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Medicamentos habitualmente prescritos para Insuficiência cardíaca
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 25 mgSubstância ativa: spironolactoneFabricante: Laboratorios Alter S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 5 mgSubstância ativa: ramiprilFabricante: Laboratorio Stada S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mg furosemidaSubstância ativa: furosemideFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médica
A insuficiência cardíaca é a situação em que o coração deixa de bombear todo o sangue de que o corpo precisa. O nome assusta mais do que devia: não significa que o coração esteja prestes a parar, mas que a bomba trabalha com esforço, ou porque o músculo enfraqueceu e expulsa pouco sangue, ou porque ficou rígido e enche mal entre batimentos. O resultado é parecido: o sangue acumula-se antes de chegar ao coração, o líquido passa para os pulmões e para as pernas, e aos músculos e ao cérebro chega de menos. Eliminar a doença por completo raramente é possível, mas com os esquemas atuais muitas pessoas vivem anos e décadas mantendo a vida de sempre.
Sinais que se atribuem com facilidade à idade
O lado traiçoeiro da insuficiência cardíaca é que os primeiros sinais parecem o cansaço normal de quem já não é novo. Os mais típicos:
- falta de ar — primeiro a subir escadas, depois a caminhar em plano e, nos casos graves, também em repouso;
- impossibilidade de estar deitado: acrescenta-se uma segunda almofada e, de noite, a pessoa acorda sem ar e tem de se sentar para recuperar o fôlego;
- inchaço dos tornozelos e das pernas ao fim do dia, com a meia a deixar uma marca funda; em quem está acamado o líquido acumula-se na zona lombar e no abdómen;
- um cansaço que o descanso não resolve e a sensação de que até um esforço leve esgota;
- aumento rápido de peso, um ou dois quilos em poucos dias: é líquido retido, não gordura;
- tosse seca e insistente, pior deitado, por vezes com pieira;
- abdómen inchado, peso debaixo das costelas direitas, falta de apetite;
- batimento acelerado ou irregular;
- tonturas e, nos idosos, confusão e lentidão de raciocínio.
O quadro instala-se de maneiras diferentes: ao longo de semanas e meses na forma crónica, e em poucas horas na forma aguda, quando os pulmões se enchem depressa de líquido.
Quando é preciso uma ambulância
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número europeu único 112) se:
- de repente custa respirar em repouso, a pessoa arqueja, não consegue falar em frases inteiras e tem de ficar sentada;
- surgir respiração borbulhante ou expetoração espumosa, por vezes rosada;
- os lábios, a cara ou os dedos ficarem azulados;
- houver aperto ou ardor no peito, com dor a irradiar para o braço, o pescoço ou o maxilar, suores frios e náuseas;
- a pessoa perder os sentidos;
- o batimento ficar muito rápido ou muito lento e vier acompanhado de fraqueza e vista a escurecer.
Já sem ambulância, mas no próprio dia, vale a pena procurar o médico se em dois ou três dias o peso subiu dois quilos ou mais, se o inchaço passou acima dos tornozelos, se a falta de ar piorou nitidamente ou se foi preciso dormir sentado. São avisos de que a doença está a fugir ao controlo e, em regra, basta corrigir a tempo a terapêutica para evitar o internamento.
O que leva à insuficiência cardíaca
Normalmente juntam-se na mesma pessoa várias causas que trabalham em conjunto há anos:
- doença coronária e enfarte prévio: parte do músculo é substituída por cicatriz e deixa de contrair;
- tensão arterial alta de longa data: o coração bombeia anos contra resistência, a parede espessa e perde elasticidade;
- valvulopatias;
- arritmias, sobretudo a fibrilhação auricular;
- miocardiopatias, incluindo as hereditárias e as ligadas ao álcool;
- diabetes e obesidade;
- cardiopatias congénitas.
Há causas que importa não deixar passar, porque têm tratamento próprio: as doenças da tiroide, a anemia grave, a amiloidose cardíaca, a miocardite, a hipertensão pulmonar, a lesão do músculo por alguns fármacos de quimioterapia e a miocardiopatia que surge em torno do parto. Quando a insuficiência cardíaca aparece numa pessoa jovem ou se instala depressa, são estas as hipóteses estudadas em primeiro lugar.
Como se chega ao diagnóstico
Começa-se pela conversa e pelo exame: o médico ausculta pulmões e coração, observa as veias do pescoço e o inchaço das pernas, e pesa o doente. Segue-se a análise dos peptídeos natriuréticos, a substância que o coração liberta quando está sobrecarregado. Um resultado normal torna o diagnóstico pouco provável, e isso vale muito: permite procurar outra explicação para a falta de ar.
O exame decisivo é o ecocardiograma. Mostra com que força se contrai o ventrículo esquerdo e em que estado estão as válvulas e as paredes. É aí que se mede a fração de ejeção, a proporção de sangue que o ventrículo expulsa em cada contração, e dela depende a escolha do tratamento: com fração reduzida funciona um conjunto de fármacos, com fração preservada outro.
Completam o quadro o eletrocardiograma, a radiografia do tórax e as análises, com função renal, eletrólitos, ferro e função da tiroide. As provas respiratórias ajudam a distinguir a falta de ar de origem cardíaca da pulmonar e, quando o quadro continua pouco claro, recorre-se à ressonância cardíaca ou à coronariografia.
Quatro classes: até onde a pessoa chega
A gravidade descreve-se por classes funcionais, que não falam do aspeto do coração nas imagens mas daquilo que a pessoa consegue fazer:
- primeira classe: a atividade física habitual é tolerada sem limitações;
- segunda classe: em repouso está tudo bem, mas o esforço do costume provoca falta de ar ou cansaço;
- terceira classe: as queixas surgem já com esforços pequenos, como vestir-se ou atravessar a casa;
- quarta classe: há mal-estar mesmo em repouso e qualquer movimento agrava a falta de ar.
A classe não é uma sentença nem um valor fixo: com tratamento costuma descer. Aos médicos serve para perceber quão intensiva deve ser a terapêutica e quando levantar a questão dos dispositivos ou da cirurgia.
Com o que se trata
O objetivo é aliviar os sintomas, travar a deterioração do músculo e reduzir os internamentos. A base são fármacos de várias famílias prescritos em conjunto e com a dose aumentada por etapas: os que dilatam os vasos e aliviam o coração (inibidores da enzima de conversão da angiotensina ou antagonistas dos recetores da angiotensina, além da combinação com um inibidor da neprilisina), os betabloqueantes, os antagonistas dos recetores mineralocorticoides e os inibidores do cotransportador de sódio e glicose, que vieram da diabetologia e se revelaram úteis ao coração independentemente do açúcar. À parte prescrevem-se os diuréticos: não curam o músculo, mas tiram a congestão e devolvem a possibilidade de respirar.
O acerto demora semanas: as doses sobem por degraus e entre degraus repetem-se as análises, porque estes fármacos mexem com a tensão, o potássio e a função renal. Os efeitos indesejáveis — tosse seca, tonturas, fraqueza — resolvem-se em geral trocando de preparado dentro da mesma família. Interromper o tratamento porque se está melhor é um erro: essa melhoria é precisamente o efeito do tratamento.
Em algumas formas ajudam os dispositivos: o pacemaker quando o ritmo é demasiado lento, o dispositivo de ressincronização que faz as paredes do ventrículo contrair em conjunto e o desfibrilhador implantável contra arritmias que põem a vida em risco. Se a causa for corrigível, discute-se a cirurgia: reparar ou substituir uma válvula, repor o fluxo coronário com stent ou com bypass. Nos casos graves, esgotados os fármacos, fala-se de assistência mecânica à circulação e de transplante cardíaco.
O que depende da própria pessoa
Aqui o papel do doente pesa mais do que em quase qualquer outra doença do coração, e há hábitos que mudam mesmo a evolução:
- pesar-se todas as manhãs, em jejum e depois de ir à casa de banho, e anotar o valor: o peso é o detetor mais sensível de retenção de líquidos;
- reduzir o sal e, se o médico o indicar, também o volume de líquidos por dia;
- deixar de fumar a sério, e não «aos poucos», pedindo ajuda se sozinho não resultar;
- limitar muito o álcool e suprimi-lo por completo se a insuficiência cardíaca estiver relacionada com ele;
- manter atividade física regular e ajustada às forças: os programas de reabilitação cardíaca acompanhados por especialistas melhoram o bem-estar e a tolerância ao esforço;
- vacinar-se contra a gripe e o pneumococo segundo o calendário nacional: uma infeção respiratória é um desencadeante clássico de descompensação;
- combinar com o médico qualquer medicamento novo, incluindo os de venda livre: os anti-inflamatórios retêm líquido e atrapalham o tratamento.
O diagnóstico costuma bater no ânimo: medo, ansiedade e desânimo são uma reação vulgar, não uma fraqueza. Vale a pena falar disso com o médico, porque o ânimo em baixo agrava também a doença: a pessoa deixa de tomar os medicamentos e de se mexer. Ajudam os grupos de apoio e a conversa com quem tem o mesmo diagnóstico.
Consulta em linha
Na consulta em linha, o médico da Oladoctor ajuda a situar-se: ouve as queixas, analisa os relatórios de ecocardiograma e as análises que enviar, explica o que significam a fração de ejeção e a sua classe funcional, revê o esquema de medicamentos e indica que sinais obrigam a procurar ajuda sem demora.
O formato serve para as perguntas que se podem programar: como manter o diário de peso, o que fazer com o inchaço das pernas, se pode viajar de avião, como conciliar este tratamento com outras doenças, o que perguntar ao cardiologista na consulta presencial. Perante falta de ar súbita e intensa, dor no peito, lábios azulados ou perda de consciência, a consulta em linha não serve: é preciso uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Insuficiência cardíaca
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