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Medicamentos habitualmente prescritos para Listeriose
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 750 mgSubstância ativa: amoxicillinFabricante: Almus Farmaceutica S.A.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 750 mgSubstância ativa: amoxicillinFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 500 mgSubstância ativa: amoxicillinFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médica
É uma infeção alimentar provocada pela bactéria listeria. Numa pessoa saudável passa quase sempre como uma perturbação intestinal curta, ou não dá sintoma nenhum. Mas nas grávidas, nos recém-nascidos, nas pessoas idosas e em quem tem as defesas baixas a mesma bactéria consegue sair do intestino e causar uma infeção do sangue ou uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro.
Adoece-se com ela raramente, bastante menos do que com salmonelose. O que a torna perigosa não é a frequência, mas o desfecho: entre aqueles em quem a infeção chega ao sangue, a evolução grave é a regra. Por isso vale a pena conhecer a listeriose de antemão, sobretudo se estiver grávida ou pertencer a um dos grupos vulneráveis.
O que distingue a listeria das outras bactérias dos alimentos
As bactérias intestinais comuns multiplicam-se no calor, e o frigorífico trava-as. A listeria não. Cresce tranquilamente à temperatura do frigorífico, devagar mas sem parar, aumentando de número num alimento que ali ficou uma semana. É por isso que os perigosos não são os pratos quentes, mas a comida refrigerada consumida sem qualquer aquecimento.
Tem ainda dois hábitos incómodos. Aguenta o sal, o fumeiro e a cura, ou seja, precisamente os tratamentos que são letais para muitos micróbios. E não estraga o alimento: a comida contaminada não cheira, não muda de sabor e tem um aspeto perfeitamente normal. Fiar-se do nariz e dos olhos aqui não serve; funcionam apenas a temperatura, os prazos e guardar as coisas separadas.
Perante o calor, em contrapartida, a listeria fica indefesa. Basta aquecer o alimento a sério, até deitar vapor e ficar quente por dentro, para a bactéria morrer. Daí toda a lógica da prevenção: o frio não a mata, o calor mata.
De onde vem
Quase sempre da comida, e quase sempre de alimentos refrigerados que se comem sem cozinhar:
- fatiados de carne cozida e curada, enchidos e produtos de charcutaria;
- peixe fumado e pouco salgado, incluindo o que vai para sushi;
- queijos moles de casca com bolor e queijos azuis, além de qualquer queijo feito com leite não pasteurizado;
- leite não pasteurizado e tudo o que dele se faz;
- patés de qualquer tipo, incluindo os vegetais;
- saladas e sanduíches prontas, fruta e legumes cortados e embalados;
- legumes congelados, que muita gente toma por prontos a comer e junta aos pratos sem cozedura.
Com menos frequência o contágio chega por outra via: pelas mãos de quem preparou a comida sem as lavar depois da casa de banho, ou pelo contacto próximo com animais de criação durante os partos. A bactéria está muito espalhada no solo, na água e nas plantas, pelo que retirá-la por completo da cadeia alimentar é impossível; o que se pode é não a deixar multiplicar.
Convém também medir bem o risco: aqueles alimentos estão longe de conter listeria sempre. Se comeu algum há pouco tempo e se sente bem, não há nada a fazer.
Como se manifesta
Na maioria das pessoas saudáveis tudo se resume a alguns dias de mal-estar: sobe a febre, há arrepios e dores musculares, por vezes náuseas, vómitos e diarreia. Não se distingue das restantes intoxicações alimentares e, em regra, ninguém chega a apurar a causa.
Uma dificuldade à parte são os prazos. Entre a refeição e a doença passam de alguns dias a várias semanas, e por vezes mais de um mês: nessa altura já não se recorda o que se comeu e a ligação ao alimento perde-se. Por isso, quando o médico pergunta pelas refeições das últimas semanas, a pergunta não é ociosa.
A forma grave desenvolve-se quando a bactéria passa do intestino para o sangue. Surgem então febre alta com arrepios, fraqueza intensa e confusão. A listeria tem uma predileção particular pelo sistema nervoso: inflama as membranas que envolvem o cérebro e, de forma bastante típica, atinge o tronco cerebral. Daí resulta um conjunto de sinais invulgar — visão dupla, fala arrastada, dificuldade em engolir, desequilíbrio e fraqueza dos músculos da cara.
Na gravidez o quadro engana. A própria mulher costuma passar por pouco: febre, dores no corpo, a sensação de uma gripe a começar, por vezes dor abdominal. O perigo não é para ela, mas para o bebé, porque a listeria atravessa a placenta e pode levar a aborto espontâneo, parto prematuro ou morte fetal. Qualquer febre na gravidez é, portanto, motivo para contactar o médico no próprio dia, e não para esperar.
No recém-nascido a doença manifesta-se logo depois do parto como uma infeção grave do sangue, ou uma a duas semanas mais tarde como meningite. O bebé está apagado ou, pelo contrário, irritável, mama mal, tem febre ou — o que é ainda mais preocupante — temperatura baixa, respira depressa e apresenta a pele acinzentada.
Para quem é realmente perigosa
Para a maioria dos adultos a listeriose é um episódio de indisposição intestinal e pouco mais. A evolução grave recai sobre grupos determinados, e é útil saber se está num deles:
- as grávidas, cujo risco é muitas vezes superior ao médio, sobretudo pelo perigo que corre o bebé;
- os recém-nascidos;
- as pessoas idosas, com probabilidade de formas graves a aumentar com a idade;
- quem tem as defesas baixas: doentes oncológicos em quimioterapia, transplantados, pessoas com VIH e quem toma corticoides ou outros fármacos imunossupressores durante muito tempo;
- quem tem cirrose ou outras doenças do fígado, doença renal crónica ou diabetes;
- quem tem excesso de ferro no organismo: na hemocromatose a listeria multiplica-se com mais facilidade;
- quem toma medicamentos que reduzem a acidez do estômago, já que o suco gástrico funciona como barreira natural e sem ele as bactérias chegam mais facilmente ao intestino.
Este último ponto é pouco conhecido, e no entanto muita gente toma esses medicamentos durante anos. Não é razão para os deixar, mas é razão para tratar com mais cuidado os alimentos acima indicados.
Quando é preciso socorro imediato
Chame uma ambulância pelo número europeu único 112 se, com febre, surgir em si ou numa criança:
- dor de cabeça intensa juntamente com rigidez do pescoço, sem conseguir encostar o queixo ao peito;
- incómodo acentuado com a luz forte;
- confusão, comportamento estranho, sonolência marcada ou impossibilidade de acordar a pessoa;
- uma convulsão;
- visão dupla, fala arrastada, engasgamento ao engolir ou desequilíbrio súbito;
- num lactente: prostração, recusa alimentar, febre ou, pelo contrário, temperatura baixa, respiração rápida, choro agudo invulgar ou fontanela saliente.
São sinais de que a infeção atingiu o cérebro e as suas membranas, e têm de ser tratados de imediato e no hospital.
No próprio dia, mas sem ambulância, procure o médico se tiver febre e estiver grávida; se a febre durar mais de dois ou três dias com as defesas baixas; se a diarreia e os vómitos não passarem ao fim de vários dias ou surgirem sinais de desidratação como boca seca, urinar pouco ou tonturas ao levantar. Na gravidez há um motivo adicional de consulta urgente: dor abdominal ou a sensação de que o bebé se mexe menos do que o habitual.
Como se chega ao diagnóstico e como se trata
A listeriose confirma-se com hemocultura e, se houver suspeita de envolvimento do sistema nervoso, com o exame do líquido cefalorraquidiano. As análises às fezes não servem para isto. É por isso que numa perturbação intestinal ligeira o diagnóstico em regra nem se procura: não teria utilidade prática.
Diga ao médico com clareza se está grávida, se toma medicamentos que baixam as defesas ou se comeu há pouco algo da lista anterior. Não é uma formalidade: a listeria não responde a alguns antibióticos comuns que se prescrevem «às cegas» numa infeção grave, e a suspeita muda a escolha do fármaco.
O tratamento depende da gravidade. Uma pessoa saudável com queixas intestinais ligeiras não precisa de antibióticos: bastam repouso e líquidos abundantes em pequenas quantidades, de preferência soluções de reidratação. Se, pelo contrário, a infeção passou ao sangue ou atingiu o sistema nervoso, ou se adoeceu alguém de um grupo de risco ou uma grávida, prescrevem-se antibióticos de um grupo específico e em regra por via endovenosa, no hospital. Na gravidez, começar a tempo pode proteger o bebé, o que é mais um argumento para não adiar.
Como não adoecer
As regras são simples e decorrem todas do feitio da bactéria: cresce no frio e morre com o calor.
- Mantenha o frigorífico verdadeiramente frio, à volta de cinco graus ou menos, e confirme-o com um termómetro: os frigoríficos domésticos trabalham muitas vezes mais quentes do que o botão indica.
- Guie-se pelo prazo de validade e não pelo cheiro e pelo aspeto. Um alimento fora de prazo pode cheirar otimamente e ser perigoso na mesma.
- Termine uma embalagem aberta de comida pronta em um ou dois dias, sem a esticar até à data impressa para a embalagem fechada.
- Não deixe muito tempo ao calor a comida pronta refrigerada: tire-a do frigorífico pouco antes de comer.
- Reaqueça até deitar vapor e ficar quente por dentro, não apenas morno. O mesmo vale para os legumes congelados, se forem para um prato sem cozedura.
- Guarde a carne e o peixe crus longe da comida pronta, reserve-lhes a prateleira de baixo e uma tábua própria.
- Lave as mãos, as tábuas e as facas com sabão e limpe com regularidade as prateleiras do frigorífico.
A quem está num grupo de risco, e sobretudo às grávidas, acrescenta-se uma lista de alimentos a evitar: queijos moles com bolor e queijos azuis, qualquer queijo ou leite não pasteurizado, patés, peixe pouco salgado e fumado a frio, saladas prontas e fatiados vendidos ao balcão. A exceção é uma só: tudo isso é seguro se for aquecido até ficar quente por dentro; um queijo mole no forno, por exemplo, não representa perigo.
Já os queijos curados, o requeijão e os queijos para barrar de leite pasteurizado, a mozarela, os queijos fundidos e os iogurtes não entram nessa lista e mantêm-se na alimentação habitual. As grávidas farão bem ainda em não participar nos partos do gado e em não se aproximar de borregos e vitelos acabados de nascer.
Consulta em linha
Numa infeção alimentar a consulta à distância serve sobretudo para pôr ordem na situação: perceber o que se passa e decidir se os cuidados em casa chegam. O médico perguntará pela febre, pelos prazos, pelo que comeu nas últimas semanas e pelas suas doenças crónicas e medicamentos, e explicará como repor os líquidos, o que pode comer, quando esperar melhoria e que sinais indicam que já não se pode esperar mais.
Há ainda um motivo de contacto muito frequente: a ansiedade depois de uma refeição. «Estou grávida e comi um pedaço de queijo azul, e agora?» é justamente a pergunta que melhor se resolve à distância: o médico avalia o risco real, diz que sinais vigiar e durante quanto tempo, e poupa exames inúteis. Em linha pode também tratar-se de como reorganizar a alimentação durante a gravidez ou durante um tratamento que baixa as defesas.
Mas com febre alta numa grávida, com suspeita de envolvimento do cérebro e com doença num recém-nascido é precisa assistência presencial e, muitas vezes, hospital. Nesses casos não perca tempo a escrever: recorra diretamente ao socorro.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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