estes fármacos não são adequados, pelo que se escolhe outro antibiótico, tomado de forma prolongada até ao parto e sob vigilância; depois do parto é preciso controlar as análises.
A forma crónica trata-se de maneira completamente diferente. Aqui usa-se a associação de dois fármacos — um antibiótico do grupo das tetraciclinas com um antipalúdico que torna a bactéria vulnerável dentro da célula — e não durante semanas, mas durante ano e meio a dois anos, mais tempo havendo válvula artificial. Durante todo esse período repetem-se os anticorpos e vigiam-se os efeitos indesejáveis, incluindo o estado dos olhos. Uma parte dos doentes precisa ainda de cirurgia à válvula.
O que reduz o risco
- Não beber leite não pasteurizado nem comer queijos feitos com ele, sobretudo na gravidez e havendo doença das válvulas.
- As grávidas não devem assistir aos partos dos animais nem aproximar-se deles na época dos partos, que cai em meses diferentes conforme o país. A mesma precaução protege também da toxoplasmose e da clamidiose dos ovinos.
- Quem trabalha com animais deve usar luvas, máscara justa e proteção ocular, sobretudo ao ajudar nos partos, ao remover a cama dos animais e na tosquia.
- As placentas e os animais nados-mortos devem ser removidos de imediato e eliminados em segurança, sem ficarem ao ar livre.
- Não comer nem beber nos locais onde os animais são mantidos; lavar à parte a roupa e o calçado de trabalho e não os levar para dentro de casa.
- Limpar e cobrir os cortes assim que acontecem.
- Existe uma vacina para humanos, mas só está registada em alguns países e é administrada a grupos de risco profissional após estudo prévio; na maior parte da Europa não está disponível. Em algumas regiões vacina-se o gado para reduzir a infeção nos rebanhos.
Consulta em linha
A febre Q é um daqueles casos em que o diagnóstico não nasce de uma análise, mas de uma pergunta feita a tempo: onde esteve e com que animais teve contacto. A consulta em linha é o sítio certo para percorrer isso com calma.
Vale a pena marcá-la se, depois de uma estadia no campo ou de trabalho com animais, surgiu febre alta com dor de cabeça forte; se está grávida e houve contacto com ovelhas, cabras ou vacas; se tem doença valvular ou uma prótese e arrasta um mal-estar sem explicação; ou se a serologia já foi feita e os números das duas fases nada lhe dizem.
O médico indicará que análises são necessárias e quando as repetir, explicará porque uma hemocultura negativa nada exclui, ajudará a orientar-se num tratamento longo e nos seus efeitos indesejáveis e dirá se precisa de vigilância nos próximos dois anos. Se no relato surgirem sinais que exijam ajuda urgente, o encaminhamento é imediato.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Febre Q
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