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Medicamentos habitualmente prescritos para Neuralgia do pudendo
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 75 mg / comprimidosSubstância ativa: amitriptylineFabricante: Pan Quimica Farmaceutica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 25 mgSubstância ativa: amitriptylineFabricante: Neuraxpharm Spain S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mgSubstância ativa: amitriptylineFabricante: Tarbis Farma S.L.Requer receita médica
O nervo pudendo trata da sensibilidade do períneo, dos genitais externos e da zona do ânus, e comanda ainda os músculos que retêm a urina e as fezes. Quando esse nervo está lesado ou preso, começa a enviar dor sem motivo nenhum: é assim que nasce a neuralgia do pudendo. A doença é rara mas reconhecível, e o seu maior problema não é a raridade e sim o embaraço, porque desta dor custa falar. Há quem passe anos a tratar uma prostatite, uma cistite ou hemorroidas, a mudar de médico e a ouvir que «as análises estão boas». A seguir, sem rodeios: como é esta dor, por que sinais se reconhece, porque não se vê na ressonância e o que se faz com ela.
Que dor é esta
A dor sente-se no períneo, a faixa entre os genitais externos e o ânus, e também nos próprios genitais e à volta do ânus; por vezes irradia para a nádega e para a face interna da coxa. Nas mulheres envolve a vulva, o clítoris e a entrada da vagina; nos homens o pénis e o escroto, sobretudo a zona da base.
O seu carácter é o típico da dor nervosa: ardor como se tivesse havido uma escaldadura, choques semelhantes a descargas elétricas, sensação de pele em carne viva, formigueiro, uma tensão que não larga. A pele do períneo pode adormecer ou, pelo contrário, ficar tão sensível que a costura da roupa interior incomoda. Muita gente descreve a sensação de ter alguma coisa lá dentro: como estar sentado sobre uma bola de golfe, ou como se algo tivesse ficado preso no reto ou na vagina.
Em regra dói de um lado só, embora possa doer dos dois. Raramente chega de repente: costuma crescer ao longo de semanas e meses. E quase nunca acorda de noite: adormecer consegue-se, ao passo que o dia se torna mais pesado hora a hora.
Porque sentado dói e de pé ou deitado alivia
É o traço mais reconhecível e vale a pena verificá-lo em si próprio. Na neuralgia do pudendo a dor aumenta na posição de sentado e acalma quando a pessoa se levanta ou se deita. Ao fim do dia, depois de horas ao volante ou à secretária, é pior do que de manhã.
Há ainda uma pista mais subtil: na sanita costuma não doer. A explicação é simples: numa cadeira comum o peso assenta sobre as tuberosidades isquiáticas, entre as quais passa o nervo, enquanto num assento com abertura essa zona fica livre. Se deu por si a sentar-se apenas na beira da cadeira, a pôr uma almofada, a conduzir de lado ou a preferir ir de pé nos transportes, conte-o ao médico: faz parte do quadro.
Por isso a doença estraga o dia a dia mais do que parece: não se aguenta sentado um dia de trabalho, uma viagem, um almoço com amigos, uma visita à família. Daí vêm o cansaço, a irritabilidade e o ânimo em baixo, que também merecem ser nomeados na consulta.
O que mais muda
O nervo pudendo não serve apenas a pele, pelo que as queixas raramente se ficam pela dor:
- vontade frequente de urinar, sensação de que a bexiga não esvaziou por completo, ardor ao urinar;
- dor ao evacuar e depois, e obstipação, em parte porque a pessoa começa a adiar a ida à casa de banho com medo da dor;
- sensação de enfartamento ou de pressão no reto ou na vagina;
- dor durante as relações sexuais e depois delas;
- nos homens, dificuldade de ereção; em mulheres e homens, dificuldade em chegar ao orgasmo e orgasmo doloroso;
- por vezes o inverso: uma sensação insistente de excitação sem desejo, que não passa e desgasta.
Nada disto é cómodo de dizer em voz alta, mas tem de ser enumerado por inteiro ao médico: sem estes pormenores o diagnóstico é quase impossível de montar, e metade deles aponta diretamente para o nervo.
Porque o diagnóstico chega tarde e como se chega a ele
O diagnóstico atrasa-se por duas razões. A primeira é que as queixas coincidem com doenças muito mais frequentes, nas quais o médico pensa primeiro: nos homens a prostatite crónica e a síndrome de dor pélvica crónica, nas mulheres a cistite, a vulvodinia e a endometriose, em todos as hemorroidas e a fissura. A segunda razão pesa mais: a neuralgia do pudendo não tem análise nem exame de imagem que a mostre.
Digamo-lo com clareza: na ressonância esta doença não se vê. A ressonância magnética, a tomografia e a ecografia servem aqui não para encontrar a neuralgia mas para excluir aquilo que pode comprimir o nervo ou disfarçar-se dele: um tumor pélvico, alterações do sacro, uma hérnia discal, uma infeção. Um exame limpo não anula o diagnóstico nem significa que a dor seja inventada. A eletromiografia também não o confirma em todos os casos.
O diagnóstico assenta em critérios clínicos, ou seja, no conjunto dos sinais. O médico procura:
- dor no território de que o nervo pudendo se ocupa;
- agravamento da dor ao sentar e alívio de pé ou deitado;
- ausência de despertares noturnos por causa dessa dor;
- ausência de uma perda de sensibilidade evidente ao exame, porque um défice verdadeiro leva a procurar outra causa;
- dor à pressão de um ponto concreto no toque vaginal ou retal;
- redução da dor após um bloqueio diagnóstico do nervo com anestésico local.
O bloqueio funciona aqui como prova: se depois da injeção a dor desaparece durante algum tempo, é um argumento forte a favor do diagnóstico e ao mesmo tempo uma maneira de aliviar. O toque vaginal ou retal não é humilhação nem formalidade: é com o dedo que o médico encontra aquele ponto doloroso que nenhum aparelho mostra.
Quando é preciso o médico de imediato
A neuralgia em si não põe a vida em risco, mas sensações parecidas são dadas por quadros que não podem esperar. Chame uma ambulância (em Portugal, Espanha, Itália, Polónia e Ucrânia funciona o número único 112) se surgir:
- adormecimento do períneo e da face interna das coxas, a zona que assentaria numa sela, juntamente com incapacidade de urinar ou, pelo contrário, com perda de urina ou de fezes;
- a isso somada fraqueza nas pernas, instabilidade, sensação de pernas moles;
- dor perineal com inchaço que cresce depressa, vermelhidão ou escurecimento da pele e febre alta, sobretudo em pessoas com diabetes, porque uma infeção purulenta nesta zona avança a grande velocidade.
É preciso ver o médico nesse mesmo dia, e não daqui a uma semana, se a dor apareceu de repente e pela primeira vez, se vem acompanhada de perda de peso, sangue na urina ou nas fezes ou de um nódulo que se apalpa, ou se houve há pouco tempo uma fratura do sacro ou do cóccix. Não são as causas mais frequentes, mas é por causa delas que a consulta não deve ser adiada.
Como se trata
Solução rápida aqui não existe, e é melhor sabê-lo de antemão. Um nervo que aprendeu a doer precisa de tempo, e o tratamento compõe-se quase sempre de várias peças ao mesmo tempo.
- Fisioterapia do pavimento pélvico. É a primeira linha e a parte mais subestimada. O profissional trabalha os músculos do períneo em tensão, ensina a soltá-los, desfaz o espasmo e ajusta posturas e cargas. Uma advertência: os habituais exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico aqui costumam piorar as coisas, pelo que é preciso alguém que saiba tratar dor e não incontinência.
- Medicamentos para a dor nervosa. Os analgésicos correntes quase não pegam nesta dor. Ajudam fármacos de outros grupos: antidepressivos tricíclicos, antidepressivos de ação dupla e anticonvulsivantes gabapentinoides. A dose sobe por etapas e o efeito avalia-se ao fim de várias semanas. Os opioides não resolvem a longo prazo e com o uso prolongado aumentam eles próprios a sensibilidade à dor.
- Bloqueios do nervo. Injeção de anestésico local, por vezes com corticoide, ao longo do trajeto do nervo com orientação por ecografia ou tomografia. Dão tréguas e ajudam a confirmar que se está a olhar para o sítio certo.
- Radiofrequência e neuromodulação. Ponderam-se quando os bloqueios ajudam, mas por pouco tempo.
- Cirurgia. Libertação do nervo da compressão. Considera-se quando o aprisionamento está demonstrado e o tratamento conservador foi honestamente tentado. A melhoria não chega de repente mas ao longo de meses.
- Trabalho com um psicólogo. Não porque a dor esteja «na cabeça». A dor de longa duração reorganiza o sistema nervoso, e a terapia cognitivo-comportamental é uma forma demonstrada de lhe baixar a intensidade e de recuperar a vida, não uma confissão de que se inventou tudo.
O que pode fazer sozinho
- Reduza o tempo sentado: levante-se a cada vinte ou trinta minutos, trabalhe parte do dia de pé e faça paragens nas viagens longas.
- Arranje uma almofada com abertura sob o períneo, retangular com uma fenda ou em forma de U. A boia redonda em geral não ajuda e por vezes agrava a dor.
- Ponha a bicicleta de parte enquanto durar a dor. Se desistir dela for impossível, é preciso um selim com canal central e uma posição de costas direitas, para que o peso assente nas tuberosidades isquiáticas.
- Evite os esforços que pioram o quadro: agachamentos profundos, flexões com peso, levantar cargas e horas ao volante.
- Não deixe instalar-se a obstipação: fibra, água e, se for preciso, um laxante suave. Fazer força lesa o nervo de forma direta.
- Use roupa interior e calças largas e abandone as peças justas e os cintos apertados.
- Um banho morno e o calor local dão a muita gente uma ou duas horas de alívio: não é tratamento, mas é uma pausa.
- Mantenha um diário curto do que agravou e do que aliviou a dor. Ao fim de um mês será o papel mais útil da consulta.
Consulta em linha
Desta dor fala-se com dificuldade, e uma conversa a partir de casa é muitas vezes a primeira em que a pessoa chama as coisas pelos nomes. Em linha pode descrever tudo com calma e perceber se o quadro se enquadra numa neuralgia do pudendo ou se parece antes outra coisa; preparar a lista dos exames que são de facto necessários para não andar em círculos; rever imagens e relatórios já feitos; discutir que medicamento para a dor nervosa propor ao médico e como julgar o efeito; procurar um fisioterapeuta de pavimento pélvico e esclarecer a que especialista pedir encaminhamento. A observação presencial continuará a ser precisa, porque sem toque interno o diagnóstico não se confirma, e perante adormecimento do períneo com retenção de urina ou perdas é preciso uma ambulância e não uma marcação.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Neuralgia do pudendo
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