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Medicamentos habitualmente prescritos para Hepatite C
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 100/40 mgSubstância ativa: glecaprevir and pibrentasvirFabricante: Abbvie Deutschland Gmbh & Co. KgRequer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 50 mg/20 mgSubstância ativa: glecaprevir and pibrentasvirFabricante: Abbvie Deutschland Gmbh & Co. KgRequer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400/100/100 mgSubstância ativa: sofosbuvir, velpatasvir and voxilaprevirFabricante: Gilead Sciences Ireland Unlimited CompanyRequer receita médica
A hepatite C é uma infeção vírica que se instala no fígado e pode passar anos sem dar sinal. É justamente isso que a torna traiçoeira: a pessoa sente-se como sempre enquanto o tecido que trabalha vai sendo substituído por tecido cicatricial. A boa notícia, ainda assim, pesa mais do que a má: na última década a hepatite C deixou de ser um diagnóstico para toda a vida e passou a ser uma doença que se cura com um ciclo de comprimidos em dois ou três meses em quase todos os que chegam ao tratamento. A dificuldade já não está nos medicamentos, mas em fazer a análise a tempo.
Porque a infeção passa anos despercebida
Os primeiros seis meses após o contágio chamam-se fase aguda. Só uma pessoa em cada três ou quatro nota alguma coisa nessa altura, em geral ao fim de algumas semanas: fraqueza, febre, apetite que desaparece, náuseas, um incómodo por baixo das costelas do lado direito. Nalguns a urina escurece, as fezes tornam-se claras e o branco dos olhos fica amarelado. Tudo isso se confunde facilmente com uma intoxicação ou com uma constipação que se arrasta.
Em cerca de uma pessoa em cada quatro o sistema imunitário elimina o vírus sozinho ao fim de alguns meses. Nas restantes a infeção fica: é a hepatite C crónica, e as queixas são pouco específicas.
- Cansaço que o descanso não resolve.
- Dores difusas nas articulações e nos músculos.
- Náuseas, peso ou inchaço depois das refeições.
- Dificuldade em concentrar-se e em reter o que é recente, uma sensação que muitos descrevem como névoa mental.
- Irritabilidade, humor em baixo, ansiedade.
- Comichão na pele sem erupção.
Tudo isto desaparece durante meses e volta, e costuma ser atribuído à idade e ao mau sono. Nenhum sinal aponta por si só para a hepatite C, e muita gente não tem nenhum. A resposta só a dá uma análise ao sangue.
Como o vírus chega ao sangue
A hepatite C transmite-se pelo sangue. A quantidade de vírus é tal que basta um vestígio invisível a olho nu, e numa mancha seca sobre uma superfície o vírus mantém-se vivo até algumas semanas. Daí sai toda a lista de vias de contágio:
- agulhas e seringas partilhadas no consumo de drogas, e com elas colheres, filtros e canudos para inalar pós: basta uma vez;
- procedimentos médicos e dentários feitos onde o material é mal esterilizado;
- transfusões e transplantes anteriores ao rastreio do vírus no sangue doado, que na maioria dos países arrancou no início dos anos noventa;
- tatuagens, piercings, maquilhagem permanente e manicura com material não estéril, e em casa a lâmina de barbear, a escova de dentes ou a tesoura partilhadas;
- picada acidental com uma agulha no trabalho: nos profissionais de saúde o risco depois de um episódio destes é estimado em cerca de um caso em cinquenta;
- da mãe para o bebé durante o parto, em cerca de um caso em vinte. O leite materno não transporta o vírus e pode amamentar-se; a exceção são as fissuras com sangue no mamilo;
- por via sexual o risco é baixo, mas sobe onde há contacto com sangue: sexo anal, relações durante a menstruação, feridas de outras infeções, VIH num dos parceiros.
Já não há nada a recear de beijos, abraços, loiça comum, sanita, piscina, tosse ou picadas de insetos: por aí o vírus não passa. No dia a dia uma pessoa com hepatite C não representa perigo e não precisa de loiça à parte.
Quem deve fazer o teste mesmo sentindo-se bem
O objetivo da análise é encontrar a infeção antes de ela estragar o fígado. Deve fazê-la quem for abrangido por um único ponto da lista acima, e por maioria de razão se aconteceu há muito tempo e uma só vez: são precisamente os casos que se perdem. A esses juntam-se outros motivos:
- ser natural de uma região onde a infeção é frequente, ou ter vivido lá muito tempo;
- hepatite C na mãe, no parceiro habitual ou em alguém com quem se vive;
- enzimas do fígado altas sem explicação, ou viver com VIH ou com hepatite B;
- uma gravidez planeada quando algo do que ficou dito lhe diz respeito.
Fazer a análise uma vez faz sentido mesmo sem motivo nenhum, apenas para fechar o assunto. A quem mantém o risco, o médico de família dirá com que frequência a repetir.
As duas análises que dão a resposta
O diagnóstico assenta em dois exames que convém não confundir: essa confusão é uma fonte habitual de sustos escusados.
Os anticorpos contra o vírus mostram se o organismo alguma vez se cruzou com a hepatite C. Não aparecem de imediato: são precisas de algumas semanas a alguns meses, pelo que perante um risco recente a análise repete-se. Um resultado positivo ainda não significa doença, porque os anticorpos ficam para toda a vida também em quem se curou sozinho ou já foi tratado.
A PCR para o ARN do vírus responde à pergunta que interessa: se o vírus está no sangue agora. É este exame que confirma ou afasta o diagnóstico.
Os testes caseiros com picada no dedo detetam anticorpos e servem como primeiro passo, mas qualquer resultado positivo é confirmado depois em laboratório.
Se o vírus for encontrado, avalia-se o fígado com análises, ecografia e elastografia, que mede a rigidez do fígado sem qualquer picada. Ao mesmo tempo verificam-se a hepatite B e o VIH, porque alteram o plano de tratamento.
O tratamento: comprimidos em vez de injeções
A hepatite C trata-se com antivíricos de ação direta, que bloqueiam a multiplicação do vírus em vários pontos ao mesmo tempo. São comprimidos, o ciclo dura em regra de oito a doze semanas e curam-se mais de nove pessoas em cada dez. O antigo esquema de injeções semanais de interferão, pesado e pouco eficaz, ficou para trás. Antes de começar vale a pena saber algumas coisas.
- A tolerância é boa: nos primeiros dias pode haver dor de cabeça, náuseas ou insónia, e depois a situação acalma.
- Não se saltam tomas nem se interrompe antes do tempo: o vírus pode tornar-se resistente e o ciclo seguinte será mais difícil de montar.
- Enumere ao médico tudo o que toma, incluindo produtos sem receita e plantas: estes comprimidos convivem mal com alguns medicamentos para o coração, com as estatinas, com os antiepiléticos, com os protetores gástricos e com o hipericão.
- Se em algum momento teve hepatite B, o tratamento pode reativá-la, e isso vigia-se à parte.
- Na gravidez o tratamento adia-se, porque estes medicamentos não foram estudados em grávidas.
Doze semanas depois do último comprimido faz-se uma PCR de controlo: um resultado negativo significa que o vírus desapareceu de vez. Mas não fica imunidade nem existe vacina contra a hepatite C, pelo que é possível voltar a contrair a infeção: se o risco continuar presente na sua vida, continuam a valer as precauções.
Onde acaba uma infeção não tratada
A cicatrização avança devagar: aproximadamente uma pessoa em cada três chega à cirrose, e costuma demorar vinte a trinta anos. Vai mais depressa em quem bebe álcool e fuma, em quem vive com excesso de peso, diabetes tipo 2, VIH ou hepatite B, e em quem se infetou já em adulto.
A cirrose fica calada muito tempo; depois chegam a fraqueza, a perda de peso, uma comichão teimosa, os vasinhos em teia de aranha na pele e o tom amarelado da pele e dos olhos. Na fase avançada o fígado deixa de dar conta: acumula-se líquido no abdómen, as pernas incham, o pensamento fica confuso e as veias dilatadas do esófago sangram. Há ainda uma ameaça à parte, o cancro do fígado, e por isso na cirrose faz-se uma ecografia de seis em seis meses para o resto da vida, mesmo com o vírus já curado.
É preciso chamar uma ambulância (na Europa, o número único 112) se surgirem:
- vómito de sangue ou de conteúdo parecido com borras de café;
- fezes pretas e pegajosas;
- confusão, sonolência, comportamento estranho, tremor com os braços esticados;
- um abdómen que cresce depressa juntamente com febre e dor;
- uma icterícia que se acentua rapidamente.
Todo o resto — um cansaço novo, comichão, urina escura, tornozelos inchados — é motivo para ser visto por um médico nesse mesmo dia, mas não para chamar uma ambulância.
Não só o fígado
A hepatite C também faz estragos fora do fígado, e disso fala-se pouco. O vírus empurra o sistema imunitário a fabricar proteínas que se depositam nos vasos pequenos: daí as manchas arroxeadas nas pernas, as dores articulares, o formigueiro e o ardor nos pés e a lesão do rim com proteínas na urina e inchaço. Com menos frequência o vírus é associado a alguns linfomas e a uma doença da pele em que o sol faz surgir bolhas frágeis no dorso das mãos. Em muitas pessoas piora ainda a sensibilidade à insulina.
A conclusão prática é simples: quando uma erupção, umas articulações ou um rim não encontram explicação, o teste da hepatite C merece um lugar na lista. É assim que a infeção não raras vezes é descoberta, e depois do tratamento a maior parte destas manifestações regride.
O que está ao seu alcance
Enquanto decorrem os exames e o tratamento, pode aliviar-se bastante o trabalho do fígado.
- Deixe o álcool: de tudo é o que mais pesa, porque álcool e vírus destroem o fígado lado a lado.
- Controle o peso, deixe de fumar e mantenha atividade física regular: tudo isso trabalha contra o fígado gordo, que acelera a cicatrização. A hepatite C não exige dieta especial; limitar o sal e as proteínas só é preciso na cirrose avançada e por indicação do médico.
- Fale com o médico sobre a vacinação contra a hepatite A e a hepatite B: num fígado já doente esses vírus são particularmente perigosos.
- Não tome medicamentos nem suplementos sem o médico saber, nem sequer os de origem vegetal, porque uma parte é tóxica para o fígado. Para as dores, com o fígado doente a escolha habitual é o paracetamol numa dose acordada com o médico.
- Guarde a lâmina, a escova e a tesoura para uso exclusivamente pessoal, tape os cortes com um penso e limpe o sangue derramado com lixívia doméstica.
- Não dê sangue nem órgãos e avise o parceiro habitual de que deve fazer o teste.
Consulta em linha
À distância resolve-se quase tudo, salvo as urgências. O médico percorrerá consigo se houve um risco real de contágio e se a análise se justifica; explicará a diferença entre anticorpos positivos e infeção ativa, que é onde as pessoas mais se assustam; lerá os resultados que já tenha e dirá o que se segue. Se o tratamento já decorre, à distância verifica-se a compatibilidade dos seus medicamentos habituais com o ciclo, discutem-se os efeitos secundários dos primeiros dias e marcam-se as datas dos controlos. Os sinais da lista da ambulância não se avaliam à distância: com esses pede-se ajuda de imediato.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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