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Medicamentos habitualmente prescritos para Neuralgia pós-herpética
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 75 mgSubstância ativa: amitriptylineFabricante: Neuraxpharm Spain S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mgSubstância ativa: amitriptylineFabricante: Pan Quimica Farmaceutica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 50 mgSubstância ativa: amitriptylineFabricante: Neuraxpharm Spain S.L.Requer receita médica
O rash da zona sara em duas a quatro semanas, mas em algumas pessoas a dor no mesmo local mantém-se depois de a pele estar cicatrizada. A essa dor arrastada chama-se neuralgia pós-herpética. Não é uma complicação da pele nem o regresso das lesões: o que está lesado é o próprio nervo por onde o vírus se propagou. A dor é real mesmo quando já não há nada para ver, e é justamente por isso que costuma ser desvalorizada, tanto por quem está à volta como por quem a sente. Na maioria dos casos vai cedendo com o tempo, e entretanto pode e deve ser tratada.
Como se sente e quanto dura
A dor ocupa exatamente a faixa de pele onde estiveram as lesões: em regra de um só lado, sobretudo no peito, nas costas ou no flanco, com menos frequência na testa e à volta do olho. Assume formas diferentes e na mesma pessoa costumam combinar-se várias:
- uma dor ardente ou surda contínua, como se a pele estivesse queimada;
- picadas súbitas, semelhantes a um choque elétrico;
- dor provocada por aquilo que não deveria doer: o lençol, o elástico da roupa interior, uma corrente de ar, a água fresca do duche;
- uma comichão insuportável que leva a coçar a pele até ferir;
- dormência e menor sensibilidade nessa mesma zona, por vezes mesmo ao lado da parte dolorosa.
A pele dessa área pode ficar mais clara ou mais escura, com pequenas cicatrizes: são marcas das lesões, não sinal de que a doença continua.
A dor impede de dormir, de vestir-se e de trabalhar, esgota e muitas vezes deita o ânimo abaixo; a tristeza e a ansiedade que a acompanham fazem parte do quadro e não são fraqueza de carácter. O habitual é ir cedendo aos poucos: muitas pessoas melhoram nitidamente ao fim de alguns meses e a maioria ao longo do ano. Nalgumas ficam sensações isoladas durante mais tempo, mas mesmo aí é possível torná-las suportáveis.
Fala-se de neuralgia pós-herpética quando a dor persiste cerca de três meses depois de as lesões terem aparecido. Raramente não começa logo: as lesões saram, há um intervalo tranquilo e depois a dor regressa.
Porque a dor fica e em quem é mais provável
O vírus da varicela não desaparece depois da doença da infância: fica nos gânglios nervosos. Quando as defesas baixam, desperta, percorre um nervo até à pele e provoca zona. Pelo caminho lesa o próprio nervo e o seu gânglio. Um nervo lesado passa a enviar sinais de dor ao cérebro sem motivo nenhum, e um toque que antes era percebido como toque passa a ser lido como dor.
Não é possível prever a quem irá acontecer, mas a probabilidade é maior:
- com a idade: antes dos cinquenta anos é raro e a partir dos setenta é frequente;
- se as lesões foram abundantes e ocuparam uma área grande;
- se a dor na fase aguda foi intensa;
- se a dor ou o ardor apareceram ainda antes das lesões;
- se estiveram envolvidos o olho ou a testa;
- na diabetes e nas situações que enfraquecem as defesas.
A neuralgia pós-herpética em si não é contagiosa: o vírus transmite-se a partir das vesículas enquanto as lesões estão frescas, e sem lesões não há nada para transmitir.
O que mais pode doer assim
Esta doença não tem uma análise que a confirme. O diagnóstico assenta na história: houve zona, a dor ficou no mesmo local e, ao exame, a pele dessa faixa dói com um toque leve. Nem as análises ao sangue nem os exames de imagem mostram uma neuralgia pós-herpética; pedem-se quando o quadro não encaixa e é preciso excluir outra coisa.
Vale a pena investigar se a dor se comporta de forma diferente do esperado:
- apareceram lesões novas: pode ser um novo episódio de zona, que se trata com antivíricos e não com analgésicos;
- a dor está noutro sítio, e não onde estiveram as lesões, e não deve ser atribuída à neuralgia;
- dor no peito com falta de ar, suores e irradiação para o braço ou para o maxilar: é assim que se manifesta uma doença do coração, não uma neuralgia;
- dor no flanco com febre, vómitos ou alteração da urina: há que procurar o rim ou a vesícula;
- dor que desce pelo braço ou pela perna com fraqueza e formigueiro: é mais vezes uma raiz nervosa comprimida por um problema da coluna;
- crises breves e penetrantes na cara desencadeadas por mastigar, barbear-se ou lavar os dentes: é o comportamento da nevralgia do trigémio.
Quando é preciso ajuda urgente
Procure um médico no próprio dia se:
- as lesões ou a dor envolvem a testa, a pálpebra ou o nariz, sobretudo com vesículas na ponta do nariz: significa que está envolvido o ramo do nervo que vai ao olho e é necessária observação por oftalmologia;
- surgirem dor no olho, vermelhidão, incómodo com a luz ou diminuição da visão;
- metade da cara ficar sem força, a boca descair, ou aparecerem dor no ouvido, perda de audição, zumbidos ou vertigens;
- a pele à volta das lesões já saradas ficar vermelha e quente, com pus e febre;
- as lesões reaparecerem ou se espalharem pelo corpo enquanto toma medicamentos que baixam as defesas;
- a dor se tornar insuportável, já não dormir há várias noites ou não conseguir comer nem beber.
Chame uma ambulância (em Portugal e em grande parte da Europa o número único de emergência é o 112) se surgirem dor de cabeça intensa com rigidez do pescoço e febre, confusão, convulsões ou perda súbita da visão, e também se a dor no peito vier acompanhada de falta de ar ou de sensação de aperto.
Com que se trata
A dor de origem nervosa funciona de maneira diferente da dor de uma ferida ou de uma inflamação, por isso são necessários outros medicamentos. Os analgésicos e anti-inflamatórios comuns ajudam pouco; além disso, os anti-inflamatórios não esteroides são mal tolerados em idades avançadas, porque pesam sobre o estômago, os rins e a tensão arterial. O paracetamol pode aliviar um pouco, mas contar apenas com ele não é realista.
A base do tratamento são os fármacos que atuam sobre a transmissão da dor ao longo do nervo:
- antiepiléticos como a gabapentina e a pregabalina;
- antidepressivos usados pelo efeito analgésico, como a amitriptilina e a duloxetina: são prescritos para abrandar a dor, não porque a dor seja «da cabeça»;
- emplastro de lidocaína, aplicado sobre a zona dolorosa, que atua localmente e é especialmente útil quando o toque da roupa é intolerável;
- creme ou emplastro de capsaicina, que ao início aumenta o ardor mas depois reduz a sensibilidade da pele;
- analgésicos opioides como o tramadol ou a codeína, apenas em ciclos curtos e quando o resto não chegou: provocam sonolência, prisão de ventre e dependência.
Muitas vezes um só medicamento não basta e o médico associa um fármaco oral a um tópico. Se a dor não ceder, encaminha-se para uma consulta da dor, onde se usam emplastros mais potentes, bloqueios nervosos e também acompanhamento psicológico, que ensina a lidar com a dor prolongada e melhora bastante o sono e o dia a dia.
O que importa saber sobre os medicamentos para a dor nervosa
Estes medicamentos não funcionam como um comprimido para as dores de cabeça, e é por não se perceber isso que muita gente os abandona nos primeiros dias.
Começa-se sempre com uma dose baixa que vai subindo aos poucos, ao longo de semanas. O efeito claro chega em regra ao fim de duas a quatro semanas, por isso «em dois dias não fez nada» ainda não quer dizer nada.
No início são comuns sonolência, tonturas, boca seca, inchaço dos tornozelos e visão turva. Numa pessoa idosa isso significa também risco de queda, pelo que as primeiras doses se tomam à noite e convém levantar-se devagar da cama. Até a dose estar acertada, é melhor não conduzir.
Estes medicamentos não podem ser suspensos de repente, nem os antiepiléticos nem os antidepressivos. Uma paragem brusca provoca ansiedade, insónia, suores e náuseas, e por vezes a dor volta mais forte do que antes. Se um fármaco não se adequar, o médico define um esquema de redução gradual.
Diga sempre que outros medicamentos toma e se tem problemas de rim: disso dependem tanto a escolha do fármaco como a dose. O álcool acentua a sonolência e as tonturas.
O que pode fazer por si
Os medicamentos não retiram a dor por completo, e aquilo que se faz em casa acrescenta bastante ao resultado.
- Use roupa larga de algodão ou seda; a lã e as costuras apertadas sobre a zona são em regra insuportáveis.
- Cubra a área sensível com um penso macio por baixo da roupa: amortece o roçar do tecido.
- Aplique algo fresco envolvido numa toalha durante dez a vinte minutos, se o frio lhe der alívio.
- Não use saco de água quente nem aqueça muito a zona: a sensibilidade está reduzida e uma queimadura pode passar despercebida.
- Não coce a pele; mantenha as unhas curtas e, se a comichão for insuportável, pergunte ao médico que tratamentos a acalmam.
- Mantenha um diário curto da dor: mostra se o tratamento está a resultar e facilita a conversa na consulta.
- Não abdique por completo das atividades habituais e dos passeios: a imobilidade e o isolamento agravam a dor.
- Cuide do sono: dor e insónia alimentam-se uma à outra, e quebrar esse círculo conta mais do que parece.
Como reduzir o risco no futuro
A neuralgia pós-herpética é mais fácil de prevenir do que de tratar, e há aqui duas medidas que resultam.
A primeira é começar o tratamento da zona o mais cedo possível. Os antivíricos são tanto mais eficazes quanto mais cedo forem iniciados, e o maior benefício obtém-se nos primeiros três dias após o aparecimento das lesões. Por isso, perante uma dor súbita de um só lado com vesículas, é preciso ser observado sem adiar. Um bom controlo da dor na fase aguda também reduz a probabilidade de a dor se arrastar.
A segunda é a vacina contra a zona. Reduz tanto a probabilidade de vir a ter a doença como a de a dor se prolongar depois. É recomendada às pessoas mais velhas e a quem tem as defesas enfraquecidas por uma doença ou por um tratamento; a idade exata, o tipo de vacina e o número de doses variam de país para país, por isso confirme no calendário nacional de vacinação ou pergunte ao médico. Ter tido zona não dispensa a vacinação: um episódio anterior não protege dos seguintes.
Ajuda ainda tudo o que diminui a probabilidade de o vírus despertar: o controlo do açúcar na diabetes, o tratamento da doença de base, o sono e a recuperação depois de períodos de grande esforço.
Consulta em linha
A dor depois da zona arrasta-se durante meses, e grande parte do trabalho consiste em acertar a dose, avaliar o efeito e decidir o que mudar a seguir. São conversas que funcionam bem em linha: o médico avalia se a sua dor corresponde a uma neuralgia pós-herpética, explica o que esperar do medicamento prescrito e em quanto tempo, ajuda a interpretar os efeitos indesejáveis e indica quando é altura de recorrer a uma consulta da dor. Em linha vale também a pena falar de prevenção: a vacinação e o que fazer num próximo episódio. Mas se o olho estiver envolvido, se a cara descaiu, se houver febre ou surgirem lesões novas, é preciso observação presencial no próprio dia, e perante confusão ou dor de cabeça intensa, uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Neuralgia pós-herpética
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