Nesta página
- Sintomas que não apontam para nada em concreto
- Porque é a análise ao sangue que dá o diagnóstico
- De onde vem a falta de hormona
- Como tomar a levotiroxina para que resulte
- A dose é definida pela análise, e o tratamento não se abandona
- Gravidez e o seu planeamento
- O que acontece sem tratamento e uma urgência rara
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Tiroide pouco ativa (hipotiroidismo)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 175 mcg levotiroxina sódicaSubstância ativa: levothyroxine sodiumFabricante: Merck S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 112 mcg levotiroxina sódicaSubstância ativa: levothyroxine sodiumFabricante: Merck S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 75 microgramasSubstância ativa: levothyroxine sodiumFabricante: Sanofi Aventis S.A.Requer receita médica
A tiroide é uma glândula pequena situada na parte da frente do pescoço que produz as hormonas responsáveis por marcar o ritmo do metabolismo de todo o organismo. Quando estas escasseiam, o corpo passa a uma mudança mais curta: o coração bate mais devagar, o intestino fica preguiçoso, o pensamento abranda. A esta situação chama-se hipotiroidismo e é muito frequente, sobretudo nas mulheres. De todas as doenças crónicas, esta é das mais agradecidas: o tratamento é simples, barato e devolve a pessoa por completo à vida de sempre. A dificuldade não está em tratar, mas em lembrar-se a tempo de fazer as análises.
Sintomas que não apontam para nada em concreto
A característica principal do hipotiroidismo é não produzir um único sinal próprio e reconhecível. Tudo aquilo com que se manifesta aparece também numa dezena de outras situações e, simplesmente, em qualquer pessoa cansada.
- cansaço permanente que não passa com um fim de semana nem com férias;
- frio: sente-se frio onde os outros estão à vontade;
- aumento de peso comendo o mesmo de sempre e dificuldade em perdê-lo;
- prisão de ventre;
- pele seca e a descamar, cabelo quebradiço, queda de cabelo, unhas frágeis;
- humor em baixo, apatia, dificuldade de concentração e de memória;
- voz rouca e como que espessada;
- inchaço da cara, das pálpebras e das mãos;
- menstruações abundantes ou irregulares;
- dores e rigidez musculares, pulso lento.
Tudo isto se instala devagar, ao longo de meses e anos, e por isso quase nunca é entendido como uma doença. As pessoas atribuem-no à idade, ao trabalho, ao inverno, ao stress, ao parto, ao pouco sono — e todas as explicações parecem plausíveis. É por isso que o hipotiroidismo fica anos por reconhecer e acaba mais vezes por ser encontrado por acaso, em exames pedidos por um motivo completamente diferente.
Da mesma característica decorre o inverso: ter estas queixas não significa, só por si, que haja hipotiroidismo. O cansaço e o excesso de peso têm muito mais vezes outras causas. A conclusão das duas metades é a mesma: não vale a pena adivinhar, vale a pena confirmar.
Porque é a análise ao sangue que dá o diagnóstico
O hipotiroidismo diagnostica-se com uma análise ao sangue, não pela forma como a pessoa se sente nem pela observação. Nenhum médico o deteta a olho e ninguém consegue sentir que a tiroide está a falhar. É precisa uma colheita de sangue comum, das que qualquer laboratório faz.
Olha-se sobretudo para a TSH, a hormona estimuladora da tiroide. Não é produzida pela glândula, mas pela hipófise, e funciona como regulador: se há pouca hormona tiroideia no sangue, a hipófise sobe a TSH para estimular a glândula. Por isso, no hipotiroidismo a TSH está alta — é o parâmetro mais sensível e o primeiro a mexer-se. Com ela costuma dosear-se a T4 livre, que é a própria hormona da tiroide. Se a TSH está alta e a T4 é normal, fala-se em hipotiroidismo subclínico: ainda não há sinais evidentes, e o médico decide entre vigiar e começar já o tratamento consoante a idade, os planos de gravidez e outras circunstâncias. Para perceber se se trata de uma doença autoimune doseiam-se ainda os anticorpos contra o tecido da tiroide, e se a glândula estiver aumentada ou tiver nódulos pede-se uma ecografia.
Um pormenor prático. A interpretação dos valores deve ficar para o médico: os números do relatório dependem da idade, da gravidez, do laboratório e dos medicamentos já tomados, e «ligeiramente fora do intervalo» significa num caso «vigiamos» e noutro «começamos a tratar hoje».
De onde vem a falta de hormona
A causa mais frequente é a tiroidite autoimune, conhecida também como tiroidite de Hashimoto. O sistema imunitário confunde o tecido da tiroide com algo estranho e vai destruindo-o aos poucos; o processo decorre durante anos, sem dor e sem dar nas vistas, até a hormona começar a faltar. É mais comum nas mulheres e em quem já teve na família doenças da tiroide ou outras doenças autoimunes.
As restantes causas são menos frequentes, mas convém conhecê-las porque são previsíveis. O hipotiroidismo surge de forma esperada depois da remoção da tiroide ou de parte dela, depois do tratamento com iodo radioativo e depois de radioterapia à região do pescoço — em todos estes casos as hormonas são vigiadas desde o início. Também alguns medicamentos o podem provocar, entre eles o lítio e a amiodarona. Uma situação à parte é a tiroidite pós-parto: no primeiro ano depois do parto a glândula pode primeiro trabalhar em excesso e passar depois à falta, e por vezes tudo se normaliza sozinho. Por fim, em algumas pessoas a causa é a escassez de iodo na alimentação; nas regiões onde isso é comum ajuda o sal iodado, mas tomar iodo em suplementos por iniciativa própria quando já existe doença da tiroide não é aconselhável — fale disso com o médico de família.
Como tomar a levotiroxina para que resulte
O tratamento consiste em fornecer a hormona em falta sob a forma de comprimido de levotiroxina, cópia exata daquilo que a própria glândula produz. É um fármaco muito estudado, não cria habituação e, na dose certa, não dá efeitos indesejáveis, porque se limita a repor o normal. Mas é exigente quanto à maneira como se toma, e boa parte dos insucessos do tratamento explica-se precisamente por aí.
O comprimido toma-se em jejum, habitualmente de manhã, meia hora a uma hora antes de comer, com água. Se de manhã for incómodo, também serve ao fim da noite, não antes de terem passado várias horas desde a última refeição. O essencial é fazê-lo sempre da mesma maneira: a constância importa mais do que a hora exata.
E agora aquilo de que quase nunca se avisa. A levotiroxina absorve-se mal se por perto no tempo se tomar cálcio ou ferro, e o mesmo vale para os medicamentos para a azia, os antiácidos e alguns fármacos para baixar o colesterol. Devem ficar afastados da levotiroxina pelo menos quatro horas. Dos alimentos, pioram nitidamente a absorção o café, o leite e os produtos de soja, por isso é melhor tomar o café meia hora a uma hora depois do comprimido e não ao mesmo tempo. Se começar qualquer medicamento ou suplemento novo, diga-o ao médico: pode ser preciso afastar as tomas ou repetir a análise. Um comprimido esquecido toma-se assim que a pessoa se lembra, mas se já chegou o dia seguinte não se toma dose a dobrar.
A dose é definida pela análise, e o tratamento não se abandona
A dose inicial é estabelecida pelo médico consoante a idade, o peso e o estado do coração; algumas semanas depois verifica a TSH e corrige. Isto pode repetir-se duas ou três vezes, até o valor assentar onde deve. Depois a análise repete-se cerca de uma vez por ano, ou sempre que haja mudanças nas queixas ou na medicação. O bem-estar não regressa de imediato: para o cansaço ceder e a cabeça clarear costumam ser precisas várias semanas e por vezes um par de meses.
A dose não se altera por iniciativa própria. A tentação percebe-se: o cansaço mantém-se, o peso não baixa, apetece acrescentar meio comprimido. Mas o excesso de hormona é tão prejudicial como a falta: dá palpitações, alterações do ritmo cardíaco, suores, ansiedade, insónia, tremor das mãos e, a longo prazo, ossos mais finos e maior risco de arritmias, sobretudo nos mais velhos. Nada disso se avalia pelas sensações: só a análise o mostra.
E o mais importante: no hipotiroidismo o tratamento é para toda a vida, e o esquema de «fiz um ciclo e parei» aqui não funciona. O comprimido não repara a glândula, substitui aquilo que a glândula já não produz. Uns meses depois da suspensão volta tudo, só que agora a pessoa fica convencida de que «o tratamento não resultou». Não suspenda o medicamento por sua conta, nem sequer sentindo-se perfeitamente bem: sentir-se bem é justamente o sinal de que a dose está correta.
Gravidez e o seu planeamento
As hormonas da tiroide são necessárias ao desenvolvimento do sistema nervoso do bebé, e a glândula do próprio feto não entra logo em funcionamento — nos primeiros meses recebe tudo da mãe. Por isso, na gravidez a necessidade de hormona aumenta e a dose já habitual torna-se insuficiente.
Daqui decorrem algumas coisas. Se toma levotiroxina e está a planear engravidar, diga-o antes ao médico: é sensato confirmar que os valores estão em ordem ainda antes da conceção. Assim que a gravidez estiver confirmada, contacte de imediato sem esperar pela consulta marcada — a dose tem quase sempre de subir, e isso faz-se logo nas primeiras semanas. Durante a gravidez o controlo analítico é mais frequente do que o habitual e, depois do parto, a dose regressa à anterior, novamente orientada pela análise. O hipotiroidismo não tratado na gravidez aumenta o risco de tensão alta, parto prematuro e aborto espontâneo, ao passo que, corrigido a tempo, praticamente não acarreta esses riscos. Tomar levotiroxina durante a gravidez e a amamentação é seguro: não é dos medicamentos que se suspendem.
O que acontece sem tratamento e uma urgência rara
O hipotiroidismo deixado sem tratamento durante muito tempo atinge sobretudo o coração e os vasos: sobe o colesterol, sobe a tensão arterial e aumenta o risco de doença coronária e de insuficiência cardíaca. Ressentem-se a memória e o humor, e nas mulheres o ciclo desregula-se e a capacidade de conceber diminui.
Existe ainda um quadro raro mas mortal: o coma mixedematoso. Desenvolve-se em hipotiroidismos muito graves, em regra longamente descurados, sobretudo em pessoas idosas, e costuma ser desencadeado por uma infeção, um traumatismo, uma cirurgia, a exposição ao frio ou determinados medicamentos. Sinais perante os quais se chama uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número único 112):
- lentificação súbita, sonolência crescente, confusão, dificuldade em acordar a pessoa;
- temperatura corporal invulgarmente baixa, em especial num idoso que não se consegue aquecer;
- pulso muito lento, tensão baixa, respiração lenta e superficial;
- cara muito inchada, com a pele seca e fria.
É uma situação rara e não se deve viver com medo dela; a ideia é sabê-la reconhecer caso aconteça. Isto vale sobretudo para as famílias em que há uma pessoa idosa com doença da tiroide: nela, a sonolência crescente e o frio que não passa no inverno não são «está só cansada» nem «arrefeceu», mas motivo para pedir ajuda de imediato.
Consulta em linha
O hipotiroidismo acompanha-se quase inteiramente com análises e conversa, o que faz dele um dos temas mais adequados ao atendimento à distância. A consulta em linha serve para rever queixas pouco definidas como cansaço, frio e aumento de peso e decidir que análises vale a pena fazer, e igualmente para comentar resultados já disponíveis: o que significa uma TSH alta, se um hipotiroidismo subclínico precisa de tratamento, para que servem os anticorpos.
À distância resolvem-se bem também as dúvidas do dia a dia de quem já está em tratamento: porque não se nota logo a diferença depois de começar, como afastar no tempo a levotiroxina do cálcio, do ferro ou de um fármaco acabado de prescrever, o que fazer perante um comprimido esquecido, quando repetir a análise e como agir assim que uma gravidez é confirmada. Se o médico encontrar algo que exija observação presencial ou cuidados urgentes, dirá isso com clareza.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Tiroide pouco ativa (hipotiroidismo)
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Tiroide pouco ativa (hipotiroidismo) com um médico online.














