Fibromialgia
A fibromialgia é aquela situação em que dói quase tudo durante muito tempo e os exames não encontram nada: as análises saem limpas, as imagens não mostram…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Fibromialgia
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 30 mgSubstância ativa: duloxetineFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 60 mgSubstância ativa: duloxetineFabricante: Viatris Pharmaceuticals S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 60 mgSubstância ativa: duloxetineFabricante: Towa Pharmaceutical S.A.Requer receita médica
A fibromialgia é aquela situação em que dói quase tudo durante muito tempo e os exames não encontram nada: as análises saem limpas, as imagens não mostram alterações, as articulações estão intactas e a pessoa ouve durante anos que está bem. Ainda assim a dor é verdadeira: não nasce nos músculos, mas na forma como o sistema nervoso recebe e amplifica os sinais. Daí a diferença essencial, já que não ajuda aquilo que apaga uma inflamação mas aquilo que vai reafinando o próprio sistema. O caminho até ao diagnóstico demora muitas vezes anos, e são anos perdidos em exames que nunca poderiam ter mostrado seja o que for.
O que a pessoa sente
O traço central é uma dor espalhada pelo corpo: à direita e à esquerda, acima e abaixo da cintura, em regra mais forte no pescoço, nos ombros, nas costas e nas ancas. Dura meses, muda de intensidade e nunca desaparece por completo. É descrita como surda, por vezes ardente, por vezes em picada, ou como o dolorimento que fica depois de um treino pesado que afinal não houve.
Ao lado da dor aparece quase sempre uma sensibilidade exagerada.
- Um toque banal dói: a costura da roupa, o elástico da meia, uma mão pousada no ombro.
- Um dedo magoado dói muito mais tempo do que devia, semanas em vez de dois dias.
- Toleram-se mal a luz intensa, o ruído, os cheiros fortes, o frio e o ar abafado, e depois de um dia assim a dor sobe.
- De manhã e depois de estar parado o corpo fica rígido, mas solta-se em poucos minutos. Uma rigidez que passa de uma hora aponta antes para uma artrite inflamatória.
- É frequente sentir as mãos inchadas sem que se veja qualquer inchaço.
A evolução faz-se por ondas: as crises vêm a seguir a uma noite mal dormida, a um período de tensão, a atividade física a mais, a uma infeção ou a uma mudança de tempo, e às vezes sem motivo nenhum. Uma semana má não quer dizer que a doença esteja a avançar, porque a fibromialgia não danifica as articulações nem os órgãos internos.
Cansaço, sono e nevoeiro mental
Muita gente conta que o cansaço pesa mais do que a dor. Não é sonolência nem preguiça, é acordar já sem forças e verificar que o descanso não as devolve. O sono é superficial: adormecer custa, a noite parte-se aos bocados e de manhã levanta-se desfeito mesmo depois de nove horas na cama. A esse sono chama-se não reparador, e é ele próprio que alimenta a dor.
Capítulo à parte é o nevoeiro mental: a palavra fica na ponta da língua, o pensamento perde-se a meio da frase, a atenção escapa ao volante. Assusta, e muitos chegam a suspeitar de uma demência precoce. Mas este nevoeiro sobe e desce com o cansaço e o sono, não cresce ano após ano, e é essa a diferença decisiva.
Ao lado seguem muitas vezes outras situações: síndrome do intestino irritável, dores de cabeça e enxaqueca, síndrome das pernas inquietas, menstruações dolorosas, vontade frequente de urinar, tonturas, formigueiro nas mãos e nos pés, ansiedade e humor em baixo. Tratam-se em separado, e com isso melhora também o conjunto.
O que se passa no sistema da dor
O sistema nervoso filtra sem parar o caudal de sensações que sobe do corpo, e o cérebro deita fora a maior parte por irrelevante. Na fibromialgia o filtro funciona de outra maneira: os sinais fracos passam e são lidos como dor, o sinal doloroso soa mais alto do que devia e enfraquece o travão próprio que costuma abafá-lo. Daí que tudo seja difuso: não dói uma articulação em concreto, dói tudo ao mesmo tempo.
A predisposição herda-se em parte, mas a doença arranca em regra com algo notório: um traumatismo grave depois de um acidente, uma cirurgia de vulto, uma infeção passada, um stress desgastante ou um abalo emocional. Numa parte das pessoas não se encontra fator desencadeante nenhum, e isso também é normal. Atinge bastante mais mulheres do que homens, o início cai sobretudo entre os vinte e cinco e os cinquenta e cinco anos, mas vê-se tanto em adolescentes como em idosos.
Não é uma doença autoimune nem uma forma de artrite: não destrói tecidos, não encurta a vida e não se transforma noutra coisa com o tempo. Pode, isso sim, conviver com artrite reumatoide, lúpus ou artrose, e nesse caso uma parte da dor explica-se por uma e outra parte pela outra, havendo que tratar as duas frentes.
Porque demora o diagnóstico e o que é preciso excluir
Não existe qualquer exame de fibromialgia. O diagnóstico assenta no quadro: dor generalizada há mais de três meses, com cansaço, sono não reparador e nevoeiro mental, sem outra explicação. O médico pergunta como as queixas alteram um dia comum, observa articulações e músculos e pede um conjunto curto de análises: hemograma, marcadores de inflamação, hormona da tiroide, cálcio, creatina cinase, vitamina D e por vezes ferritina.
Resultados normais não desmentem o diagnóstico: servem para afastar aquilo que se disfarça dele, ou seja uma tiroide pouco ativa, uma falta de vitamina D ou de ferro, uma lesão muscular incluindo a provocada por medicamentos para o colesterol, apneia do sono, doença celíaca ou uma artrite inflamatória a começar.
Há sinais que obrigam a procurar outra causa mesmo com a fibromialgia já escrita no processo.
- Febre, suores noturnos, perda de peso sem dieta.
- Dor que acorda de noite, fica num único ponto e cresce semana após semana, sobretudo se assentar num osso.
- Articulações inchadas, quentes e vermelhas, erupções na pele, aftas na boca, queda de cabelo.
- Fraqueza verdadeira: não conseguir levantar-se da cadeira sem as mãos, não levar os braços ao cabelo, o pé que bate no chão ao andar, e não a simples sensação de falta de forças.
- Dor nos ombros e nas ancas surgida pela primeira vez em idade avançada, com rigidez matinal de mais de uma hora: é assim que se apresenta a polimialgia reumática, tratada de forma completamente diferente.
- Dor de cabeça súbita e forte, dor na têmpora, alterações da visão ou dor na mandíbula ao mastigar, que exigem observação imediata.
- Dormência numa zona bem delimitada, fraqueza de uma perna, dificuldade em urinar ou em controlar o intestino.
Há ainda uma coisa que convém dizer sem rodeios: a dor constante desgasta, e a depressão aqui não é rara. Se surgir a sensação de beco sem saída, se o interesse por tudo se apagar e sobretudo se aparecerem pensamentos de não querer viver, a ajuda é precisa já e não na consulta marcada: dirija-se ao serviço de urgência ou chame uma ambulância, nos países europeus pelo número 112.
O que ajuda mesmo
Nada faz hoje desaparecer a fibromialgia por completo, e prometer o contrário é sinal de falta de honestidade. Em contrapartida, um plano feito de várias peças consegue devolver o dia de trabalho e o sono.
- O movimento é a medida com mais apoio, acima de qualquer medicamento. Servem caminhar, nadar, exercício em água quente, bicicleta estática, trabalho de força suave e alongamentos. A condição é uma só: começar bem abaixo daquilo que se aguenta e acrescentar devagar, sem desistir logo na primeira semana má. No princípio a dor pode aumentar, e isso está previsto.
- As abordagens psicológicas: terapia cognitivo-comportamental, terapia de aceitação e compromisso, práticas de atenção plena. Não dizem que a dor é inventada, ensinam a não a deixar levar tudo o resto atrás, e ainda por cima reduzem-na.
- Os medicamentos. Não resultam os analgésicos, mas sim os fármacos que atuam sobre a transmissão da dor: antidepressivos tricíclicos em doses baixas, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina e alguns antiepiléticos. Alívio evidente consegue-o cerca de uma pessoa em cada três, pelo que a escolha se faz por tentativas e leva meses. A dose sobe devagar e retira-se com igual lentidão.
- O tratamento do que anda ao lado: insónia, apneia do sono, depressão e ansiedade, intestino irritável, falta de vitamina D. Cada uma destas situações amplifica a dor.
Vale a pena saber também o que não ajuda. Os anti-inflamatórios habituais e o paracetamol são fracos aqui, porque não há inflamação para apagar. Os opioides não estão de todo indicados: nesta dor não funcionam, criam dependência e com o tempo aumentam ainda mais a sensibilidade. Corticoides, séries de soros e dietas de exclusão rígidas sem intolerância comprovada não acrescentam nada. A acupuntura e a massagem aliviam algumas pessoas, mas por pouco tempo.
Como organizar o dia
A armadilha mais repetida é o balanço: num dia bom recupera-se tudo o que estava atrasado e os três seguintes passam-se deitado. A saída é viver segundo um plano e não segundo como se acordou, partindo as tarefas aos bocados, parando antes de se sentir mal e, nos dias bons, travando mais cedo do que apetece. Ao fim de um mês ou dois, esse ritmo certo rende mais do que os arrancos.
O sono merece trabalho próprio. Ajudam levantar-se sempre à mesma hora, incluindo aos fins de semana, um quarto fresco, escuro e silencioso, uma hora calma antes de deitar sem ecrãs nem conversas de trabalho, nada de café a partir da tarde e nada de álcool à noite, que estraga a segunda metade do descanso. Se ainda assim ressonar e acordar com dores de cabeça, vale a pena estudar a respiração durante o sono.
O stress sobe a dor de forma direta, por isso os quinze minutos diários de respiração, alongamentos ou passeio são parte do tratamento e não um luxo. O calor alivia: um duche, um banho, um saco quente sobre os ombros. O tabaco e o peso a mais pioram a evolução. No emprego é sensato explicar a situação e combinar pausas ou horário flexível, o que é possível mais vezes do que parece. E não se feche: o isolamento agrava tanto a dor como o ânimo.
Consulta em linha
À distância o primeiro passo faz-se bem: contar a história toda sem a ter de espremer numa consulta curta e ouvir se as queixas encaixam numa fibromialgia e que análises vale a pena fazer para não pagar as restantes. O médico revê os exames já realizados, ajuda a montar o plano de movimento e as rotinas de sono e explica o que esperar da medicação prescrita e como distinguir um efeito indesejável de uma crise. Manter o contacto em linha também dá jeito: no acerto das doses conta a regularidade e não a observação física. Os sinais da lista anterior e os pensamentos de não querer viver não se resolvem através de um ecrã, porque exigem ajuda presencial e urgente.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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