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Medicamentos habitualmente prescritos para Hipertensão pulmonar (HP)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 125 mgSubstância ativa: bosentanFabricante: Cipla EuropeRequer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mgSubstância ativa: ambrisentanFabricante: Laboratorio Reig Jofre, S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 25 mgSubstância ativa: sildenafilFabricante: Adamed Pharma S.A.Requer receita médica
A hipertensão pulmonar é o aumento da pressão do sangue nas artérias pulmonares, os vasos que levam o sangue do coração aos pulmões. Nada tem que ver com a tensão arterial medida no braço: não se deteta com um medidor de tensão nem aparece num exame de rotina. As paredes destes vasos espessam e perdem elasticidade, o lúmen estreita e o ventrículo direito passa a trabalhar contra uma resistência cada vez maior. Aguenta durante anos e depois começa a falhar — e é aí que reside o perigo desta doença.
Porque o diagnóstico chega tão tarde
O maior problema desta doença não é ser grave, mas ninguém a procurar. Entre as primeiras queixas e o diagnóstico correto passam muitas vezes dois ou três anos, e durante todo esse tempo a pessoa anda com um rótulo: asma, bronquite, excesso de peso, falta de forma física ou nervos.
A razão é que o único sinal precoce — falta de ar ao esforço — pertence a dezenas de situações bem mais comuns. O que distingue a hipertensão pulmonar não é o tipo de falta de ar, mas a sua história: cresce ao longo de meses e sem agudizações. Não por crises, como na asma, nem ligada a uma constipação, mas de forma contínua e persistente: primeiro custa a subida, depois as escadas de casa, depois a rua plana. Os inaladores não ajudam, e esse é um indício importante que costuma passar despercebido.
A par da falta de ar surgem outras queixas:
- cansaço rápido, desproporcionado ao que se fez;
- tonturas e visão que escurece durante o esforço;
- dor ou aperto atrás do esterno ao fazer força;
- sensação do coração a bater;
- inchaço dos tornozelos e das pernas e, mais tarde, aumento do abdómen por líquido;
- tosse seca, tom azulado dos lábios e das unhas, veias do pescoço salientes.
Merece nota à parte o desmaio durante o esforço. Perder os sentidos a correr, a subir escadas, ao baixar-se ou ao fazer força não é «tensão baixa» nem calor. Significa que o coração não consegue aumentar o débito quando lhe é pedido, e na hipertensão pulmonar considera-se um dos sinais mais preocupantes. Obriga a investigar nos dias seguintes, e não um dia qualquer.
Quando não se pode esperar por uma consulta
Chame uma ambulância — em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número único europeu 112 — ou dirija-se de imediato à urgência se:
- houve um desmaio ou a pessoa esteve quase a perder os sentidos;
- surge dor forte no peito que não passa em poucos minutos;
- a falta de ar piora bruscamente em horas ou aparece em repouso;
- os lábios e as pontas dos dedos ficam azulados e a pele fria e húmida;
- o coração bate depressa e de forma irregular, com tonturas ou dor no peito.
Estes sinais tanto ocorrem numa hipertensão pulmonar já conhecida como em quadros que a imitam: uma embolia pulmonar, um enfarte, uma arritmia. Não é coisa para esclarecer em casa.
À parte, mas também com urgência — no próprio dia, não para a semana: inchaço que cresce depressa, dois quilos a mais em poucos dias e um abdómen que de repente aperta. São sinais de que o lado direito do coração está a deixar de compensar.
Porque sobe a pressão nos vasos do pulmão
A hipertensão pulmonar não é uma doença só, mas o destino comum de processos diferentes, e qual deles está em causa determina por completo o tratamento. Distinguem-se cinco grandes grupos.
- Hipertensão arterial pulmonar: estão afetados os ramos mais finos das artérias pulmonares, cujas paredes proliferam. Pode ser hereditária, idiopática — ou seja, sem causa encontrada — ou associada a doenças do tecido conjuntivo (sobretudo a esclerodermia), a cardiopatias congénitas, ao VIH, à hipertensão portal nas doenças do fígado e ao consumo de certos fármacos e drogas.
- Doenças do lado esquerdo do coração: doença das válvulas, ventrículo esquerdo enfraquecido ou rígido. O sangue acumula-se antes dos pulmões e a pressão sobe de forma passiva. É o grupo mais frequente.
- Doenças do pulmão e falta de oxigénio: doença pulmonar obstrutiva crónica, fibrose pulmonar, apneia do sono grave, vida prolongada em grande altitude. O oxigénio baixo, por si só, faz contrair os vasos pulmonares.
- Sequelas de uma embolia: os coágulos que não se reabsorvem transformam-se em tecido cicatricial e obstruem os vasos de forma estável. É a hipertensão pulmonar tromboembólica crónica, tratada à parte mais abaixo.
- Outras causas: sarcoidose, vasculites, doenças da tiroide, anemia falciforme e talassemia, doença renal crónica, compressão dos vasos por um tumor.
A pergunta pela causa não é, portanto, académica. Da resposta depende tratar-se uma válvula, prescrever-se oxigénio, ponderar-se uma cirurgia às artérias pulmonares ou usarem-se fármacos específicos que, nalguns destes grupos, não ajudam mas prejudicam.
Como se chega ao diagnóstico
O caminho começa numa consulta comum: o médico ausculta o coração e os pulmões, observa as veias do pescoço e os edemas e pede eletrocardiograma, radiografia do tórax, análises e provas de função respiratória.
Segue-se o ecocardiograma, e vale a pena perceber o seu lugar. O ecocardiograma não mede a pressão na artéria pulmonar: estima-a de forma indireta a partir da velocidade do fluxo na válvula tricúspide e erra nos dois sentidos, tanto sobrestimando como deixando escapar a doença. Responde à pergunta sobre se vale a pena continuar a procurar, não à pergunta sobre se a doença existe. A hipertensão pulmonar não se diagnostica nem se exclui com uma ecografia.
Quem confirma o diagnóstico é o cateterismo cardíaco direito: introduz-se um cateter fino numa veia do pescoço, do braço ou da virilha e leva-se até à artéria pulmonar, medindo a pressão diretamente. Na mesma altura avaliam-se o débito cardíaco e a pressão de encravamento, o que permite separar a hipertensão arterial pulmonar da congestão devida ao coração esquerdo, duas situações com tratamentos diferentes. Havendo suspeita de hipertensão arterial pulmonar, faz-se no mesmo procedimento a prova de vasorreatividade.
Há ainda um exame que deve ser feito sempre: a cintigrafia de ventilação e perfusão. Serve para não deixar passar a forma tromboembólica, a única em que é possível uma cirurgia com cura completa. A tomografia computorizada deixa escapar esta forma, pelo que não substitui a cintigrafia. A isto juntam-se a prova da marcha de seis minutos e o doseamento do peptídeo natriurético: medem a gravidade e servem de referência para avaliar o tratamento.
Porque o tratamento se faz num centro especializado
Este é um daqueles casos em que o local do tratamento pesa tanto como o tratamento em si. Os fármacos específicos da hipertensão arterial pulmonar escolhem-se, combinam-se e alteram-se com base em medições repetidas; alguns exigem perfusão intravenosa ou subcutânea contínua, outros têm contraindicações sérias, e enganar-se no grupo pode agravar a pessoa. Decisões destas tomam-se em centros que fazem isto de forma continuada, e não numa consulta geral.
O tratamento geral inclui diuréticos em caso de retenção de líquidos, oxigénio quando o nível no sangue está baixo, anticoagulantes na forma tromboembólica e o tratamento da doença que originou tudo.
Os fármacos específicos atuam sobre três vias de dilatação dos vasos: antagonistas dos recetores da endotelina, inibidores da fosfodiesterase 5 e estimuladores da guanilato ciclase solúvel, além dos derivados da prostaciclina, desde comprimidos até perfusão contínua nos casos graves. São prescritos em associação e apenas quando a forma da doença está documentada.
Os bloqueadores dos canais de cálcio merecem um aviso à parte. Por vezes são apresentados como um tratamento corrente da hipertensão pulmonar, e essa simplificação é perigosa. Servem apenas a uma pequena parte dos doentes com hipertensão arterial pulmonar: aqueles em que a prova de vasorreatividade durante o cateterismo foi positiva. Fora desse grupo restrito, e sobretudo nas doenças do coração esquerdo, podem provocar um agravamento brusco. Não devem ser prescritos «pelo diagnóstico», sem essa prova.
A forma que se pode curar
A hipertensão pulmonar tromboembólica crónica fica à parte: é a única variante em que a doença não se limita a ser travada, mas pode ser removida. Desenvolve-se numa parte de quem teve uma embolia pulmonar, por vezes meses depois e por vezes anos, e não raro na sequência de um episódio que passou totalmente despercebido.
O método principal é a endarterectomia pulmonar: uma operação em que se retira das artérias pulmonares o material trombótico já transformado em cicatriz. É exigente e realiza-se em poucos centros, mas nos doentes adequados traz melhoria duradoura, podendo chegar à normalização da pressão. Se a localização das lesões não permitir operar, recorre-se à angioplastia pulmonar com balão — dilatação dos troços estreitados com um balão através de cateter, em regra em várias sessões — e à terapêutica farmacológica. Nesta forma os anticoagulantes tomam-se para toda a vida.
A conclusão prática é simples: se depois de uma embolia pulmonar a falta de ar continuar aos três ou seis meses, há que dizê-lo ao médico e pedir um ecocardiograma, em vez de atribuir tudo à fraqueza pós-doença.
Viver com o diagnóstico
- Mexer-se pode e deve, dentro dos limites combinados com o médico. Ajudam a atividade física aeróbia moderada e a reabilitação acompanhada; prejudicam levantar pesos, fazer força de respiração suspensa e forçar até à falta de ar ou às tonturas.
- A gravidez na hipertensão arterial pulmonar põe a vida em risco e está, na maioria dos casos, desaconselhada, pelo que a contraceção fiável se discute logo após o diagnóstico. Os contracetivos hormonais combinados não servem a todas e interagem com parte dos fármacos, por isso a escolha faz-se com o médico. Se a gravidez ocorrer, é preciso recorrer de imediato a um especialista.
- A vacinação contra a gripe e contra o pneumococo faz sentido: uma infeção respiratória vulgar é pior tolerada com esta doença.
- Cuidado com a altitude e com os voos. A montanha acima dos dois mil metros e as despressurizações não são para estes doentes; antes de uma viagem longa convém discutir o oxigénio a bordo.
- Muitos produtos de venda livre não são inofensivos. Gotas descongestionantes e preparados para a constipação, produtos para emagrecer, alguns analgésicos e qualquer nitrato em conjunto com um inibidor da fosfodiesterase podem fazer cair a tensão bruscamente. Antes de comprar, pergunte.
- Pese-se todos os dias: um aumento rápido é o sinal mais precoce de retenção de líquidos.
Consulta em linha
A consulta em linha é especialmente útil justamente onde esta doença mais se perde: na fase em que a falta de ar já limita a vida e ainda não há explicação. O médico reconstruirá como a falta de ar foi crescendo, com o que se relaciona, se os inaladores ajudaram e se houve desmaios ao esforço, e indicará que exames pedir, a começar pelo ecocardiograma.
Vale também para quem já tem o diagnóstico: para perceber o esquema de fármacos e as suas interações, interpretar os resultados de uma reavaliação, discutir o esforço permitido, uma viagem, a gravidez e a contraceção, e preparar uma cirurgia programada, já que a anestesia na hipertensão pulmonar exige cuidados especiais.
Tenha à mão as cartas de alta, os relatórios do ecocardiograma e do cateterismo, a lista de medicamentos com as doses e, se existir, o resultado da prova da marcha de seis minutos. Se no relato surgirem sinais que exijam ajuda urgente, o encaminhamento é imediato.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Hipertensão pulmonar (HP)
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