Nesta página
- Como distingui-la da retenção de leite
- Porque começa
- O que fazer nas primeiras vinte e quatro horas
- Quando é preciso o médico e quando uma ambulância
- O que faz o médico: observação e exames
- Antibióticos e amamentação
- Se se formar um abcesso
- Mastite fora da amamentação e nos homens
- Como reduzir o risco de repetição
- Consulta em linha com um médico
Medicamentos habitualmente prescritos para Mastite
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 875 mg de amoxicilina / 125 mg de ácido clavulânicoSubstância ativa: amoxicillin and beta-lactamase inhibitorFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 125 mg / 875 mgSubstância ativa: amoxicillin and beta-lactamase inhibitorFabricante: Glaxosmithkline S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 2 g de amoxicilina sódica; 200 mg de clavulanato de potássioSubstância ativa: amoxicillin and beta-lactamase inhibitorFabricante: Sandoz Farmaceutica S.A.Requer receita médica
A mastite é a inflamação do tecido da mama. Quem mais a enfrenta são as mulheres nos primeiros meses de amamentação: uma zona da mama fica dura, quente e dolorosa, e a isso juntam-se depressa arrepios e febre. Com menos frequência surge em mulheres que não amamentam e em homens. Começa de repente — é comum a pessoa sentir-se bem de manhã e ao fim da tarde ter dor forte na mama e febre alta — e é justamente essa rapidez que mais assusta. A maioria dos casos resolve-se em poucos dias se as primeiras vinte e quatro horas forem bem conduzidas e se reconhecer a tempo o momento de recorrer ao médico.
Como distingui-la da retenção de leite
A mastite começa quase sempre por uma retenção. O leite deixa de sair livremente de uma parte da glândula, a pressão dentro dos canais aumenta, o conteúdo infiltra-se no tecido em redor e o corpo responde com inflamação. Não é preciso haver infeção: pode existir inflamação sem bactérias.
Na retenção a mama está cheia e dorida, mas em geral a pessoa sente-se bem e depois da mamada ou da extração nota um alívio claro. A mastite comporta-se de outra maneira:
- por regra atinge apenas uma mama, e não toda, mas uma zona dura, quente e dolorosa ao toque;
- a pele por cima fica vermelha; em peles morenas e escuras a vermelhidão vê-se pior, por isso oriente-se pelo calor e pela dor;
- a dor é ardente ou em picada e agrava muitas vezes quando o leite desce;
- aparece febre com arrepios e dores no corpo, uma sensação parecida com a gripe;
- depois da mamada há alívio, mas incompleto e curto.
Por vezes sai algo pelo mamilo, branco ou com fios de sangue. Por si só não é uma catástrofe, mas vale a pena contar ao médico.
Porque começa
Numa mulher que amamenta o problema costuma ser leite que estagna nalgum ponto. Levam a isso uma pega incorreta do bebé, que deixa a glândula sem esvaziar por completo; os intervalos longos entre mamadas, a mamada noturna que se salta, a passagem brusca para o leite adaptado; e a pressão sobre a mama, seja um soutien apertado, a alça de uma mala ou dormir de barriga para baixo. Produzir muito mais leite do que o bebé toma basta também para que os canais se encham em excesso repetidamente.
O segundo caminho passa pelo mamilo lesionado. As fissuras por má pega, o eczema ou um piercing abrem às bactérias a entrada no tecido da glândula.
Fora da amamentação a mastite funciona de outro modo. Aqui em primeiro lugar está o tabaco: as substâncias do fumo danificam a parede dos canais atrás do mamilo e neles instala-se uma inflamação crónica. Contam também a diabetes e outras situações que enfraquecem a defesa contra infeções, os traumatismos da mama, ter um implante e, por vezes, doenças inflamatórias raras da própria glândula.
O que fazer nas primeiras vinte e quatro horas
A regra principal é simples: a mama tem de continuar a esvaziar-se, mas sem violência.
- Amamente como sempre, em livre demanda, e comece pelo lado doente enquanto o bebé mama com mais força. O leite da mama inflamada é seguro para ele.
- Antes da mamada pode aplicar por pouco tempo um pano húmido morno ou tomar um duche quente: ajuda a saída do leite. Não convém aquecer muito nem durante muito tempo, porque o calor aumenta o inchaço.
- Entre mamadas aplique frio: alivia a dor e o inchaço melhor do que o calor.
- Tomar analgésicos pode e deve. O paracetamol e o ibuprofeno são compatíveis com a amamentação, e o ibuprofeno reduz ainda a inflamação. A aspirina não serve durante a amamentação.
- Descanse e beba o que lhe apetecer. Deitar-se com o bebé ao lado é mais útil do que despachar heroicamente as tarefas de casa.
O que não convém fazer: amassar o nódulo com força, desfazê-lo à pressão até deixar nódoas negras ou extrair mais leite do que o habitual na esperança de esvaziar a mama, porque isso só aumenta o inchaço e estimula a produção. Não aplique óleos, pomadas nem compressas quentes. Evite roupa interior apertada até melhorar. E não interrompa a amamentação de repente: uma paragem súbita agrava a situação quase sempre.
Quando é preciso o médico e quando uma ambulância
Procure o médico de família nesse mesmo dia se:
- ao fim de um dia de medidas caseiras não melhorou ou piorou;
- a febre dura há mais de vinte e quatro horas;
- tem uma fissura do mamilo com pus;
- o nódulo cresce e a pele por cima ficou arroxeada ou brilhante;
- já toma antibiótico há dois dias sem qualquer melhoria;
- a mastite surgiu numa mulher que não amamenta ou num homem, casos que exigem sempre observação.
Chame de imediato uma ambulância se a inflamação der sinais de infeção generalizada: febre acima dos trinta e nove graus com arrepios intensos, confusão ou sonolência acentuada, respiração acelerada, pulso rápido com tensão baixa, fraqueza a ponto de custar manter-se de pé, pele muito pálida ou marmoreada, mãos e pés frios, ou queda brusca da quantidade de urina. Em Portugal, Espanha, Itália, Polónia e Ucrânia a ambulância chama-se pelo número único europeu 112.
O que faz o médico: observação e exames
O médico observa e palpa ambas as mamas, verifica os gânglios da axila, avalia o mamilo e vê como o bebé faz a pega. Muitas vezes isso basta para o diagnóstico.
A ecografia pede-se quando é preciso saber se se formou um abcesso: a coleção de líquido dentro do nódulo vê-se bem por ultrassons. A cultura do leite ou da secreção faz sentido nas mastites repetidas, nos casos graves e quando os antibióticos habituais não resultam, porque mostra que germe está presente e com que o tratar.
Há ainda uma tarefa à parte e muito importante: não deixar passar o cancro inflamatório da mama. Parece-se muito com uma mastite, com vermelhidão, inchaço e pele em casca de laranja, mas não dá febre alta nem responde a antibióticos. Por isso existe uma regra firme: vermelhidão e endurecimento que não desapareceram por completo após o tratamento obrigam a mamografia ou ecografia e, havendo dúvidas, a biopsia. O mesmo vale para qualquer mastite numa mulher que não amamenta. Isto não quer dizer que tenha cancro; quer dizer que a verificação tem de ser feita.
Antibióticos e amamentação
Os antibióticos não são precisos para todas. Se a inflamação resultou apenas da retenção e ao fim de um dia de condução correta está a ceder, não são necessários. Prescrevem-se quando não há melhoria, quando o quadro é grave desde o início ou quando existe um mamilo lesionado com infeção evidente. Escolhem-se fármacos ativos contra o estafilococo, em geral penicilinas protegidas das enzimas bacterianas ou cefalosporinas; havendo alergia procura-se alternativa.
O ciclo deve ser completado até ao fim, mesmo que ao terceiro dia pareça tudo resolvido: uma mastite mal tratada volta com facilidade e acaba mais vezes em abcesso.
Não é preciso interromper a amamentação durante o tratamento. Os medicamentos usados na mastite são compatíveis com amamentar e passam ao leite em quantidades vestigiais. Raramente o bebé fica mais irrequieto ou com dejeções mais moles, o que passa no fim do ciclo. Se lhe disserem para passar o bebé a leite adaptado durante o tratamento, pergunte porquê: normalmente não é preciso, e a pausa nas mamadas agrava por si só a mastite.
Se se formar um abcesso
O abcesso é uma cavidade delimitada com pus dentro da glândula e complica cerca de uma mastite em cada dez, sobretudo quando o tratamento começou tarde. Suspeita-se dele quando a febre não cede apesar do antibiótico, o nódulo ficou arredondado e parece cheio de líquido, a pele por cima adelgaçou e brilha, e a dor é pulsátil.
O abcesso não se trata à partida com um corte, mas por punção guiada por ecografia: o médico introduz uma agulha e aspira o pus, repetindo o procedimento algumas vezes se for preciso. Faz-se com anestesia local e quase não deixa marca. A incisão com dreno só é necessária em coleções grandes ou com várias câmaras. Pode amamentar da mama saudável durante todo este tempo e, em regra, também da doente, a não ser que a incisão passe pela aréola; essa decisão cabe ao médico.
Mastite fora da amamentação e nos homens
Esta mastite é bastante menos frequente e exige quase sempre um estudo mais cuidadoso. A sua forma mais comum é a inflamação dos canais atrás do mamilo em mulheres fumadoras de meia-idade: dá dor no bordo da aréola, secreção espessa pelo mamilo, por vezes mamilo retraído e tendência para recaídas e fístulas. Aqui o tratamento começa por deixar de fumar; sem isso a inflamação regressa vezes sem conta.
Mais rara é a mastite granulomatosa, uma inflamação pouco frequente de causa desconhecida que forma nódulos duros e se trata de maneira muito diferente. Nos homens a inflamação da mama surge após traumatismo, com lesões da pele do mamilo ou na diabetes. Em todos estes casos, além do tratamento, é preciso um estudo que exclua um tumor.
Como reduzir o risco de repetição
Se a mastite esteve ligada à amamentação, trate antes de mais da pega: é a causa mais frequente de retorno. Uma conselheira de amamentação, uma parteira ou uma enfermeira podem observar como o bebé agarra a mama e corrigir a posição, e muitas vezes só isso chega.
Depois: evitar intervalos longos e não saltar mamadas, mudar de posição durante a mamada para que a glândula esvazie de forma uniforme, dispensar roupa interior apertada e malas de alça estreita ao ombro. Terminar a amamentação de forma gradual, retirando uma mamada de poucos em poucos dias. Tratar as fissuras do mamilo logo em vez de as suportar. E deixar de fumar se a mastite não estiver ligada à amamentação: é a única medida que muda verdadeiramente o rumo das coisas.
Consulta em linha com um médico
A consulta em linha encaixa bem nas primeiras vinte e quatro horas, quando não se percebe o que está a acontecer nem se é preciso deslocar-se. O médico pergunta como tudo começou, ajuda a separar a retenção da mastite e explica o que fazer hoje e por que sinais decidir amanhã se é preciso antibiótico. Na consulta pode rever-se o ritmo das mamadas e os erros típicos de pega, discutir que analgésicos lhe convêm e sair com uma lista clara de motivos para não esperar pela manhã. Carregue antecipadamente uma fotografia da mama com boa luz e as análises que tiver. Perante sinais de infeção generalizada ou um abcesso que cresce depressa a consulta em linha não serve: aí é necessária observação presencial.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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