Nesta página
Chama-se nado-morto à morte do bebé na fase avançada da gravidez ou durante o parto. A partir de que semana se usa este termo varia de país para país: em geral fala-se de depois da vigésima segunda ou da vigésima quarta semana, e antes disso fala-se de aborto espontâneo ou de perda fetal tardia. A diferença de palavras diz respeito a papéis e a estatísticas, não ao que aconteceu consigo. Esta página foi escrita tanto para quem está grávida e quer saber a que estar atenta como para quem já passou por isto.
Quando é preciso contactar de imediato
O único sinal que a mulher nota antes de todos são os movimentos do bebé. Não o número deles: a regra dos «dez por dia» não existe, e cada bebé tem o seu padrão habitual. O que conta é a mudança.
Telefone à maternidade ou ao seu médico já, a qualquer hora do dia ou da noite, se:
- o bebé passou a mexer-se menos do que é habitual, ou de maneira diferente da habitual;
- os movimentos pararam;
- começou uma hemorragia vaginal ou surgiu dor abdominal;
- rompeu águas ou está a perder líquido;
- apareceu comichão intensa, sobretudo nas palmas das mãos e nas plantas dos pés;
- a tensão subiu de repente, a cara e as mãos incharam, surgiu dor de cabeça com alterações da visão;
- tem febre, ou simplesmente se sentiu de repente muito mal.
Não espere pela manhã, não espere pela consulta marcada e não tente «acordar» o bebé com água fria, com algo doce ou deitando-se de lado. Esses métodos não verificam nada e só consomem horas. Também não conte com o facto de já ter recorrido a alguém esta semana: voltar pelo mesmo motivo é a coisa mais comum do mundo.
Não vai incomodar em vão nem tirar o tempo a ninguém. As maternidades estão abertas vinte e quatro horas precisamente para estes telefonemas, e ali preferem observar dez mulheres que estão bem a deixar escapar uma. Na maioria dos casos a diminuição dos movimentos não dá em nada — e é justamente por isso que verificar sai barato e não verificar sai caro.
Como se confirma
Primeiro ouve-se o batimento com um aparelho manual e depois faz-se sempre uma ecografia: só ela dá a resposta. Se for preciso, chama-se um segundo médico para confirmar.
Por vezes a mulher continua a sentir movimento depois disso. Acontece ao mudar de posição e não significa que tenha havido um erro; se a dúvida ficar, peça que repitam a ecografia: é um pedido normal e não é recusado.
Ouvir isto é insuportável, e nenhuma preparação protege ninguém. Se estiver sozinha no hospital, diga-o ao pessoal e peça que chamem quem quer ter ao seu lado. Tem o direito de não tomar decisão nenhuma nas primeiras horas. Tudo o que lhe disserem a seguir é melhor pedir que repitam mais tarde ou apontar: nesses momentos quase nada fica retido, e isso é esperado.
O que acontece a seguir
O bebé tem de nascer, e a forma como isso se faz é conversada consigo, não decidida em silêncio.
- Na maioria das vezes propõe-se induzir o parto com medicação. Para a mulher é mais seguro do que uma intervenção e deixa melhores condições para gravidezes futuras.
- A cesariana faz-se raramente, apenas quando existe uma indicação própria.
- Se nada ameaça a sua saúde, normalmente é possível esperar: por vezes alguns dias, por vezes ir a casa. A decisão não tem de ser tomada naquela hora.
- O parto é induzido de imediato se houver pré-eclâmpsia grave, infeção, hemorragia ou rutura de águas: aqui está em causa a sua segurança.
- Esperar muito tempo tem um reverso: quanto mais tempo passa, mais difícil se torna depois estabelecer a causa e mais muda o aspeto do bebé. Vão dizer-lho com clareza, para que escolha sabendo.
O alívio da dor disponível é o mesmo de qualquer parto, epidural incluída, e não há por que ter pejo em pedi-lo. Pode escolher quem a acompanha e pedir um quarto à parte: na maioria dos hospitais está previsto. Pergunte tudo o que não perceber tantas vezes quantas forem precisas.
O tempo com o bebé e as decisões que só a si dizem respeito
Depois do parto, é habitual propor-se aos pais ver o bebé e tê-lo ao colo. É uma decisão sua, e aqui não há resposta certa. Uns querem passar tempo com o bebé, outros não querem, outros recusam ao início e mudam de ideias depois — também isso é normal, e pode pedir-se mais tarde.
Costuma propor-se ainda tirar fotografias, guardar a impressão de uma mão ou de um pé, uma madeixa de cabelo, o cobertor. Se não sabe se quer isso agora, peça que a recordação fique guardada no hospital: pode levantá-la mesmo ao fim de um ano. Muitos pais ficam depois gratos por se ter feito, mas a decisão contrária também não é um erro.
Ao bebé pode dar-se um nome. Uns dão, outros não.
Há uma coisa sobre a qual raramente se avisa e que convém saber de antemão: alguns dias depois do parto pode subir o leite. É duro fisicamente e mais duro ainda por tudo o resto. Existem medicamentos que travam a lactação — não servem a todas e é o médico que os prescreve; também se pode deixar o leite secar sozinho, com um soutien de sustentação firme e frio local. Pergunte por isto antes da alta, sem esperar que comece em casa.
Os trâmites e tudo o que se prende com a despedida e o funeral estão organizados de maneira diferente em cada país. No hospital são obrigados a explicar-lhe o procedimento e a ajudar com os papéis; pergunte em concreto que prazos vigoram onde se encontra e o que pode ficar para depois.
Porque é que acontece
As causas encontradas com mais frequência são:
- o mau funcionamento da placenta, o grupo mais numeroso, no qual entra também o descolamento da placenta;
- o atraso do crescimento do bebé, por trás do qual está habitualmente essa mesma placenta;
- a pré-eclâmpsia e outros quadros com tensão alta;
- problemas do cordão umbilical;
- uma infeção da mãe que chega ao bebé;
- a colestase intra-hepática da gravidez, o quadro que dá comichão intensa;
- a diabetes, incluindo a que não tinha sido detetada antes da gravidez;
- alterações cromossómicas e malformações congénitas do bebé.
O que se pode apurar e porque nem sempre há resposta
Para esclarecer, propõem-se exames: análises de sangue, culturas e testes de infeção, estudo da placenta, do cordão e das membranas, e testes genéticos. À parte, propõe-se a autópsia, o exame do corpo do bebé. Não se realiza sem o seu consentimento escrito, e pode recusar ou escolher uma versão limitada: apenas o exame externo, apenas as imagens, apenas o estudo da placenta. O médico tem de explicar o que daria cada opção.
Aceitar ou não é decisão sua. Para muitas famílias conta saber que os resultados podem mudar o acompanhamento da gravidez seguinte; para outras conta mais não sujeitar o bebé a um exame, e isso também é respeitado.
A causa nem sempre se encontra. Mesmo depois de um estudo completo, uma parte assinalável das famílias fica sem resposta. É a coisa mais difícil de ouvir e aquela com que se vive mais tempo. Mas a ausência de resposta significa exatamente uma coisa: a medicina ainda não sabe explicar todos os casos. Não significa que lhe tenha escapado alguma coisa.
E vale a pena dizê-lo sem rodeios, porque quase todas pensam nisso: a culpa não é sua. Nem um saco pesado, nem uma discussão, nem o copo que bebeu antes de saber que estava grávida, nem ter notado tarde o sossego provocam a morte de um bebé. Percorrer mentalmente as últimas semanas à procura do próprio erro é uma parte comum do luto, não uma conclusão a que os médicos tenham chegado.
O luto não tem calendário
Aqui não existe uma ordem certa para os sentimentos. Pode haver entorpecimento em vez de lágrimas, pode haver raiva, pode haver a sensação de que o corpo já não está. Pode acontecer que ao fim de um mês se esteja pior do que na primeira semana, porque à volta a vida voltou ao seu curso e consigo não.
Algumas coisas de que se fala menos:
- O outro progenitor também está de luto, muitas vezes em silêncio e muitas vezes noutro tempo. Ritmos que não coincidem não indicam que um sinta menos.
- Aos filhos mais velhos conta-se de forma simples e verdadeira, com as palavras de cada família, sem substituir o que aconteceu por «adormeceu» ou «foi-se embora».
- Quem está à volta vai dizer coisas infelizes, do género «ainda são novos». Por trás está normalmente o embaraço e não a indiferença, mas não tem obrigação nenhuma de as ouvir.
- As datas — a data prevista do parto, o aniversário, um parto na família — pesam mais do que os dias comuns, e isso não é um retrocesso.
Pode procurar-se ajuda a qualquer momento: passada uma semana, passado meio ano, passados vários anos, e outra vez mesmo que já se tenha pedido uma vez. Não existe prazo nenhum a partir do qual seja «tarde» ou «já esteja na altura de se desenrascar sozinha». Há, no entanto, coisas que é melhor não adiar: se a insónia não passa, se não consegue comer nem trabalhar, se voltam recordações intrusivas do parto, se surgem pensamentos de que não vale a pena viver, diga-o ao médico de imediato: são quadros que se tratam.
Pergunte ao seu médico ou na maternidade que serviços de apoio e que grupos de pais existem onde vive: em muitos hospitais há um profissional que se dedica exatamente a isto, e é o mesmo que ajuda com os documentos. Falar com outros pais que passaram pelo mesmo ajuda muita gente, mas não toda, e não experimentar também está bem.
A gravidez seguinte
Esta pergunta surge cedo, por vezes inesperadamente cedo, e é melhor resolvê-la em conjunto com o médico.
Em regra não há um intervalo médico que «seja preciso esperar»: depende de como decorreu o parto, do que os exames mostraram e de como se sente. A disponibilidade física e a interior raramente chegam ao mesmo tempo, e isso não torna nenhuma delas errada.
O que costuma acontecer antes e durante a gravidez seguinte:
- uma consulta algumas semanas depois da alta, em que se analisam os resultados e tudo o que quiser perguntar; convém escrever as perguntas antes, porque no consultório dispersam-se;
- se a causa foi encontrada, trata-se ou vigia-se já antes da conceção;
- acompanhamento desde o início da gravidez, ecografias mais frequentes, controlo do crescimento do bebé e da tensão e, se preciso, exames adicionais;
- um plano combinado antecipadamente: para onde e a quem telefonar à mínima dúvida sobre os movimentos, sem esperar por consulta;
- uma conversa sobre o momento do parto à medida que a gravidez se aproxima do fim.
Para a maioria das famílias a gravidez seguinte acaba bem, ainda que o risco se mantenha acima da média. Vale a pena saber à parte que é quase sempre vivida com ansiedade, sobretudo à medida que se aproxima da altura da perda anterior. Disso pode e deve falar-se com o médico: aqui a ansiedade não atrapalha o acompanhamento, faz parte dele.
Consulta em linha
À distância o médico pode rever os resultados dos exames e explicá-los por palavras correntes, se depois da alta ficou muita coisa por perceber, ajudar a preparar as perguntas para a consulta presencial e orientar quanto aos serviços de apoio existentes onde vive. Com ele pode também discutir-se a preparação da gravidez seguinte: o que faz sentido verificar de antemão e como será organizado o acompanhamento. Se está grávida agora, a consulta em linha serve para as perguntas calmas sobre o decorrer da gravidez e sobre o que vigiar, mas não para a inquietação com os movimentos. Movimentos alterados ou ausentes, hemorragia, dor abdominal e perda de líquido não se avaliam à distância: com isso telefona-se logo à maternidade ou chama-se uma ambulância (na Europa, o número único 112).
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Nado-morto (morte fetal)
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Nado-morto (morte fetal) com um médico online.














