Lesão por chicote cervical
Chama-se lesão por chicote cervical ao traumatismo do pescoço causado por um movimento brusco da cabeça em pêndulo: é projetada para trás e depois para a…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Lesão por chicote cervical
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Almus Farmaceutica S.A.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 1000 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Kern Pharma S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 500 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Galenicum Health S.L.Não requer receita médica
Chama-se lesão por chicote cervical ao traumatismo do pescoço causado por um movimento brusco da cabeça em pêndulo: é projetada para trás e depois para a frente, ou ao contrário. A situação clássica é a colisão traseira de automóvel, mas sofre-se o mesmo numa queda, num desporto de contacto ou numa atração de feira. O nome descreve o movimento e não a lesão: a cabeça oscilou como a ponta de um chicote. O que sofre são os tecidos moles, isto é, músculos, ligamentos e cápsulas das pequenas articulações da coluna cervical. Os ossos e a medula ficam habitualmente de fora, e na grande maioria dos casos tudo acaba bem, embora não em dois dias: os primeiros são desagradáveis.
O que se sente
O essencial é dor e rigidez no pescoço: torna-se difícil rodar a cabeça, olhar de lado, incliná-la para trás. Junta-se muitas vezes dor de cabeça, que costuma começar na nuca, e dor com espasmos musculares nos ombros, entre as omoplatas e na parte alta das costas.
Com menos frequência, mas com toda a naturalidade, surgem outras queixas: tonturas, zumbido nos ouvidos, cansaço, dificuldade de concentração, irritabilidade, sono mau, dor na mandíbula ao mastigar, visão pouco nítida. Assustam mais do que mereceriam: acompanham a tensão muscular e o sono interrompido, não indicam que algo de grave se tenha danificado, e desaparecem juntamente com a dor no pescoço.
Um pormenor importante: logo a seguir ao embate a pessoa costuma sentir-se bem. A dor e a rigidez instalam-se ao fim de algumas horas e por vezes só na manhã seguinte, porque no momento a adrenalina abafa as sensações. Por isso «logo depois do acidente não me doía nada» não significa que não tenha havido lesão, e a dor que aparece ao fim da tarde não é uma coisa nova e ameaçadora.
Quando é preciso ajuda urgente
A lesão por chicote em si não é perigosa, mas esse mesmo movimento da cabeça danifica raramente uma vértebra, um vaso ou um nervo. Isso reconhece-se por sinais bastante concretos. Chame uma ambulância — em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia o número europeu único é o 112 — se depois do traumatismo surgir pelo menos um dos seguintes:
- dormência, formigueiro ou fraqueza nos braços ou nas pernas, ou sensação de choque elétrico ao longo da coluna;
- dificuldade em urinar ou perda do controlo dos esfíncteres;
- dor intensa exatamente na linha média do pescoço, sobre as próprias vértebras, sobretudo se doer só de lhes tocar;
- impossibilidade de rodar a cabeça para qualquer dos lados;
- depois de uma pancada na cabeça: confusão, sonolência, agravamento do estado de consciência, vómitos repetidos, convulsões ou dor de cabeça que vai aumentando;
- alteração da fala, visão dupla, marcha instável, fraqueza em metade do corpo.
Não conduza e não espere pela manhã seguinte. Até chegar a ajuda é sensato não mexer o pescoço bruscamente, mas não é preciso imobilizá-lo com nada improvisado.
Quem deve ser observado em qualquer caso
O limiar para recorrer ao médico é mais baixo em duas situações. A primeira é a idade avançada: com os anos o osso torna-se mais frágil e uma vértebra cervical pode fraturar-se com um embate que numa pessoa jovem não teria deixado marca. A segunda é tomar medicamentos que tornam o sangue mais fluido, ou seja, anticoagulantes e antiagregantes: nestas pessoas, depois de uma pancada na cabeça, uma hemorragia dentro do crânio pode desenvolver-se devagar, ao longo de um dia ou mais, com um estado inicialmente aceitável. Em ambos os casos, após um traumatismo minimamente apreciável do pescoço ou da cabeça é preciso ser observado por um médico, mesmo que nada incomode em especial.
À parte disso, vale a pena recorrer ao médico no próprio dia, sem ambulância, se o embate foi forte, se a dor é muito intensa, se não cede nada ao fim de alguns dias ou se quem se magoou foi uma criança.
O colar e o repouso não curam
É o principal a retirar deste texto, porque a convicção contrária resiste há décadas. O colar cervical mole continua a ser tido como tratamento: compra-se na farmácia por iniciativa própria, é recomendado por conhecidos, tem um aspeto convincente e nas primeiras horas parece mesmo aliviar.
Mas numa lesão por chicote comum o colar não acelera a recuperação: trava-a. Os músculos do pescoço imobilizados perdem força depressa, as articulações perdem amplitude e, ao fim de uma semana de colar, rodar a cabeça é mais difícil do que no primeiro dia. Acresce o lado psicológico: o colar convence a própria pessoa e quem a rodeia de que está gravemente lesionada e de que não se pode mexer, e dessa ideia custa depois sair. O mesmo vale para o repouso na cama: passar uma semana deitado em silêncio é a pior coisa que se pode fazer a um pescoço dorido.
O correto é o oposto: mexer-se e regressar à vida normal o mais cedo possível, logo nos primeiros dias. Sem forçar e sem movimentos secos, mas também sem poupar o pescoço até ao limite. Rotações e inclinações calmas da cabeça dentro da amplitude disponível, várias vezes por dia; as tarefas habituais de casa; passeios; o regresso ao trabalho sem uma pausa longa. Mexer-se vai doer um pouco, o que é normal e não quer dizer que esteja a causar danos. O colar só faz sentido quando é o médico a prescrevê-lo por um motivo concreto, por exemplo uma fratura confirmada.
O que fazer nos primeiros dias
- Analgesia. Servem o paracetamol ou um anti-inflamatório não esteroide como o ibuprofeno, num ciclo curto e tendo em conta as contraindicações do folheto. Não se trata de «aguentar»: sem dor mexe-se melhor, e o movimento é aqui o tratamento. Se os medicamentos de venda livre não chegarem, o médico pode prescrever um analgésico mais forte ou, por poucos dias, um fármaco que alivie o espasmo muscular.
- Calor. Um duche quente, um saco de água quente ou uma almofada térmica sobre os ombros relaxam a musculatura contraída. A algumas pessoas o frio alivia mais no primeiro dia: vale a pena experimentar os dois.
- Dormir. Uma só almofada de altura normal, para que o pescoço fique alinhado com a coluna. As construções ortopédicas especiais não resolvem nada aqui.
- O posto de trabalho. Ecrã à altura dos olhos e uma pausa a cada hora para soltar pescoço e ombros. A postura imóvel prolongada diante do computador agrava a dor mais do que o esforço.
- Conduzir. Volta-se ao volante quando se consegue olhar livremente por cima do ombro. Enquanto a rotação da cabeça estiver limitada, conduzir não é seguro.
- Desporto. Caminhar, nadar e a atividade física ligeira são úteis desde o início. Os desportos de contacto e os pesos convém adiá-los até recuperar a mobilidade.
Quanto tempo dura
A maioria das pessoas recupera por completo em algumas semanas, e quase todas as restantes em dois a três meses. A violência do embate e o estado em que ficou o carro pesam pouco no desfecho: a recuperação depende mais de como a pessoa se comporta depois do traumatismo.
Há uma observação que vale a pena conhecer: aquilo que a pessoa espera está ligado àquilo que obtém. Quem desde o início conta recuperar e continua a sua vida restabelece-se mais depressa e melhor do que quem está convencido de que a dor ficará para sempre e se limita à partida. Não é um convite a sofrer em silêncio nem uma insinuação de que a dor seja imaginária: a dor é real. Mas o medo do movimento e a verificação constante para ver se piorou prolongam mesmo a recuperação e transformam a dor aguda em dor crónica.
Se ao fim de várias semanas não houver melhoria, isso é motivo para o passo seguinte e não para alarme. Esse passo costuma ser a fisioterapia: um programa orientado de exercícios de mobilidade e de força para o pescoço resulta melhor do que qualquer método passivo. Quando a dor se arrasta durante meses, entra em cena o especialista em dor crónica e por vezes o apoio psicológico, não porque «esteja tudo na cabeça», mas porque a dor persistente depois de um acidente costuma andar entrelaçada com ansiedade, sono perturbado e medo de voltar a entrar num carro, e isso desenreda-se tudo em conjunto.
São precisos exames de imagem?
Numa lesão por chicote comum, por regra não. A radiografia e a tomografia mostram osso, e aqui o que sofre são tecidos moles que na imagem não se veem de qualquer forma; um resultado normal não mudará o tratamento e a radiação terá sido recebida na mesma. O exame não se pede a toda a gente, mas quando há sinais de alarme: dor rigorosamente na linha média sobre as vértebras, sintomas neurológicos, idade avançada, terapêutica anticoagulante, embate de grande energia, impossibilidade de rodar a cabeça. Se nada disso está presente, a ausência de radiografia não é desleixo, é a conduta correta.
Consulta em linha
Depois de um acidente é cómodo ter com quem analisar a situação sem sair de casa com o pescoço dorido. Na consulta à distância o médico pergunta pelas circunstâncias do embate, por quando começou a dor e para onde irradia e, sobretudo, percorre um a um os sinais de urgência: dormência e fraqueza nos braços, dificuldade em urinar, dor na linha média, sintomas vindos da cabeça. Daí resulta se bastam as medidas caseiras ou se são precisos observação presencial e exame de imagem.
Em linha pode tratar-se também de tudo o resto: que analgésico lhe convém tendo em conta as outras doenças e os outros medicamentos, que movimentos fazer desde os primeiros dias, quando voltar a conduzir e ao trabalho, porque é melhor deixar o colar na gaveta e em que momento faz sentido procurar a fisioterapia. Os limites são evidentes: examinar o pescoço e testar os reflexos à distância não é possível, e perante qualquer um dos sinais urgentes acima não é uma consulta que se procura, é a ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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