Labirintite e neurite vestibular
São duas doenças muito parecidas do ouvido interno, nas quais a pessoa perde de repente o sentido de estabilidade: o quarto começa a girar, chega a náusea e…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Labirintite e neurite vestibular
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 24 mgSubstância ativa: betahistineFabricante: Accord Healthcare S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 24 mgSubstância ativa: betahistineFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 8 mgSubstância ativa: betahistineFabricante: Laboratorio Stada S.L.Requer receita médica
São duas doenças muito parecidas do ouvido interno, nas quais a pessoa perde de repente o sentido de estabilidade: o quarto começa a girar, chega a náusea e ficar de pé ou andar torna-se impossível. A crise não dura segundos nem minutos, mas horas e dias seguidos, e é isso que a distingue da maioria das tonturas. Ambos os quadros quase sempre se resolvem sozinhos, mas os primeiros dias custam a passar. E a tarefa principal nesse período é não deixar escapar os casos, pouco frequentes, em que por trás do mesmo quadro não está o ouvido mas o cérebro.
O que acontece nos primeiros dias
O início é brusco. A vertigem pode apanhar a pessoa de manhã, mal levanta a cabeça da almofada, ou instalar-se ao longo de algumas horas, muitas vezes uma a duas semanas depois de uma constipação. A sensação é muito característica: o que gira é o quarto e não a cabeça, e qualquer movimento da cabeça piora tudo.
Com a rotação surgem habitualmente:
- náuseas fortes e vómitos, por vezes repetidos;
- instabilidade: a pessoa é puxada para um lado e só consegue andar encostada às paredes;
- a sensação de que o olhar não se fixa nos objetos e de que tudo dá solavancos;
- na labirintite, perda de audição num ouvido e zumbido ou apito nesse mesmo ouvido.
O pior são os primeiros um a três dias. Depois a rotação aguda esmorece, mas fica uma insegurança que aumenta no meio de gente, num supermercado de corredores compridos, nos movimentos rápidos da cabeça. Essa parte desaparece em duas a seis semanas, às vezes mais: o cérebro volta a aprender a apoiar-se nos sinais do lado que ficou intacto e a atenuar a diferença entre os dois ouvidos. É nisso que consiste a cura, e não na reparação do nervo inflamado — por isso ficar deitado até todos os sintomas desaparecerem não é apenas desnecessário, é prejudicial.
Qual é a diferença entre as duas
A diferença está em que parte do ouvido interno foi atingida. O labirinto é o sistema de canais semicirculares cheios de líquido juntamente com a cóclea, e trata tanto do equilíbrio como da audição. O nervo vestibular leva ao cérebro apenas os sinais sobre a posição da cabeça; o som não passa por ele.
Daqui sai uma regra simples: se a audição não mudou, trata-se de neurite vestibular; se à vertigem se juntam surdez e ruído no ouvido, é labirintite. A distinção não é decorativa. Perante qualquer perda de audição o médico tem de verificar que não se trata das situações que exigem tratamento urgente, referidas a seguir.
Quando o problema não está no ouvido
Uma vertigem intensa e súbita pode ser a única manifestação de um acidente vascular cerebral no cerebelo ou no tronco cerebral. Distingui-lo de uma inflamação do ouvido interno pelo que se sente é impossível: quem o faz é o médico na observação, sobretudo pelos movimentos dos olhos. Nas primeiras vinte e quatro horas convém, por isso, pecar por excesso de prudência.
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia pelo número europeu único 112) se junto com a vertigem surgir alguma destas coisas:
- visão dupla ou perda de uma parte do campo visual;
- fala arrastada, dificuldade em engolir, engasgamento;
- fraqueza ou dormência de um braço, de uma perna ou de metade da cara;
- dor de cabeça forte e diferente das habituais, ou dor no pescoço e na nuca, sobretudo se houve antes um traumatismo ou uma torção brusca do pescoço;
- incapacidade de se manter de pé ou sentado sem apoio: não é oscilar, é cair;
- confusão ou perda de consciência.
O risco de AVC é maior em quem tem hipertensão, diabetes ou fibrilhação auricular, nos fumadores e a partir dos sessenta anos. Mas também acontece em pessoas novas, e aí a causa é mais vezes uma disseção da artéria vertebral, justamente a que se acompanha de dor cervical.
Há outras duas situações que obrigam a procurar o médico no próprio dia, sem deixar para amanhã. A primeira é uma descida brusca da audição num ouvido: a surdez súbita neurossensorial trata-se com corticoides, e o resultado depende de se começar nos primeiros dias; passadas duas ou três semanas já quase nada há a fazer. A segunda é a vertigem precedida de dor de ouvido, supuração ou uma otite crónica antiga. É então possível uma labirintite bacteriana, que pode evoluir para meningite e abcesso cerebral. Exigem socorro imediato a febre alta, a dor de cabeça que aumenta, o incómodo com a luz e a rigidez do pescoço.
Porque é que o ouvido interno inflama
A causa mais frequente é vírica. Uma parte dos casos segue-se a vírus respiratórios correntes, outra vem do despertar de um vírus do grupo herpes que passou anos calado num gânglio nervoso. A labirintite em si não se transmite de pessoa para pessoa; o que passa é a constipação, e que dela nasça ou não uma inflamação do ouvido não depende de quem a transmitiu.
Menos vezes a inflamação chega do ouvido médio: otite média aguda purulenta, otite crónica, colesteatoma ou mastoidite. É a forma bacteriana, a mais perigosa, e precisa de tratamento próprio. Nas crianças o ouvido interno pode ficar lesado por uma meningite, e nesse caso a audição sofre. Causas bem mais raras são as doenças autoimunes e os traumatismos.
Vale a pena dizer com clareza o que não consta desta lista: nem as correntes de ar, nem lavar o cabelo, nem limpar os ouvidos com cotonetes provocam labirintite. O cansaço, a falta de sono e o stress também não são causa, embora agravem de forma nítida uma vertigem já instalada e atrasem a recuperação.
O que faz o médico
O diagnóstico faz-se pela conversa e pela observação, sem análises. Ao médico interessa quanto dura um episódio de vertigem, se o início foi súbito, se a audição mudou e o que aconteceu nos dias anteriores. Depois observa os movimentos dos olhos, verifica a coordenação e a marcha e, com manobras próprias, separa a causa do ouvido da causa cerebral. Se a audição mudou pede-se um exame audiométrico; se há suspeita de AVC, uma ressonância magnética: a tomografia computorizada comum vê mal o cerebelo e o tronco cerebral e nas primeiras horas surge normal mesmo havendo enfarte.
Ao mesmo tempo excluem-se os quadros que mais se confundem com a neurite: a vertigem posicional benigna (crises curtas de alguns segundos ao virar-se na cama), a doença de Ménière (episódios repetidos com ouvido tapado e audição oscilante) e a enxaqueca vestibular.
Os medicamentos servem apenas para atravessar os primeiros dias. O médico pode receitar algo que trave a náusea e a vertigem, um anti-histamínico ou um antiemético, mas num ciclo curto, de cerca de três dias. Não se prolongam de propósito: apagam justamente os sinais com que o cérebro se está a reajustar e arrastam a recuperação por meses. Os antibióticos não servem de nada numa inflamação vírica e só se dão na forma bacteriana. Os corticoides nem sempre se usam nos primeiros dias: na neurite o benefício é discutido, ao passo que na surdez súbita são o tratamento principal.
Como atravessar os primeiros dias em casa
- Nas horas piores fique imóvel num quarto escurecido e silencioso; para muita gente a posição meio sentada é mais suportável do que deitada.
- Beba pouco de cada vez e com frequência. Se os vómitos forem repetidos e nem a água ficar cá dentro, é preciso médico: aqui a desidratação instala-se depressa.
- Assim que os vómitos pararem, comece a levantar-se e a andar, mesmo apoiado no braço de alguém. Acrescente um pouco todos os dias. O repouso na cama para além do necessário é a primeira razão de o quadro se arrastar.
- Na rua mantenha o olhar num ponto fixo à frente em vez de olhar em redor.
- Durma o suficiente: a falta de sono agrava a vertigem mais do que parece.
- Não conduza, não ande de bicicleta e não trabalhe em altura nem com máquinas — e não até se sentir um pouco melhor, mas até ter um equilíbrio firme.
- Ponha o álcool de lado durante este período.
- As pessoas idosas e quem vive sozinho devem retirar tapetes e fios do chão, deixar uma luz de presença acesa e ter o telefone à mão: nestes dias a queda é um risco real.
Quando o equilíbrio não volta
Se ao fim de algumas semanas a confiança nas pernas não voltou, ajuda a reabilitação vestibular: exercícios para os olhos, a cabeça e a marcha definidos por um fisioterapeuta ou por um audiologista. São montados de forma pouco intuitiva, porque os movimentos provocam de propósito uma vertigem ligeira e é exatamente sobre isso que assenta a habituação. Têm de ser feitos com regularidade e não convém começar sem um profissional, para não treinar uma compensação errada.
Uma armadilha à parte é a evitação. A pessoa deixa de virar a cabeça, anda devagar e agarra-se às paredes, e o cérebro fica sem material com que se reajustar. É assim que se instala a tontura postural percetiva persistente: uma sensação de balanço que não cede durante meses, aumenta nos supermercados, nas escadas rolantes e à frente de um ecrã, e quase sempre vem acompanhada de ansiedade. Não é invenção nem coisa de nervos, mas um diagnóstico reconhecido com tratamento próprio, a reabilitação e por vezes também medicamentos.
As crises repetidas indicam que o diagnóstico precisa de ser revisto: a neurite, por definição, acontece uma só vez. Com bastante frequência surge depois uma vertigem posicional benigna, com crises breves ao virar-se na cama, que uma manobra própria do médico resolve numa única consulta. A perda de audição da labirintite fica por vezes para sempre; nesse caso pondera-se um aparelho auditivo e, havendo surdez completa de um ouvido, outras formas de ajuda.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico aborda antes de mais aquilo que decide o caso: quanto dura o episódio, o que o precedeu, se a audição mudou, se há sinais que obriguem a chamar uma ambulância. Só por esta descrição percebe-se em muitos casos se se trata de neurite vestibular, de vertigem posicional ou de uma situação que exige observação presencial urgente. Vai explicar-lhe com que medicamentos e durante quantos dias se pode travar a náusea e porque não devem ser prolongados, como começar a mexer-se e a que ritmo aumentar a atividade física, e quando poderá voltar a conduzir e ao trabalho. Se a recuperação se estiver a arrastar, indicará a que profissional recorrer para a reabilitação vestibular e que exames faz sentido realizar antes.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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