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Medicamentos habitualmente prescritos para Miosite
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 50 mgSubstância ativa: azathioprineFabricante: Teofarma S.R.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 0,05 mgSubstância ativa: baclofenFabricante: Novartis Farmaceutica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 25 mgSubstância ativa: baclofenFabricante: Novartis Farmaceutica S.A.Requer receita médica
Na linguagem corrente chama-se «miosite» a quase qualquer queixa muscular: ao pescoço que amanhece preso, às costas que doem depois de um dia puxado. Em medicina o termo designa um grupo de doenças raras em que se inflama o próprio tecido muscular, e a queixa principal não é a dor mas a fraqueza: os braços e as pernas deixam de responder em gestos que antes se faziam sem pensar. Tudo avança devagar, e entre as primeiras dificuldades e o diagnóstico passa muitas vezes um ano. Algumas formas respondem bem ao tratamento; outras obrigam a procurar a causa noutro sítio por completo.
Como começa a fraqueza
A inflamação atinge os músculos mais próximos do tronco: ombros, ancas, coxas, pescoço. As mãos e os pés mantêm a força durante muito tempo, e por isso a pessoa está convencida de que o braço funciona, afinal consegue pegar numa chávena. A dificuldade aparece onde é preciso levantar o peso de todo o corpo ou manter o braço no ar.
O que salta primeiro à vista costuma ser uma destas coisas: custa levantar-se da cadeira sem se apoiar nas mãos, nas escadas é preciso agarrar o corrimão, não se sai da banheira, os braços não sobem para lavar a cabeça ou alcançar algo numa prateleira alta. Há quem repare que começou a tropeçar e a cair em terreno plano. Os músculos podem doer um pouco ou não doer de todo, e é isso que engana: se não dói, presume-se que está tudo bem.
A fraqueza é em geral idêntica dos dois lados e aumenta ao longo de semanas ou meses. Quanto mais depressa aumenta, menos sentido faz esperar.
O que aparece além da fraqueza
Em parte das pessoas a pele muda antes dos músculos. O sinal mais reconhecível é um tom lilás e inchado nas pálpebras, como se a pessoa não tivesse dormido ou tivesse chorado. Outro são placas avermelhadas e firmes no dorso dos dedos, mesmo por cima das articulações: não em toda a mão, mas sobre os nós dos dedos. Pode surgir vermelhidão onde a pele está exposta ao sol, em forma de V no peito e sobre os ombros como um xaile, que o sol acende ainda mais. A pele nos lados dos dedos pode engrossar e gretar, como em quem trabalha com as mãos.
Caso à parte é o que acontece à respiração e à deglutição. A inflamação atinge o tecido pulmonar: surge tosse seca e falta de ar que antes não existia, primeiro a subir e depois já em terreno plano. Os músculos da garganta perdem força, a pessoa começa a engasgar-se, a voz fica gorgolejante depois das refeições e os líquidos voltam pelo nariz. Isto não é um pormenor que se conte de passagem: diz-se ao médico de imediato.
As manifestações gerais também não faltam: cansaço extenuante, febre sem causa aparente, suores noturnos, perda de peso, dores nas articulações, dedos que ficam brancos com o frio.
Que formas existem e para que servem as distinções
A forma determina o tratamento e o prognóstico, por isso no diagnóstico procura-se ir além da simples palavra «miosite».
- Dermatomiosite: inflamação muscular acompanhada do quadro cutâneo descrito. Também afeta crianças, e nelas é mais frequente que com o tempo se depositem nódulos duros de cálcio sob a pele.
- Polimiosite: fraqueza sem sinais na pele. O diagnóstico faz-se com prudência, porque outras doenças musculares cabem facilmente nesse rótulo.
- Miopatia necrosante: fraqueza que avança depressa com valores muito altos de destruição muscular no sangue. Parte dos casos está ligada aos medicamentos que baixam o colesterol e, ao contrário das dores musculares comuns das estatinas, não se resolve sozinha depois de os suspender.
- Miosite de corpos de inclusão: doença da segunda metade da vida, mais frequente nos homens. Aqui a fraqueza é assimétrica e envolve não só as coxas mas também os flexores dos dedos: a pega falha, os objetos caem da mão, custa rodar uma chave. Progride ao longo de anos e quase não responde aos medicamentos que travam o sistema imunitário.
- Miosite infeciosa. Nas crianças, depois da gripe, pode surgir uma dor intensa nas barrigas das pernas que as leva a recusar apoiar os calcanhares; passa em poucos dias. Uma variante perigosa é a infeção purulenta de um único músculo: dor forte num ponto, inchaço, vermelhidão e febre alta.
Há uma associação que convém conhecer. Nos adultos, sobretudo a partir dos cinquenta, a dermatomiosite pode ser a primeira manifestação de um tumor que ainda não se deu a conhecer. Por isso, perante um diagnóstico novo, o médico pede exames: não por suspeitar do pior, mas porque encontrar um tumor nessa fase é uma oportunidade rara.
Porque surge
Na base da maioria das formas está uma falha imunitária: as células de defesa e os anticorpos tomam o tecido muscular por estranho. O que desencadeia essa falha não se sabe ao certo; fala-se de infeções anteriores, de alguns medicamentos, da exposição solar nas formas cutâneas e do tabaco.
A miosite não se transmite por herança: se um dos pais a tem, é quase certo que o filho não a terá. Herdam-se apenas características do sistema imunitário que aumentam um pouco a probabilidade de doenças autoimunes em geral, sem que se possa prever qual nem se chegará a aparecer.
Caso separado são as doenças sistémicas do tecido conjuntivo, como o lúpus, a esclerodermia e a síndrome de Sjögren: a miosite pode fazer parte delas, e então trata-se o conjunto.
Como se confirma o diagnóstico
Começa-se pelo exame: o médico avalia a força grupo a grupo e observa se a pessoa consegue levantar-se da cadeira sem usar as mãos e manter a perna erguida. Depois vêm as análises e os exames.
- Creatina cinase (CK) no sangue: a enzima que sai das fibras musculares lesadas. Com inflamação ativa está elevada, muitas vezes dezenas de vezes acima do normal.
- Anticorpos próprios da miosite. O anticorpo concreto costuma antecipar o que esperar: por exemplo, envolvimento pulmonar ou ligação a um tumor.
- Eletromiografia: registo da atividade elétrica do músculo. Mostra que o problema está no músculo e não no nervo.
- Ressonância magnética muscular: revela o edema do tecido inflamado e indica de onde tirar a biópsia.
- Biópsia muscular: um fragmento de tecido ao microscópio. É o único exame que distingue as formas com segurança, e dele depende a escolha do tratamento.
Com que não se diagnostica uma miosite. Uma radiografia ou uma ecografia correntes das costas ou do pescoço dizem quase nada sobre o estado do tecido muscular, e um relatório que fale em «sinais de miosite» depois dessas imagens significa quase sempre apenas que o músculo está contraído. Uma CK normal também não encerra a questão: nalgumas formas cutâneas mantém-se dentro dos valores normais apesar de haver fraqueza e inflamação. Por isso o diagnóstico não se afasta com uma única análise. Além disso, avaliam-se quase sempre os pulmões e a deglutição.
Como se trata
O tratamento procura apagar a inflamação e devolver força. Começa-se por regra com glucocorticoides em dose alta, porque atuam depressa. Depois a dose reduz-se e, para não manter a pessoa anos a fio com corticoides, juntam-se medicamentos que travam o sistema imunitário de forma mais suave; a escolha depende da forma da doença e do envolvimento dos pulmões.
Se isso não chegar ou a doença for grave, administram-se imunoglobulinas obtidas de dádivas de sangue e medicamentos dirigidos a pontos concretos do sistema imunitário. Todos são prescritos por um especialista e exigem controlo analítico regular.
A fisioterapia não é um complemento, é parte do tratamento. Antes recomendava-se repouso; hoje sabe-se que o exercício doseado e acompanhado melhora a força sem reacender a inflamação. Havendo dificuldade em engolir, entra o terapeuta da fala, que ajusta a consistência dos alimentos e ensina manobras que reduzem o risco de engasgamento.
Na miosite de corpos de inclusão os imunossupressores não devolvem força. Aqui o essencial é o exercício regular, os apoios que facilitam o dia a dia, o trabalho sobre a segurança ao engolir e a prevenção de quedas. Não é abdicar de ajuda, é outro tipo de ajuda.
O que ajuda no dia a dia
Mexa-se tanto quanto o estado permitir, e faça-o com regularidade: um músculo que não trabalha enfraquece mesmo sem qualquer inflamação. Percorra a casa a pensar em quedas: tapetes, fios, luz no caminho para a casa de banho, uma barra de apoio no duche, um apoio junto à sanita.
Nas formas cutâneas a proteção solar é obrigatória: a luz do sol agrava tanto a erupção como a inflamação muscular. Creme de fator alto, roupa que cubra, sombra a meio do dia.
O uso prolongado de corticoides enfraquece o osso e sobe o açúcar, por isso o médico fala de antemão em cálcio, vitamina D, se necessário medicamentos para o osso e vigilância da tensão e da glicemia. As vacinas habituais durante um tratamento imunossupressor combinam-se antes, e as vacinas vivas por regra não se administram. Suspender ou baixar a dose de corticoides por conta própria não é admissível: a paragem brusca é perigosa por si só.
Quando é preciso ajuda urgente
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia o número único europeu é o 112) se:
- faltar o ar em repouso e a respiração for rápida e superficial;
- a pessoa se engasgar e não conseguir tossir para desobstruir, ou se depois da refeição surgirem tosse, febre e falta de ar;
- a urina ficar escura, da cor de chá forte ou de cola, sobretudo a par de dor muscular intensa: é assim que se manifesta a destruição maciça de músculo, que atinge os rins;
- a fraqueza aumentar em horas ou dias ao ponto de a pessoa não conseguir levantar-se nem sustentar a cabeça.
Procure o médico no próprio dia se surgir febre com dor súbita num só músculo e a pele por cima estiver vermelha e inchada; se aparecerem tosse seca e falta de ar ao esforço que antes não existiam; se começar a engasgar-se com líquidos. E marque consulta, sem correria mas sem adiar, quando a fraqueza dos ombros e das ancas durar várias semanas ou quando surgir uma erupção nas pálpebras ou sobre os nós dos dedos.
Consulta em linha com o médico
A consulta à distância serve bem para perceber do que se está a falar. O médico vai perguntar que movimentos deixaram de sair, se há dor, com que rapidez tudo começou e o que mudou na medicação, e só com isso separa uma fraqueza muscular de um cansaço e de uma dor nas costas. Indicará também que análises convém ter feitas antes da consulta presencial e se vale a pena pedir referenciação a neurologia ou a reumatologia.
Com o diagnóstico já feito, em linha é cómodo tratar do corrente: como corre a redução dos corticoides, o que fazer com os efeitos adversos, se pode vacinar-se, que esforço é razoável, o que dizem as últimas análises. Os limites convém conhecê-los desde já: a força muscular e a deglutição avaliam-se com as mãos, uma biópsia não se faz através de um ecrã e, perante dificuldade respiratória, urina escura ou fraqueza que avança depressa, não é preciso uma conversa mas uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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