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Miopia (vista curta)

A miopia é ver bem ao perto e desfocado ao longe: os rostos custam a reconhecer-se, as letras dos sinais esborratam-se, no cinema acaba-se por semicerrar os…

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Novo médico

Pedro Soares Lopes

Medicina familiar3 anos de experiência

O Dr. Pedro Soares Lopes é médico e tem quatro anos de experiência, sobretudo em serviços de urgência e emergência. Trabalhou nos HUC, na ULSRA, no Hospital da Luz de Aveiro e na ARS Açores, onde avaliou uma grande variedade de situações médicas e cirúrgicas, desde casos simples a situações complexas que exigem uma avaliação cuidadosa.

A experiência em serviços de urgência permitiu-lhe acompanhar pacientes de diferentes idades, incluindo grávidas. Este percurso clínico abrangente ajuda-o a avaliar sintomas, a identificar quando poderá ser necessária uma investigação adicional e a explicar os passos seguintes.

O Dr. Soares Lopes tem também experiência em consultas ao domicílio e em consultas de medicina do viajante. Sabe que os problemas de saúde podem surgir quando uma pessoa está longe do seu médico habitual ou não sabe a que serviço recorrer. Além disso, trabalhou cerca de um ano na área da saúde ocupacional nos Países Baixos, o que acrescentou uma perspetiva internacional à sua prática clínica.

Numa consulta online, o Dr. Soares Lopes procura dar orientações claras e práticas, tendo em conta os sintomas e as circunstâncias de cada paciente. Se uma situação exigir um exame físico, uma avaliação urgente ou tratamento presencial, pode explicar porquê e orientar o paciente sobre onde procurar cuidados.

Os pacientes podem consultar o Dr. Soares Lopes através da Oladoctor para questões de saúde adequadas a uma consulta médica online.

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Esta página fornece informação geral e não substitui a consulta de um médico. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico com urgência.

A miopia é ver bem ao perto e desfocado ao longe: os rostos custam a reconhecer-se, as letras dos sinais esborratam-se, no cinema acaba-se por semicerrar os olhos. Nas crianças costuma aparecer nos anos da escola e cresce juntamente com o olho; nos adultos tende a ficar quieta. Os óculos ou as lentes de contacto devolvem a nitidez de imediato, mas há mais duas coisas que vale a pena saber e de que pouco se fala: nas crianças a miopia pode ser travada, e a miopia elevada deixa para toda a vida um aviso que não se pode ignorar.

O que se passa dentro do olho

O olho funciona como uma máquina fotográfica: a córnea e o cristalino desviam a luz para que a imagem caia exatamente sobre a retina. Na miopia ela junta-se um pouco antes, à frente da retina, e chega-lhe já desfocada. A causa é quase sempre um globo ocular demasiado comprido; menos vezes, uma córnea demasiado curva.

Percebe-se assim porque é que a miopia é uma história da infância. O olho cresce com a criança e, se crescer em comprimento mais do que devia, as dioptrias sobem ano após ano. O mais habitual é começar entre os seis e os treze anos; no fim da adolescência o olho deixa de crescer e os números costumam estabilizar. Também pode surgir num adulto, mas então raramente avança tão depressa.

A hereditariedade nota-se: se ambos os pais são míopes, a probabilidade na criança é a mais alta; se for só um, fica pelo meio. Mas a hereditariedade não é uma sentença nem é a única coisa que decide.

O número de dioptrias não é apenas «a espessura das lentes». Quanto mais comprido é o olho, mais esticadas ficam as suas camadas internas e maior é o risco de complicações ao longo da vida. É por isso que nas crianças não se procura só corrigir a visão, mas travar o aumento.

Como se percebe numa criança

As crianças quase nunca se queixam de ver mal: não sabem que pode ser de outra maneira e acham normal que o longe esteja desfocado. Por isso é ao comportamento que é preciso estar atento:

  • semicerra os olhos quando olha ao longe, ou inclina ligeiramente a cabeça para o lado;
  • senta-se colado à televisão, encosta o tablet ou o telemóvel à cara;
  • não lê o quadro das últimas carteiras mas lê das primeiras; o professor conta que pergunta muito ou copia do colega;
  • queixa-se de olhos cansados e de dores de cabeça depois das aulas;
  • esfrega os olhos com frequência, pestaneja mais do que o costume;
  • deixou de reconhecer conhecidos ao longe na rua, ficou mais cautelosa no parque e em sítios desconhecidos;
  • o aproveitamento escolar caiu sem razão clara — por vezes é o primeiro sinal visível.

Vale ainda a pena tapar um olho da criança e depois o outro. Se um olho vê pior, o outro compensa e por fora parece tudo bem; essa miopia de um só olho só se descobre num exame.

Os exames de vista fazem falta mesmo sem queixas: antes da entrada na escola e depois com regularidade, e com mais razão se houver miopia na família. Um adulto sem queixas faz bem em ir a um exame de um em um ou dois anos.

O que influencia mesmo o aumento

Aqui abundam as explicações populares e escasseiam as comprovadas. Vamos por partes.

O tempo ao ar livre com luz do dia. É o dado mais sólido que se conhece. As crianças que passam cerca de duas horas por dia ao ar livre tornam-se míopes com menos frequência, e naquelas que já o são as dioptrias sobem mais devagar. O que conta é a intensidade da luz natural, não a atividade física: sob o céu aberto há dezenas de vezes mais luz do que na divisão mais clara da casa, e isso influencia o crescimento do olho. Um passeio num dia encoberto também conta. A luz de um candeeiro não a substitui.

Longos períodos ao perto. Horas de leitura e de ecrã sem pausas estão associadas a um aumento mais rápido, sobretudo se o livro ou o telemóvel forem segurados demasiado perto. A conclusão prática é simples: não aproximar o texto mais do que a distância entre o cotovelo e os nós dos dedos, levantar os olhos a cada vinte ou trinta minutos e olhar uns segundos pela janela, e não apagar a luz da divisão.

O que não resulta. A cenoura e o mirtilo não devolvem a visão. A ginástica ocular não baixa as dioptrias: o olho ficou mais comprido, e nenhum exercício o encurta. Os óculos não «estragam os olhos» nem os tornam «preguiçosos»; pelo contrário, óculos propositadamente fracos não travam a miopia e, segundo alguns dados, aceleram-na. Devem usar-se os óculos que foram prescritos, e usá-los como o especialista indicou.

Com que se pode travar a miopia numa criança

Quase ninguém sabe disto, e é a parte mais útil do assunto. Os óculos e as lentes de contacto comuns fazem uma coisa só: devolver a nitidez. Não travam o aumento das dioptrias. Mas há métodos cujo objetivo é precisamente abrandar a progressão:

  • lentes de óculos para controlo da miopia — por fora são óculos normais, mas além da zona principal têm uma periferia construída de forma especial, que altera o sinal de crescimento do olho;
  • lentes de contacto moles de desenho específico, de duplo foco ou multifocais, que funcionam pelo mesmo princípio;
  • ortoqueratologia — lentes rígidas usadas durante a noite; alteram temporariamente a forma da córnea e de dia a criança vê sem óculos;
  • colírio de atropina em baixa concentração, instilado ao deitar; nessa dose não dilata a pupila ao ponto de incomodar, mas abranda o alongamento do olho.

Nos estudos estes métodos abrandam a progressão cerca de um terço a metade, com diferenças de criança para criança. Não são uma cura nem devolvem visão: as dioptrias vão continuar a subir, mas mais devagar, e o valor final na idade adulta será mais baixo. E quanto mais baixo for, menor é o risco de complicações ao longo da vida — é para isso que tudo o resto se faz.

O método é escolhido pelo oftalmologista, que pesa a idade, quanto subiram as dioptrias no último ano, o comprimento do olho e se a criança está preparada para lentes. Faz sentido começar enquanto a miopia cresce, ou seja na infância, e não quando já estabilizou. Se entre dois exames o aumento foi nítido, é o momento de perguntar por estas opções.

O exame de vista, os óculos e a cirurgia

Na consulta mede-se a acuidade visual com uma tabela e depois experimentam-se lentes até as letras ficarem nítidas. Às crianças costuma pôr-se um colírio que relaxa temporariamente o músculo da focagem: sem ele a criança ajusta o olho sem querer e o resultado sai impreciso. Depois do colírio a pupila fica dilatada algumas horas, vê-se pior ao perto e a luz incomoda; passa sozinho, mas nesse dia não se conduz. O médico observa também o fundo do olho e, havendo miopia, olha com especial atenção para a periferia da retina.

Conforme o resultado, prescrevem-se óculos ou lentes de contacto. Os óculos servem em qualquer idade; as lentes de contacto servem a crianças mais velhas e a adultos, desde que a pessoa cumpra as regras de higiene, porque de outro modo é fácil chegar a uma infeção da córnea. Se as dioptrias estão a subir, convém pôr logo em cima da mesa não a simples correção, mas um dos métodos de controlo do ponto anterior.

Aos adultos cuja miopia deixou de mudar pode propor-se cirurgia: a correção a laser remodela a córnea e, nas miopias elevadas, implanta-se uma lente adicional dentro do olho ou substitui-se o cristalino. Nem toda a gente é candidata: contam a espessura e o estado da córnea, a estabilidade da graduação e outras doenças oculares. E há um aviso importante: a cirurgia tira a necessidade de óculos, mas não encurta o olho. Uma retina esticada continua esticada, pelo que todos os riscos da miopia elevada e a vigilância pelo oftalmologista se mantêm iguais depois de uma operação bem-sucedida.

Sinais que exigem um oftalmologista de imediato

É por isto que vale a pena ler a página até ao fim. É preciso recorrer ao oftalmologista com urgência, no próprio dia, se surgirem de repente:

  • flashes de luz — relâmpagos ou faíscas breves de lado, mais evidentes no escuro;
  • moscas volantes novas — pontos, fios ou uma espécie de fuligem que antes não existiam, sobretudo se aparecerem muitos de uma vez;
  • uma cortina ou sombra escura que avança a partir do bordo do campo visual;
  • uma perda súbita de visão ou o desaparecimento de uma parte do campo visual;
  • linhas direitas que se veem tortas, ou uma mancha no centro da imagem.

É assim que se manifesta o descolamento da retina. A retina afasta-se do seu apoio e deixa de ser alimentada; o tecido que fica sem circulação morre em horas e dias, e não se recupera. Um descolamento operado a tempo costuma terminar com a visão preservada; um tardio, não. Na miopia este risco é maior do que em quem não a tem, e aumenta com as dioptrias, porque um olho alongado estica e adelgaça a retina.

Por isso, havendo miopia, não se espera por uma consulta daqui a quinze dias nem se sossega a pensar que «deve ser do cansaço». As moscas volantes que existem há anos e não mudam são em regra inofensivas; o que preocupa é o aparecimento súbito ou um aumento brusco do seu número, sobretudo em conjunto com flashes.

Que mais acarreta a miopia elevada

Na maioria das pessoas com poucas dioptrias tudo fica pelos óculos e não há motivo de preocupação. Mas na miopia elevada o olho esticado acaba por dar outros problemas, que é melhor conhecer de antemão — não para ter medo, mas para se ir vigiando a tempo:

  • glaucoma — pressão elevada dentro do olho que durante anos danifica o nervo ótico sem dar sinal; só se deteta no exame;
  • catarata — opacificação do cristalino, que nos míopes chega muitas vezes numa idade mais precoce;
  • alterações da parte central da retina nas miopias muito elevadas, que estragam precisamente a visão central, aquela com que se lê.

Nas crianças pequenas há um capítulo à parte: se a miopia ficar muito tempo por corrigir, o olho não recebe uma imagem nítida e a sua visão não se desenvolve como devia. Surge a ambliopia, o «olho preguiçoso», e por vezes também o estrabismo. Corrigir isso mais tarde é muito mais difícil do que nos primeiros anos, e é por isso que os exames de vista falhados na infância saem tão caros.

Daí a conclusão prática: tanto o glaucoma como as roturas da retina são mudos na fase inicial, pelo que na miopia elevada um exame periódico do fundo do olho com a pupila dilatada vale mais do que parece.

Consulta em linha

A consulta em linha não substitui a medição da acuidade visual nem o exame do fundo do olho: para isso são precisos aparelhos. Mas boa parte daquilo que leva as pessoas a marcar oftalmologia resolve-se a conversar, e aqui poupa-se tempo.

Em linha é cómodo rever os resultados de um exame já feito e perceber o que significam os números da receita; avaliar a que velocidade sobem as dioptrias de uma criança; falar dos métodos de controlo da miopia e de qual se adequa ao caso; e perceber se e quando faz sentido pensar numa operação.

Tenha à mão todas as receitas de óculos e os relatórios de exames que tenha guardado: o que importa não é o último número, mas como foi mudando. Anote quanto tempo a criança passa ao ar livre e quanto passa em frente a um ecrã, e se os pais são míopes.

Perante flashes, moscas volantes surgidas de repente, uma sombra no campo visual ou uma perda brusca de visão, porém, não gaste tempo com uma consulta em linha: aqui é preciso um oftalmologista com equipamento, e é preciso hoje.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

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O Dr. Pedro Soares Lopes é médico e tem quatro anos de experiência, sobretudo em serviços de urgência e emergência. Trabalhou nos HUC, na ULSRA, no Hospital da Luz de Aveiro e na ARS Açores, onde avaliou uma grande variedade de situações médicas e cirúrgicas, desde casos simples a situações complexas que exigem uma avaliação cuidadosa.

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