Nesta página
- Uma noite mal dormida ainda não é insónia
- De quanto sono se precisa realmente
- O que impede de adormecer e de continuar a dormir
- Quando por trás da insónia está uma doença
- O que resulta sem medicamentos
- O que se compra na farmácia e o que esperar daí
- Quando é preciso um médico e o que lhe será proposto
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Insónia
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 7,5 mg de zopiclonaSubstância ativa: zopicloneFabricante: Sanofi Aventis S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 3,75 mgSubstância ativa: zopicloneFabricante: Grindeks AsRequer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 90 mgSubstância ativa: duloxetineFabricante: Newline Pharma S.L.U.Requer receita médica
A insónia não é uma noite mal dormida, mas a dificuldade repetida em adormecer ou em manter o sono, com o dia seguinte a pagar a conta. Contam as duas metades da definição: quem dorme cinco horas, se levanta descansado e rende como sempre não tem nada para tratar. Se, pelo contrário, a noite se gasta em tentativas de adormecer e o dia decorre em nevoeiro e irritabilidade, trata-se de insónia, ainda que as horas, no papel, deem certo.
Uma noite mal dormida ainda não é insónia
Fala-se de insónia quando a dificuldade se repete várias noites por semana e se nota durante o dia. As formas variam:
- fica uma hora ou mais na cama sem que o sono chegue;
- acorda várias vezes durante a noite e demora muito a voltar a adormecer;
- acorda às quatro ou às cinco da manhã e já não readormece;
- dorme, ao que parece, mas de manhã não tem qualquer sensação de descanso;
- de dia os olhos fecham-se e, mesmo assim, não consegue dormir uma sesta;
- acumulam-se irritabilidade, esquecimentos e dificuldade em manter a atenção e em terminar o que começa.
O penúltimo ponto é revelador: na insónia o sistema nervoso mantém-se sobreativado a toda a hora, e quem a sofre descreve-se como exausto mas incapaz de desligar. Se, ao invés, adormece de imediato e em qualquer lado durante o dia, o problema não será insónia, mas falta de sono ou outra perturbação do sono.
A insónia de curta duração dura menos de três meses, costuma ter um motivo identificável — uma mudança de casa, exames, uma doença, um luto — e vai-se embora com ele. A crónica dura três meses ou mais, pelo menos três noites por semana, e passa a ter vida própria: o motivo inicial esgotou-se há muito e a insónia ficou. A distinção não é burocrática: dela depende o que esperar do tratamento e se faz sentido aguardar que passe sozinha.
De quanto sono se precisa realmente
A norma não é um número, mas um intervalo. Um adulto precisa em média de sete a nove horas, uma criança em idade escolar de nove a treze, um bebé ou uma criança pequena de doze a dezassete, contando o sono diurno. Com os anos o sono torna-se mais leve e fragmentado: a pessoa idosa acorda mais vezes durante a noite e levanta-se mais cedo, e isso por si só não é doença.
Convém guiar-se pelo dia e não pelo relógio. Se a meio da tarde não se abate e ao fim de semana não precisa de recuperar três horas a mais, o sono chega-lhe, digam o que disserem as contas. Contar minutos, também com pulseiras e aplicações, atrapalha por si mesmo: vigiar o próprio sono transforma a cama numa sala de exame.
O que impede de adormecer e de continuar a dormir
Raramente há uma só causa. Na insónia costuma haver um fator que a desencadeou e, à parte, algo que depois a mantém, e o segundo pesa mais.
- Stress e ansiedade. A cabeça continua a trabalhar na cama, a repassar conversas e planos. O quadro clássico é a dificuldade em adormecer à noite.
- Humor em baixo. Na depressão é mais típico o despertar de madrugada sem conseguir voltar a dormir.
- Cafeína. Permanece no organismo muito mais tempo do que se sente: um café às quatro da tarde ainda está a atuar à meia-noite em bastante gente. Também a têm o chá, as bebidas energéticas e os refrigerantes de cola.
- Álcool. Acelera o adormecer e estraga a segunda metade da noite: o sono parte-se e começam os despertares de madrugada. O copo «para dormir» é o erro mais comum.
- Nicotina: é um estimulante, e a vontade noturna de fumar acorda por si só.
- Trabalho por turnos e voos longos. O relógio interno não acompanha a escala.
- As condições do quarto: ruído, luz, ar abafado ou frio, um colchão desconfortável.
- Os ecrãs antes de deitar. Não é só a luz: o telemóvel e as mensagens mantêm o cérebro em modo de trabalho.
- As drogas, sobretudo os estimulantes como a cocaína e as anfetaminas, desorganizam o sono durante muito tempo, incluindo o período depois de as deixar.
Capítulo à parte para os hábitos que nascem como resposta à insónia e acabam por sustentá-la: deitar-se mais cedo «por precaução», ficar horas acordado debaixo dos lençóis, recuperar sono de dia e ao fim de semana, começar a noite com o pensamento de que também esta vai correr mal. O círculo fecha-se sozinho: quanto mais se esforça por dormir, menos consegue.
Quando por trás da insónia está uma doença
Por vezes o sono não está alterado por conta própria e, sem esclarecer a causa, nenhuma regra de higiene do sono servirá. Vale a pena pensar nisso se a insónia surgiu sem motivo aparente ou se resiste com teimosia.
- Apneia do sono. Ressonar com pausas na respiração, despertares com falta de ar, moleza e dor de cabeça de manhã, sonolência durante o dia. A apneia não tratada faz subir a tensão e aumenta o risco de enfarte e de AVC, pelo que destas queixas se fala ao médico sem rodeios.
- Síndrome das pernas inquietas. Uma sensação incómoda nas pernas em repouso que obriga a mexê-las e alivia a andar. Às vezes está por trás uma falta de ferro, que se procura nas análises.
- Dor crónica de qualquer origem, da artrose a uma nevralgia.
- Hipertiroidismo. À insónia juntam-se palpitações, suores, tremor e perda de peso com o apetite do costume.
- Menopausa. Os afrontamentos e os suores noturnos acordam várias vezes.
- As levantadas para urinar por problemas da próstata, diabetes ou insuficiência cardíaca.
- Doenças neurológicas como a doença de Parkinson e as demências, que alteram o próprio ritmo de sono e vigília.
- Perturbações psiquiátricas: ansiedade, doença bipolar, esquizofrenia. Na fase maníaca a necessidade de dormir cai e a pessoa não sente cansaço nenhum — isso é sinal de alarme, não uma vantagem.
- Medicamentos. Perturbam o sono alguns fármacos para a tensão, as hormonas, os tratamentos para a asma, certos antidepressivos e os diuréticos tomados à noite. Não suspenda por sua conta o que lhe foi receitado: é motivo para rever o esquema com o médico.
Nas crianças, por trás do mau sono estão mais vezes os pesadelos, os terrores noturnos e o sonambulismo, além da falta de uma hora fixa para deitar.
O que resulta sem medicamentos
O tratamento principal da insónia crónica não é um comprimido, mas a reorganização do comportamento em torno do sono. Dá fruto mais devagar, só que o fruto fica depois de o tratamento acabar.
- Uma única hora de levantar. Conta mais do que a hora de deitar e mais do que o fim de semana. Vai-se para a cama quando há mesmo sono; levanta-se com o despertador, tenha a noite corrido como tiver.
- Não ficar na cama acordado. Se o sono não chegar em cerca de vinte minutos, levante-se, passe para outra divisão e faça algo tranquilo com pouca luz; volte quando os olhos começarem a fechar-se. A ideia é quebrar a associação entre a cama e estar desperto.
- Não alargar o tempo na cama. Oito horas deitado para seis horas de sono só tornam esse sono mais partido.
- Tirar o relógio da vista. A contagem «faltam-me quatro horas» dispara a ansiedade e acaba de acordar.
- Uma hora de travagem antes de deitar: luz baixa, um duche ou um banho, um livro, tarefas sossegadas. O salto direto do ecrã para a almofada não resulta.
- Luz natural e movimento de manhã. Um passeio à luz do dia acerta o relógio interno melhor do que qualquer ritual noturno. A atividade física intensa é melhor não a deixar para as últimas três ou quatro horas antes de dormir.
- Jantar nem tardio nem pesado, cafeína não além de meio do dia e nada de álcool como sonífero.
- Sesta curta e cedo, uns vinte minutos e antes do meio da tarde. Uma sesta longa e tardia rouba horas à noite.
- Quarto escuro, silencioso e fresco. Cortinados, máscara e tampões para os ouvidos são recursos simples, muitas vezes subestimados.
E um aviso: depois de uma noite em branco não se conduz nem se trabalha com máquinas que exijam atenção. A falta de sono embota os reflexos tanto como o álcool, e quem a sofre não dá por isso.
O que se compra na farmácia e o que esperar daí
Os produtos sem receita são de dois tipos. Os de origem vegetal — valeriana, alfazema, erva-cidreira, passiflora — têm provas de eficácia fracas e, em regra, pouco malefício. Os outros levam um anti-histamínico com efeito sedativo: dão mesmo sono, mas o efeito gasta-se em poucos dias e na manhã seguinte deixam peso, boca seca e lentidão. Nas pessoas idosas encaixam mal, porque pioram a atenção, a memória e o equilíbrio, e uma queda nessa idade sai cara; estão contraindicados nos homens com dificuldade em urinar e em quem tem glaucoma.
A melatonina merece nota à parte: não age como sonífero, mas como sinal para o relógio interno, e por isso o seu lugar é sobretudo na mudança de fuso horário e nos ritmos desacertados. As condições de dispensa variam de país para país e o seu uso deve ser falado com o médico.
A regra geral é uma: um produto de farmácia destina-se a uma ou duas semanas, para quebrar uma fase má, e não ao uso continuado. Se durante meses não se dorme sem comprimido, o problema não está resolvido, apenas adiado. E diga sempre ao farmacêutico o que já toma: juntar vários sedativos é mais perigoso do que cada um deles isolado.
Quando é preciso um médico e o que lhe será proposto
Marque consulta se o sono não melhorou apesar dos hábitos corrigidos; se o problema se arrasta há meses; se por causa dele não dá conta do trabalho, dos estudos ou da casa; se adormece de dia contra a sua vontade. Procure ajuda no próprio dia se surgirem pensamentos de não querer viver, se a insónia vier acompanhada de tristeza profunda e da sensação de que nada tem saída, ou se alguém reparou em pausas na respiração enquanto dorme.
A primeira coisa que o médico faz é procurar a causa: pergunta pelos horários, pelo humor, pela dor, pelos medicamentos, pelo álcool e pelo ressonar, e pede análises quando são precisas, entre elas a função da tiroide e o ferro. É frequente pedir que se mantenha durante duas ou três semanas um diário do sono: a que horas se deitou, quanto tempo esperou pelo sono, quantas vezes acordou, como correu o dia. O diário retrata a situação com mais fidelidade do que a memória.
Na insónia crónica o tratamento de primeira escolha é a terapia cognitivo-comportamental: um programa curto de algumas sessões, presenciais ou em linha, em que se revêem os pensamentos e os hábitos que impedem de dormir e se reconstrói a rotina. Não age mais depressa do que um comprimido, mas o efeito mantém-se anos depois de terminado. Havendo suspeita de apneia ou de narcolepsia, o que interessa já não é o comportamento, mas um estudo noturno num centro do sono.
Os hipnóticos da família das benzodiazepinas e os fármacos aparentados receitam-se pouco e por pouco tempo — dias ou algumas semanas — nas insónias graves e quando o resto falhou. A prudência não é formalismo: a dependência instala-se depressa, ao suspender a insónia volta pior do que antes e de dia ficam sonolência e instabilidade. Se toma um destes fármacos há muito tempo, não o deixe de repente: o esquema de redução é o médico que o define.
Consulta em linha
A insónia é um daqueles temas em que a conversa vale mais do que o exame, pelo que a consulta em linha rende aqui ao máximo. O médico vai reconstituir como são as suas noites: se custa adormecer ou manter o sono, a que horas chega o despertar, o que passa pela cabeça nessa altura, como decorre depois o dia. Perguntará que medicamentos toma, quanto café e quanto álcool bebe, se ressona ou se lhe notaram pausas na respiração e se o humor mudou. No fim ficará claro se basta arrumar os horários, se convém um programa comportamental, se são precisas análises ou se chegou a altura de estudar o sono num centro especializado.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Insónia
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Insónia com um médico online.














