Lesão por esforço repetitivo (LER)
A LER, também conhecida pela sigla inglesa RSI, não é um diagnóstico mas um nome coletivo para a dor que surge do trabalho monótono das mãos: ao teclado…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Lesão por esforço repetitivo (LER)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 400 MG IBUPROFENO/SOBRE MONODOSESubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg de ibuprofeno / 5 mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Nutra Essential Otc S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 200 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Nutra Essential Otc S.L.Não requer receita médica
A LER, também conhecida pela sigla inglesa RSI, não é um diagnóstico mas um nome coletivo para a dor que surge do trabalho monótono das mãos: ao teclado, atrás de um balcão, com uma ferramenta, com uma tesoura, com uma criança ao colo. Por si só não explica nada e não indica nada, porque por baixo desse nome estão coisas muito diferentes — de um tendão que se alterou a um nervo comprimido — e para cada uma há que fazer algo distinto. Por isso o que se segue trata de dois assuntos: como perceber o que se está mesmo a passar consigo e o que mudar no trabalho antes de se chegar ao adormecimento e à fraqueza, que já não passam sozinhos.
O que se esconde por trás do nome
Na maioria das vezes debaixo da LER esconde-se uma de quatro coisas.
- Tendinopatia: uma reorganização do tecido do próprio tendão sob uma carga a que não teve tempo de se adaptar. Dói num ponto definido e mais em movimento do que em repouso. Aqui entram a epicondilite lateral e a medial do cotovelo, conhecidas como cotovelo de tenista e cotovelo de golfista, e a tendinopatia da coifa dos rotadores do ombro.
- Tenossinovite: irritação da bainha por onde o tendão desliza. A variante mais reconhecível é a doença de De Quervain, com dor na base do polegar e no bordo do punho que dispara ao afastar o polegar ou ao pegar em algo pesado com essa mão.
- Síndromes de compressão nervosa: compressão do nervo onde ele passa por um espaço estreito. No túnel cárpico sofre o nervo mediano, e adormecem o polegar, o indicador e o médio, sobretudo à noite, ao ponto de a pessoa acordar para sacudir a mão. No canal do cotovelo sofre o nervo cubital, e adormecem o mindinho e o anelar, mais com o cotovelo dobrado, ao telefone ou a dormir.
- Dor no pescoço e nos ombros por uma posição mantida muito tempo. Aqui a culpa não é do movimento mas da sua ausência: o músculo segura a cabeça e a omoplata na mesma posição durante horas.
A diferença entre estes quadros é essencial. A tendinopatia trata-se com carga doseada e não com repouso. No túnel cárpico o que decide é a tala noturna e a avaliação do nervo. Na dor por posição estática não serve nem uma coisa nem outra: aí o que funciona é mudar de posição. Daqui sai uma conclusão simples: convém trocar o rótulo LER por um nome concreto o mais cedo possível.
Como costuma evoluir
Quase sempre da mesma maneira, em três passos, e essa é uma forma cómoda de perceber em que ponto está.
Primeiro a dor ou o peso aparecem só durante o trabalho e passam na meia hora seguinte a tê-lo terminado. Nesta fase basta mudar a organização do dia e tudo volta ao normal.
Depois a dor começa a sobreviver ao trabalho: já está em casa e o braço dói toda a tarde. Surge rigidez de manhã, falta de jeito nos movimentos finos, e é preciso reajustar a pega nos objetos com mais frequência.
Mais adiante a dor está lá mesmo sem esforço, acorda de noite, impede de dormir desse lado, e a força cai de forma evidente. A partir desta fase a recuperação leva meses e não semanas, e raramente se consegue sozinho.
Não faz sentido aguentar até ao terceiro passo. A diferença entre «mudei a altura da secretária em março» e «mudei em setembro» é a diferença entre duas semanas e meio ano.
Sinais com que se vai ao médico
Há queixas perante as quais um tapete ergonómico e umas pausas já não chegam, porque o que está em causa é um nervo, ou algo que nada tem a ver com sobrecarga:
- adormecimento ou formigueiro que se mantêm e não cedem ao mudar a posição do braço;
- fraqueza: deixa cair objetos, não consegue segurar uma chávena, rodar uma chave ou abrir um frasco;
- o músculo da base do polegar está claramente mais plano do que na outra mão;
- a dor acorda de noite ou impede de adormecer;
- a articulação está quente, vermelha, muito inchada, e surgiu febre;
- a dor desce do pescoço pelo braço numa faixa estreita, até aos dedos;
- o mesmo começou na outra mão e de manhã a rigidez dura mais de meia hora;
- os dedos ficam brancos e frios, ou mudou a cor da pele ou das unhas;
- tudo começou de repente, depois de um único movimento ou pancada, e não gradualmente.
O adormecimento e a fraqueza são os pontos mais importantes da lista. Um nervo que fica comprimido durante meses recupera mal, e por vezes não recupera por completo, e aqui o tempo perdido custa mais do que tudo o resto. Vale ainda a pena lembrar que o túnel cárpico nem sempre vem do trabalho: aparece com frequência na gravidez, com a função da tiroide diminuída, na diabetes e na artrite reumatoide, e nesses casos trata-se antes de mais a causa.
Rever o posto de trabalho
É o mais barato e o mais eficaz de tudo o que se pode fazer por conta própria.
- Sente-se de modo que os antebraços fiquem horizontais e os cotovelos dobrados aproximadamente em ângulo reto e junto ao corpo. Se a mesa for alta, suba a cadeira e ponha um apoio de pés; se for baixa, suba a mesa.
- Ao escrever no teclado, as mãos devem prolongar a linha do antebraço e não ficar levantadas para cima. O rebordo da mesa não deve cravar-se no punho.
- Tenha o rato ao lado do teclado e não afastado, e desloque-o a partir do ombro em vez de com pequenos gestos do punho. Se o que dói é o bordo do punho, ajuda um rato de outra forma ou uma trackball.
- O bordo superior do ecrã deve ficar mais ou menos à altura dos olhos, e o ecrã à distância de um braço esticado. Ponha o portátil num suporte e ligue um teclado à parte: de outro modo o pescoço e as mãos não conseguem estar bem ao mesmo tempo.
- Não entale o telefone com o ombro. Uns auriculares eliminam metade das queixas de pescoço.
- No trabalho manual escolha a ferramenta pela sua mão: um cabo grosso e macio exige menos força do que um fino. Mantenha as mãos quentes e reduza a vibração sempre que puder, porque o frio e a vibração agravam tudo.
E o principal, que costuma perder-se no meio das listas: a postura ideal não existe. A melhor postura é a seguinte. Mudar de posição a cada meia hora ou hora rende mais do que uma secretária regulada na perfeição onde se fica quatro horas seguidas sem mexer.
A carga muda-se, não se retira
O conselho de «dar repouso completo ao braço até passar» está ultrapassado e em muitos casos prejudica. Um tendão imobilizado perde resistência, o músculo enfraquece em poucas semanas, e ao regressar ao trabalho a dor acaba por ser maior do que era. A imobilidade completa justifica-se depois de uma lesão aguda e por pouco tempo, não numa dor por sobrecarga.
A abordagem que funciona é outra.
- Reduza o volume dessa carga em concreto e não a atividade física em geral. A referência é simples: a dor durante a atividade é admissível se for moderada e ceder no espaço de vinte e quatro horas. Se no dia seguinte estiver pior, exagerou.
- Fracione o trabalho. Uma pausa curta a cada trinta ou quarenta e cinco minutos, para se levantar, deixar cair os braços e mexer o pescoço, funciona melhor do que um único descanso longo.
- Alterne tarefas para que o mesmo movimento não se repita durante horas seguidas.
- Recupere força aos poucos. O tendão responde justamente à carga, mas a uma carga progressiva: começa-se com pouco e acrescenta-se devagar, semana após semana.
- Calor ou frio, conforme o que lhe der mais alívio; no resultado não influi, no bem-estar influi.
Arme-se de paciência desde já. Os tendões e os nervos recuperam devagar, e aqui conta-se por semanas e meses, não por dias. Isso não é sinal de que o tratamento esteja errado.
Com que aliviar a dor
Os analgésicos servem aqui para que consiga mover-se e dormir, não para continuar a trabalhar através da dor. Uma dor calada deixa de ser um sinal, e a pessoa faz exatamente aquilo por causa do qual tudo começou.
O paracetamol e os anti-inflamatórios não esteroides tomam-se em ciclos curtos. Para os tendões superficiais, os geles e os cremes com um anti-inflamatório funcionam tão bem como os comprimidos e são mais bem tolerados. O fármaco concreto e a duração discuta-os com o seu médico de família ou com o farmacêutico, sobretudo se toma mais alguma coisa ou já teve problemas de estômago, de rins ou de tensão arterial.
O segundo recurso caseiro é uma tala ou ortótese, e aqui tudo depende do que tem exatamente. No túnel cárpico, a tala noturna que mantém o punho direito é um dos poucos recursos caseiros com benefício demonstrado. Nas tendinopatias, pelo contrário, uma imobilização rígida prolongada não interessa: o tendão precisa de trabalhar.
O que o médico pode oferecer
- Exercício terapêutico. É o método principal nas tendinopatias: um programa de exercícios feito à medida e cumprido em casa durante meses rende mais do que a massagem e as terapias passivas.
- A infiltração de corticoide tira a dor depressa, mas dura pouco, e as injeções repetidas dentro do próprio tendão pioram o seu estado. Na tenossinovite e no túnel cárpico a infiltração encaixa melhor, porque aí faz ganhar tempo.
- Os exames não se pedem a toda a gente: a ecografia ajuda com o tendão e o estudo da condução nervosa com a compressão do nervo, quando o quadro não está claro ou se está a ponderar cirurgia.
- A cirurgia é rara e é o último passo, com uma exceção: no túnel cárpico com adormecimento constante ou com perda de massa muscular opera-se sem adiar, porque esperar ali significa perder nervo.
Uma parte à parte do trabalho é a conversa com a entidade patronal. Mudar tarefas, equipamento ou horário durante algumas semanas costuma resolver o problema mais barato do que meses de baixa, e em muitos países o trabalhador tem direito a esses ajustes.
Consulta em linha
À distância consegue-se fazer o essencial: transformar um vago «dói-me o braço do trabalho» num nome claro e num plano. O médico perguntará onde dói exatamente, o que agrava a dor, se os dedos adormecem e quais, se a dor acorda de noite, percorrerá consigo como é o seu dia de trabalho e dirá o que mudar primeiro. Aí mesmo se pode avaliar se é preciso uma ortótese e qual, se vale a pena algum exame, como ajustar a analgesia tendo em conta os seus outros medicamentos e por que sinais saberá que as medidas caseiras não resultaram e é altura de procurar um especialista. Os sinais da lista acima, e sobretudo o adormecimento persistente e a fraqueza da mão, exigem observação presencial: com esses é melhor não esperar.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Lesão por esforço repetitivo (LER)
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