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Medicamentos habitualmente prescritos para Leptospirose (Doença de Weil)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 100 mgSubstância ativa: doxycyclineFabricante: Laboratorios Llorens S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 60 mlSubstância ativa: doxycyclineFabricante: Hospira Invicta S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 100 mgSubstância ativa: doxycyclineFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médica
É uma infeção que se apanha da água, da terra e dos animais: a bactéria leptospira é eliminada na urina de roedores e de gado, chega à água doce e ao solo húmido e entra na pessoa por pequenas feridas da pele ou pelas mucosas dos olhos, do nariz e da boca.
Na maioria dos doentes decorre como uma gripe demorada de que depois ninguém se lembra. Mas numa parte deles surge uma forma grave, com icterícia, falência dos rins e hemorragias: é essa que se chama doença de Weil. Não é, portanto, um segundo nome da leptospirose, mas a sua pior versão, e distinguir as duas coisas é útil, porque exigem atitudes completamente diferentes.
Como a bactéria chega à pessoa
Os portadores são sobretudo ratos e ratazanas, mas também vacas, porcos, cavalos e cães. O animal pode manter-se perfeitamente saudável e eliminar a bactéria na urina durante meses. Chegada a água doce morna ou a terra húmida, a leptospira sobrevive ali semanas.
O contágio acontece quando essa água ou essa terra tocam pele lesada ou mucosas:
- banhos, remo, descida de rios ou pesca num rio, canal, lago ou charco, sobretudo se entrar água na boca ou nos olhos;
- trabalho na água e na lama descalço ou sem luvas: campos, canais de rega, arrozais, saneamento, matadouros, canis e explorações agrícolas;
- limpezas depois de uma inundação, esvaziamento de uma cave molhada, manuseamento de lixo onde as ratazanas mandam;
- contacto com sangue, urina ou tecidos de um animal infetado ao desmanchá-lo ou ao tratá-lo.
A pele íntegra é uma barreira razoável, mas a demolha prolongada torna-a permeável, pelo que quem rema ou trabalha com a água pelos joelhos arrisca mais, mesmo sem cortes visíveis.
De outra pessoa, pelo contrário, não se apanha, nem por beijos nem por relações sexuais. Os animais de companhia transmitem raramente, em geral pela urina de um cão doente derramada no chão. O contágio por dentada é pouco habitual.
Quem se depara com ela mais vezes
A doença existe em todo o mundo e abunda onde é quente e húmido. No sul da Europa não é nenhuma raridade: está ligada aos arrozais, à aquacultura e às limpezas depois das cheias por chuvas fortes. Capítulo à parte são as viagens aos trópicos, com casos após descidas de rios, caminhadas em selva húmida, provas de aventura e um simples banho fluvial.
O risco é maior em agricultores e veterinários, trabalhadores de matadouros e de aquacultura, pessoal do saneamento e dos serviços municipais, técnicos de controlo de pragas, mineiros, militares, e ainda em praticantes de desportos aquáticos e pescadores. Os surtos seguem-se com regularidade às inundações, quando as ruas submersas misturam tudo.
Como decorre a doença
Entre o contágio e os primeiros sinais passam em regra cinco a catorze dias, mas o intervalo é largo: de dois dias a um mês. Por isso muitas vezes a pessoa já não liga o que sente àquele dia de pesca.
Começa de repente, em poucas horas: febre alta com arrepios, dor de cabeça forte na testa, náuseas. Um traço característico é a dor muscular violenta, sobretudo nas barrigas das pernas e na zona lombar: as pernas doem tanto que custa apoiá-las. O segundo sinal chamativo é o avermelhamento dos olhos sem remela nem pálpebras coladas: o branco enche-se de sangue, mas o olho não deita secreção e habitualmente não dói.
Podem juntar-se dor abdominal, diarreia, vómitos, tosse e erupção na pele. Ao fim de cerca de uma semana a febre costuma ceder, a pessoa dá-se por curada e um ou dois dias depois volta a subir, agora com dor de cabeça e incómodo com a luz, porque inflamam as membranas que envolvem o cérebro. Este decurso em duas ondas é bastante próprio da doença.
Em muitos fica-se por aqui: em uma ou duas semanas a infeção resolve-se sozinha. O problema é que não há como saber de antemão para que lado vai.
A doença de Weil e as outras formas graves
Em cerca de um em cada dez doentes a infeção segue o caminho grave. Sucede em regra na segunda semana e apresenta-se assim:
- icterícia: a pele e o branco dos olhos ganham um tom amarelo, por vezes quase alaranjado; na pele escura nota-se melhor nos olhos, nas gengivas e nas palmas;
- falência dos rins: urina-se cada vez menos, aumentam o inchaço e a fraqueza;
- tendência para sangrar: nódoas negras sem pancada, sangue do nariz e das gengivas, fezes pretas e pegajosas, sangue na expetoração;
- hemorragia pulmonar, a forma mais perigosa: falta de ar, tosse com sangue, sufoco que agrava depressa;
- inflamação do músculo do coração com alterações do ritmo e queda da tensão.
As formas graves matam quando o socorro tarda, e aqui conta-se por dias. Por isso, perante icterícia, hemorragias, confusão, falta de ar ou urina quase desaparecida, chama-se uma ambulância e não se fica a observar em casa. Em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia vigora o número único europeu de emergência 112.
Há ainda uma complicação tardia: semanas ou mesmo meses depois da cura pode inflamar a camada intermédia do olho, com dor, vermelhidão, incómodo com a luz e visão turva. Quase ninguém avisa disto, e é preciso recorrer depressa ao médico, sob pena de a visão ficar afetada.
Como se confirma o diagnóstico
O que decide aqui não é uma análise, mas o relato do doente. Os sintomas passam por gripe e a icterícia por hepatite, por isso diga sem falta ao médico que se banhou num rio, trabalhou na água, limpou depois de uma inundação, desmanchou um animal ou acabou de regressar dos trópicos. Sem essa frase o diagnóstico normalmente nem sequer é ponderado.
Na primeira semana a bactéria procura-se no sangue por análise genética. Mais tarde, quando já não circula, servem os testes de anticorpos, com duas colheitas separadas por uma ou duas semanas: o que confirma é a subida. A cultura é possível, mas demora semanas a crescer e não influencia as decisões.
Em paralelo pedem-se análises correntes para medir a gravidade: função dos rins, bilirrubina e provas do fígado, coagulação, enzima muscular, contagem de plaquetas. A associação de icterícia com plaquetas baixas e creatinina a subir é justamente o que separa a leptospirose de uma hepatite vírica.
Como se trata
O tratamento são antibióticos, e começam-se de imediato, sem esperar pelo laboratório: a confirmação chega tarde e o ganho de começar cedo é grande. Nos casos ligeiros prescrevem-se comprimidos, em regra do grupo das tetraciclinas ou, havendo intolerância ou gravidez, das penicilinas e dos macrólidos. O ciclo cumpre-se por inteiro mesmo que ao fim de dois dias a melhoria seja nítida.
As formas graves tratam-se apenas no hospital: antibiótico na veia, reposição de líquidos, oxigénio, diálise se os rins falharem, transfusão se houver hemorragia. Os rins recuperam habitualmente por completo depois da leptospirose, mesmo quando foi preciso dialisar, e convém sabê-lo à partida: aqui a diálise é quase sempre uma medida temporária.
Para baixar a febre e acalmar as dores serve o paracetamol. O ibuprofeno e os restantes anti-inflamatórios é melhor não os tomar nesta doença: castigam uns rins que já estão sob pressão e agravam a tendência para sangrar.
Por vezes, nas primeiras horas depois da primeira dose de antibiótico, o estado piora de repente: a febre dispara, vêm arrepios, a tensão desce. É uma reação conhecida à morte maciça das bactérias, passa sozinha, mas é preferível atravessá-la sob vigilância do que em casa e sozinho.
Como evitar o contágio
Não existe vacina humana de uso corrente, por isso a proteção faz-se de hábitos simples.
- Cubra cortes, escoriações e bolhas com um penso impermeável antes de entrar na água ou de ir para o campo.
- No trabalho com água, animais ou resíduos use botas e luvas, e óculos de proteção onde houver salpicos.
- Não engula água de rios, canais, lagos e charcos e não mergulhe onde haja ratazanas à vista ou onde pouco antes tenha estado água de uma cheia. Não beba água não fervida de nascentes naturais.
- Depois do banho ou do trabalho na água tome duche e lave as feridas.
- Não pegue em animais mortos com as mãos nuas nem se aproxime das carcaças sem luvas.
- Não deixe restos de comida nem ração ao alcance: é assim que as ratazanas se instalam no quintal.
- Vacine os cães: a vacina veterinária existe e reduz o risco para o animal e para a família, ainda que não cubra todas as variedades da bactéria.
- Se estiver prevista uma estadia curta de risco elevado — uma descida de rio nos trópicos, uma prova de aventura, trabalho em zona inundada —, pergunte ao médico sobre a toma preventiva de um antibiótico. O esquema existe, mas prescreve-se caso a caso.
Consulta em linha
A consulta à distância é cómoda quando o primeiro passo é perceber depressa o que deve ser levado a sério. O médico reconstrói a ligação entre aquela pescaria, aquela viagem ou aquele trabalho na água e a febre de agora, indica que análises vale a pena pedir e o que dizer exatamente na consulta presencial, para que a leptospirose não seja tomada por uma infeção vírica banal. Serve também para interpretar resultados já emitidos e explicar como recuperar depois da doença.
Procure atendimento presencial de imediato se surgirem cor amarela na pele ou nos olhos, hemorragias, falta de ar, tosse com sangue, confusão ou uma redução marcada da urina. São situações de hospital, não de mensagens.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Leptospirose (Doença de Weil)
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