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Medicamentos habitualmente prescritos para Laringite
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 650 mg paracetamolSubstância ativa: paracetamolFabricante: Viatris Pharmaceuticals S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 MG/MLSubstância ativa: paracetamolFabricante: Ionfarma S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: PRODUTO PARA USO NASAL, 27,5 µgSubstância ativa: fluticasone furoateFabricante: Glaxosmithkline (Ireland) LimitedRequer receita médica
Chama-se laringite à inflamação da laringe e, na maioria dos casos, ao inchaço das cordas vocais. A voz baixa, fica rouca e grave, por vezes desaparece por completo, a garganta faz comichão e apetece limpá-la a toda a hora. A laringite aguda é quase sempre vírica e passa sozinha em uma ou duas semanas. Vale a pena perceber duas coisas: como ajudar a voz a voltar mais depressa e em que casos por trás da rouquidão não está uma constipação.
O que acontece às cordas vocais
O som nasce quando duas pregas finas da laringe se encostam e começam a vibrar na corrente de ar que sai dos pulmões. Essa vibração é rápida e extraordinariamente precisa, e qualquer pormenor a perturba. Ao inflamarem, as pregas incham, ficam mais pesadas e perdem elasticidade: deixam de fechar bem, parte do ar escapa sem produzir som e a vibração torna-se irregular. Daí o timbre característico — grave, rouco, soprado — e a sensação de ter de empurrar a voz para fora.
Perceber o mecanismo explica o princípio do tratamento. Um tecido inchado sara em repouso, e tudo o que faz as pregas baterem uma na outra com mais força adia essa cura. Por isso o essencial na laringite não são os gargarejos nem os xaropes, mas o repouso vocal e a humidade.
Como se manifesta
A laringite costuma começar de repente, agrava nos primeiros dois ou três dias e depois cede. O quadro típico é este:
- voz rouca e rachada, que ao fim do dia soa pior;
- perda completa da voz durante um ou dois dias: assusta, mas em si não é perigosa;
- tosse seca e irritativa que não alivia nada;
- vontade constante de limpar a garganta;
- secura, ardor e ligeira dor de garganta, sobretudo ao acordar;
- incómodo ou esforço ao falar e ao tentar subir de tom.
A laringite raramente vem sozinha: quase sempre faz parte de uma constipação ou de uma gripe, pelo que a acompanham nariz entupido, febre e dores no corpo. Se a voz se mantém clara e só dói a garganta, trata-se antes de uma faringite ou de uma amigdalite — quadros vizinhos, mas diferentes, que se comportam de outra maneira.
A laringite da criança e o crupe
Nas crianças pequenas a laringe é estreita, e o mesmo inchaço que num adulto apenas estraga a voz, numa criança reduz o calibre da via respiratória. É assim que surge o crupe, sobretudo entre os seis meses e os três anos e quase sempre de noite. Reconhece-se com facilidade: tosse de cão, «de foca», voz rouca e uma inspiração ruidosa e sibilante.
A primeira coisa a fazer é acalmar a criança e acalmar-se: o choro e o susto apertam ainda mais a passagem. Segura-se a criança ao colo, na vertical, e dá-se-lhe ar fresco e húmido, junto a uma janela entreaberta ou na casa de banho com vapor. O tratamento fundamental do crupe é um corticoide prescrito pelo médico; uma única dose costuma travar o episódio, e essa decisão cabe a um profissional, não aos pais.
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia, pelo número europeu único 112) se na criança ou num adulto surgir algum destes sinais:
- inspiração ruidosa e sibilante em repouso, e não apenas ao chorar ou ao mexer-se;
- afundamento da pele entre as costelas, acima das clavículas e abaixo do esterno a cada respiração, adejo nasal;
- lábios azulados ou muito pálidos, prostração, confusão;
- a criança senta-se inclinada para a frente, de boca entreaberta, com baba a escorrer e sem conseguir engolir;
- dor de garganta intensa com febre alta e voz abafada, estando a faringe quase limpa à vista.
Os dois últimos pontos descrevem uma epiglotite, a inflamação da epiglote. É um quadro raro mas verdadeiramente perigoso, no qual a via respiratória pode fechar em poucas horas. Perante essa suspeita não se deve espreitar a garganta com uma colher nem deitar a pessoa de costas: ambas as coisas podem provocar um espasmo. Mantém-se a criança na posição que ela própria escolher e espera-se pela ambulância.
O que ajuda em casa
Um adulto com uma laringite comum não costuma precisar de consulta. O que ajuda é o seguinte.
- Falar pouco — e nunca em voz sussurrada. O sussurro força as pregas tanto como a fala normal, por vezes mais. Fale baixo, mas com voz normal, e faça pausas.
- Beber ao longo do dia: água, bebidas mornas, qualquer coisa suave. Uma mucosa desidratada repara-se mais devagar.
- Humedecer o ar: o aquecimento e o ar condicionado secam-no mais do que parece. Ajudam um humidificador ou simplesmente respirar sobre vapor.
- Deixar o tabaco nestes dias, incluindo o fumo alheio, e evitar espaços com pó ou fumo.
- Moderar o café forte e as bebidas alcoólicas, que secam a mucosa.
- Para a dor de garganta, os analgésicos habituais sem receita: paracetamol e, se nada o contraindicar, um anti-inflamatório não esteroide. Rebuçados e gargarejos com água morna e sal suavizam a faringe; não chegam às pregas, mas tornam o ardor mais suportável. Nas crianças pequenas os gargarejos não servem.
- Perder o hábito de limpar a garganta. Cada «hem» é uma batida de uma prega contra a outra. Substitua-o por um gole de água ou por uma deglutição calma.
O que convém evitar: descongestionantes nasais e saquetas «para a constipação» durante mais de dois dias, porque secam a mucosa e prejudicam a voz; exigir um antibiótico, já que a laringite aguda é quase sempre vírica e o antibiótico não encurta a recuperação nem um dia; e as inalações com o que calhar ou o calor no pescoço com febre alta.
Quando recorrer ao médico e o que deve alarmar
Vale a pena falar com o médico de família se a voz não começou a recuperar ao fim de duas semanas, se a laringite se repete várias vezes por ano ou se todas as manhãs acorda com a voz rouca.
Há um grupo à parte de sinais perante os quais é preciso observar a laringe com endoscópio, e não mais uma ronda de gargarejos:
- rouquidão com mais de três semanas, sobretudo num fumador com mais de quarenta anos;
- aparecimento de um nódulo duro no pescoço;
- dificuldade ou dor a engolir, sensação de que a comida prende em alguma coisa;
- dor num ouvido estando esse ouvido saudável;
- sangue na expetoração;
- perda de peso sem motivo.
Por trás deste conjunto pode estar um tumor da laringe, e as suas formas iniciais respondem bem ao tratamento — mas apenas enquanto são encontradas cedo. A observação endoscópica demora dois minutos e faz-se com anestesia local.
Na consulta o médico observará a garganta, perguntará pelo uso da voz, pelo refluxo e pelo trabalho, colherá uma zaragatoa ou pedirá análises se for caso disso e, perante episódios repetidos, encaminhará para o otorrinolaringologista ou para o foniatra.
Porque é que a laringite volta
Quando a rouquidão regressa vezes sem conta, em regra não se trata de infeção mas de uma causa que continua a atuar. As mais frequentes são estas:
- A carga vocal. Professores, educadores de infância, empregados de balcão, operadores de centros de chamadas, treinadores, cantores: dias inteiros em volume elevado, muitas vezes em espaços ruidosos. Aqui não adianta calar-se depois de cada crise, mas sim trabalhar a colocação da voz e organizar o dia: pausas, microfone, água à mão.
- A subida de ácido do estômago. Reconhece-se pela rouquidão matinal, pelo hábito de limpar a garganta, pela sensação de nó e pela ausência de azia: o ácido chega à laringe sem provocar a ardência típica atrás do esterno. Ajudam não comer mesmo antes de deitar, elevar a cabeceira da cama e o tratamento indicado pelo médico.
- O tabaco. Anos de fumo produzem um inchaço permanente das pregas que, nas mulheres, torna a voz nitidamente mais grave e áspera. Depois de deixar de fumar recupera em parte.
- Ar seco e alergia — época de aquecimento, ar condicionado, pó, pelo de animais, pólen.
- Os corticoides inalados da asma. A rouquidão é um efeito secundário conhecido. A câmara expansora e bochechar a boca depois de cada inalação costumam resolver; o medicamento não se suspende por conta própria.
- Com menos frequência: hipotiroidismo, nódulos e pólipos das cordas vocais, sequelas de uma cirurgia ao pescoço.
Merece nota à parte a vacina da gripe: não trata a laringite, mas elimina uma das causas que mais vezes a desencadeiam.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico, a partir de como soa a voz, dos sintomas que a acompanham e do tempo que duram, ajuda a distinguir uma laringite vírica comum de uma situação que obriga a observar a laringe, e indica o que fazer já para que a voz volte mais depressa. Aos pais de uma criança com tosse de cão explica-se como agir durante a noite, que sinais permitem vigiar em casa e quais obrigam a chamar uma ambulância. Se os episódios se repetem, o médico reconstitui a causa provável — carga vocal, refluxo, inalador, ar seco —, propõe o que mudar e esclarece quando é preciso um foniatra e com que informação se deve ir à consulta.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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