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Medicamentos habitualmente prescritos para Joanete (hálux valgo)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 600 MG IBUPROFENO/SOBRE MONODOSESubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Zambon S.A.U.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 20 mg/mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Farmalider S.A.Requer receita médica
Aquilo a que se chama joanete tem em medicina outro nome: hálux valgo, o desvio lateral do dedo grande do pé. É a deformidade mais comum da parte da frente do pé e atinge cerca de uma em cada quatro mulheres adultas e bastantes menos homens. A saliência cresce devagar, ao longo de anos, e durante muito tempo só atrapalha na escolha dos sapatos. Endireitar o dedo por completo só a cirurgia consegue, mas a dor e a rapidez com que tudo piora dependem em grande medida dos hábitos de cada dia.
Não é um osso que nasce, é uma articulação que escorregou
A explicação popular dos «depósitos de sais» é falsa e atrapalha a compreensão do que realmente acontece. Não nasce osso novo de lado. O que sucede é que dois ossos antes alinhados se afastam: o primeiro metatarso desvia-se para dentro, na direção do centro do pé, enquanto o dedo se inclina para fora, na direção dos vizinhos. A cabeça do metatarso fica a descoberto e começa a sobressair debaixo da pele: é isso o joanete.
Por cima, o atrito permanente com o calçado forma uma bolsa serosa, um pequeno saco com líquido que protege a pele. Quando inflama, a saliência fica vermelha e quente e dói muito mais do que o seu tamanho faria supor. Daqui sai uma conclusão importante: a dor pode disparar e acalmar sem que a deformidade tenha mudado seja o que for.
O processo alimenta-se a si próprio. Quanto mais o primeiro osso escorrega, pior o dedo segura a sua posição e mais depressa se desvia ainda. Este mecanismo não tem marcha atrás.
O que se sente, para além da saliência
- dor ao longo do bordo interno do pé dentro do sapato, que alivia assim que se tira o calçado;
- vermelhidão, inchaço e calor sobre a saliência: é a bolsa inflamada;
- pele espessa e calosidade sobre a própria saliência e, por vezes, um calo entre o primeiro e o segundo dedo;
- o segundo dedo empurrado para cima ou montado sobre o primeiro, que com o tempo endurece dobrado;
- dor e calo debaixo da almofada plantar, à altura do segundo e do terceiro dedo: o dedo grande deixa de suportar a sua parte da carga e ela passa para os vizinhos;
- dificuldade em encontrar calçado e o hábito de o comprar um número acima.
O tamanho da saliência e a intensidade da dor têm pouca relação entre si. Há deformidades aparatosas que não incomodam durante décadas e outras moderadas que impedem aguentar um dia de trabalho de pé.
De onde vem realmente
O que decide não é o calçado, mas a arquitetura do pé, que se herda. Pesam a mobilidade excessiva do primeiro raio, uma parte da frente do pé larga, o pé plano e a frouxidão dos ligamentos. Se a mãe e a avó tinham joanetes, a probabilidade é alta, e os primeiros sinais podem surgir logo na adolescência, muito antes de qualquer salto.
O calçado estreito, de salto alto e bico afiado, não cria a deformidade, mas acelera-a: o salto transfere o peso para a frente do pé e o bico estreito junta os dedos e mantém-nos fora de posição durante horas. Numa pessoa predisposta isso representa uma diferença de anos.
À parte fica a deformidade secundária, que não se herda mas resulta de outra doença: artrite reumatoide e outras artrites inflamatórias, perturbações hereditárias do tecido conjuntivo, doenças neurológicas que alteram o tono muscular, uma fratura antiga do pé. Aí faz sentido tratar a doença de base e não apenas o pé.
O que ajuda e o que não vai endireitar o dedo
Digamos com clareza aquilo que a publicidade cala: num adulto nem os exercícios, nem as talas noturnas, nem os separadores de silicone, nem os massajadores e os cremes devolvem o dedo ao seu lugar. A deformidade assenta na posição dos ossos e não no tono dos músculos. Tudo o que foi enumerado pode reduzir a dor, o que já vale alguma coisa, mas não é endireitar.
O que tira mesmo a dor:
- sapatos de biqueira larga e alta, gáspea macia e salto baixo e estável: a medida mais eficaz de todas;
- proteções de silicone sobre a saliência, que eliminam o atrito com o calçado;
- frio envolvido num pano sobre a saliência inflamada, poucos minutos de cada vez;
- ciclos curtos de analgésicos: paracetamol ou anti-inflamatórios não esteroides, se nada os contraindicar;
- palmilhas, sobretudo quando há pé plano associado, porque redistribuem a carga e tiram a dor da almofada plantar;
- perder peso quando há peso a perder, e separadores entre os dedos quando a prega entre eles fica em carne viva.
Quando já não é apenas um joanete
Há situações em que atribuir tudo à deformidade é perigoso.
A articulação ficou de repente vermelha, quente e muito dolorosa, sobretudo à noite. Isso não é um joanete, mas um ataque de gota ou uma infeção dentro da articulação. Se houver febre, arrepios ou se a dor não deixar apoiar o pé, é preciso ser observado no próprio dia: uma artrite infeciosa destrói a articulação em poucos dias.
Quem tem diabetes ou perdeu sensibilidade nos pés deve saber que a pele sobre a saliência é o ponto mais frágil de todo o pé. Um atrito que passou despercebido transforma-se em úlcera, e a úlcera numa infeção do osso, porque falta a dor que deveria avisar. Os pés observam-se todos os dias, incluindo os espaços entre os dedos, e as calosidades não se cortam em casa. Qualquer ferida, bolha ou mancha escura sobre o joanete deve ser mostrada de imediato, e não dentro de uma semana.
O pé ficou frio e pálido e a barriga da perna dói ao caminhar. Aqui fala-se de circulação e não da articulação, e é assunto a esclarecer à parte.
Em condições normais convém marcar consulta com o médico de família se a dor não ceder ao fim de algumas semanas com calçado confortável, se impedir trabalhar e andar ou se a deformidade avançar depressa.
A cirurgia: a quem serve e o que esperar dela
A única indicação para operar é a dor e a limitação que ela impõe à vida. Não se opera pela estética do pé nem para caber em sapatos estreitos: as complicações são exatamente as mesmas e não há nada a ganhar.
O objetivo da intervenção é repor os ossos na posição certa. Na maioria das vezes o primeiro metatarso é cortado e rodado e depois fixado com parafusos, que em regra ficam no pé para sempre, equilibrando ao mesmo tempo os ligamentos e os tendões em redor da articulação. Quando a base do primeiro raio está muito solta, ou a articulação já foi destruída pela artrose, opta-se por fundi-la. É habitualmente cirurgia de ambulatório, com anestesia locorregional ou geral.
Vale a pena conhecer a recuperação de antemão, porque as expectativas raramente coincidem com a realidade:
- nas primeiras semanas anda-se com um sapato próprio que alivia a frente do pé, mantendo o pé elevado;
- ao calçado normal e à condução regressa-se em média ao fim de mês e meio a dois meses;
- o inchaço do pé dura muito tempo, nalgumas pessoas seis meses ou mais, e aumenta ao fim do dia;
- o desporto com impacto no pé adia-se por vários meses.
Resultados sobre os quais quase ninguém pergunta: o dedo pode ficar não perfeitamente direito, a articulação um pouco mais rígida e uma zona de pele junto à cicatriz sem sensibilidade. A deformidade regressa por vezes ao fim de anos, sobretudo quando se operou em idade jovem ou perante um desvio muito acentuado. Nem sempre é erro de alguém: é uma característica da própria doença.
Sapatos que não aceleram o processo
A hereditariedade não se muda; a velocidade muda-se.
- experimente o calçado ao fim da tarde, quando o pé está mais largo, e guie-se pelo pé maior;
- os dedos devem ficar planos dentro da biqueira e poder afastar-se, e não empurrar contra ela;
- o salto do calçado diário deve ser baixo e estável; o alto fica para as ocasiões e não para o dia de trabalho;
- alterne os pares e não use o mesmo modelo todos os dias;
- em crianças e adolescentes verifique a folga do sapato de poucos em poucos meses: nessa idade o pé cresce depressa e um calçado apertado é sentido como normal.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico avalia, pelo relato e por fotografias do pé, até onde avançou a deformidade, distingue de onde vem a dor — da própria saliência, de uma bolsa inflamada ou de uma almofada plantar sobrecarregada — e orienta sobre o que mudar primeiro no calçado e na atividade. Explica ainda se são precisas radiografias, se há sinais que exijam observação presencial e se chegou o momento de falar de cirurgia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Joanete (hálux valgo)
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